“Eu já estou acabando, por favor só espere mais um pouco, eu prometi te recompensar depois não prometi?” Falou enquanto desviava o olhar do papel para a pessoa em sua frente e voltava os olhos para o desenho novamente. Não era uma exímia desenhista, mas gostava de rabiscar alguns desenhos, principalmente quando desenhava as pessoas ao seu redor. Mas, aparentemente sua escolha para modelo não fora muito certeira visto que x escolhidx não parava de se revirar perto de si. “A grama está coçando seu bumbum? Talvez formigas?” Talvez tivesse sido uma péssima ideia sugerir um desenho ao ar livre. “Quer sentar em um banco quem sabe?”
Não podia sequer perguntar a si mesmo onde estava com a cabeça quando havia aceitado participar daquilo. A resposta era óbvia. Estava com a cabeça em uma possibilidade de recompensa e também no tédio. Jimin detestava a textura da grama em sua pele, queria cavar e sentar na terra, pelo menos. Um suspiro acabou sendo inevitável enquanto tentava ficar em uma posição mais confortável. — É, você prometeu, mas agora eu não sei se vai valer a pena mesmo. — resmungou e então revirou os olhos. Sabia que estava parecendo um velhinho reclamão e não pode evitar rir disso; nada comparado com a crise de riso com a pergunta que veio logo em seguida. — Não se preocupa com a minha bunda, ‘tá? Pode terminar o seu desenho, vou tentar não me mexer mesmo se as formigas me comerem... nem se algum inseto me der alergia. Sem pressão.
Após terminar de fazer o arranjo de flores, Hansol o deixou de lado e suspirou entendiado. Aquele já era o segundo que fazia no dia e para falar a verdade, estava sem paciência para começar outro. Gostava de ficar no instituto e com todos os seus amigos por perto, mas não poderia negar que algumas vezes era chato demais ficar o dia todo sem fazer praticamente nada. “Ei…” chamou a pessoa que estava sentada ao seu lado no gramado, levando as mãos até suas próprias coxas e dedilhando a pele coberta pela calça jeans de tonalidade clara. “O que acha da gente fazer alguma coisa?” levantou o olhar para encará-lx. “Podemos apostar uma corrida até o final da rua! O que acha?” mordeu o lábio inferior, vasculhando a mente para achar uma outra opção caso a pessoa não goste de exercícios físicos. “Ou podemos jogar algum jogo! Eu gosto de jokenpô.”
Jimin estava encarando algum ponto aleatório. O que era uma atividade pouco produtiva, mas muito estimulante criativamente. Ou, pelo menos, era isso que ele queria acreditar. Não tinha nada em mente, mas também não conseguia desfiar o olhar do mesmo lugar. Era tudo culpa da falta de atividades, talvez ele devesse realmente procurar algo para se ocupar. Ainda que não soubesse que tipo de ocupação conseguiria sendo marrom. A voz repentina foi como um estalido dentro de sua cabeça, atraindo sua atenção e o fazendo perceber que estava encarando o rosto daquela pessoa por tempo demais, se preocupando imediatamente se ia ser julgado ou se acabaria entrando em uma briga por isso. Parecia que não; talvez houvesse passado despercebido? Jimin esperava que sim. Levou algum esforço para entender o que ele havia dito e conseguir se convencer que não havia escutado errado. — Fazer alguma coisa? J-juntos? — a primeira tentativa de soar irônico foi um fracasso, havia sido pego de surpresa, afinal. Ainda assim, Yeo Jimin sorriu e assumiu uma postura confiante assim que superou o susto. — Não sei, não... Eu sou muito bom em jogos, não vai ficar chateado se perder nem nada, vai?
“Droga.” Amaldiçoara à si própria em um sussurro após checar os bolsos da jaqueta e da calça por uma segunda vez, apenas para encontrá-los completamente vazios. Onde diabos poderia ter enfiado suas chaves? A noite já havia se feito presente há tempos, mais do que normalmente teria se permitido perambular pelo condomínio em tal horário, e o toque de recolher não tardava à chegar. Sem ideias de como prosseguir, os olhos vasculharam ao seu redor desesperadamente, na singela esperança de encontrar algum indivíduo que pudesse ajudá-la de alguma forma. Coincidentemente, logo reconheceu uma figura ao lado oposto da calçada, ainda que não fosse capaz de apontar sua identidade, graças à escuridão que xs envolvia. Com um assovio para chamar sua atenção, começou, assim que a distância foi encurtada. “Você por acaso não teria algum conhecimento em arrombamento de portas, teria?
Yeo Jimin certamente não devia ser muitas coisas na vida, mas a maior delas devia ser “obrigado”. Não queria ser obrigado a lidar com a irmã gêmea, já havia dividido coisas com ela por tempo demais para ainda ter que aguentá-la ali. Pensar que em breve teria que passar por ela e voltar a respirar do mesmo ar que ela fez Jimin suspirar e contar até dez. Sua cabeça estava ocupada com possíveis planos que pudessem fazê-lo dormir em qualquer lugar que não fosse sob o mesmo teto que Minji quando ouviu aquele som repentino. Primeiro veio o susto, ele não havia percebido que tinha alguém por perto; depois, alívio. Ele deu um pulo e se colocou de pé. — Conhecimento em arrombar portas? Você definitivamente não sabe que ‘tá falando com o mestre em arrombar portas desse lugar. Exceto, se for por algo que a lei permita. Aí eu teria que recusar... — cantarolou em um tom nada sério. — Ou se for pra usar isso contra mim... Nesse caso, eu não sei de nada, não.
A loira que caminhava tentando acompanhar o ritmo alheio, aumentando os passos ou diminuindo, de acordo com x outrx. Suas mãos continuaram nos bolsos, e o vento que batia contra seu corpo fazia-a tremer, e encolher, mas não podia ligar.
— Você se arrepende de ter se voluntariado? — Inclinou levemente a cabeça na hora de fazer a pergunta, assentindo para dar ênfase.
Jimin respirou fundo e desistiu de tentar ficar focado em seus próprios pensamentos. Mantinha as mãos enfiadas nos bolsos e tentava não se sentir culpado por estar tão bem agasalhado enquanto aquela garota não parecia tão confortável assim. Não queria passar uma imagem muito gentil e acabar tendo pessoas esperando que ele fosse legal sempre, então não olhou para ela quando tirou seu cachecol e entregou; fingiu que nada havia acontecido e tentou focar na pergunta. — Se você quer saber se eu estaria em qualquer outro lugar se pudesse, então, sim. Queria estar relaxando em um lugar sem gente irritante pra me encher o saco. — Jimin deu de ombros e abaixou a cabeça, até perceber que talvez tivesse soado ofensivo demais, e que poderia ser mal interpretado e se apressou em acrescentar: — E não ‘tô falando de você, ok? ‘Tô falando deles... você sabe...
Desde que eles haviam sido liberados do galpão, Taehong sentia que tinha algo de errado acontecendo, talvez fosse apenas a cidade voltando a sua rotina novamente, mas era óbvio que como um bom curioso ele tinha que se estreitar por aí para conseguir algumas respostas. Foi desse jeito que ele conseguiu acabar sentado entre o beco de uma casa ou outra, os olhos encarando o joelho exposto assim como a quantidade significativa de sangue que já tinha manchado os shorts que ele vestia, mas tinha sido apenas isso que ele havia feito nos últimos segundos: encarar a sua própria contusão. “Eu caí,” ele não ergueu o rosto para saber se tinha alguém mesmo assim quando conseguiu ouvir o barulho de passos não muito longe. “Ainda tô tentando decidir se eu estou tendo um ataque de pânico ou ataque cardíaco.”
Jimin estava atrasado, ou melhor, era isso que ele queria estar dizendo para si mesmo. A falta de atividades era perturbadora e ele começava a desejar estar de volta ao galpão, no escuro, pelo menos ali ele não fazia nada porque não podia fazer qualquer coisa. Mas andar sem rumo não ajudava em nada. Quanto tempo já fazia desde que ele começara seu exercício de “parecer ocupado”, Yeo Jimin não fazia ideia. Ainda assim queria companhia, só não podia deixar que as pessoas percebessem que ele não queria ficar sozinho. Passar a imagem de uma pessoa grudenta não chegava nem perto do que Jimin planejava para si mesmo. Seus passos já estavam em automático quando viu que havia alguém sentado no chão; também foi em automático que ele se sentou perto. — Eu notei. — resmungou, encarando qualquer ponto que não tivesse o risco de ser o tal ferimento; porque não queria parecer preocupado e perder a piada e acabar piorando a situação. Sabia bem que pânico, independente da gravidade de qualquer ferimento, não ajudaria em nada. — Acho que em qualquer uma das duas opções, você não estaria falando tanto. Parabéns, isso deve significar que você vai sobreviver... Talvez precise amputar, mas pode deixar que eu cuido disso, ‘tá? Quer que eu pegue meu alicate?
Dificilmente Jimin estaria mais desconfortável. Talvez fosse algum tipo de alerta natural do corpo em potenciais situações de perigo, talvez fosse o pânico normal por não fazer a menor ideia do que aconteceria no segundo seguinte e estar esperando que qualquer coisa pudesse dar errado... Jimin não saberia dizer ao certo, mas, pelo menos, não estaria entediado pelos próximos sabe-se-lá quantos minutos. Só desejava que esses minutos não se estendessem para horas. Depois de ter algumas de suas piadas ignoradas completamente, Jimin se cansou da brincadeira e resolveu fazer como eles queriam. Ou, pelo menos, tentar. No meio de todos aqueles equipamentos que ele não conhecia, e as pessoas que ele não sabia o nome, era difícil não pensar nas piores possibilidades. Ainda assim, Jimin não conseguia evitar rir um pouco da história toda. Parte pela desgraça alheia, parte por causa do nervosismo.
NOME?
— Yeo Jimin — entoou lentamente, cada sílaba, alto o bastante para não precisar repetir e para evitar que alguém prestando menos atenção confundisse a ordem daquelas sílabas. Só por precaução, levou meia batida de coração até que ele já estivesse falando de novo. — Não é Minji. É Jimin. Eu sou o mais bonito, mas as pessoas ainda se confundem por aí.
IDADE:
Jimin precisou piscar várias vezes para tentar dar tempo para corrigirem a pergunta. Queria perguntar se era uma pegadinha, mas decidiu evitar gastar mais a sua voz para ser ignorado. Não conseguiu evitar ficar tamborilando os calcanhares por causa do nervosismo. — Dezoito anos e... dez? Doze? Quinze? Enfim, são dezoito anos e alguns dias.
COR?
— Não é meio óbvio pelo meu charme? — cantarolou e ergueu as sobrancelhas antes de rir soprado. — Marrom.
DATA DE NASCIMENTO?
— Vinte e dois de fevereiro de 2062. — E Jimin estava oficialmente entediado de novo. Tinha um monte de energia para gastar e ficar respondendo aquelas perguntas não estava ajudando em nada. Era estranho para ele pensar que preferiria estar em algum treinamento de guerra do que fazendo aquilo. — Como faz pouco tempo que meu aniversário passou, eu vou ganhar presente? Não, né?
SEXUALIDADE?
Jimin empertigou os ombros e sorriu. Não estava realmente esperando aquela pergunta, e se conhecia bem o suficiente, como também conhecia as outras pessoas, para saber que a resposta para isso podia ser bem comprida. — Depende? Depende se você perguntou a coisa certa ou não. — disse em um tom divertido. — Se essa é a pergunta certa de verdade, então a resposta é: não tenho certeza. Não tem muita gente por aí que queira experimentar esse tipo de coisa com gente interessante como as cores não-primárias.
ESTADO CIVIL?
— Solteiro. Meu único relacionamento é comigo mesmo, claro. — cantarolou e passou a mão pelos cabelos escuros, com um sorriso confiante e um tom levemente irônico armado. Ele falava a verdade sobre “compromisso sozinho”, ou o máximo de verdade que pode haver nesse tipo de frase. — Do que mais eu preciso se eu já tenho alguém tão bonito e divertido?
COR DOS PAIS?
— Azuis. A família inteira é azul, na verdade. — Jimin deu de ombros e fingiu uma expressão preocupada, de brincadeira. — Não é muito divertido, é um pouco decepcionante, eu sei... Mas eu ainda tento amá-los assim mesmo.
POSSUÍ IRMÃOS? SE SIM, QUAIS SÃO SUAS CORES?
Jimin respirou fundo e precisou se conter para não mudar de expressão, continuar agindo como se não estivesse nervoso, como se aquilo fosse divertido. — É, eu tenho uma irmã. É uma azul metida a dona do mundo, anda por aí com o meu rosto, a Yeo Minji.
QUAL A REAÇÃO DE SEUS FAMILIARES QUANTO A COR QUE VOCÊ NASCEU?
— É complicado. — Jimin franziu o cenho. Queria mesmo responder a essa pergunta com o máximo de detalhes que conseguia lembrar. — Eu não lembraria dessa época, mas poderia apostar que deve ter sido bem estranho no começo. Sabe... Uma criança nasceu exatamente como eles esperavam, mas a outra não... Mas, com o tempo, eles não puderam resistir e me disseram o que os pais deviam dizer para os seus filhos sempre. “Seja confiante”. — A tentativa de imitar a voz do pai foi um fracasso e isso fez Jimin rir por um momento breve. — Uma pessoa disse uma vez pra gente que eu sou uma mancha de óleo no oceano que era a minha família. Eu gosto dessa frase, não sei bem o motivo... Acho que descreve bem a coisa toda. Eu estou aqui; não vou me misturar, mas eu mereço existir.
QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A SEGMENTAÇÃO DE OPINIÃO SOBRE AS CORES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS?
Sabia que não podia pensar muito antes de responder a essa pergunta, em especial. Não queria parecer hesitante, mas não tinha certeza se a sua opinião verdadeira sobre o assunto não acabaria resultado em punições. Ele sorriu sem humor e, finalmente, parou de bater os pés. — Vocês tem algumas vantagens, estão aí por mais tempo, garantiram espaço e tudo mais... Acabam fazendo o que dá vontade por sabe-se-lá qual motivo... E eu ainda penso que seja por medo de serem dominados. Mas eu não penso muito sobre isso, sei que, em algum momento, as coisas vão se acertar. Não depende só de mim, mas de todas as cores não-primárias, evoluídas. — Jimin passou a língua nos lábios e deu de ombros, tomando uma pequena pausa. — É como eu ouvi uma vez: os leões não perdem o sono por causa das atividades das ovelhas.
VOCÊ SENTE DIFERENÇA POR SER UMA COR SECUNDÁRIA? EXISTE ALGUM EFEITO FÍSICO OU PSICOLÓGICO?
— Mas é claro que sim! — vociferou. Jimin se sentiu forçado a respirar fundo antes de continuar. — Quero dizer... Eu não sei como é ser uma cor primária, mas ser uma cor secundária é ser especial, de alguma forma. Vários são muito fortes por terem sido obrigados a passar por um monte de merda na vida só por ser mais legal que a maioria. — ele trincou os dentes por um momento até se forçar a sorrir outra vez. — Eu não tenho todas as respostas, mas, se precisasse apostar, iria preferir apostar que nós somos ainda mais diferentes do que esperam. As coisas evoluem, não evoluem?
QUANTO AO SEU RELACIONAMENTO COM AS CORES PRIMÁRIAS:
— Qual o meu relacionamento com qualquer um aqui? — Jimin riu e deu de ombros. — Eu pareço muito amigo de cores primárias? Não, né? — ele parou e piscou devagar. — Por quê? Quer ser meu amigo? — Nem esperava mais que alguém tivesse alguma reação aos seus comentários; por que os fazia mesmo? — Não acontece nada de indevido entre Yeo Jimin e qualquer cor primária, se quer mesmo saber. Nós... coexistimos.
E QUANTO AS CORES SECUNDÁRIAS?
— São pessoas melhores por natureza. Acho que eu tenho tendência a gostar mais deles naturalmente, também. O que é único é sempre mais atrativo.
COM QUE FREQUÊNCIA VOCÊ SE ISOLA DOS DEMAIS?
Jimin precisou mesmo parar para pensar sobre isso. Não conseguia decidir se acabava se isolando de propósito ou não, enquanto debatia internamente sobre o assunto, seus pés voltaram a fazer barulho. — Não muita frequência, eu acho. Sou um cara quase sociável, quase agradável...
O QUE VOCÊ PENSA SOBRE NORMAS/REGRAS?
— Elas nos protegem do caos. — respondeu muito sério, mas a expressão sóbria só durou quatro segundos até que Jimin voltasse a rir baixo. — É uma boa resposta? Era o que você ‘tava esperando ouvir? Não me entenda mal, ok? Nós temos um monte de regras ridículas. Mas também uma porção que é até que bem útil.
TERIA NASCIDO COM UMA DAS CORES PRIMÁRIAS SE TIVESSE ESCOLHA? QUAL? E POR QUÊ.
— Nunca. — afirmou, sem hesitar e com toda a firmeza que podia demonstrar. — Eu sou marrom. Não vermelho, não azul, não amarelo. Marrom. É exatamente quem eu sou, e gosto muito de mim assim. Se alguém discorda disso, tenho certeza que o problema não é comigo. Eu tenho direito de existir tanto quanto você. O ar que respiramos ‘tá aqui pra mim tanto quanto ‘tá pra qualquer outro. Minha resposta é “de jeito nenhum”.
여지민 × brown × 18 years old × transnboy × anti-hero × istp-t.
“Now; I did a job. Got nothing but trouble since I did it, not to mention more than a few unkind words as regard to my character. So let me make this abundantly clear: I do the job... and then I get paid. Go run your little world.”
¸´;; × … personalidade.
Yeo Jimin não é a bolacha mais sociável do pacote. Ele não ignora as pessoas nem as evita nem qualquer coisa do tipo, só tem um jeito bem peculiar de demonstrar afeto. Não é que ele te detesta, nada disso, só não sabe como é que as “pessoas normais” agem quando querem “ser legais” umas com as outras — ou até sabe, um pouquinho, mas isso definitivamente não é divertido e parece difícil demais na prática. Esperar palavras doces vindo de Jimin é uma grande perda de tempo, isso não significa que lealdade não tenha importância. Tem, bastante. Jimin é um pacote cheio de sarcasmo, uma pitada de piadas de gosto duvidoso, uma xícara de tendência a tentar criar planos pouco funcionais, algumas colheres de insensibilidade e habilidade manual de sobra. Ah, e o hábito de pensar em si mesmo um pouco acima dos outros; às vezes não apenas o próprio Jimin, mas todos que se assemelham a ele em algum aspecto.
¸´;; × … história.
“Calma e tranquilidade” era o lema quando Jimin e Minji nasceram, e continuou sendo enquanto os dois cresciam, ao menos na teoria. Os pais tentavam lidar com suas crianças com o máximo de paciência que conseguiam, mas acabou sendo uma tarefa bem mais difícil do que eles imaginavam durante a gravidez. Na época, durante os meses de espera até o nascimento, parecia um plano bem simples. Tudo deveria ser feito conforme o combinado, os dois queriam acreditar que isso evitaria qualquer tipo de problema ou contratempo. E que, assim, as duas crianças iriam crescer com caráter, inteligência, criatividade e prontos para serem líderes e donos de seus próprios caminhos.
Não foi exatamente o que aconteceu, e o choque chegou bem cedo. Porque o primeiro a nascer foi exatamente o pequeno “Destruidor de Planos” daquela família de azuis estruturados e pacíficos. Ao contrário do alívio que veio em seguida, Yeo Minji, que era tudo o que os dois esperavam e muito mais, Jimin era um desastre.
Ele demorou a aprender a falar, e quando aprendeu, preferia ficar em silêncio. Quando decidiu usar sua voz com mais frequência, era com palavras pouco gentis e sarcásticas. E apesar da família não estar esperando flores, elogios, discursos emotivos nem demonstrações de afeto, continuava sendo difícil entender Jimin. Os verdadeiros horrores em criar filhos pareciam estar definidos em tentar entender porque o mais velho dos gêmeos agia do jeito que agia. Então acabou não sendo bem uma surpresa quando Jimin revelou que preferia ser tratado por pronomes masculinos.
Jimin era novo demais para conseguir se lembrar dessa época, mas deve ter levado alguns longos anos de reflexão até que os pais resolvessem relevar que ele era daquele jeito, e começaram a pensar que talvez não houvesse nada errado com isso. Havia a possibilidade dessas crianças diferentes realmente trazerem o caos, mas também havia chance do caos se instalar sozinho, sem a ajuda de ninguém... Essa ideia foi mudando a atmosfera dentro daquela casa. E quando os dois adultos disseram para Yeo Jimin que ele deveria ser um pouco confiante, essa gota de confiança que ele nunca havia experimentado antes foi mais que o suficiente.
Foi a única gota de chuva que era necessária para causar um desmoronamento de terra, manchar toda a casa com tons de marrom. E deixar bem óbvio que Jimin era, sim, um barril de óleo que havia sido derramado no oceano. Yeo Jimin desobedecia as regras para seu próprio benefício, mas os pais não conseguiam podá-lo. Ainda que Jimin tivesse seus atos de caráter duvidoso, as justificativas de que precisava aprender a sobreviver em um mundo que não havia sido feito para ele eram convincentes o bastante para que os pais aceitassem e o deixassem “livre”.
Claro, nem tudo era tão “fácil” assim, afinal, nem todo mundo era tão racional e lógico do mesmo jeito que seus pais eram, Jimin sabia disso. E a irmã gêmea já era uma prova clara que havia preconceito por aí.
Para três pessoas de cor azul, entender o marrom era um desafio que beirava o impossível. Para os mais velhos, pelo menos, era quase uma questão de honra. Yeo Jimin começou a se divertir com esse tipo de situação. E talvez tenha vindo daí a sua pena em relação a todas as pessoas de cor primária. Afinal, não era culpa deles se eram tão parecidos e desinteressantes, era?