Encarou o amigo uns segundos duradouros quando este afirmou que se manteria longe de problemas, considerando reforçar que ele podia contar se estivesse enfrentando problemas com alguém. Ela percebeu então que não tinha necessidade, sabia que Zachary não esconderia da mais nova se tivesse lidando com algo sério, e assim resolveu confiar que de fato eram apenas alguns idiotas que o tinham tirado do sério. Era engraçado a maneira como as características do homem às vezes contrastavam entre si: enquanto ele era um doce com a maioria das pessoas e, realmente, um amigo maravilhoso, ele também podia ser tirado do sério com alguma facilidade e…bem, os resultados estavam ali como prova. Analisou o rosto dele em busca de mais algum ponto que merecesse atenção, notando um pequeno corte ao lado da sobrancelha. A fala dele a fez dar risada e revirar os olhos. — Você e meu pai que deviam ser um casal. — Provocou, sem esconder muito bem que as vezes sentia ciúmes da relação próxima que o amigo tinha de seu genitor. Claro, aquilo não a incomodava verdadeiramente e ela não se meteria na amizade que, na verdade, era muito bonita. Mas escutar do pai constantemente o quanto eles fariam um belo casal era, no mínimo, cansativo. Em especial quando percebeu, há algum tempo atrás, que embora sentisse alguma atração por ele aquilo não era minimamente retribuído. — María passou a noite toda fora, e eu precisei cuidar de Ángel e levar ele pro hospital. Estou sem dormir já tem mais de um dia. — Fez uma careta, terminando então de colocar o último curativo e se afastando. — Então eu discuti com ela, porque não posso fazer o papel de mãe enquanto eu sou a única trabalhando. Juro, Zach, eu amo a María mas as vezes…não da.
Zachary soltou uma risada baixa ao ouvir a brincadeira da outra. A verdade é que desde que o pai de Zach se enfiara em vicios e dividas, quando ele era ainda mais jovem do que atualmente, fora em Omar que o garoto passara a enxergar seu exemplo masculino. A forma como ele cuidava da esposa, da casa, das filhas e de todos ao seu redor, incluindo o próprio rapaz que sequer pertencia a familia latina, era deveras exemplar. Gerando no asiático não apenas uma admiração gigante mas, também um enorme sentimento de gratidão, tendo assim desenvolvido uma intensa amizade com o patriarca. - Acho que o mundo não estaria preparado para esse tipo de relacionamento e nem o Sr. Mendiola. - Brincou, fitando então o rosto da amiga por algum tempo.
- Eu já estou bem, Lupe. Você já cumpriu sua missão de super enfermeira por hoje. - Disse, ainda com o tom usual de brincadeira, embora de fato se impressionasse com o cuidado com o qual a latina sempre tratava todos ao seu redor, algo que algumas vezes fazia Zach pensar e repensar sobre como desejava algum dia encontrar alguém como Lupe. Não no sentido de amizade, claro...Isso ele já a tinha mas, no sentido amoroso. Por vezes, ele até divagava em uma dos quase delirios de Omar em que os dois acabariam juntos, que talvez...bem, talvez não fosse uma opção ruim. Digo, como Guadalupe poderia ser uma opção ruim para alguém em qualquer situação que fosse? Ela era uma ótima pessoa, uma ótima amiga, uma mulher lindissima [ não que o rapaz passasse tempos admirando isso na amiga mas, era um fato ]. Como Guadalupe poderia ser uma opção ruim? Não era. Mas, ela também não era opção para ele, imaginava que não. Ela era sua amiga. Ela era, em um termo mais abrangente, terno, companheiro e leal, o “seu bem”. E isso queria dizer que ele sempre a desejaria o melhor, que frequentemente, não parecia ser ele.
O desabafo da outra fez seu leve desvaneio sumir e então começou a prestar atenção. Por vezes, Zachary queria entrar na casa dos Mendiola e sacudir María até parecer que ela tomou algum rumo na vida e que algo entrou em sua cabeça mas, sabia que não poderia fazê-lo. Os olhos já pequenos do Yang se apertaram ainda mais quando ele entortou os lábios e então fez a única coisa que poderia fazer, segurou as mãos da menor, a repuxando para perto de si, entre as suas pernas e então fechando seus braços em torno dela em um abraço amistoso, quase protetor. - Eu sei, meu bem... A questão é que você vem carregando nas costas pesos que não são seus há tempos demais, Lupe...e já é hora de começar a dividir isso. Especialmente a quem realmente ele pertence.