jungwrites:
o que acontece a seguir é ainda mais surpreendente. ao longo de sua vida ele não só ouviu as histórias de jian como também esteve presente em alguns momentos em que viu o irmão fazer alguma garota chorar, o que ele sempre repudiou mas ao mesmo tempo nunca deu tanta atenção. ele amava seu irmão, mesmo que soubesse o tipo de pessoa que ele havia se tornado. de todo modo, era impossível não se sentir compassivo com a cena, especialmente por se tratar da garota que ele havia amado durante alguns dos anos de sua vida acadêmica, o que ficou ainda pior quando ela começou a namorar jian e shuang era obrigado a testemunhar os dois juntos. jian nunca soube da paixão de shuang, e ele próprio tentava empurrar aquele sentimento cada vez mais para longe de si. em um primeiro momento, ficou incerto, sem saber o que faria com ela. deveria abraçá-la? dar espaço? era estranho como ela era a única garota que o deixava tão desconcertado. no final das contas, a abraçou; cauteloso a princípio e depois a envolvendo de forma mais firme ao mesmo tempo em que se mantinha cuidadoso. suas mãos se limitarem a tocá-la apenas nas costas, e acabou por encostar o queixo no topo da cabeça dela. ele não tinha ideia do que jian poderia ter feito, mas sabia que queria ajudá-la fosse o que fosse. “se acalma,” ele disse em um tom de voz mais baixo. “não dá para resolver se você não me contar o que houve.” ainda esperou mais um pouco antes de finalmente se mover, indo em direção ao sofá com um dos braços ainda ao redor do ombro dela. antes de se sentarem, puxou uma manta para cobrir a superfície, de modo que não fosse molhar o estofado e ao mesmo tempo ajudaria mei a se aquecer um pouco mais. shuang segurou o rosto dela entre as mãos e começou a enxugar as lágrimas dela com os dedões. ele então fez uma coisa que a mãe sempre fazia com ele e com os irmãos, e uma coisa que ela ainda fazia com o sobrinho dele, sicheng: gentil e levemente soprou o rosto da garota. ele não sabia o porquê daquilo, se era para acalmar quem chorava ou ajudar a recuperar o fôlego, só sabia que ajudava quando era moleque. “mei, o que foi que aconteceu?”
não tinha saída, não tinha como alguém sequer ousar lhe ajudar a encontrar uma maneira de resolver seu problema e que baita problema. não podia mais encher o saco de kayee, mais do que tinha feito nas últimas horas e agora tinha shuang ali para ser a próxima vítima de um choro infinito e uma lamentação de sua existência por um todo, mas talvez antes o ex cunhado do que aquele que tinha lhe largado e agora, bom, com uma barriga mesmo que ainda no início de uma gestação. era horrível, era dolorido e ela não gostava de pensar em como as coisas piorariam dali pra frente. ou por quanto tempo conseguiria esconder a barriga ou se seria capaz de abortar era tanta coisa passando em sua mente que ela nem sabia que linha de raciocínio segurar.
ela mordeu o interior do lábio inferior quando foi abraçada, mas não recusou, não recuou, ela apenas aceitou quieta e cálida com suas lágrimas que seriam bem prováveis de molhar o peito desnudo do outro. se fosse em tempos normais até teria apreciado shuang, mas naquele momento não conseguia fazê-lo. “e como eu vou contar o que houve?” soltou com a voz esganiçada conforme o seguiu até o sofá. mei esperou calmamente por ele por a manta antes de se sentar e tentar respirar fundo para parecer mais apresentável. difícil de fato. os lábios tremiam, os olhos estavam vermelhos e mei só conseguiu se agarrar mais a toalha quando o outro começou a enxugar suas lágrimas. se questionava como shuang conseguia ser tão calmo naquele momento. se bem que era uma necessidade que pelo menos um dos dois fosse. “shu... eu tô grávida... eu tô grávida do jian e... eu... merda... eu não sei o que fazer.”








