the beginning. 「log」
Personagens: Benjamin Kwon e Kim Hangil. Classificação: +12. Observações: Privada; apartamento 503.
Tonto, com cheiro de álcool e com a cabeça cheia de coisas. Benjamin não se encontrava em seu melhor estado naquele instante, aquilo era um fato, mas mesmo assim estava se considerando mais sóbrio do que nunca. Ao menos com relação ao que sentia.
Aquela troca de mensagens com Hangil lhe deixou, no mínimo, feliz. Ao chegar na porta de seu apartamento, após descer do terraço onde a festa de aniversário de Elliot acontecia, o mestiço tinha um sorriso largo no rosto. Sequer fez questão de entrar para esperar pelo mais velho; fez aquilo ali mesmo, encostado na porta, abaixado apenas para que a tontura não lhe fizesse cambalear. Estava ansioso e tinha o coração batendo tão forte que chegava a ser engraçado. Fazia tempo que não sentia nada assim. Era quase como se fosse um adolescente de novo.
Enquanto isso, tentava controlar sua vontade de mandar mensagens apressando o homem. Já era o suficiente, certo? Não queria parecer tão carente ou grudento. O problema era só que precisava vê-lo, e com urgência. Esperava que ele chegasse logo.
Deu uma desculpa qualquer para que pudesse ir embora cedo do trabalho e saiu dirigindo praticamente desvairado, que pagasse as multas depois. Estacionou na sua vaga cativa no prédio e subiu de escada, pois seria mais rápido do que esperar aquele maldito elevador lento. A conversa com Benjamin o havia trazido sensações diversas e há muito não se sentia daquela maneira. Nem achou que fosse possível.
Ao chegar no quinto andar, se deparou com a cena de um Ben encostado na porta e abaixado. Logo pensou que estava passando mal e a preocupação tomou conta. Agachou-se em frente à ele e acariciou-lhe os fios de cabelo, abrindo um sorriso de canto.
— Hey, pretty flower. — O tom de voz era calmo e tranquilo quando o bartender deixou um beijo na testa de Benjamin, oferecendo uma das mãos para o apoio dele para que pudessem entrar em casa. Se referia a casa dele como "casa", apenas porque gostava dessa coisa da dualidade. Praticamente, eles viviam um na casa do outro. E por mais que se conhecessem por apenas algumas semanas, Hangil confiava mais em Benjamin do que em sua própria família.
Não sabia se havia sido por causa da bebida ou só porque estava distraído em seus pensamentos mesmo, mas só notou a presença de Hangil quando ele já estava abaixado diante de si. E não conseguiu evitar um sorriso largo, que ficou ali por um longo tempo e ficou ainda mais largo com o beijo em sua testa, se é que aquilo era possível. Tomando o apoio que ele lhe ofereceu para levantar, assim o fez e destrancou a porta para que pudessem entrar. Tinha o coração tão acelerado quanto antes, e junto com essa sensação, uma de que iria começar a rir a qualquer momento, mas apenas porque estava se sentindo bem demais.
Uma vez dentro do apartamento, Ben trancou a porta e sem pensar nem mesmo uma vez jogou-se nos braços de Hangil. Os seus o envolveram pelo pescoço e o corpo imediatamente se grudou ao alheio, como queria fazer - ou melhor, precisava. Querer era muito pouco para o que sentia naquele instante. O abraçava forte e possessivamente, sem dar o menor sinal de que iria soltar.
— Não me solta... — Pediu levemente manhoso, escondendo o rosto contra o pescoço dele e deixando pequenos beijos ali, que foram seguindo por uma trilha invisível até chegar aos lábios.
Assim que entraram no apartamento e a portador trancada outra vez, Hangil sentiu o corpo de Ben junto ao seu. Os braços envolveram a cintura esguia dele e sorriu. Com o pedido cheio de manha do mais novo, sequer pensou em soltá-lo. Apertou o contato e arrepiou-se com os beijos no pescoço, mas precisava se conter, ao menos por aquele momento. Uma vez que os lábios estivessem próximos aos dele, Hangil sussurrou em resposta, pouco antes de um beijo.
— Nem se fosse uma escolha de vida ou morte, eu te soltaria.
Uma das mãos se deslocou da cintura para a nuca, apenas para que Hangil pudesse manter a proximidade entre eles, assim colando os lábios aos de Ben e focando no quão doce eles lhe pareciam. Não sabia se era o sentimento tomando conta ou se realmente Ben era tão doce a ponto de fazê-lo se sentir daquela forma. Os olhos se fecharam e Hangil estava ali, entregue ao sentimento. Desde que havia se separado de seu último companheiro, fugiu de seus sentimentos. Fugiu como se não houvesse amanhã. Mas daquela vez não havia escapatória.
A resposta de Hangil lhe fez sorrir de novo e então percebeu o quanto era fácil sorrir com ele. Hangil lhe deixava muito feliz, e aquilo só deixava claro o que estava tentando negar por puro medo: havia se apaixonado por ele, e não havia mais nada que pudesse fazer.
Quando seus lábios foram unidos aos dele e ali ficaram, o sorriso se fechou, mas não deixou de se sentir menos feliz por isso. Eles se separaram para que sua língua buscasse pela alheia e uma vez que o contato foi feito, pôde sentir o contraste entre o gosto de álcool na sua e o doce na dele. Não que fosse exatamente doce. Mas para Ben parecia, o que só lhe fazia ansiar por mais. Beijava-o com vontade, mas ainda assim de forma lenta, e antes mesmo que estivesse satisfeito, afastou-se. Ainda precisava dizer o que queria antes que a oportunidade passasse - ou antes que se perdesse nos abraços e beijos de Hangil.
— Eu estou apaixonado por você. — Disse um pouco ofegante, ficando levemente na ponta dos pés para que pudesse encostar sua testa a dele. — E eu não estou dizendo isso porque bebi. Bem... Talvez a bebida tenha me dado coragem de aceitar... — Riu baixinho por um momento, mas logo parou. — Mas eu realmente gosto de você.
No momento que Ben se afastou do beijo, Hangil abriu os olhos automaticamente e prestou atenção. Sabia o que ele iria dizer, mas precisava ouvir aquilo com toda atenção possível. Segurou-o com ambas as mãos na cintura, de maneira firme mas delicada. E assim que ele encostou a testa na sua, Hangil sorriu. Os dígitos se moviam na cintura esguia, fazendo um carinho gentil e calmo, contrastando com o que Hangil costumava ser.
— Que bom que não é unilateral, Bennie. — Foi só o que seu cérebro estupido conseguiu pôr numa frase. Se lhe perguntassem o que ele sentia, o bartender responderia provavelmente com um "não sei". Era um misto de felicidade com realização e incredulidade. Não acreditava que era possível gostar de alguém mais uma vez e não era possível que alguém se apaixonasse por ele mesmo com as condições adversas de trabalho, das quais estava disposto a tentar largar. E nunca em sua vida havia pensado em largar a máfia. Nem sequer quando estava com seu ex companheiro. Benjamin tornou-se uma pessoa indispensável na vida de Hangil e na de Minsoo também, já que o garoto vivia perguntando se o tio Bennie ia virar papai também. Riu com o pensamento e respondeu mais uma vez.
— Eu só quero poder te dar tudo que você precisa. Quero ser alguém de quem você tenha orgulho, Ben.
Ben tinha um misto muito grande de sentimentos em si naquele instante. Estava feliz, incrédulo, e se possível, ainda mais apaixonado. Hangil não precisava dizer mais do que aquilo. Era suficiente para Benjamin, e o carinho que sentia em sua cintura só completava aquilo. Não acreditava que era possível gostar tanto de alguém em um período tão curto de tempo, mas ali estava ele, disposto a fazer qualquer coisa para estar ao lado daquele homem, se fosse necessário.
— E eu sei que você vai ser isso. De verdade. Eu confio em você. — Pontuou sua frase com um selar demorado nos lábios do maior. O abraço se tornou mais forte e então encostou sua cabeça no ombro dele, ficando ali alguns segundos. — Eu não sei que você vai encontrar o que precisa em mim. Eu sou muito novo e inexperiente e eu não sei o que estou fazendo em grande parte do tempo. Mas eu vou me esforçar para ser, porque quero te fazer feliz. Quero te dar tudo que você precisar. Você se tornou muito importante para mim. E o Minsoo também. — Riu ao lembrar da criança, ao qual já estava totalmente apegado.
Após isso, se calou. Não queria falar demais, até porque não sabia bem o que dizer. Estava colocando seu coração para fora naquele instante, e por mais frágil que isso lhe deixasse, não tinha medo. Hangil lhe passava a confiança necessária para aquilo, e estava disposto a arcar com as consequências daquilo. Só queria ser feliz com ele. Mais nada.
Teve de sorrir enquanto Ben lhe dizia que era novo e inexperiente. Como se aquilo mudasse algo na visão dele do quão perfeito o rapaz era. Podia não ser perfeito ao ponto de não ter nada do que reclamar, mas para si, era o suficiente.
— Você tem tudo o que eu preciso, Benjamin. Só o simples fato de você acreditar em mim, gostar do meu filho e querer o meu bem de verdade já é o suficiente. Só o fato de você trazer esses sentimentos pra mim... você já me faz feliz, e muito. A parte mais feliz do meu dia é encontrar você e o Minsoo. — E mesmo que Ben fosse jovem, ele era tudo o que o bartender precisava. Sorriu com a menção do nome do filho, beijando a bochecha do mais novo. As mãos esfregavam as costas dele numa semi-massagem, uma carícia gentil. Hangil não era de se entregar aos sentimentos e muito menos de mostrá-los. Estar com Benjamin daquela forma valia muito mais para si do que efetivamente afirmar algo. Palavras não eram nada perto de ações.
— Eu quero estar com você por um longo tempo. Quero te ver amadurecendo, quero te ver crescendo na vida e eu quero estar do teu lado nas decisões importantes.
Enquanto ele falava, voltou a dar beijinhos em seu pescoço, como uma retribuição do carinho que sentia em suas costas. As coisas estavam diferentes ali, mais calmas do que geralmente eram, mas não queria dizer que gostava menos. Na verdade, aquela calma com como Hangil lhe tocava era exatamente o que precisava, e se sentia tranquilo, mesmo que seu coração batesse tão forte ao ponto de parecer o contrário. Por fim voltou a erguer a cabeça e o olhou mais uma vez, oferecendo um sorriso pequeno, mas terno. Tinha certeza que seus olhos deveriam estar brilhando.
— Eu vou ficar ao seu lado por quanto tempo você quiser. Então pode se acostumar com a ideia de que vai me ver amadurecendo muito até ficar velhinho, porque é o que eu quero, okay? — Brincou e riu, mas no fundo não era tão brincadeira assim. Queria mesmo passar um longo tempo ao lado de Hangil. Não queria contar anos, mas queria estar ao lado dele enquanto estivesse lhe fazendo bem, e levando em consideração que faria tudo para aquilo, então não podia imaginar o momento em que se separariam.
— Obrigado por isso. — Agradeceu baixinho e selou os lábios alheios, afastando-se segundos depois. — Obrigado por confiar em mim. E por me tratar tão bem. E por me querer assim. E me deixar tão bobo. — Riu mais uma vez, e de novo apertou seus braços em torno dele. Se antes havia qualquer distância entre eles, ela havia sido finalizada naquele instante. — Agora me beija. Eu quero você.
(...)















