Tudo que se foi.
Às vezes minto;
te rasgo das minhas palavras,
dos meus pensamentos.
Logo, minto de novo.
Os sentimentos, ainda aqui,
permaneceram intactos, intransponíveis ao tempo.
Meu coração ainda o reconhece,
todos os momentos guardados em lembranças vazias.
Sua volta é uma ida ao espaço;
flutuo sem sentir o chão sob meus pés,
uma galáxia inteira de sinapses.
Esforço-me ao máximo para (não) recordar de tudo,
justo eu, que sempre lembro dos detalhes.
O universo me condena às sensações e logo me deleito
com o privilégio de como é lembrar de você:
tão distinto e fascinante de todos os outros.
Te agarro na vastidão, com medo de que me escape;
luto contra a
gravidade
para te guardar
em mim.
Rezo para os astros que me concedam
a honra do presente,
e da breve eternidade humana,
que você fique,
nem que seja só na minha imaginação.








