Criatividade ou algumas pseudo-analises de poemas de Drummond
A mente é engraçada, porque sempre que tenho uma ideia boa eu não posso escrever, e quando eu posso escrever essa ideia eu a esqueço na hora que eu abro o Word, ou o Vegas, ou o Photoshop. Isso é um problema pra mim que quer ser um escritor pico Paulo Coelho pelo menos em fortuna, como também vai ser pra mim que vai fazer direito e talvez virar advogado. Imagina a situação: estou tomando banho e penso no meu caso e descubro como conseguir com que o meu cliente, acusado por diversos crimes hediondos, sofra de uma pena que se resuma a serviço comunitário, mas na hora de escrever o meu caso para a sentença, eu esqueço tudo. Esse é um problema para mim, mas também para todos. Não precisa ser na hora de escrever, pode ser na hora em que está fazendo uma redação, se bem que isso também é escrever, mas também pode ser na hora em que você está fazendo uma daquelas difíceis equações, tipo, descobrir o ângulo de um triângulo retângulo, você primeiro tenta com seno e cosseno, erra, depois tenta com a soma dos ângulos igual a 180°, erra, aí tu vai cagar e descobre que era para fazer a lei do cosseno, essa monstruosidade que nunca passara na tua cabeça enquanto fazia a conta.
Mas isso não ocorre apenas em questões criativas e objetivas, também ocorre quando você “perde” em uma discussão ou debate para alguém, uma hora depois da briga você vai tomar banho ou dormir e descobre o argumento perfeito para aquele momento, e então você perde parte do seu tempo encenando na sua imaginação um cenário em que você ganhou e começa a se questionar do porquê essa réplica tão bem feita não ter aparecido antes na sua mente, por que? Bem, tem respostas para isso, só que não sou um psicólogo, muito menos um cientista, sou apenas um aluno de ensino médio, que de vez em quando tem fantasias de se tornar um escritor enquanto escreve redações horríveis e culpa sua caligrafia, que apesar de ter realmente toda a culpa, não é a verdadeira razão de escrever textos tão ruins como esse, e que a única opção para o sucesso caso a carreira de escritor não for para frente é passar em um concurso público, talvez mandar a rota do Drummond, ser escritor e funcionário público. Se bem que Drummond era um poeta e não um romancista, escreveu um romance, claro, mas o autor aqui não o leu, mas sabe o poema No Meio Do Caminho de cor, em parte porque acho engraçado, em outra parte porque é pequeno, já me perguntei qual o significado mais profundo do poema, tem um que envolve a situação política da época, mas tem o mais geral, que a pedra representa as dificuldades que uma pessoa passa na vida, e que o eu lírico aparenta ter superado e lembra de maneira contente. Claro essa uma interpretação entre milhares outras, esse poema sendo tão influente. Esse texto era sobre o quê mesmo?
O funcionamento da mente, bem minha funciona assim, e se quiserem uma conexão mais direta entre o poema e esse texto, bem, a pedra é uma metáfora para o bloqueio criativo, o caminho é o projeto e o eu lírico já passou pelo problema, suas retinas cansadas representam seu esforço para passar por tal ócio. Talvez a pedra seja a procrastinação, porque escrevi o 1° paragrafo há um mês, e só agora, com uma mistura de falta de sono e a situação mundial me fez terminar esse texto, agora eu penso em ter que encerrar o texto com três parágrafos por conta do tamanho do 2°, mas ao mesmo tempo seria um texto muito pequeno, na verdade só estou sem criatividade e estou usando de recursos metalinguísticos para compensar o gato desse texto não estar indo para lugar nenhum real, poderia tentar uma parábola com o poema Quadrilha do Drummond, só para manter no tempo de poema, só que não vejo um comunicação, poderia até dizer que o autor queria Quadrilha que não queria ninguém, mas no final o autor se apoia em recursos metalinguísticos e Quadrilha já era um dos maiores poemas de todos os tempos da língua portuguesa. Essa foi forçada, decepcionante, mas criativo.