Não como fuga ou consequência e sim como decisão. Afastei-me do ruído que o mundo chama de vida. Escolhi a minha própria presença, não por incapacidade de pertencer, mas por entender que, muitas vezes, pertencer exige abandonar a si mesmo.
Recuso o excesso de vozes. Recuso definições prontas da realidade.
Recuso a pressa, os roteiros, os desejos ensinados. Não há mais pureza e brilho, há apenas emoções corrompidas, status, validação e sistemas falidos. Sei que o mundo é isso, mas eu escolho outra coisa.
É no afastamento que encontro clareza.
É no silêncio que reconheço quem sou, sem interferências.
É sozinho que encaro minha própria insignificância e capacidades.
Não alimento expectativas e ilusões.
É no interior que encontro a paz as vezes soterrada pelo excesso de mundo.
Por dentro eu sou o que sou, limitado, consciente, vivo.
Por fora o mundo é o que é, imperfeito, transitório, indiferente.
A consciência cobra um preço. Quanto mais entendo menos espero, mas o propósito se torna sólido, sóbrio e real.
Não temo mais a verdade pois sua presença não causa dor e sua ausência não entorpece.
Não desprezo a ignorância e reconheço seu valor, pois nem toda verdade precisa ser vivida. Saber o que ignorar também é sabedoria.
Escolho pagar apenas o preço do que importa.
Não tenho tudo. Não tenho todo o tempo. E não preciso oferecer mais do que sou.
Não vou gastar minha vida tentando encaixar, pertencer ou sustentar expectativas que não são minhas. Reconheço meus limites e quando a conta não fecha, eu não negocio minha essência.
Sou livre porque conheço minhas correntes e não as deixo ditarem quem sou.
Vivo sem espetáculo, sem plateia, vivo meu passado e presente aceitando que não verei o amanhecer de todos os meus próprios caminhos. Aceito as consequências, reconheço quem sou e pago o preço em silêncio. E está tudo bem. Não busco ser mais do que sou.
Isso, para o mundo é pouco, mas para mim é tudo.