Nunca mais escrevi.
Nunca mais escrevi. Nunca mais consegui organizar as palavras dando forma ao que habitava em mim. Quando tentava modelar alguma coisa, algum ponto da massa saía errado. E eu jogava fora. Não sei exatamente o que eu errei, ou se os ingredientes estavam passados do prazo de validade, ou se esqueci a receita.
A receita não se esquece. Não posso dizer que escrever seja como andar de bicicleta, afinal não tem uma receita pronta assim: pá pum. É mais como sentir e por pra fora. Dessa forma, estaria errado se referir a isso como receita, o que de fato está.
Escrever é explodir. É como um vulcão em erupção. É expelir o magma quente quando a terra já não suporta a pressão que ele causa. É, acho que esse é o melhor exemplo!
Porém, se escrever é explodir, eu já não sei pra onde tem ido todo esse magma que sai de mim. Nem sei se ele sai, na verdade. Em teoria, agora seria a época em que meu vulcão interno estaria ativo. Mas, ironicamente, ele parece estar adormecido. Não me lembro a última vez que coloquei pra fora em palavras (leia-se, palavras que fizessem sentido) o que se passa.
Eu sei que tenho entrado em erupção e explodido diversas vezes nos últimos tempos, porém é como se as explosões se passassem no vácuo... Silenciosas. Talvez dentro do meu coração; lá deve haver um vácuo. Não, acho que pelo contrário - lá é cheio demais. Talvez no meu estômago, e seja digerido com o suco gástrico. Bobagem. Viagem.
Sabe-se lá o motivo que há tempos não escrevo, sendo este meu período mais turbulento. Talvez esteja tão confusa a mim mesma, que não consigo desemaranhar as palavras emaranhadas. Talvez, talvez, talvez... Existem tantos por aí. Começo, tento desfazer um nó - e até consigo -, mas desisto no segundo. E já deixo o emaranhado de lado, fazendo com que ele aumente e aumente.
Isso não é bom. Sempre foi esse o meu jeito de desabar: Em palavras. E agora, eis-me aqui, na ausência delas. O vazio mais completo que já senti me domina como se eu já não fosse eu mesma dentro de mim. E, dentro desse vácuo, já não ouço meu próprio grito.









