Tenho pensado muito nos últimos dias sobre aquela frase “na vida a gente tem que entender, que um nasce pra sofrer, enquanto o outro ri...” o Tim Maia tava era certíssimo, não tava?
É verdade que não perdi o costume de perguntar de você por ai. Com menos frequência, mas continuo a perguntar.
É verdade também que me dizem muitas coisas. Acredito em todas, mas em algumas delas ainda fico meio cabreiro. Será que é? O tempo dirá...
Você consegue lembrar da nossa última ligação? Um dia antes de você viajar. Naquela semana faríamos 8 meses e você disse pra eu não ir. Relutei, mas não fui. Porque? Você se perguntou?
Te liguei e te disse algumas coisas que hoje já não lembro mais. Acho que só queria ouvir sua voz. Queria saber como você estava, queria por um instante tentar decifrar-te pelo som de sua voz o que estava se passando ai dentro.
Você falou pouco, mas disse muito. Coisas duras, não vou esquecer. Mas agradeço, foram necessárias.
E então eu disse que estava abrindo mão de você e do garoto. Percebi que essa era a única forma de deixar você ir. Até porque não posso nem em sonho lhe privar de suas experiências.
Não havia outra forma de deixar-te. Eu precisei. Espero que entenda...
Mas não quer dizer que seja verdade. Aliás, aquela proposta ainda está na validade, caso precise...
A ligação caiu, tentei retornar por quatro vezes e depois desisti. Você estava falando algo sobre deixar por lá um presente no antigo portal. Não consegui saber de tudo. Talvez um dia eu saiba... Tenho me tornado muito paciente nos últimos tempos. Você tem me feito esse bem, mesmo de longe.
Não sei se você ficou chateada pela ligação ter sido interrompida e não haver retorno. Nós nunca mais nos falamos...
Algumas pessoas me dizem pra te procurar. Outras me dizem para desistir e seguir adiante; dizem que você está feliz. Outras pessoas dizem pra lutar astralmente por nós. Dizem que há muita interferência no nosso meio. Procurei, mas ainda não achei a fonte. Não sei o que farei quando encontra-la.
Mas hoje a moça veio aqui. Eu senti. Ela me disse algumas coisas.
Me perguntou se eu tinha certeza do que eu queria e se estava disposto a lutar por você. Ela disse pra eu ir até ela e ela viria até mim, igual aquele sonho.
Estou dividido entre seguir adiante e ir até a moça. Esse não é o primeiro convite que ela me faz. Não sei por quanto tempo ela terá paciência de me esperar.
É provável que na semana que vem eu visite um novo lugar. Estou igual a você: em busca de respostas.
Porque eu sou tão importante ao ponto de receber tantos convites? O que eu tenho que é tão valioso? Quem sou eu?
Como diz minha psicologa, você é só a ponta do iceberg. E é por essa ponta que estou entrando em lugares inimagináveis.
E você, como está ai? Já tomou banho de mar? Encontrou sua moça? Dizem que você anda triste, fechada no seu mundo e olhando para o futuro com tanta expectativa que chega a assustar. O que você me diz? As cartas mentem?