Hoje faz um mês que você me deu adeus. Há exatos trinta dias atrás, eu te vi pela última vez. E dói, sabe, saber que a última imagem que tenho sua é algo tão sufocante. Seus olhos estavam tão vermelhos, sua voz tão ofegante. Ah, se eu soubesse o quanto aquele seu olhar podia transparecer tanta dor... Se eu soubesse o quanto eu estava lhe fazendo mal, eu mesmo teria dado o primeiro adeus. Nunca fora minha intenção, você sabe. Eu posso ter feito coisas ruins, mas de uma coisa eu tenho certeza: Apesar de tê-lo feito, eu nunca quis te magoar. Acontece que me tornei possessiva, impulsiva e completamente fora de mim. Eu acabei deixando o amor de lado, para dar lugar a um sentimento ruim de possessão. Eu queria que você fosse meu, mas não fiz por onde. Ah, como eu era inocente... Eu realmente acreditava que pessoas poderiam simplesmente nos pertencer, como se fossem objetos. O grande problema é que você se tornou um objeto meu, por um bom tempo. Eu não sabia, sabe, que aquilo estava lhe fazendo mal. Como eu poderia se você sempre fora tão calado? Desconfiava que algo estava indo mal, é claro, mas depois de um tempo me tornei cega. Eu parei de prestar atenção aos seus sentimentos e... Ah, como me dói pensar nisso agora! Como me dói pensar nos seus olhos tristes que me davam adeus, olhos que diziam que ainda me amavam, mas que não estariam comigo mais. Você ainda me ama, eu sei. Eu ainda te amo também. Mas se tem uma coisa que decidi naquele dia, vendo você tão arrasado em me dizer tudo que estava preso em sua garganta, foi que não lhe causarei mais dor alguma. Mesmo que eu não resista por muito tempo, mesmo que me falte o ar só de pensar em não lhe ver nunca mais, mesmo que eu morra sabendo que nunca mais poderei te tocar... Mesmo com tudo isso, eu cumprirei minha promessa. E você, por favor, me prometa: Não se envolva com alguém que lhe cause tanta dor.