Tim Bernardes · Song · 2022
Bizarro como essa música narra exatamente eu e você, talvez nenhuma experiência seja única, de fato.
Nossa última vez juntos foi quase completa, eu quis meter uma marra no início mas bastou a Bruna deixar a gente sozinho por 2 segundos e eu estava completamente rendido à você, como se a gente não tivesse perdido sequer 1 segundo do que sempre fomos. Eu não ironicamente aceitei ir de unicórnio pra um rolê, porque era com você. Sem nem imaginar que aquela podia ser a última vez. E quando a gente chegou em casa depois de uma singela discussão, eu vi você chorando enquanto ouvia nossa playlist, pela primeira vez eu soube exatamente o motivo. E depois de ouvir 7 segundos da "Eu Te Odeio" tocando em meio ao silêncio absoluto enquanto te abraçava, soltar uma sincera risada do timing. Eu soube que seria a última.
Sabe de uma coisa? Acho que eu nunca me afastei de você verdadeiramente, desde que a gente se viu pela primeira vez. Me acostumei tanto com sempre estar pensando muitas coisas simultaneamente, e nunca reparei que desde (talvez antes) o primeiro dia, pelo menos um desses pensamentos era você. E foi exatamente isso, quando a gente decidiu por A+B que a gente precisava de uma cicatriz. Você sempre esteve lá. Mesmo te silenciando em tudo, tentando ter overdoses de informação pra te expulsar, foi impossível. Eu mal via a hora de te ouvir a voz, sentir seu cheiro, de saber o que tem conquistado, de saber o que sentia. Não se parecia com uma cicatriz curando, e perto do hiato acabar eu notei isso. Por um momento pensei que se aceitasse apenas minhas vontades carnais eu poderia, hora ou outra, acabar associando apenas isso à gente. Que em algum momento eu fosse parar de te colocar no meu futuro, como o amor que eu acreditei merecer, e deixar que isso se tornasse só uma noite de amigos que acabam dormindo juntos, por saberem que o íntimo não deixa de existir quando se encontram. E eu quase acreditei de verdade nessa possibilidade, não fosse o fato de que ainda existia a mínima chance da gente continuar nossa história. E que agora seria tão diferente e possível, que a distância e nem mais nada seria problema. E eu queria que você ouvisse a certeza que tanto esperou um dia, finalmente poder ser dita em tom de decisão, e não mais esperança. Mas aí, tudo pareceu ser tarde demais. E ver que acreditei tão cegamente em uma pequena esperança, enquanto outras pessoas passavam na minha frente, só... doeu, porque eu sabia que essa possibilidade era real e muito próxima, joguei dois meses sem saber que ia precisar só de um. E aí, pela primeira vez me senti idiota de ainda insistir, acabei deixando esse sentimento falar mais alto e bater de frente com o seu cansaço. Era claramente uma luta que não tinha como ganhar, e não deu. Mais um adeus, querendo sinceramente acreditar que é possível só deixar as coisas acontecerem como são, saindo sem me despedir porque não me cabia mais procurar respostas, porque palavras não ditas, amor, malditas são.











