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@kurt x yvina
Yvina pegou um dos cigarros e o acendeu com o isqueiro. Soltando a fumaça lentamente. - Nem sei quando cheguei aqui, eu ‘tô tão perdida. Dei mais uma tragada no cigarro e nem me lembrei de pegar outra garrafa de cerveja. Quando fumo, esqueço de tudo. Yvi disse que eu poderia chama-lá do que quiser, tinha uma expressão leve no rosto. Eu estava em silêncio, apenas ouvindo o que Yvi dizia. Não sou de falar muito, sou mais silencioso, sou mais de agir. E também não é porque não sei falar com garotas, aposto que até o final da noite eu daria em cima de Yvina. Mas ela não me parece ser muito fácil. Eu acho que já vi ela pelo campus da S.A. Mas talvez se eu perguntasse, seria capaz dela não responder. Talvez pelo álcool. Então após eu oferecer uma cerveja, disse que não recusaria. Yvi se levantou, se apoiou no meu ombro e me estendeu a mão. Pedindo desculpas por ter se apoiado em meu ombro.
- Vem, te ajudo a pegar bastante. Aí a gente vai para um canto que ninguém roube cigarros ou cerveja, e você fica bêbado de verdade. Dei uma ultima tragada no cigarro e o apaguei, jogando a bituca sobre uma mesa qualquer, pouco me importaria de fosse fazer bagunça ou sujeira. Era só olhar em volta e ver o estado da mansão. Puxei uma garrafa de Heineken do monte de gelo e segui Yvi, colocando meu braço sobre seu ombro. - E pra onde a senhorita está me levando?
Ele não falava muito. O que não sabia se era bom ou não, afinal, eu dizia muitas coisas. O lado positivo era que não precisava competir pelas palavras, mas o lado negativo era de não saber se estava incomodando ou sendo um saco de pessoa. Mas não estava nem aí, iria falar e Kurt teria que escutar. Fui com ele até o lugar mágico, o santuário das garrafas, e imitei a atitude dele. Mas só que em vez de uma, peguei quatro garrafas - duas em cada mão -, eu tinha uma grande habilidade naquilo. Nem percebi quando o braço dele foi para o meu ombro - ele era tão magro, diferente de outros -, mas era bom para eu poder me apoiar. Mirei novamente suas tatuagens, no braço passado por mim. Pelo o que eu podia ver, eram bonitas, e ousadas. Gostava de ousadia. - Não sei. - Era a pura verdade. Só estava andando para um lugar aleatório, não conhecia nada daquela casa.
- Onde você quer ir? Vou onde quiser. - E dessa vez, eu que passei meu braço em volta de seu pescoço - com as duas garrafas no meio dos dedos - como se me apoiasse em Kurt. Se nós dois não caíssemos, já seria um lucro e tanto. Encostei minha cabeça no seu ombro, fechando os olhos, ouvindo a batida massiva da música e pensando em todo o momento. Já estava tudo ferrado mesmo, não tinha como piorar. E no dia seguinte, provavelmente eu não lembraria de nada. Da última parte, eu já estava acostumada.
@kurt x yvina
Ela bateu com a garrafa na minha formando um brinde desastrado e completou dizendo seu nome: Yvina. Não era um nome comum. Mas era bonito, sei lá, diferente. “- Eu sei lá quem é Pietro.” Dei uma risada e dei mais um gole na cerveja. Ou ela estava bêbada ou então era meio louquinha. Prefiro acreditar que ela estava bêbada, é mais divertido conversar com pessoas bêbadas. Acho que é por que, muitas vezes, eu sou o bêbado. Mas sou legal. Disse que alguém roubou seus cigarros. Como alguém rouba seus cigarros? Deve estar bêbada mesmo. E estou percebendo que fico repetindo as palavras em minha cabeça. Saquei a carteira de cigarros do bolso e dei a ela, junto ao isqueiro. Gostei dela, não é como a maioria das meninas que ficam sóbrias o tempo todo e não fumam porque faz mal a saúde. Por favor.
Dei mais um gole na bebida e quando menos esperei estava no chão. Yvina tinha me puxado pelo braço e então fomos parar no solo. Ela deu uma risada e eu a acompanhei. Terminei a minha cerveja e larguei a garrafa por ali mesmo. Essa era qual? A terceira ou quarta? Ou talvez a quinta? Foda-se, o álcool ja fazia efeito. Peguei um cigarro e o acendi, deixando o mesmo entre meus dedos e soltando uma fumaça longa. “- Acho que já bebi um pouquinho demais. Acabou de chegar, Kurt?” Ri mais um vez, era tudo tão engraçado. E olha que eu não sou fraco para bebida… - Aham. Dei mais uma tragada. - E você Yvi? Posso te chamar assim? Yvina é legal, mas muito complicado, daqui a pouco a fala estaria enrolada e eu jamais iria conseguir pronunciar esse nome. Olhei para os lados e perguntei. - Quer mais uma cerveja? Abri um sorriso.
Peguei um cigarro de dentro da carteira, era um marlboro. Ainda bem que era marca boa, porque se fosse marca barata ou ruim, eu iria fumar do mesmo jeito, e ia ser pior. Coloquei o fumo no meio de meus lábios e o acendi, puxando a fumaça tóxica. Entreguei as coisas de Kurt para Kurt. Ele tava rindo demais, será que já estava mais chapado que eu? Já tinha sentido o cheiro de erva fora da casa, mas ainda não fumei nada. - Nem sei quando cheguei aqui, eu ‘tô tão perdida. - Encostei minha cabeça na parede. - E pode. Me chama do que quiser. - Eu não costumava ser tão legal assim, com essa parada de nomes. Sempre fui meio paranóica com apelidos, uma vez que já tinha sido meio gordinha. Mas já estava bêbada, pouco importava se ele me chamasse de docinho ou otária, o máximo que aconteceria seria eu queimá-lo com a ponta do cigarro, e no outro dia já não lembraria mais de nada.
- E eu recusar cerveja? - Dei mais uma risada. - Já pegue dez garrafas. - Falei, e levei a garrafa à boca novamente, terminando de beber tudo o mais rápido possível. Não parei para respirar nem uma vez. Deveria ser algo para me orgulhar? Naquele momento, sim. Então, deixei a garrafa no chão, prendi o cigarro na minha boca e já me levantei, mas por estar tonta demais, quase cai. Me apoiei no ombro do garoto, que ainda estava sentado. Ele parecia tão magro, que talvez eu tivesse machucado-o. - Desculpas. - Sibilei, crispando minha boca. Soltei de seu ombro, e estendi minha mão. - Vem, te ajudo a pegar bastante. Aí a gente vai para um canto que ninguém roube cigarros ou cerveja, e você fica bêbado de verdade.
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Depois que cheguei, percebi que ja estava bem cheio. Me encostei e fiquei bebendo, conversei com uns caras que eu conheci e lá se foi outra cervja. Em pouco tempo, já estava com vontade de fumar. Mas não sei se a Annabel ia encanar, a casa ia ficar com cheiro de fumaça. Mas até ai ta beleza, porque aposto que no final da festa a mansão vai estar destruída. Tomei o último gole da minha Heineken, que estava geladinha, do jeito que eu gosto. Cerveja tem que beber trincando, se não, não tem graça… Olhei em volta e percebi que tinha outras coisas, mas por enquanto não estava afim de ir pra vodka ou pra tequila, talvez, mais tarde.
Continuei com minha garrafa vazia na mão e voltei a olhar para as pessoas. Cada mina linda. Já ia tirando minha carteira de cigarros do bolso quando uma garota a minha apareceu. Olhou para a minha garrafa sem piscar e perguntou onde poderia conseguir uma. Abandonei a garrafa na mesa mais próxima e fui até o coleer, pegando duas garrafas verdes. Dei uma pra ela e abri a minha com força na mesa. - Parece que as Stellas acabaram. Pô, mancada. Ela apontou para as minha tatuagens do braço e disse que tinha algumas também. Ela e um tal de Pietro. Me aproximei dela, pisquei. - Kurt e você? Gatinha ela. - E quem seria “Pietro”?
Então ele conseguiu mais cerveja. Ainda bem, já estava pronta para dar um verdadeiro barraco ali, no meio de todo mundo. Peguei a Heineken e abri com jeito, na minha blusa. Ele tinha piscado? É, ele deveria ter piscado. Não sei, já estava meio alterada. - Yvina. - Peguei minha garrafa, e bati com pouca força na dele, um brinde desajeitado. Quem era Pietro? Boa pergunta. Pelo menos para mim. Não era meu namorado, mas também não era um simples amigo. Suspirei, com uma grande risada. - Eu sei lá quem é Pietro. - Soava como uma bêbada sem noção de nada, mas era exatamente daquele jeito que eu me sentia.
- Tem cigarro? Alguém roubou os meus. - Não queria voltar a pensar no ruivo, era bom mudar de assunto e rápido. E eu também queria fumar, mas tinham me tirado meus Vogue. O Kurt parecia ser legal, e se era bonito eu não saberia dizer. Minha visão quase que embaçada me impossibilitava achar alguém bonito ou não. Só por um milagre que consegui ver as lindas tatuagens. Gostava de pessoas tatuadas, não me faziam sentir tão estranha. - Ei, e eu preciso sentar. - Sem a menor cerimônia, o agarrei pelo braço, e no que fui para o chão, ele foi também. Dei uma pequena risada, bebendo mais. Não que estivesse com sede, mas que alternativa tinha? Já estava tudo errado mesmo. - Acho que já bebi um pouquinho demais. Acabou de chegar, Kurt? - Nome legal. Soava bem, eu poderia ficar falando Kurt, Kurt, Kurt quando não tivesse o que fazer.
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Hoje, assim que recebi a mensagem da Annabel dizendo que ia ter festa na casa dela, me animei. Depois de todo esse lance de incêndio, acidente e essas paradas, ficou foda de se animar com algo. Mas a galera tava precisando disso, principalmente com a morte do Adam… Mas o negócio é seguir em frente.
Pra variar minha mãe não esta em casa e meus irmãos também, ótimo. Meu pai, eu nem sei. Desde que rolou essa coisa do incêndio que eu não falo com ele, não sei, mas ele não deve estar falando comigo também. Minha mãe disse que ele soube do acidente e que não se surpreendeu. Nunca gostou muito da ideia de eu ir estudar numa escola de artes. Ele tem essa parada de que homem de verdade não estuda artes. Escroto demais. Então, durante essas “férias” vou ficar na casa da minha mãe… Fui até o quarto e me troquei, peguei minha carteira de cigarros e saí. Tinha uma grana no bolso e peguei um táxi. Assim que cheguei, dava pra ver o barulho da rua, a casa era enorme e tava lotada. Fui entrando e me dirigi direito ao cooler e peguei uma garrafa de heineken. Me apoiei na parede e fiquei olhando o movimento.
Será que ainda tinha gente chegando? Depois... Do que? Oito, dez garrafas de cerveja, eu tinha perdido a noção do tempo. Mas sempre existiam aqueles com complexo de celebridade, chegar tarde e pegar a festa no fervor. Eu costumava ser assim, vai saber o porquê de eu ter chegado cedo daquela vez. Me sentia tonta, mas não cansada. O mundo poderia acabar e não teria me cansado ainda.
O único motivo de ter voltado para a mansão, era que eu tinha de buscar mais bebida. A galera toda de fora 'tava reclamando. Bêbados reclamões. Fui rapidinho para onde a coisa ainda tava animada. Ninguém pareceu prestar atenção em mim, e por que deveriam? Nem eu mesma sabia o que estava fazendo. E todos pareciam ocupados demais, se beijando, se comendo, não fazia diferença alguma. Onde estava aquele italiano? Precisava dele. E nem pelo cabelo conseguia diferenciar mais. Se eu usasse a cor das cabeças das pessoas como indicador, todos ali eram ruivos, depois eram loiros, depois tinham o cabelo rosa... Olhava para os lados freneticamente, por fim, sem saber mais o que eu realmente estava procurando. Talvez fosse bebida, ou talvez fosse o meu príncipe encantado. Mas só soube que, na hora que vi o reflexo mágico no vidro verde de uma garrafa na mão de um garoto, fui correndo até lá.
- Onde posso arranjar mais dessas? - Cheguei perto, indicando a Heineken com a cabeça. - Parece que as Stellas acabaram. - Falei em um muxoxo. E apalpei meu bolso em busca dos cigarros, e eles tinham sumido, como mágica. Plim. - E ei, gostei dessas. - Apontei para as tatuagens no braço esquerdo dele. - Tenho algumas também, e o Pietro também. - Repetição de palavras. Mas foda-se, eu já estava bêbada mesmo.
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Isles fechou os olhos, tragando o cigarro com segurança, o mesmo preso entre seus dedos agora. Tempo demais. Liberou a fumaça calmamente, suspirando. Depois de tantos meses sem colocar um cigarro na boca, qualquer um teria um sabor bem-vindo para a jovem. Fez uma breve reverência para Yvina após o agradecimento dela, e sorriu. Girou com o impulso, mas não se atreveu a tentar fazer uma pose - estava com altos riscos de perder o equilíbrio de parasse de se mover, então continuou movendo o corpo de acordo com a música.
Pulou, tirando o cigarro dos lábios para soltar a fumaça e sorrir. - Seu pedido é uma ordem, milady. - Aproveitou ter sido aproximada pela mão desocupada de Yvina e foi obstinada até onde tinha mais pessoas, ficando juntas à borda da piscina. Existem poucas coisas na vida que facilitem tanto o não-pensar. Música alta, álcool e cigarro pareciam ser a melhor combinação de todas, contudo. Alguém passou a mão em Sofia, mas ela não se preocupou em procurar quem fora. - Uma disputa para ver qual sai daqui mais apalpada? - Riu-se, falando perto de Yvina por conta do som alto. Tomou outro trago forte do cigarro, deixando a mão com o mesmo pender ao lado do corpo, sem se preocupar com quem pudesse se queimar devido a aproximação.
A festa dos riquinhos estava melhor do que eu esperava. Já tinha arranjado alguém para beber e dançar comigo, havia muitas pessoas e o melhor de tudo, bebida de graça. Não podia sonhar com algo melhor. - Duvido que ganhe de mim. - Aproximei meu rosto do dela, para ser ouvida em meio a tantos barulhos, enquanto sentia mãos nas minhas pernas, nos meus glúteos. - Os ingleses são bem rapidinhos, hein. - Não que eu estivesse reclamando. Era acostumada a aquilo, na América ninguém se diferenciava naquilo tudo.
E só tinha uma coisa me incomodando, o que mais me irritava, me fazia puta comigo mesma. Eu tentava me fazer acreditar que não, mas aquilo parecia muito errado. Não estava tão bêbada para já me esquecer de tudo, e a confusão martelava na minha cabeça. E se o lance com o Pietro fosse realmente sério? Era engraçado, de uma certa forma, o fato de que nem eu mesma sabia da minha vida, dos meus relacionamentos e da minha condição. Pensar em tudo isso enquanto dançava de olhos fechados era uma coisa doida. Quando essas reflexões te pegam de surpresa, tudo ao seu redor perde a forma, os sons vão embora. Sentimentos. Eu nunca tinha me permitido ter eles, só ferram com a sua vida. E tinha de continuar com aquela filosofia, desesperadamente.
Sai do transe de uma vez só, como se acordasse abruptamente. Ninguém deveria ter ligado, afinal não dava para enxergar muito bem naquela confusão azul-escura. Bebi o resto da minha cerveja, tinha caído bastante no chão e na minha calça enquanto eu dançava. - Ó, furou a aposta. Estão passando tantas vezes que parece uma vez só. Inacabável! - Dei uma risada. Caramba, onde estavam as pílulas daquele lugar?
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Ainda mais contente, Sofia segurou o cigarro oferecido com cuidado entre os lábios. - Faz muito bem. Ouvi dizer que azar é um saco - brincou, tateando os bolsos atrás de um isqueiro. Sabia que não teria um, no entanto. Não fuma desde a festa de dia dos namorados. Um pouco antes, na verdade. Mas se vai começar a contar a verdade por aí, precisa pelo menos voltar a fumar. - Fogo? - Piscou os olhos de forma implorativa para Yvina, o cigarro pendendo nos lábios.
Jogou a cabeça para trás, rindo. Afirmou a teoria da outra com um aceno de cabeça. - Também acho que não. - Isso de falar sobre o incêndio é complicado em diferentes níveis. Por Sofia não conseguir parar dentro da casa, nada lhe aconteceu. Mas um bom número de pessoas que ela conhecia não tinham sobrevivido. Sem contar os que sobreviveram, mas se machucaram. E, claro, o encontro com Alex. É melhor deixar esse assunto pra lá. É mais seguro. Ficou feliz com Yvi lhe oferecendo uma das cervejas e a pegou. - Bom gosto. - Disse após um gole longo. Estava com sede. Dançar, andar, falar, tudo ao mesmo tempo, pode ser cansativo depois de muita exposição. - Você quer dançar? - Sofia mexeu os quadris na direção da garota, rindo e entornando mais da bebida. - É bom pra suar e parar de pensar. - E essa é uma das atividades preferidas de Isles.
Tateei meu outro bolso, em busca do isqueiro preto de costume, ele já era meio velho e nunca tinha me deixado na mão. Então, achei o objeto, depois de procurar só um pouco. Com ele em mãos, acendi o fino cigarro da Sofia, guardando meu velho amigo de novo, e tragando meu próprio Vogue, baforando logo em seguida. - Obrigada. - Dei de ombros, com uma risada, deixando mais uma garrafa vazia do lado das outras duas. Eu não costumava dançar, e só fazia isso bêbada ou bem drogada, então não lembrava.
Mas... Por que não? É isso o que você sempre pensa. Coloquei as mãos no quadril dela, e girei, soltando-a logo após. - Claro! - O que eu mais precisava era parar de pensar. Em tudo. Na minha família, no que seria da escola, e até parar de pensar em Pietro. Pensar nesse nome me dava até um aperto no coração, algo estranho. Não sabia onde ele estava, e tinha medo de saber. Não sei o porquê. Talvez fosse porque eu não queria sentir nada, ou melhor, porque eu precisava me enganar e pensar que não sentia nada mesmo. Toda aquela coisa do hospital fez um emaranhado de ideias na minha cabeça, uma verdadeira cama de gato. Por tudo isso, era melhor não pensar.
Agarrei mais uma das garrafas, abrindo-a com os dentes, no que eu tinha habilidade de fazer. Com a mão livre, segurei Sofia, é estranho como algumas pessoas viram suas amigas tão rápido. - Quero ir para onde todo mundo está. - Dançar no meio de muita gente que era legal.
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A última festa com piscina que Sofia recordava fora a festa do começo do ano letivo, que ela mesma começou, com ajuda da francesa e da loira com complexo de adolescente, Tory. Faz tempo que não vê a garota de mechas coloridas, o que é uma pena. A francesa saiu da escola um tempo depois, Sofia nunca soube o motivo. Infelizmente, saiu rápido demais. Sofia tinha planos muito interessantes para as duas, mas foi devagar demais. É a vida.
Isles tem essa habilidade, vamos chamar assim, para andar e dançar ao mesmo tempo. Dá a impressão que ela está dançando e não andando, mas é o contrário. A música sempre teve um poder muito grande sobre o corpo e a alma de Sofia, coisa que ultimamente ela tem se aproveitado. Desde seu último encontro com Alex, a crise de sufocamento graças ao medo, Sofia fez a promessa de cessar o drama na sua vida. Percebeu que a maior parte disso é culpa das mentiras, então vai tentar diminuir isso também. Mas não precisa se preocupar, não agora. Ela girou o corpo para o lado e se deparou com um rosto conhecido. A menina dos peixes. Tirou o excesso de cabelos de frente do rosto e foi até lá. - Dá azar não dividir cigarros, sabia? - Riu, encostando seu ombro no de Yvina, mas sem parar de dançar. - Então nos encontramos de novo. Como vão os peixes? - Um sorriso sobrou da risada, sincero.
De repente, algo encostou no meu braço. Não levei um susto, não me assustava fácil. Levantei o rosto e dei uma grande risada. É, era alguém legal. Retirei a carteira dos longos cigarros do bolso, novamente, e peguei um, posicionando-o entre meus dedos médio e indicador. - Não quero mais azar na minha vida. - Falei ironicamente, estendendo o fumo direto para os lábios de Sofia. Sempre tive um problema, de ou criar intimidade muito fácil com alguém, ou deixar a timidez me vencer por completo. Aquela garota me inspirava coisas boas, um espírito de alguém com quem eu me daria muito bem. Me lembrava uma das antigas amigas de Seattle, mas não saberia dizer se eram os olhos, o cabelo, ou somente a atitude.
Ainda com a mão estendida, dei de ombros. - Eles vão bem, eu acho. Não tem como pegar fogo na água, eu acho. - Repetição de palavras. Aquilo acontecia quando meus ânimos começavam a se alterar. Dei uma pequena risada, rindo de minha própria desgraça, fazendo piada do grande incêndio de que todos temiam falar sobre. Quantas cervejas eu tinha bebido? Duas? Não eram muitas. Não dava para eu estar bêbada já. Talvez o período em que eu fiquei sem beber me deixou fraca. Eu tinha que dar um jeito de fortalecer o mais rápido possível, então. - E ei, pega uma. - Indiquei a embalagem de Stella Artois pela metade. - Não quero azar mesmo.
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Estava para existir alguma coisa que me fizesse desistir de festa. Sabe, bebida de graça. E talvez, tivessem mais coisas, afinal, nunca se sabe até uma festa de riquinhos vai. Tinha saído do hospital faziam alguns dias, e estava na casa do tio da Mel. Ela não estava mais na Spring, mas continuaria sendo minha melhor amiga. Ou pelo menos, era o que eu esperava.
Quando recebi um sms, da tal festa na casa de uma popular, me animei. Precisava melhorar meus ânimos, e as queimaduras não a impediriam de nada. Coloquei meus jeans - para esconder as feridas das pernas -, minha camiseta preferida, e jaqueta de couro, escondendo ambos os braços. Devo ter passado uma tonelada de pó no rosto, para esconder uma coisa pequena e desagradável que tinha na minha bochecha esquerda, uma cicatriz. E vermelho na boca, era claro. Me produzir tanto me lembrava de Pietro, não tinha o visto desde que sai do hospital. Não saberia dizer se o mesmo estaria ou não na festa. Era bem capaz que estivesse trabalhando.
Chegando na mansão, até professora eu vi. Gente que já estava bebendo demais, a maioria nunca deveria ter relado em um copo de vodka antes. O que eu estava fazendo ali? Procurei por um ruivo em meio de tanta gente, mas não achei nada. Dei um jeito de ir na cozinha, e pegar seis Stellas da geladeira. Coloquei a embalagem embaixo do braço, e fui para um canto, ao lado da piscina - onde eu não vi ninguém que pudesse me repreender por fumar e beber. Abri o maço de Vogue, e retirei um dos cigarros ali, o acendendo e levando o mesmo para meus lábios. Em uma casa cheia de gente, logo apareceria alguém para me encher. Que fosse alguém legal, pelo menos.
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Se pudesse a levaria para longe daquele hospital - nunca gostei de estar nesses lugares e parecia que o sentimento era compartilhado -, mas não podia. A recuperação dela ainda não estava terminada, eu acho, e nem mesmo sei se ela poderia receber alta sem a presença dos pais. Soube que eles foram chamados e que o pai estava a caminho, mas não podia afirmar com certeza quando chegaria. Infelizmente Yvi teria de esperar, nada podia ser feito. E eu, esperaria ao seu lado.
- As coisas não são fáceis assim. - Segurei seu queixo e a fiz erguer os olhos para mim. - Você não pode ir embora ainda. - Esperava que ela compreendesse o que eu queria dizer e não reclamasse. Se quisesse descontar sua fúria que o fizesse em algum médico, não em mim. Não é um pensamento altruísta, sei disso, mas não estava a fim de ouvir gritos, xingamentos ou qualquer coisa do tipo.
Então engoli em seco, sem saber o que dizer sobre seus pais. Não havia falado diretamente com eles, somente entreguei seus números de telefone ao pessoal do hospital que se encarregou de entrar em contato. Minhas informações eram escassas. - Seu pai está vindo, mas não sei quando chega. E sua mãe… - Não sabia nada sobre ela, mas presumi que estivesse vindo. - Deve estar vindo também. Não se preocupa.
Senti a mão em minha camisa e a segurei, cruzando meus dedos com os dela. Era um assunto delicado. - Sim. - Respondi somente. Não era hora para falar dos meus problemas, Yvi não precisava saber da pressão que meus pais faziam para que eu voltasse. Ainda não sabia o que iria fazer dali para a frente, mas resolvi não pensar no assunto agora. - Não vou te deixar.
O sentimento de que eu era uma criança pequena e birrenta e ele, meu pai, cresceu mais ainda dentro de mim. Fitei seus olhos, me sentindo um pouco mais culpada. Mas não daria o braço a torcer, nunca fiz isso. Mordi meus lábios, para não chorar de novo, não seria mais fraca. - Estão... Estão vindo. Ok. - Falei em um tom triste. Não queria que soasse daquele jeito, mas era impossível. Eles não ligavam mais para mim, tinham me jogado no internato, não que no começo eu não quisesse, e depois me esqueceram. Eu estava feito um marshmallow mal queimado ali, e meus queridos pais deveriam estar brigando, com oceanos de distância entre nós. - Não vou me preocupar. - Suspirei.
Me prendi na sensação de seus dedos entre os meus, meu coração batia mais acelerado, toda aquela situação era completamente absurda. Aquelas palavras poderiam até ser mentiras, mas não liguei. Aquilo bastava para me acalmar, mesmo que só um pouquinho. É. Eu era uma criancinha de cinco anos, e qualquer palavra, mesmo que soprada com fundos incertos, servia de calmante.
Então, senti como se minha cabeça começasse a rodar, meus olhos pesando. - Me... Me deram remédio? - Perguntei. Foi tudo... Do nada. - Não tô me sentindo muito bem... - Fitei suas orbes, antes que minhas pálpebras descessem, escondendo minhas próprias íris. Me sentia sonolenta, por fim. Tinham me dopado, e nem percebi. Talvez fosse mesmo necessário, mas não queria saber. Só queria sair dali, e saber que estava tudo bem. Mas não estava, e nem iria ficar. Não tinha como ser otimista. Meus dedos afrouxavam lentamente de sua camiseta, a força se esvaindo de meu corpo, até que não senti mais nada.
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Revirei os olhos. Sei que ela falava besteira praticamente o tempo inteiro, mas devia ter percebido que o assunto era sério e que não era hora para brincadeiras. No entanto penso que se Yvi não tivesse soltado aquela frase não seria ela mesma. De qualquer forma não demorou para que a ficha dela caísse e tivesse noção da gravidade da situação. Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer, então que fosse o quanto antes, pois eu estava cansado, literalmente.
- Calma. - pedi, pacientemente, enquanto ela fazia várias perguntas sem parar de falar. Porém eu sabia que ela não se acalmaria. - A Mel está bem. - comecei a dizer. - Não se preocupe com ela. - soube que Jerry a levou para longe do incêndio e que os dois não haviam se ferido. - Não sei como o incêndio começou, ainda estão investigando as causas. - dei de ombros. Era tudo muito suspeito para falar a verdade, mas eu não tinha nenhuma teoria em mente que justificasse o que aconteceu.
Quando Yvina começou a chorar, suspirei e cocei a nuca, nervoso. Eu não era muito bom em lidar com pessoas naquela situação. Geralmente eu ficava mais nervoso do que elas por não conseguir acalmá-las. Mas desta vez eu tinha de tentar e então para começar, puxei-a para um abraço. Apoiei a cabeça dela em meu peito e dei um beijo no topo de sua cabeça. - Eu não posso fazer nada disso. Só estar aqui. - só depois me dei conta de que talvez a tivesse machucado por causa das feridas em seu corpo e me xinguei mentalmente. - Desculpe, machuquei você?
Eu estava tão cansado e me sentia tão desorientado que não sabia o que fazer. Cada minuto aumentava minha frustração, por tudo; por ela, pelo colégio, pelo futuro incerto. Mas apesar disso não podia mostrar minhas preocupações, o que não era lá muito fácil. Queria que alguém dissesse que iria ficar tudo bem, pois eu precisava acreditar nisso.
A Mel estava bem, já era um começo. Mas ainda tinha muita coisa errada ali. Muita coisa. A coisa mais estranha era a origem do incêndio. Não tinha como ser acidental, para mim. Simplesmente, alguém tinha colocado fogo em tudo. Aquela era minha teoria precipitada. Mas depois, me acalmei. Pietro me acalmou. Só fechei meus olhos, enquanto encostava minha cabeça em seu peitoral. Gemi levemente de dor, ele tinha relado em um braço queimado - porque agora eu realmente sabia, aquilo eram queimaduras. - Mas não liguei, o conforto de ser acolhida era muito maior. Por que meu pai não estava ali? Por que minha mãe não estava? Nem minha vó?
- Não, não machucou. - Menti. Mas ele não precisava se sentir culpado. - Pietro, por favor. Me leva embora, me leva para casa. Para onde você quiser, que não seja aqui. - Eu odiava hospitais, odiava aquela situação. Apostava que conseguia andar. Apoiada nele, com muletas. Mas conseguia. Suspirei fundo, e me aconcheguei ali, não o deixaria ir embora. Nunca mais. Nem parecia que ele era meu ficante! Mas nessas horas, você não pensa nisso. Eu não pensei. Finalmente tomei coragem para perguntar o que novamente, eu não queria ouvir. - E onde estão os Cavendish? - O que saiu de minha boca, saiu em um tom meio irônico.
- E seus pais? Você vai continuar aqui, né? Vai ficar do meu lado. - Um desespero me tomou novamente, e com minha mão do braço levemente bom, apertei sua camiseta, a amassando no local. - Não me deixa sozinha. - Com aquela situação toda, ele poderia muito bem estar indo para a Itália no dia seguinte. Eu esperava que não, com todas minhas forças, que não. E se meus pais não tinham aparecido até aquele momento, eles não tinham direitos de me levar dali. Na verdade, eles tinham. Mas eu não iria embora. De jeito nenhum.
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Dei um sorriso, mais fraco do que gostaria. Yvi estava tentando ser ela mesmo, sorrir e falar as besteiras que sempre falava, porém eu ainda não me sentia muito seguro quanto a recuperação dela. Ela era tão imprevisível quanto podia ser. E sem saber muito o que falar - apesar de ter pensado em uma dúzia de respostas indecentes, mas inapropriadas para o momento - apenas pisquei um olho. O sorriso que veio a seguir me fez achá-la ainda mais linda e admirá-la. Uma vontade de protegê-la crescia dentro de mim e antes que me desse conta eu estava distraído fitando aqueles olhos profundamente azuis. Como quase sempre acontecia.
- As aulas… - me calei, incerto quanto ao que responder. Na verdade não fazia ideia da melhor maneira para dizer que apesar de estarmos em férias, o colégio havia sido praticamente destruído no incêndio, que era o que perguntaria a seguir. Ainda que tivéssemos que tocar no assunto, eu preferia protelar até decidir qual seria a melhor postura que eu poderia tomar. Mas tinha a sensação que ela não iria esperar. - Estamos em férias, Yvina. - respondi, somente. E quando já me preparava para as perguntas que viriam, ela desatou a falar coisas sem nexo e sem sentido. Se eu não a conhecesse, diria que era efeito da medicação.
Levantei-me da cadeira e pousei minhas mãos sobre seus ombros; de leve, mas com firmeza, para que ela sentisse que não a deixaria ir a lugar nenhum. - Quer saber o que aconteceu? - ergui as sobrancelhas, o olhar sério. - Então para começar, vai parar de falar e me ouvir. - lentamente fui forçando seus ombros para trás, de modo a fazê-la se deitar de novo e quando ela já estava recostada na cama, a soltei. Suspirando, sentei-me na beirada. Precisava ter paciência, mas era tão difícil.
- O prédio dos dormitórios do colégio pegou fogo. - comecei, fitando a cadeira vazia no cômodo e mentalmente lembrando daquele dia. - Muitos ficaram feridos. - “Alguns até morreram”, pensei, mas não disse em voz alta. Ela não precisava daquilo agora. - Assim como você. - e então voltei a fitá-la. - Eu a encontrei inconsciente no seu quarto. Você teve queimaduras em partes do corpo. Por isso está aqui.
Férias. Tá. Aquilo era um bom começo, eu não estava de todo doida. Fiz um pequeno bico quando Pietro me segurou pelos ombros, eu não tinha a menor chance contra ele, em sair dali. Então achei por bem me aquietar, coisa rara de se acontecer. Mas a verdade, é que eu ainda me sentia sonolenta. Deveriam ser uns daqueles malditos remédios. Olhei-o como uma criança birrenta. Eu queria sair dali, e queria naquele momento. Pensei em começar a cantarolar algo como "Lalala, não estou te ouvindo", mas queria escutar o que havia acontecido. Mas não resisti, e mostrei a língua para ele.
Resisti o tanto quanto pude, para não ser empurrada, mesmo que gentilmente. - Ei, você só pode fazer isso se deitar aqui em cima também. - Falei em tom ainda emburrado. Mas não conseguia deixar de falar aquelas coisas. A ficha de que eu estava em um hospital, um lugar sério. E finalmente me calei. Para ouvir o que eu não tinha certeza de querer saber. Suspirei fundo e fitei seu rosto, enquanto falava. De repente, toda a alegria, ou quase isso, do momento foi embora - Caralho... - Fiquei perplexa. Engoli em seco, aturdida. - Mas, mas... - Não sabia o que falar. Abria e fechava a boca várias vezes, tentando organizar os pensamentos, organizar as falas. Pietro dizia tudo como se fosse simples. Mordi meus lábios.
- E agora? - Disse, e antes que pudesse perceber, lágrimas brotavam novamente de meus olhos. - Cadê a Mel? - Olhei para ele, como se Pietro pudesse concertar tudo de errado que estava acontecendo. - Onde eu vou ficar? Como isso aconteceu? Você... Meu quarto fica longe do seu! - Desatei a chorar, não sabia o porquê. - Eu juro que se você morresse, eu te ressuscitaria, e te mataria de novo! - Movi minha mão para meu rosto, enxugando as tantas lágrimas. - E eu não fico aqui mais nenhum minuto! - Gritei por fim.
- Me leva embora daqui, eu quero ver todo mundo, quero minha família, meu corpo bem... Socorro. - Nada daquilo parecia ser real. Crispei minha boca, me encostei no travesseiro e fechei os olhos. Tinha que acordar daquele sonho ruim.
Quem ou oq vc levaria pra uma Ilha deserta?
Pietro. Minha gaita?
Esclarecimentos~ ooc
Enfim, acontece que, no exato momento do turno, eles no hospital e etc, eles já ficaram, e a situação (pelo menos até agora) estava meio amigos com benefícios e angry sex. Só explicando, porque deve ter gente perdida. /o\ Aquele turno no bar, seria o da primeira vez deles. Mas já faz muito tempo e, BOLA PARA FRENTE!!!! Juro que nunca mais te deixarei sem resposta, little brother. s2
E é isso, obrigada. q
and the pain will stop? @pietro x yvina
Olhei para ela, tentando parecer o mais confiante possível, e apertei sua mão. Sei que as coisas não seriam fáceis e que ela precisaria de ajuda e eu estava disposto a dar o meu melhor. Mas mentir e dizer que eu não tinha medo seria estupidez. Medo não por mim, mas por ela. Yvina tinha um gênio difícil e eu não fazia ideia de como ia lidar com o que aconteceu. Porém eu tinha esperanças de que ela visse suas cicatrizes como um sinal de força. Afinal, ela sobreviveu. Isso deve significar alguma coisa, não?
- Acha que sou seu empregado para te trazer coisas? - respondi com um sorriso fraco e dei um beijo em sua mão, meus olhos fixos nos dela. - Estou aqui porque você está aqui. - falei, mais sério do que gostaria. No entanto eu não conseguia demonstrar otimismo o tempo todo, por mais que eu o tivesse. No fundo eu esperava que Yvina explodisse a qualquer minuto. - E se eu for contar quantas coisas você está me devendo… Só de camisas que você rasgou… - meneei a cabeça, rindo um pouco. Talvez eu devesse tomar outra postura.
Deslizei minha mão livre pelo rosto de Yvina e segurei seu queixo. - Não fica assim. - minha voz saiu como um sussurro. - Seus olhos são lindos, mas não são a única coisa que quero ver em você. - disse e esperei que isso a tranquilizasse. Pois para mim ela continuaria sendo a Yvi de sempre, nada mudou. Restava ela aceitar isso.
Me estiquei e apoiei meu queixo na cama, ao lado do ombro dela. - Sorri pra mim. - pedi, com saudades de vê-la sorrindo. Parecia que fazia tanto tempo desde seu último sorriso quando na verdade não se passou mais de um dia. No entanto aquilo fazia uma grande diferença. Ver Yvi sorrir me traria forças para que eu pudesse ser forte para ela. E eu precisava disso.
Ri fracamente, ainda com a dor de não sabia o que. - Eu não vou te comprar camisetas novas, mas se isso o fizer sentir melhor, pode rasgar algumas minhas. - Estava deitada em uma cama de hospital, e ainda tinha ânimo para falar besteiras. Me amava. Pietro conseguia ser tão lindo e cavalheiro, mesmo quando eu estava em cacos. Era isso que amava nele, junto com seu abdome sarado, seus braços musculosos, suas tatuagens e o matagal laranja em cima de sua cabeça. Tá, eu amava tudo. Ele era perfeito. Não tinha como resistir ao pedido. Sorri para aqueles olhos corujas me fitando.
O matagal estava desarrumado, e eu poderia jurar que mais cor tinha saído de seu rosto do que o devido. Apoiei minha cabeça em sua mão macia e quente. Eu poderia surtar, se estivesse em condições. Mas só deixei o ânimo visível em meus olhos, por hora, bastava. Ri sem graça. E me deixar sem graça, é uma das coisas mais difíceis que se tem a proeza de conseguir e depois, sorri, cedendo ao pedido. E o fiz largamente, e o melhor de tudo era que, a curva em meus lábios era autêntica.
- Mas eu ainda não entendo! Não pensei que fosse tão importante para você, já que tá perdendo seus dias de aula e... - De repente, exclamei e arregalei meus olhos. Primeiro de tudo, eu só tinha ficado com ele. Será que Pietro já me amava, era aquilo? Não que eu não fosse alguém que se pode apaixonar facilmente por, mas ele gostar de mim de verdade era muito perfeito para ser verdade. Estávamos em período letivo, né? Não tinha tanta certeza. Olhei para a televisão, onde era transmitido um canal jornalistico aleatório. Por sorte e boa vontade do acaso em me ajudar, a data estava em grandes números, do lado esquerdo da tela. Se eu bem me recordava, já estávamos de férias.
Então era verdade. Muito tempo havia passado. Foi como se um saco de areia tivesse caído na minha cabeça. - Ei! - Franzi o cenho, mais triste e preocupada do que realmente brava. - Você veio me visitar por que nunca mais vou te ver? Vou em uma cirurgia séria? Nunca mais vou andar? Arranjou uma namorada, vai voltar para a Itália? - Cerrei meus olhos e desencostei minha cabeça de sua mão, gemendo levemente de dor ao fazê-lo. - Você tem filhos? Já casou? Faz quantos anos que estou trancada aqui? - Dei um silvo. Não tinha olhado os últimos dígitos da data no aparelho televisivo. - Mas não fico aqui nem mais um minuto. Não tenta me segurar. - E com um enorme impulso, fui para frente. Tudo doía, mas eu tinha que ir embora. Ser livre, voltar para a minha vida. Havia algo de muito errado. Mordi meus lábios, contendo um grito pelas costas doloridas, e pequenos lugares que queimavam. Lugares esses que estavam protegidos pelas ataduras brancas.
- Antes de você voltar para seus filhos... Billy? Lars? Qual é o nome deles? Me diga tudo o que aconteceu. Tudo. Desde quando eu tinha dezesseis anos. Tenho o quê, trinta agora? - Eu permanecia sentada na cama.
and the pain will stop? @pietro x yvina
Abri os olhos e pisquei para me acostumar com a claridade. Não sabia quanto tempo havia dormido, mas não devia ter sido muito. Já era difícil pegar no sono, quanto mais dormir por mais de uma hora. O tempo todo eu acordava e cochilava. Assim tinha passado a maior parte do dia no hospital.
Me estiquei no sofá e bocejei. Meu pescoço doía por causa do mau jeito para deitar, mas não podia fazer nada. Não podia deixar Yvi sozinha. Havia passado a noite com ela no hospital esperando que se recuperasse e assim já era o início da tarde e nem sinal dela despertar. Os médicos disseram que era esperado que continuasse inconsciente por mais algum tempo, porém eu estava preocupado. Mas como não era eu com o diploma de medicina ali, não discuti.
Levantei e puxei uma cadeira para mais perto da cama em que Yvi estava deitada. Dei uma olhada em seu rosto que parecia tão sereno, tão diferente de quando ela estava acordada, e já previ que toda aquela tranquilidade acabaria quando despertasse. Suspirando, me sentei e cruzei as mãos na frente do corpo. Eu não sabia o que fazer. Era muito provável que ela ficasse com cicatrizes por causa das queimaduras e conhecendo Yvina sei que iria surtar.
Então ouvi um choro baixo e um múrmurio. Ergui o rosto e a encontrei acordada. “Yvi”. Finalmente. Estiquei minha mão e segurei a dela, nossos dedos se entrelaçando. - Não vou a lugar nenhum.
Seu toque serviu para me acalmar, e me enlouquecer ainda mais, em um paralelo sem sentido. Mas o que na minha vida encaixava-se perfeitamente? Tentei apertar a mão de Pietro contra a minha, mas não adiantou de nada fazer força. O que tinha acontecido? Tombei a cabeça no travesseiro alvo. - Vai... - Vacilei no tom de voz, mas precisava ser firme, pelo menos na fala. - Vai sim. Tô ótima. - Já conseguia falar quase que normalmente, mesmo que atordoada. Minha tagarelice, ninguém nem nada conseguiria tirar de mim. - Na verdade, tá faltando minha cerveja e um cigarro. - Sentia saudades de fumar. Fazia tempo que não colocava nenhum Malboro em meus lábios. - Me traga as duas coisas.
E então, tentei me levantar, o que só serviu para mais dor. Segurei forte em sua mão - eu não deixaria ele me soltar, nunca - e me recostei na cama novamente. - Junto com uma dipirona, é. E depois, me encontre no bar. Chego... Em meia hora. Ou menos. Ou mais. - E então, com os olhos bem abertos, me fixei no olhar de Pi. Era tudo ridículo. Não estaria no bar em meia hora, ele não sairia dali, ele não me traria nada do que eu havia pedido. Talvez, a dipirona. Bocejei lentamente, fechando os olhos, e os abrindo de novo. - Por que você 'tá aqui? - Eu o queria ali. Mas não entendia. - Eu tô te devendo alguma coisa? - Dei uma risada rouca. - Não vou te pagar não.
E lembrei de como estava feia. Suspirei. - Só olha nos meus olhos, por favor. - Falei, como se suplicasse. E percebi como falava tanto. Eu tinha ficado um tempinho sem proferir nenhuma palavra. Era bom ouvir meu timbre novamente, ser ouvida, explanar tudo o que se pagava na minha mente. Fazer piadas sem graça, poder ser a Yvina de sempre, ou quase sempre.