🔪 ALEXANDRA “LEXI” JADE RILEY está de volta a cidade, é uma dos dezesseis e todos a conhecem como THE FINAL GIRL. em 2009 quando ainda morava em UPTOWN, aos DEZOITO anos, era conhecida por ser GENEROSA e TEIMOSA. hoje, aos TRINTA E TRÊS anos, ela é uma PROFESSORA DE EDUCAÇÃO INFANTIL, que as pessoas descrevem como EMPÁTICA e ARISCA.
do you wanna know about the deal i'm making?
❝ você é como uma praga, uma erva daninha extremamente difícil de remover. não importa o que aconteça, você é sempre salva pelo gongo ou no último momento a vida te traz de volta por meio de um deus ex machina. devil's kettle não te vê desta forma, você é a gêmea boa, a típica garota americana. você é a irmã que deu certo, o orgulho do seus pais, do seu irmãozinho, dos seus professores, dos seus amigos... tão boazinha, tão perfeitinha, tão... tão sonsa! quando seus amigos começaram a morrer, é claro que você quis bancar a durona, o alicerce do grupo, sempre tão desconfiada. o seguro morreu de velho e você fugiu, achando que se livrou de mim. será que você continuaria nesse pedestal se soubesse que usei você para matar o seu irmãozinho ? você ficaria feliz por finalmente ser uma filha única ou é hipócrita demais para admitir que também é uma pessoa ruim? não tente me esquecer, um hora ou outra nós iremos nos acertar. ❞
headcannons
a família riley habita a cidade de devil’s kettle há pelo menos 60 anos. vindo de salem, massachusetts, thomas riley foi o primeiro médico geral a se mudar para o local, levando consigo sua esposa e seus cinco filhos. seis décadas depois, a família riley ainda habitava em devil’s kettle fazendo parte de sua “elite”.
vivienne riley, uma das descendentes de thomas, formou-se em administração e turismo em saint paul, retornou a devil’s kettle e casou-se com john bessette, que assumiu o sobrenome riley. john era filho do reverendo da cidade, que anos depois assumiu a posição de líder espiritual de seu pai e vivienne administrava os negócios de sua família. no ano em que os gêmeos nasceram, fundaram o mizpah hotel para atender a demanda dos pacientes mais financeiramente confortáveis do novo hospital geral.
alexandra, ou lexi como é chamada desde o nascimento, cresceu de forma confortável no lado bom da cidade. ela era uma garota comum, com a diferença de ter passado parte de sua infância morando no hotel da família. era bastante alegre, sempre rodeada de amiguinhos e de seu irmão gêmeo. irmão cujo lexi não poderia ser mais diferente.
aos cinco anos de idade, em um momento de distração de seus pais, alexandra foi atropelada por uma caminhonete enquanto caminhava pela rua. saiu sem sequer um arranhão e aquela foi a primeira vez de muitas em que lexi teve sua vida por um triz saindo ilesa. após isso aconteceram acidentes de carro, quase afogamento, vazamentos de gás e outros infortúnios em que alexis era salva pelo gongo.
enquanto lexi era boazinha, odiava confrontar os pais, os obedecia e simplesmente não conseguia dizer não, THE STONER era desafiador e livre. ela desejava ser como ele, mas sempre que se rebelava aconteciam milhares de chantagens emocionais que a faziam retornar a estaca zero. seus pais a amavam tanto, sua mãe a adorava, porque ela iria desapontá-los pensando por si mesma?
frequentava a igreja todos os domingos, ajudava seu pai durante o sermão, era presidente do grêmio, virgem, frequentava festas, mas jamais ficava bêbada, não fumava, tirava boas notas, era babá (às vezes de forma gratuita) para seus vizinhos e conhecidos, controlava os danos das festas de seu irmão, era monitora de verão do camp lover’s lake e simplesmente a maior sortuda de todos os tempos.
não deu atenção a lista, tinha seus afazeres e obrigações naquele dia. pegadinha nenhuma chamaria sua atenção. quando THE SCHOLAR morreu lexi se chocou, recusou-se a acreditar de imediato que quem quer que tivesse feito aquela lista falava sério.
passou então a observar a todos, precisava se certificar que se tratava de uma infeliz coincidência. foi quando THE FUCKBOY morreu que o pesadelo de alexandra de fato começou. eles podiam se bicar e ter uma amizade diferente, mas ele ainda era uma das pessoas mais próximas de lexi, alguém que ela confiava. ele era seu amigo e havia morrido de forma brutal. alexandra sofreu intensamente e se recusava a aceitar que ele havia “a deixado”.
os próximos meses de horror fizeram de lexi uma pseudo detetive, fez o que podia dentro de suas limitações de adolescente de 18 anos e falhou. o que a perturba até os dias de hoje, já que sabe que o desfecho de seu irmão seria diferente.
saiu da devil’s kettle mantendo contato apenas com seu irmão gêmeo e um novo nome: riley prescott. decidiu cursar faculdade em winnipeg no canadá e lá formou-se em pedagogia. especializou-se em educação infantil e partiu para frança, onde morou nos anos seguintes.
mudava-se de cidade sempre que podia, não confiava em ninguém e podia contar nos dedos o número de amigos que fez. dormia sempre com uma pistola debaixo de seu travesseiro e uma faca em sua gaveta. fez aulas de tiro, defesa pessoal, se tornou faixa preta em carate e jiu jitsu. se tornando até instrutora particular de alguns de seus pequenos alunos.
a morte de THE STONER foi um baque inesperado para alexandra. ela sequer sabia que o irmão havia voltado a cidade, portanto se chocou a ponto de desmaiar por alguns minutos quando informada. novamente ela estava só, quem seria ela sem sua outra metade? ela nunca havia existido sem ele.
ainda não chorou desde que recebeu a notícia, tudo que lexi pensa é uma forma de acabar com aquilo de uma vez por todas e está determinada em caçar o assassino. nem que isso signifique sua própria morte.
conexões
THE FUCKBOY: amigos desde as fraldas que em algum momento da o início da adolescência decidiram compartilhar experiências. são notavelmente diferentes, muitos sequer entendem como a amizade de ambos prevalece mesmo com a personalidade forte de THE FUCKBOY e a impaciência de THE FINAL GIRL com o mesmo. no final da noite, ambos sempre estavam se beijando em algum canto após brigarem durante o dia.
THE STONER: irmãos gêmeos, o gêmeo "mau" e a gêmea "boa". ela era tudo que os pais sonharam, a boa garota e ele era apenas o filho que eles tinham. a relação da família nunca foi a das melhores, sendo um ambiente tóxico para ambos que em muitos momentos incitava a rivalidade entre os irmãos. durante alguns momentos da infância, THE STONER desejou ser THE FINAL GIRL, admirada e a filha de ouro de seus pais; por outro lado, THE FINAL GIRL desejou ser THE STONER, espírito livre e destemido.
THE CHEERLEADER: os opostos se atraem e por isso THE CHEERLEADER era a melhor amiga de THE FINAL GIRL. enquanto uma tinha a popularidade em sua mente e achava que o mundo era como o ensino médio de devil's kettle, a outra era a típica garota boa que sorria para velhinhos e cuidava do filho de seus vizinhos nos finais de semana. muitos se questionavam como uma menina aparentemente doce, como THE FINAL GIRL, conseguia ser amiga de alguém tão arrogante quanto THE CHEERLEADER. seria THE FINAL GIRL uma garota má ou THE CHEERLEADER uma garota boa?
Mesmo não sendo o tipo de pessoa que media demais suas palavras ou filtrava a forma como expressava seus pensamentos, Ramona ainda demonstrava o mínimo de senso crítico ao respeitar aqueles que haviam acabado de perder um ente querido. Podia não saber ao certo o que dizer para expressar suas condolências à Alexandra, mas estava certa de que seu silêncio podia ser ainda pior, pois abria brechas para interpretações equivocadas. Sem pensar demais, decidiu agir e ser honesta com a mulher, cumprimentando-a com um simples olá ao abordá-la. “Não disse nada demais.” Esclareceu quando questionada, então oferecendo um sorriso singelo à outra. O comentário sobre Andrew era coerente com o pouco que sabia a respeito dele, por isso reagiu com o sopro de um riso. “E você acha que seus pais concordariam em fazer uma festa sobre o túmulo do seu irmão?” Na teoria tudo era viável, mas a realidade era diferente do ideal. “Em momentos como esse, acho normal que optem por homenagens mais comuns. Nunca parei pra pensar em como vou me despedir das pessoas, então tenho certeza de que faria o mesmo.” Deu levemente de ombros. Os mortos não presenciam os tributos dedicados a eles, então, que diferença fazia?
ela negou com a cabeça, embora soubesse que provavelmente se tratava de um questionamento retórico. ⸻ meus pais nunca concordaram com nada a respeito do andrew, sempre desrespeitaram o fato dele ser diferente dos planos do filho perfeito. ⸻ eles haviam agido o oposto dos desejos de aj até o último momento possível, o de sua morte . ⸻ mas o que podemos esperar de pais? no fundo, sempre passarão por cima de quem somos, para conseguir quem eles querem que sejamos. ⸻ alexandra precisaria de muito para que voltasse a se surpreender com seus pais, entretanto não machucava sonhar em como seria uma despedida digna para aj. se é que havia uma forma digna de se despedir de alguém que havia sido brutalmente assassinado aos 33 anos. o que doía mais era saber que em breve ela faria 34 e ele sempre teria 33. ⸻ eu sempre achei que tinha me acostumado. sabe, depois de tudo que aconteceu com a gente. por um tempo eu podia recitar cada frase dita pelo padre durante o sermão, mas nada te prepara para... isso. ⸻ era difícil dizer “a morte de seu irmão”, seria como enterrá-lo de vez. alexandra não podia existir tendo aj enterrado. engoliu seco, precisava ser racional. lexi tinha um plano, tinha uma missão, um dever. ⸻ como foram todos esses anos aqui? aconteceu alguma coisa que indicasse que ele não desistiu? qualquer coisa diferente do comum, um prego fora do lugar que seja. ⸻ mirou ramona por fim, qualquer informação que pudesse obter era útil. ramona havia conseguido sobreviver todos aqueles anos ali, precisava saber o que ela havia feito de diferente.
Como de costume, Pietro carregava nos ombros um cooler amarelo estampado com alguns desenhos em grafite. Nada melhor do que uma boa festa cheias de adolescentes bebendo e fumando horrores para vender sanduíches e faturar uma boa graninha. Ele mesmo já estava ficando com fome, por isso decidiu parar para lanchar e avistou sua… amiga? Rival? Não era fácil descrever a relação dos dois, mas toda conversa era legal demais pra deixar passar. _Ninguém que está se divertindo precisa jurar que está se divertindo._ Tinha um sorriso implicante do lado esquerdo da boca. Os dedos compridos abriam com destreza a caixa, puxando dali dois sanduíches. _Segura pra mim? Olha, se com diversão você quer dizer “faturando muito”, sim, eu to me divertindo abeça.
alexandra deu de ombros, havia cansado de esforçar-se para parecer a vontade. tudo que precisava era relaxar, de fato e de verdade. quando o rapaz retirou dois sanduíches da caixa que carregava foi o momento em que lexi notou o que ele fazia, sua confusão era explicita em sua face. ⸻ eu deveria saber o que você está fazendo ou eu devo preferir não saber? ⸻ indagou, esperava que fosse tão simples como parecia. pietro apenas estava vendendo comida, não sabia ela o que era. ⸻ não sendo nada ilegal, fique a vontade. não irei te impedir de lucrar e acho que o aj também não se importa. ⸻ foi quando ela finalmente estendeu a mão para segurar o que quer que o outro pedia. ⸻ ele provavelmente só irá pedir para você salvar um desses para o momento de larica dele. sabe como é. é isso que você faz toda festa? vende comida? nunca reparei.
Nature-loving Sam is nothing but a warm and caring individual. The others may find her a little quirky, but she's comfortable in her own skin. She's strong willed and doesn't scare easily. The weekend trip away is an opportunity for Sam to catch up with friends and for the chance to enjoy the mountain air, and eventually try to put the past behind her.
os olhos de elliot estavam fixos em um ponto específico — ainda não havia percebido, mas, para ser exata: no rosto de lexi riley —, sua mente, entretanto, estava em outro lugar. suspirou com um quê de saudosismo ao pensar naquela como a primeira da sequência de últimas festas que frequentaria em devil’s kettle. não via a hora de sair da cidade no fim do ano letivo para a faculdade e fazer coisas extraordinárias. piscou lentamente, já sentindo os efeitos do álcool, ao que se concentrava na voz distante de lexi, bem a tempo de não ter que perguntar à garota o que ela havia dito.
estreitou os olhos, não convencida da afirmativa alheia. — ❝ qual é, lexi! com essa cara você não pode estar se divertindo. o que você está bebendo? ❞ — a expressão da carter se contorceu em uma pequena careta. — ❝ ew, eu preferia ter uma noite de sono sem a imagem mental de quem quer que esteja transando na cama dos seus pais. ❞ — expressou seu desgosto em voz alta e, depois de mais um gole em sua bebida, sorriu para lexi. — ❝ contanto que não seja você a limpar a bagunça, acho que não deveria se preocupar… ❞ — encolheu os ombros. afinal, aquilo era normal para uma festa. inclinou a cabeça para o lado, fingindo pensar em sua resposta. — ❝ ah, eu estou me divertindo sim. mas vou te dizer que vou me divertir mais ainda quando eu conseguir fazer você sorrir de verdade! ❞
ela mirou o conteúdo do copo por alguns segundos. ⸻ alguma cerveja de baixa qualidade em temperatura enfervecente. ⸻ sorriu ironicamente e deu de ombros, lexi estava convencida que era uma daquelas pessoas que simplesmente haviam nascido sem o espírito de jovem festeira. ⸻ e eu preferia não ter que lidar com eles descobrindo que alguém transou na cama deles. ⸻ alexandra quase conseguia escutar o tom reprovador de john riley, o reverendo ficaria estarrecido. ⸻ se bem que, desde que eles não achem que eu tenho algo a ver com isso, tô sussa. vai sobrar tudo para o aj. ⸻ ponderou, seu único risco era que sua mãe acreditasse que ela poderia ter algum envolvimento. certamente a senhora riley preferia que lexi morresse ao ser mãe adolescente. ⸻ desta vez não quero saber de nada. o aj sabe se cuidar sozinho. ⸻ não tinha muita segurança em sua afirmação, mas não voltaria atrás. havia decidido o que iria fazer e ninguém mudava a cabeça de alexandra riley. a afirmação alheia fez com que um sorriso forçado, e sem qualquer intenção de parecer natural, fosse dado pela garota. ⸻ tá bom? sei lá, ellie, acho que não consigo ser totalmente plena sem ser a síndica da festa. sinto que não tenho nenhuma utilidade aqui, já que nem beber eu sei. me diga, o que os jovens costumam fazer em festa como essa para se divertir?
desde a ligação que recebera sendo informada da morte de seu noivo, era como se um apito fino soasse constantemente nos ouvidos de verena, auxiliando sua mente a ir para um lugar alternativo, renegando a vida real em sua mais dura verdade. haviam sete dias desde o falecimento de andrew, e verena ainda não havia chorado. não porque não sentia, mas justamente porque sentia muito. custava a crer que estava tão perto de casar-se com o amor de sua vida e finalmente ter uma família estável que a amasse e pudesse amar; mas que seu futuro, o futuro de andrew, fora tão brutalmente roubado deles. ainda estava na fase de negação do luto, sem nem coragem de ver de perto o caixão em que residia o corpo agora sem vida do amado. se visse, então tudo se tornaria real; e verena ainda se forçava a acreditar com todas as forças que estava apenas tendo um pesadelo ruim. o pior de sua vida. nem mesmo a lista parecia abalá-la, pois tudo o que conseguia sentir era uma excruciante raiva e um desejo cego de acabar com quem estivesse por trás daquilo. “não pode ser real.” verena repetiu-se mediante a indagação da cunhada. a mãe de verena sequer aparecera para ver como a filha estava, e por outro lado, verena já considerava os riley como sua família. seriam sua futura família. então, sabendo que a solidão era má companhia, havia se aproximado da cunhada, a mesma com quem havia compartilhado o pior momento sete dias atrás. “com certeza!” vee soltou num riso seco, porém era um sorriso genuíno o que habitava seus lábios, ao que a mente hospedava as memórias dos velhos tempos. “ele estaria odiando cada segundo disso… faria piada de cada um de nós. tenho certeza que diria que se fosse para nós ficarmos com os olhos vermelhos, que ao menos fosse por fumarmos um baseado…” engolindo em seco, trincou o maxilar ao sibilar no mais puro ódio “se alguma divindade existir, que me perdoe, mas eu vou acabar com a raça desse filho da puta.” verena estava decidida a vingar a morte do amado, nem que fosse a última coisa que fizesse em vida.
desde a morte de the scholar, os sonhos de lexi haviam se tornado cada vez mais macabros e realistas. portanto, a ainda adolescente alexandra tomava parte de seu tempo estudando a respeito de sonhos e o porquê deles existirem. em um fórum qualquer, lexi aprendeu um truque para escapar de pesadelos: tentar contar os dedos das mãos ou ler. caso você não conseguisse se tratava de um sonho e logo seu cérebro te faria despertar. mirou ambas as mãos e mentalmente contou dedo por dedo. alexandra estava consciente, acordada, mesmo que não parecesse desperta. ⸻ eu ainda não entendo como alguém pode estar aqui em um momento e no momento seguinte ter ido embora. ⸻ a voz de alexandra saiu fraca, a mulher não estava prestes a chorar, porém, soava exausta. a risada de verena fez com que alexandra finalmente a mirasse, era estranho como agora era dolorido encará-la. tudo a respeito de verena lhe lembrava de seu irmão, afinal era por ela que andrew sempre havia sido apaixonado e desejado passar o resto da vida.
verena era o futuro de andrew, um futuro que nunca viria. ⸻ eu não preciso do perdão de qualquer divindade, eu não perdoo ela. a única divindade que eu acredito e que eu sei que existe é o carma. ⸻ depois dos acontecimentos de devil’s kettle não foi possível para alexandra seguir crendo em deus ou qualquer outra divindade. eles eram apenas crianças, o que podiam ter feito de tão grave para ter tamanha punição? ⸻ e eu só acredito no carma porque eu sou o carma. eu vou matar esse desgraçado com as minhas próprias mãos. ⸻ desta vez sua voz saiu firme, um lampejo de força tomou a mulher. ela necessitada de verena ao seu lado, necessitava de alguém que acreditava poder confiar. ⸻ eu posso contar com você? sem reservas, sem pudores e sem medo. nós faremos o que for preciso.
Caminhando pela festa com sua típica pose de dono do lugar, Andrew era só sorrisos e animação. Parecia conhecer todo mundo, e cumprimentava até aqueles que não se lembrava direito como se fossem bons amigos. O seu carisma e autoestima somados resultavam em um rapaz extrovertido e amigável, quando as drogas ainda eram apenas recreativas e não pareciam prestes a afundá-lo num poço de problemas. Entre os demais, era possível ver um rosto conhecido, agindo como uma estranha fora do ninho; e talvez, fosse exatamente isso o que ela era.
De braços cruzados, uma sobrancelha erguida e um sorriso descrente, ele parou de frente à irmã. Sem precisar dizer nada, ela entendia o que ele quis dizer com aquela pose. ❝ Você acha que mesmo que eu não te conheço, né? ❞ A pergunta era retórica. Poderia não ser o mais inteligente ou observador, sequer recordava datas de aniversários ou favoritos de outras pessoas, mas quando se tratava de Lexi, ele parecia conhecer mais do que a si mesmo. ❝ Relaxa, Lexi. Eu vou arrumar essa bagunça depois. Vai ficar parecendo que nunca nem teve uma festa aqui. ❞ Garantiu, o “vou arrumar essa bagunça” significando que arrumaria alguém para cuidar de tudo. Abraçou-a de lado, puxando-a para caminharem juntos, então pôde olhar o copo dela mais de perto. ❝ A careta foi porque não gostou da cerveja, ou porque está ridiculamente quente? ❞ Implicou, o sorrisinho zombeteiro brincando em seus lábios. ❝ Vou te contar um segredo: as bebidas boas estão escondidas. Só os vip’s tem acesso. ❞ Ele sussurrou. ❝ Vem, vamos te arrumar algo decente para beber. ❞
ela deu de ombros, não custava nada ao menos tentar parecer estar se divertindo. ⸻ é, valeu a tentativa. ⸻ alexandra logo abaixou o copo de cerveja, todo aquele teatro não convenceria ninguém. a menção a arrumar a bagunça fez com que lexi risse baixo, não conseguia vislumbrar andrew limpando coisa alguma. aceitou o abraço do rapaz e encostou a cabeça no braço alheio, o comentário a respeito de sua cerveja causou outra pequena risada em alexandra. ⸻ toma conta da sua vida, essa cerveja está em temperatura razoável. ⸻ “razoável para os quintos dos infernos”, pensou. porém, de forma jocosa, gostava de contrariar o irmão. o comentário seguinte a surpreendeu menos que deveria, não costumava beber nas festas do irmão, mas o conhecendo fazia sentido que houvesse um “bar vip”. ⸻ eu poderia te perguntar onde você arranjou as bebidas do bar vip, mas estou em uma nova fase e a nova lexi não se importa. ⸻ o comentário que deveria substituir a indagação em questão, era tão inquisitório quanto esta seria. necessitava que aj lhe dissesse que seus pais não teriam a mínima noção sobre aquilo. ⸻ tá legal, só não me dá nada muito forte. você sabe que eu não bebo e não quero passar vexame aqui na frente de geral.
enquanto algumas pessoas fugiam de muvucas e atenção dos outros, lavender corria na direção de ambos com os braços abertos. a garota era uma verdadeira borboleta social e prosperava em situações como aquela. por isso, assim que chegara na casa do lago dos riley’s, a líder de torcida logo foi em direção a um grupo de líderes de torcida que estavam às margens do lago. não demorou muito para que uma bebida aparecesse em sua mão, fazendo com que lavender soltasse uma pequena risada antes de se ajustar em uma cadeira de sol. foi somente quando seu terceiro copo de cerveja acabou que a jovem decidiu que era hora de se levantar e socializar com outras pessoas. sem se despedir de suas companheiras, lavender andou na direção da casa. colegas de classe abriam caminho para que a líder de torcida passasse e ela acenava e sorria somente para quem considerava importantes. ao avistar lexi em um canto do ambiente, a loira não pensou duas vezes antes de se aproximar e ficou em silêncio, esperando ser notada pela melhor amiga. uma risada genuína deixou os lábios da jovem ao ver a careta da riley e revirou os olhos dramaticamente. ❝ hmmm, sei. tenho certeza de que você está se divertindo, assim como tenho certeza de que sua cerveja está uma delícia agora. ❞ comentou em um tom brincalhão, batendo o quadril no de lexi levemente. ❝ se quiser, posso fazer o papel de má e exigir que saiam do quarto. você pode trancar ele depois, algo que, pra ser sincera, já deveria ter feito. ❞ foi a vez de lavender fazer uma careta enquanto imagens francamente nojentas apareciam em sua mente. ❝ oh, you know, eu estava… até perceber que minha melhor amiga ainda não tinha me dado um pingo de atenção. ❞ um longo e drámatico suspiro deixou os lábios rosados da líder de torcida, que encostou o corpo no da amiga. ❝ c'mon, lex, vem nadar comigo. por favor! ❞
lavender estava na lista de pessoas que conhecia lexi bem o suficiente para saber que seu eu controlador sofria em cenários como aquele. ela sempre acabava passando parte da festa se atentando de que nenhum dano ocorreria a propriedade a sua família, algumas vezes tomava coragem em tomar um shot de alguma bebida quente e soltava-se o suficiente para se importar menos com o porta retrato trago de uma viagem a paris em 1999. ⸻ isso aqui é uma porcaria. juro que não entendo como vocês gostam disso, ou conseguem fingir gostar. ⸻ colocou o copo em seu lado, definitivamente não se daria mais ao trabalho de fingir. ela balançou a cabeça em sinal de negação, estava decidida a se manter longe de tudo aquilo. ⸻ não, babe! novo ano, nova alexandra. não quero saber de nada disso, não serei mais a síndica das festas do aj. a nova alexandra é divertida, despreocupada e também é a gêmea legal! ⸻ pontuou suas metas para o ano letivo. ⸻ aliás, acho que lexi é muito largado. alexandra tem mais presença, vou abandonar essa parada de apelidos. ⸻ refletiu por poucos segundos e logo voltou sua atenção a melhor amiga, soltou uma pequena risada pela fala dramática alheia. ⸻ nem vem, você estava muito bem com as outras pom-poms e não notou minha falta. ⸻ empinou o nariz, assumindo uma fingida postura de ciúmes. lexi não se importava com a cumplicidade de lavender com a equipe de torcida, embora nem deus conseguisse fazer cogitá-la entrar para o grupo. ⸻ tudo bem. o que você não me pede sorrido que eu não faço chorando. ⸻ se levantou deixando o copo para lá, mesmo que uma parte de si se contorcesse com aquilo. ⸻ temos de primeira opção esse grande e refrescante lago cheio de adolescentes bêbados fazendo cannonball, e a nossa segunda opção é um ofurô que provavelmente também tem adolescentes bêbados.
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𝓭𝓸𝓲𝓼 𝓶𝓲𝓵 𝓮 𝓸𝓲𝓽𝓸
os lábios de alexandra se curvavam em um sorriso tímido, enquanto ela via a movimentação de seus colegas. “se solta, lexi, é o seu último ano”, vinha repetindo aquela frase como um mantra para si mesma. sempre havia desejado ser livre como aj, deveria começar por algum lugar. agora estava há mais de meia hora carregando um copo vermelho que continha cerveja, já quente, e vez ou outra fingia beber do líquido.
quando notou que agora possuía companhia, lexi levou o copo até a boca e bebeu da cerveja. ao sentir o amargor da bebida em conjunto com sua alta temperatura, a face da adolescente se contorceu em uma careta enojada. ⸻ ah, não me olha com essa cara! eu juro que estou me divertindo. ⸻ um sorriso amarelado foi dado pela jovem. ⸻ eu não estou absolutamente nem aí que subiram calouros e provavelmente se enfiaram no quarto dos meus pais por causa da cama king. ⸻ respirou profundamente, não iria ser a “polícia da diversão” e não tomaria para si aquela responsabilidade. andrew sabia bem o que estava fazendo. ⸻ e você, está se divertindo?
𝓭𝓸𝓲𝓼 𝓶𝓲𝓵 𝓮 𝓿𝓲𝓷𝓽𝓮 𝓽𝓻𝓮̂𝓼
a foto de um sorridente andrew estava repousada sobre um cavalete do lado de fora da st. mary’s catholic church. alexandra não sabia a quanto tempo encarava a imagem, quantas vezes havia lido a legenda “filho e irmão amado, jamais te esqueceremos” e como tudo aquilo parecia uma realidade alternativa. andrew john riley estava morto, seu irmão gêmeo estava morto.
a lista que pintava as paredes brancas de pedra da igreja não pareciam ter afetado lexi, sua expressão impassível não parecia se inflingir. alexandra parecia aérea, talvez dopada. ⸻ falou comigo? ⸻ virou em direção a sua mais nova companhia, podia notar o desconforto alheio em sua presença. não existiam palavras certas para se dizerem para a irmã gêmea do morto e lexi sabia bem disso. entretanto, achava patético quando era notável o incômodo, afinal era ela quem havia perdido um irmão. ela sim poderia estar desconfortável, desolada, enraivecida. ⸻ algo me diz que o aj acharia isso tudo muito brega. meus pais nem são católicos. provavelmente ele preferia que depois de sete dias ficássemos bêbados em cima do túmulo dele.