♡ / (𝐢𝐧)𝐝𝐞𝐜𝐞𝐧𝐭 𝐩𝐫𝐨𝐩𝐨𝐬𝐚𝐥.
Sorriu, sem graça, lembrando que anteriormente tinha acabado por assustar o mais novo no vestiário, mesmo que sem intenção; ele só estava tão nervoso com a situação que acabou o fazendo sem querer. Os pensamentos estavam à mil — sua cabeça cheia de ideias e, principalmente, imagens relacionadas ao moreno, principalmente depois de vê-lo simplesmente magnífico em roupas casuais; Haneul estava perdendo a sanidade completamente, mas esperava que o platinado não percebesse o quanto isso o estava afetando. Riu baixinho ao ouvir a frase em inglês completamente esquisita — apesar de também ser de um país estrangeiro, estranhamente, era mais proficiente na língua do que o brasileiro; vira e mexe Vinicius falava algo que Haneul imagina que soaria muito melhor em português, mas em inglês simplesmente não tinha o mesmo efeito. “Obrigado, eu acho?”, riu, fazendo uma expressão de confusão brevemente. “Não sei o que você quer dizer com nave, mas espero que seja um elogio!”
Em casa, não pode deixar de evitar um sorriso bobo ao perceber que Vinicius não só respeitava os seus costumes, mas não tinha problemas em fazê-los — ele jamais exigiria nada parecido de seu ex-namorado e muito menos de seus amigos, tanto que sempre que iam à casa de Haneul, agiam normalmente, com os sapatos e tudo; mas só de pensar que alguém teve tanto zelo em ser tão respeitoso, fazia o coreano se sentir, no mínimo, especial. Deixou a bolsa em uma das estantes perto da porta, onde sempre deixava e, já com a pantufa que usava em casa, sacou o celular do bolso em busca do aplicativo de entrega de comida. “Hm… Ah, claro! Você pode conectar o seu celular na caixinha de sou ou pode pedir pra Alexa tocar alguma coisa…”, começou, mas logo um sorrisinho sacana se instaurou em seu rosto. “Bem, talvez ela não entenda o que você quer dizer, mas você pode tentar”, riu baixinho, provocando o platinado com o fato do inglês dele ser falho às vezes; nada tiraria da cabeça dele como seria engraçado ver Vini pedir qualquer coisa pra Alexa tocar e a voz serena em resposta começando a tocar uma música completamente diferente.
Sorriu minimamente quando percebeu que o latino provavelmente estava sendo cordial e tentando não o deixar mais nervoso ainda com a situação; ainda perto da bancada da cozinha, escolheu um restaurante brasileiro que faria a entrega mais rápido até sua casa e pediu um dos pratos mais pedidos segundo o aplicativo — não se lembrava de ter provado comida brasileira antes, mas queria agradar o amigo e essa tal feijoada até que parecia bem gostosa. Ao finalizar o pedido, foi-lhe dado um tempo de espera relativamente longo e, estralando a língua em desaprovação sem tirar os olhos da tela, resolveu avisar. “Eu pedi a comida, mas vai demorar um pou-”, interrompeu-se ao olhar a cena à sua frente; o braço tatuado no encosto do sofa e o rosto indecifrável de Vinicius o encarando eram demais para o moreno. Como ele pode ser tão… ugh!, repreendia-se em pensamento — ao mesmo tempo que ele só queria ir à passos rápidos até o sofá, sentar no colo do brasileiro e beijá-lo até faltar o ar, sabia que estava indo rápido demais; “…co.”, tentou terminar casualmente, como se não estivesse praticamente secando o loiro segundos atrás. A sanidade de Haneul estava realmente no limite.
Balançou a cabeça, tentando manter a calma e a postura — não queria assustar o mais alto, mas estava cada vez mais difícil de controlar aquele tipo de fantasia. Sorriu mais uma vez, amigável, sentando-se do lado do companheiro de time depois de ligar o console, a televisão e entregar um dos controles do video game em suas mãos. “Pronto pra perder feio, Brazilian?”, o tom casual tinha voltado novamente, afinal de contas, era pra ser só um encontro entre dois amigos, companheiros de clube e nada mais; mesmo que, no fundo, era tudo um pretexto para Haneul tomar coragem de pedir que eles fossem algo mais casual. De repente, uma ideia mirabolante se instaurou no meio daquele emaranhado de pensamentos, um sorrisinho sacana tomou o lugar do rostinho inocente e angelical do coreano, as palavras saindo quase que como no automático: “Ei, vamos apostar”, começou, colocando a tela na escolha de times e prontamente escolhendo o Tottenham. “Quem perder tem que fazer alguma coisa que o outro queira.”
O brasileiro ficava observando atentamente cada passo que o coreano dava e cada movimento que ele fazia, sabendo que estava mais que hipnotizado pelo companheiro de time, mas ao mesmo tempo se enganando, tentando focar no pensamento que só estava olhando a decoração de sua casa. Ao ouvir a permissão do mais velho, rapidamente se abaixou em frente a mochila, abrindo o menor bolso para pegar seu celular, porém interrompendo sua ação no mesmo segundo, ao se sentir desafiado pela brincadeira de Haneul. - como é Korean? - ele disse se endireitando no sofá cruzando os braços, fixando o olhar no belo rosto do amigo - se você não fosse tão lindo e a gente já tivesse um pouco mais de intimidade... eu já teria calado essa sua boquinha com um belo beijo.. - proferiu as palavras em português, tendo certeza que o homem na sua frente não entenderia se quer uma virgula do que ele dissera, logo se levantando e caminhando até Cho, mantendo uma proximidade extremamente perigosa, principalmente com tantos pensamentos passando pela cabeça de Vini - Alexa, play "fazer falta" by MC Livinho on Spotify - disse tentando se lembrar e manter a melhor pronuncia possível, somente para impressionar o coreano, nem ao menos desviando o olhar do mesmo.
Logo a música começou a tocar e o brasileiro deu um sorriso vitorioso voltando ao sofá e se sentando na mesma posição que se encontrava antes, assentindo e sorrindo como se não estivesse prestes a agarrar o asiático segundos atrás - tudo bem, meu estomago pode esperar - deu uma risada fraquinha tentando tranquilizar o amigo que pareceu preocupado, até mesmo nervoso sobre a demora do almoço.
Observando o mais velho ao seu lado, tentando ser discreto e falhando miseravelmente, segurou um dos controles esbarrando de proposito na mão de Haneul e rindo para o coreano - já está cantando vitória? - balançou a cabeça em negação ligando o próprio controle. Vinicius estava uma mistura de sentimentos, ao mesmo tempo que tentava não encarar o mais velho com medo de parecer estranho ou até mesmo não conseguir se controlar e agarrar o coreano ali mesmo, não conseguia de maneira alguma tirar os olhos de seu amigo, tanto que notou exatamente o momento quando o sorriso inicialmente fofo e inocente, se transformou em um sorriso sacana, quase como se tivesse segundas intenções na proposta feita em seguida - apostar? - disse confirmando a pergunta com um aceno escolhendo o mesmo time, mas com um uniforme diferente - claro... já até sei o que eu vou querer... - imitando o sorriso do mais velho, ali tendo certeza dos segundos propósitos na sua afirmação.








