We're going down, down in an earlier round @gragnes
agnes-healy:
Agnes poderia fazer uma enorme lista de coisas que mudaram na vida dela desde que Graham passou a fazer parte disso, era engraçado o fato de que há muito tempo eles faziam parte do mesmo grupo do colégio e mesmo assim raramente mantinham a conversa por muito tempo. A morena nem fazia ideia de como havia começado essa amizade com o rapaz, mas ela gostava dele e gostava de como eles se relacionavam. Graham trazia uma paz pra ela, fazia ela esquecer todos os problemas que tinha e ele nem era algum tipo de droga ou bebida. O grande ego do garoto fazia ela rir por horas e até mesmo o relacionamento dela com os pais adotivos havia melhorado, assim como suas notas na escola.
Ela não era extremamente inteligente quanto Graham, mas tinha essa questão de honra de tentar no minimo chegar ao nível dele, não que ela estivesse indo muito bem nessa missão, mas pra quem tirava “E” e “D” nas provas, passou a tirar “C” e “B” era um grande avanço. Sem confussões na escola, por mais que suas outras amizades tentasse influenciar qualquer coisa. Sem chegar em casa de madrugada bêbada ou drogada em dias de semana, ou até mesmo nos finais de semanas. O mais velho havia colocado o mundo de Agnes de cabeça pra baixo, ou melhor, voltado ele pro lugar certo. Algo que nem em dez anos ela imaginava que pudesse de fato acontecer aquilo.
Desde que ela havia quase implorado para o garoto ficar na cidade, Graham vivia escondido no quarto dela, divindo a cama e ficando preso lá por boa parte do dia, já que Jenny e Tom nem poderia sonhar que a filha mantinha em casa um amigo que simplesmente havia fugido de casa porque não queria ir embora, ou melhor, havia ficado exatamente pelo pedido de Agnes. Por mais que houvesse uma enorme falta de privacidade divindo o quarto com Graham, ela adorava o fato dele estar sempre por perto, por mais que negasse isso. Com a mudança de comportamente, Agnes havia decidido que talvez aquela fosse uma ótima hora para arrumar mais uma responsabilidade e não depender tanto dos pais. Conseguindo então um emprego numa loja de CD’s da cidade, apenas para ganhar um pouco de dinheiro, comprar suas próprias coisas e ainda ajudar o amigo.
Era uma tarde de sexta-feira e Healy entrava em casa após um longo dia de escola e trabalho, Graham já estava em casa, ele sempre voltava quando acabava o horário escolar. Os pais de Agnes raramente ficavam em casa, sempre trabalhando e geralmente chegavam até mais tarde que a filha. Mas naquele dia Jenny havia chegado mais cedo, o que fez a morena gelar assim que passou pela porta e ouviu a voz de sua mãe na cozinha. Naquele momento, por mais que a garota não acreditasse em santos, ela rezava por todos ele pra que sua mãe não tivesse passado perto do quarto dela. — Oi mãe, cheguei. ‘Tô indo pro meu quarto. — Gritou do hall de entrada, enquanto já subia as escadas na direção do seu quarto. Antes que ela não pudesse mais ouvir a voz de sua mãe, Jenny gritou que o jantar estaria pronto logo. Assim que abriu a porta do quarto, encontrou Graham deitado na cama e revirou os olhos enquanto entrava no cômodo e fechava a porta atrás dela. — Hello big ego! Good to see you. — Disse baixo colocando a mochila no canto perto da cama e se jogando ao lado dele. — Me diz que você não fez barulho demais e que minha mãe não apareceu aqui. Boatos que ela está em casa faz tempo já que o jantar está quase pronto, só me diz que ela não descobriu meu segredo. — Ao julgar pela cara de tédio do mais velho, a mãe dela não havia passado nem perto dali ou a cara dele estaria de outro jeito. — O que fez de bom enquanto estava sem a minha ilustre presença? — Perguntou enquanto encarava o garoto, abrindo um sorriso pela primeira vez desde que entrou no local.
Havia algo extremamente insuportável quanto a ficar preso no quarto de Agnes o dia inteiro. E aquilo não incluía ter como companhia os poucos livros da garota, ou os CDs de música que contrariavam por completo o gosto clássico de Graham. Também não incluía o fato de que boa parte de suas camisetas agora estavam misturadas nos cabides junto das alheias, ou que sua cama fosse um colchão e sua visão diária fosse um teto de estrelas artificais. O quê de insuportável naquela condição tampouco era o fato de que Young desistira de uma viagem crucial, de voltar para seu país e retomar uma educação de ponta, para viver em uma casa que não era sua com uma garota que havia conhecido há cerca de um ano atrás. O fato insuportável, a condição intolerável, a sensação inaturável de ficar no quarto de Agnes era pura e simplesmente provinda da ideia de ficar sem ela ali.
Para Graham, tão acostumado com a nova realidade, os dias que passava enfurnado no quarto da garota sem sua companhia, tentando resumir sua existência ao mínimo de barulho possível para que os pais dela não lhe ouvissem (não obstante o fato destes chegarem tarde, o que proferia ao britânico a chance de explorar outros cômodos da casa durante o dia), eram absolutamente intragáveis. Não haviam conversas ou manias para observar, detalhes para implicar ou a simples sensação particular e secreta de familiaridade que parecia arrebentar seu peito quando via a amiga. Young ainda não conseguia conceber como havia tornado-se tão próximo e dependente de Healy, afinal, ele mesmo ainda possuía um conceito fragmentado de amizade, todavia, a verdade era única e irrefutável: Passar um dia todo sem Agnes era terrivelmente entediante.
Por um lado, Graham ficava feliz. Desde sua entrada na vida dela, e mais precisamente sua vinda para a casa da mesma à pedida da própria, havia notado mudanças no comportamento de Agnes. As notas haviam melhorado, não haviam brigas que ele presenciava à distância entre ela e seus pais adotivos. Um ano mais nova que Young, que estava a um passo de se formar com condecorações não obstante o quanto não ligasse para a escola estúpida que frequentava, Healy havia de fato melhorado, e muito. O britânico não costumava dizer nada daquilo em voz alta, afinal, tinha receio de que ela pudesse entender suas palavras como um grande sinal de egocentrismo e “veja como sua vida é melhor comigo nela”, mas percebia todas as diferenças de águas no passado e presente de Agnes, e não podia deixar de ficar orgulhoso com aquilo. Para muitas outras perspectivas, a vida de Young havia entrado em declínio quando aceitara ficar na Califórnia, porém, para o mesmo, era como se Agnes tivesse feito com ele o que Graham, aparentemente, estava fazendo com ela.
Foram com aqueles pensamentos que Young voltara para a casa de Agnes naquela tarde, após uma pequena volta pelo parque próximo de Bay View em uma decisão de respirar fora por alguns momentos. Esperando não encontrar mais ninguém na residência naquele momento conforme esgueirava-se pela sala; o molho de chaves que Agnes lhe dera seguia tilintando em suas mãos ao subir as escadas. Fora somente ao pisar no úlimo degrau desta, em sua subida, que ouviu o som da porta do Hall se abrir. Por um ínfimo momento Graham parou, pensando que poderia ser Healy voltando de uma súbito aviso de saída adiantada de seu novo trabalho, contudo, o som dos saltos no solado de madeira fez Young gelar por dentro e praticamente levantar vôo até o quarto de Agnes. Não era que ele temesse Jenny, a mãe da americana e presença secundária naquela casa naquele momento, contudo, sabia que nem mesmo toda a paciência do mundo seria capaz de fazer a mulher aceitar um inglês estranho em sua casa tão subitamente. Ou pelo menos era o que achava.
Graham rapidamente se enfurnou no quarto de Agnes e só então respirou fundo. O fantasma do riso tomando espaço em seus lábios quando se jogou na cama e riu baixo da situação. Chegava a ser cômico, senão ridículo, tudo ao que se submetia somente para atender àquela necessidade de Healy em fazê-lo ficar -- não obstante o quanto tal necessidade também fosse sua.
Cerrando os olhos, o britânico se deixou levar mais uma vez pelos pensamentos que circulavam sua mente de modo incessante, de maneira que não viu o tempo correr e tampouco ouviu de início a voz estridente de Agnes anunciando sua chegada. Só viera a perceber a mesma quando os passos apressados soaram pelos degraus da escada e a abertura da porta premeditou a fala especialmente direcionada para si. Sem abrir os olhos, Graham riu no mesmo tom baixo de antes, esperando que o segundo peso fosse adicionado bruscamente no espaço ao seu lado antes de abrir os olhos e virar o rosto na direção da garota. -- Good evening, dirtbag. Good to see me too. -- Respondeu com o largo sorriso do tom propositalmente prepotente, embora não negasse que tal máscara para o repuxar de seus lábios viesse para esconder o fato de que sua felicidade do momento provinha mais do ato de rever Agnes outra vez. -- Para falar a verdade, eu até ouvi os passos dela lá embaixo quando cheguei. Achei que fosse você, mas a simples ideia de Agnes Healy usando sapatos de salto anulou a possibilidade por completo. -- Mais uma vez o tom sério seguiu o pronunciamento do rapaz, porém a sombra do sorriso anterior seguia vívida em seus lábios. -- Não se preocupe, ela não me encontrou. Então acho que posso dizer que o máximo de aventura que tive hoje foi andar pelo parque e assistir um cara aleatório perder seu sanduíche pra um cachorro infinitamente mais inteligente que ele. Nunca deixe sua comida descansando ao seu lado no banco enquanto amarra seus sapatos, huh? Rule number one. -- Um longo e trágico suspiro deixou os lábios do moreno, e as pálpebras antes abertas agora se fecharam para esconder as íris azuis, à medida que Graham ajeitava-se e cruzava as mãos sobre o abdômen; virando o rosto para o teto ainda que seu olhar estivesse impossibilitado de fitar aquilo. Mesmo de olhos fechados, era como se pudesse ver Agnes sorrindo do seu lado. -- How was your day, Healy? It’s good that you’re finally back.











