BACK TO BLACK
THE END
BACK TO BLACK
1995
– Você não está aí. – admirou-se Harry, depois de examinar a parte inferior da árvore.
Minhas mãos velhas e tatuadas acariciaram o tapete. Eu me sentia preso. Me sentia algemado à um conto antigo... Onde não há provas de que realmente aconteceram. A mão jovem e forte que tocara aquele carpete há vinte anos atrás pensara que voltaria a tocá-la. Se eu fechasse meus olhos, eu poderia fingir ter dezesseis anos novamente. Eu poderia...
– Costumava estar aqui. – apontei para o buraquinho redondo e carbonizado na tapeçaria. Outro lampejo branco quase atingiu o topo de minha cabeça. Mas Walburga Black não tinha errado, ela fora certeira onde queria atingir. Ao lado de Régulo Black, o nome Sirius Black tinha sido queimado. – Minha meiga e querida mãe me detonou depois que fugi de casa. Monstro gosta muito de resmungar essa história.
Os olhos verdes de Harry pareciam surpresos.
– Você fugiu de casa?
– Esqueça seu sobrenome.
– Quando tinha uns dezesseis anos. Já estava cheio. – Olhei-os, chocado. Por mais que eu nunca tenha realmente me sentido parte da família, agora eu me sentia um estranho, um intruso no ninho. Walburga Black abaixou sua varinha.
– Aonde você foi? – perguntou Harry, mirando-me. Fiquei cerca de meia hora fitando a casa de James, naquele bosque luminoso em uma estrada de pedras, uma casa vitoriana e grandiosa. Eu tinha receio, medo, agitação.
– Para a casa de seu pai. – Ela abriu a porta, sorridente, mesmo com os olhos cansados. – Seus avós foram muito compreensivos; meio que me adotaram como um segundo filho. – Ela riu e abraçou-me por minutos intermináveis. – É, eu acampava na casa de seu pai durante as férias escolares, – Não é justo! Só está aqui há cinco dias, eu estou aqui há dezesseis anos! – quando fiz dezessete anos montei casa própria. Meu tio Alfardo me deixara um bom dinheiro. – Diga a Sirius que tio Alfardo teve um derrame esse verão e morreu. Ele deixou metade da fortuna para ele, é só ele conferir em Gringotes. – A partir daí cuidei de mim mesmo. – Era solitário, mas até que agradável.
– Mas... Por que você...?
– Saí de casa? – Mas então eu notei. Não era difícil só para mim, talvez Bella também não tenha gostado daquele punhado de regras no começo... Mas tenha se habituado... Aceitado. Talvez eu seja um bocado egoísta. Quem iria me erguer no colo para pegar os sapos de chocolate agora? Quem escolheria minhas roupas e pentearia meu cabelo? Quem completaria minhas tiradas, agora que deixei meu irmão para trás como se fosse parte da mobília? – Porque odiava todos eles.
Sorri para a foto que se movia. Bella sempre olhando ao redor com arrogância, Andy segurando o riso, Ciça impaciente, querendo saber se estava bonita ou não na foto sendo que sabia muito bem que estava.
Os Black estavam reunidos para o Natal, conversavam entre si, lembravam sobre velhos acontecimentos enquanto riam de alguma piada de Tio Alfardo ou admiravam uma nova conquista contra os trouxas. Walburga sempre admirando sua varinha, Orion com os olhos frios concentrados em algo. Régulo observava e suas primas brigavam entre si sobre algo sem importância.
Odiava todos eles... A maior mentira que já contei em toda vida.
ALGO SOBRE SIRIUS BLACK
FINAL
Às vezes sinto que estou lutando por uma vida que não tenho tempo para viver.
Eu tenho uma vida, mas as vezes tenho vontade de viver a dos outros. Qual o objetivo agora? O que eu devo fazer? Às vezes tenho a profunda vontade de acabar com tudo isso. Mal levaria um minuto, eu podia me jogar de um lugar alto ou me entregar novamente. As probabilidades de achar Pedro eram minúsculas. Apesar de que estar longe dos amigos fazia meu ódio enraizado crescer e manifestar-se de uma forma que faria eu caçar Pedro por dias até acha-lo. Eu tinha os pensamentos mais doentios do mundo quando estava sozinho, e eu detestava isso.
Havia algo dentro de mim, muito bem guardado, que sabia o motivo de eu estar lutando por uma vida da qual não terei tempo de viver. Porque estou lutando sob ossos dos meus melhores amigos, que devem estar juntos em algum lugar e enquanto eu ainda vivo no inferno como um soldado procurando por ordens.
Quando eu vejo aquele garoto, e seu nome sendo chamado como um grito de guerra... Eu sei o motivo. Eu estou aqui com ele e por ele. Essa era a grande explicação do enorme sorriso em meu rosto ao vê-lo. Era algo doentio... Mas era a minha passagem mental para um lugar em meu coração onde nada aconteceu.
E eu sei que está tudo bem.
Eu também lembro que disse que seriamos uma família.
Mas você sabe não é, após ter lido tudo isso... Você sabe que sou péssimo em cumprir promessas.
101 DIAS
– Me desculpe. – confessei, segundos antes de Emmeline abrir a porta. – Eu não posso fazer isso com você novamente.
– O quê? – ela franziu o cenho, curiosa.
– Eu... Eu não vou... Eu não vou morar em uma grande casa com você. Não vamos ter filhos e criar Bicuço. É tudo uma grande ilusão. Uma utopia. – a passividade de Emmeline apenas me dava mais coragem para falar, jogar limpo. – Eu não consigo ser de ninguém. Você sabe disso.
– Sim... Eu sei. – ela parecia magoada, mesmo com o sorrisinho no canto da boca.
– Você não pode me concertar, Emmeline. Eu sou um completo... Erro de fabricação. – e eu esperei. Mas por mais que eu não soubesse o que esperava, essas palavras nunca vieram. Durante muitos anos, eu acreditei que Emmeline era a mulher ideal para mim. E quem diria, que mesmo com poucos anos de sabedoria, eu estava perdidamente certo. Aquela mulher me enlouquecia. Eu sentia algo desesperador por ela, que não haviam palavras no mundo que poderiam explicar. Seus olhos, seu corpo, seu cabelo, seu cheiro, tudo me atraia, até mesmo seu eterno mal-humor ácido.
Emmeline sorriu.
– Eu espero. – fiquei surpreso. Eu esperava uma resposta diferente. Logo me senti frustrado. Será que ela não entendeu?
– Não há o que esperar, Emmeline. – reforcei, quase sendo indelicado. Ela abaixou os olhos rapidamente, parecendo tímida.
– Eu esperei por longos quinze anos, Sirius. Por incrível que pareça, sou uma mulher paciente. – sorriu ela, atravessando a porta e a fechando lentamente, me deixando apenas uma sombra de seus enormes olhos azuis e o sorriso irônico.
Foi a última vez que eu vi Emmeline.
300 DIAS
– Ei, Almofadinhas. – Virei-me para Moody, mancando em minha direção. – Olhe o que eu achei.
Ele praticamente jogara o pergaminho velho e encardido em minhas mãos. Um grupo de pessoas erguiam seus copos para mim. O rosto sorridente de Marlene e James quase me sufocaram. Olhei Alastor, sem palavras.
– McKinnon... Sorridente como sempre, hãh? Mal sabia do que a esperava.
Marlene... Como eu posso explicar a falta que você me faz?
85 DIAS
BREATH ME – SIA
“Olá, velho amigo,
Aqui estamos novamente, você e eu, juntos na última página.
Por favor, não morra... E nem mate. Eu sei que você, sozinho, só consegue pensar em maldade o dia inteiro. Não seja igual aqueles que em pensar em matar, já matou. Você é maior do que isso, apesar de não saber. Eu desejo voltar no tempo, e poder me ver aos doze anos, me sentindo o ser mais repugnante e feio da face da terra, solitária e triste.
Eu contaria a ela uma história. Sobre uma garota que passaria anos chorando por ter vergonha de se ver no espelho, que não tinha amigos e nem futuro. Contaria sobre grandes batalhas épicas das quais rendiam grandes medalhas de ouro por desempenho. Eu diria que no futuro, essa mulher... Viveu o mesmo tanto que sofreu... Amou o mesmo tanto que odiou... E no fim, ela viveu a melhor vida que poderia ter vivido. Eu contaria a ela a história de Marlene McKinnon. E é assim como ela termina.
Sempre irei lembrar de quando a sua garota era eu.
1981
Marlene Dragonina”
01 DIA
VELHA INSUPORTÁVEL!
Eu sentia vontade de estrangular Monstro quando se atrevia a abrir a maldita cortina do quadro de minha mãe. Desci às escadas aos berros, em uma briga mortal com a velha Walburga Black. Me sentia com dezesseis anos. Era uma estranha e curiosa mistura de raiva e animação. Eu gostava... Meu pai estava certo no fim das contas. Eu adorava contrariar, mesmo não estando certo.
Entretanto, eu não me atrevia a olhá-la.
Eu sempre ficava no topo da escada, discutindo com o nada, sem olhar diretamente para o quadro. Eu morria de medo. Tinha medo de ver a raiva em seus olhos, o desgosto, a decepção. Tinha medo de suas lembranças segundos antes de sua morte. Eu morria de medo. E não havia uma tortura maior do que ficar naquele lugar fantasmagórico que me enchia de lembranças de uma infância perturbada.
Aquele porão... Meu quarto... As escadas. Talvez as marcas das unhas de Bellatrix por dentro de minha pele jamais tenham realmente saído. E quando o desespero é maior do que posso suportar, eu deixo a velha Black falando sozinha, e subo as escadas.
É mais do que posso suportar... Mais do que posso suportar...
90 DIAS
– Ela sabia.
– Que iria morrer?
– De alguma forma, ela sabia. Sabia do atentado.
– E não tentou se proteger? Isso é impossível.
– Não Remus... Não é impossível.
– Claro que é! Marlene jamais deixaria que aquilo acontecesse com sua família! Ela... Não... Não deixaria Dorcar morrer em vão, essa carta é falsa!
– Não é falsa Remus.
– É sim! – o desespero em seus olhos era evidente. Ele queria chorar. Desviei os olhos, não suporto quando Remus é fraco. – Então o que? – sua voz vacilou quando as lágrimas desceram por seu rosto. – Dorcas em vão? Para Marlene se entregar assim? Ela não é a mulher mais corajosa que conhecíamos? Para no final descobrirmos que ela era a mais fraca?!
– Ela sempre foi fraca. – Marlene era uma garota muitíssimo introspectiva, retraída e tímida. Ela sempre achava que os outros estavam rindo dela e acabava se fechando mais e mais. – E triste. Sempre foi uma pessoa triste. – Tem uma razão pra isso? Por que tudo de ruim acontece comigo? Por tod minha vida eu fui uma garotinha feia e horrorosa, quando eu finalmente achei minha alma gêmea, ela é dada como desaparecida... Quando eu finalmente consigo ficar grávida meu bebê morre...– Ela sempre fora a mais fraca. – Não eu não tenho! Porque eu vou morrer de qualquer jeito, Sirius! Qual parte de doença mortal você não consegue entender?
Ver aquilo simplesmente fez com que minha varinha escorregasse de minhas mãos.
00 DIAS
TOM MIDDLETON – SEA OF GLASS
Preto pode ser considerado uma cor, e o resultado da falta de, ou a absorção completa de luz. Na cultura ocidental, a cor preta tem sido tipicamente associada ao mal, escuridão e feitiçaria, mas também com prestígio e sofisticação - apropriado para a Casa dos Black.
Os flocos de neve caem...
Estava escuro lá fora, eu sempre me sentia melhor à noite. A escuridão me dava segurança. Mas o silêncio me destruía. Desci as escadas lentamente, tocando o corrimão, quase absorvendo cada alma que já a tocara. Os detalhes de prata por toda a casa luxuosa, seu piso, cada detalhe. Posicionei-me de frente para o quadro de minha mãe, abrindo lentamente a cortina. Os olhos de Walburga Black grudaram em mim conforme seu silêncio se tornava pior para mim.
O tempo muda
Será que ela sentia o mesmo que eu ao me fitar? Todas as palavras jamais ditas? Encostei-me no corrimão e continuei a fitando em silêncio. Vê-la daquela forma fazia meu coração ter a tranquilidade em fingir que eu estivera ali durante sua passagem. Que eu apertei sua mão quando ela sentiu a morte por perto. Que tive a chance de dizer adeus... Talvez ela também sinta aquilo enquanto me observa.
– E no fim das contas você ficou idêntico à seu pai. – disse ela. Sua voz rouca e alta era quase reconfortante. Me dava segurança... Proteção... Algo indescritivelmente sentimental.
– Bem, ele sempre foi muito bonito. – sorri. Os olhos negros dela pareciam sofrer ao ver meu sorriso. Eu queria perguntar o que ela estava sentindo. Do que ela se lembrava quando me via sorrir. Se ela também estava presa no passado. – Mãe...
– Você... Foi a maior decepção da minha vida. – Tentei respirar normalmente enquanto meu coração saltava em protesto, enchendo meus olhos de lágrimas. Walburga sorriu lentamente para mim. – Mas dizem que o primeiro amor é sempre decepcionante, não é?
– Mãe...
O traidor morre
– Você é meu filho. – sorriu Walburga. – É tão meu filho.... Meu pequeno Sirius Black no céu. – Acabei chorando. Não consegui segurar... Era demais. Eu queria abraça-la e pedir perdão. Queria pedir que gritasse comigo e me xingasse... Queria dizer que não houve um dia em minha vida que não senti falta daquela casa, dela e meu pai. Até mesmo dos gritos. Dos jantares polêmicos, dos conselhos terríveis, da futilidade de Ciça, da gargalhada de Andie, das piadas amargas de Bella, do silêncio terrível de Régulo. Eu queria dizer à ela que eu sou um Black, por mais que não pareça. Eu sou um Black. – Os Black não choram, meu amor.
– Mãe... Me desculpa. – implorei entre soluços. – Me perdoa...
– Pelo que?
– Por ser tão idiota. – apertei as mãos, tentando aliviar meu desespero. – Por tudo que eu disse. Por tudo que eu fiz.
Mas o nome sobrevive...
– Ora... Você não fez nada de errado. – disse Walburga. Enxuguei as lágrimas, respirando fundo, ainda sentindo o peso em minhas costas. – Um Black de verdade nunca foge à luta Sirius. Seu pai sempre te disse isso. E você nunca fugiu à luta. Lutou contra nós, mas lutou pela causa que achou justa. Isso é o suficiente.
Meus lábios soltaram um sorriso trêmulo de alívio, ainda entre lágrimas.
– Eu te amo, mãe. Eu amo a muito, muito... Muito. – revelei.
– Eu também te amo, Sirius. – sorriu. – Sempre amei.
– Sirius. – chamou Remus em um corredor. Olhei para trás, enxugando as lágrimas rapidamente. Continuei em silêncio para que ele não soubesse onde eu estava. – Sirius, precisamos ir. Harry precisa da nossa ajuda, ele foi ao Ministério e os Comensais....
Olhei para minha mãe rapidamente.
– Vá. – sussurrou. – Anda! Seja um Black! Vá!
Sempre Puro
68 DIAS
– Eu gostaria que não julgasse seu pai pelo que viu, Harry. Ele só tinha quinze anos...
– Eu tenho quinze anos! – estrilou Harry, chocado. Remo e eu nos entreolhamos. Como explicar a Harry que seu pai tinha um sério retardo mental?
– Olhe, Harry... James e Snape se odiavam desde o primeiro momento em que se viram – A gente se vê, Ranhoso! gritou James antes da porta fechar. –, foi uma dessas coisas, dá para você entender, não dá? Acho que James era tudo que Snape queria ser. – Boa tarde, senhorita. Monitor Chefe, Capitão da Grifinória, James Potter... – E Snape era apenas uma figurinha difícil, metido até o nariz nas Artes das Trevas. – A capa negra da Sonserina arrastou-se pelo chão.
– É, mas ele atacou Snape sem a menor razão, só porque, bom, só porque você disse que ele estava entediado. – Bem Harry, acontece que seu pai movia céu e terra para me agradar, sinto dizer.
– Não me orgulho disso! – disse rapidamente. Aluado olhou-me rapidamente.
– Olhe, Harry, o que você tem de entender é que seu pai e Sirius eram os melhores alunos da escola em tudo que faziam, todos achavam os dois o máximo, e por vezes eles se deixavam levar...
– E por vezes bancávamos uns idiotas arrogantes, você quer dizer. – completei, sorrindo assim como Aluado.
– Ele não parava de despentear os cabelos. – Ele erguia o queixo e enchia o peito ao andar pelo corredor, balançando seu cabelo bagunçado.
Meu coração apertou-se.
– Eu tinha me esquecido de que ele costumava fazer isso. – comentei, torcendo os dedos, Aluado parou minha mão da mesma forma de James fazia. Ele olhou para Harry ansioso.
– Ele estava brincando com o pomo? – Deixava o pomo voar alguns centímetros e então o pegava de volta, quase matando Rabicho de excitação.
– Estava. – afirmou. Eu daria tudo para ver aquela cena milhares de vezes novamente. Eu o deixaria continuar se exibindo para Evans. Pediria para que dissesse o quanto é bom em Feitiços e Quadribol. Imploraria para que me contasse mais uma vez como Charity Burbage o agarrou no armário de vassouras... Daria qualquer coisa para que dissesse meu nome. Aluado parecia sentir a mesma coisa. Ficamos em silêncio, presos nas palavras de Harry. – Bom... Achei ele meio idiota.
– Claro que ele era meio idiota. – repreendi, quase irritado por dizer aquilo de James. Eu destestava quando o xingavam. Pensava que somente eu podia ofendê-lo pois somente eu sabia o quão incrível ele era. – Éramos todos idiotas! Bom, Aluado não era tanto.
Olhei para ele, sorrindo, mas Lupin chato como era apenas balançou a cabeça.
– Algum dia eu tive coragem de dizer a vocês para não atormentarem Snape? – Você é ridículo, James. Snape não tinha feito nada e você o atacou sem o menor motivo aparente. Você quer saber por que Lily te trata tão mal? Porque você é ridículo! – Algum dia eu tive coragem de dizer a vocês que estavam agindo mal?
– Bom, às vezes – sempre. – você fazia a gente se sentir envergonhado... Já era alguma coisa...
– E ele não para de olhar para as garotas à beira do lago, na esperança que olhassem para ele!
– Ahhhh, ele sempre era idiota quando Lílian estava por perto. – Não Sirius, que droga! Não é uma “quedinha”! Eu gosto de Lílian de verdade! – Não conseguia parar de se exibir.
– E por que ela casou com ele? – Eu amo você. E sei que você, aí no fundo, gosta de mim também. – Ela o odiava!
E quando você estiver pronta para admitir isso, eu vou estar aqui. Entendeu?
– Nah... – Meus olhos simplesmente encontraram os de James diante daquele fenômeno, e seus olhos nunca foram tão claros, intensos e brilhantes. Meu coração pareceu bater em uma velocidade menor quando um sorriso involuntário simplesmente nasceu em meus lábios, assim como nos dele. Ele tinha um sorriso tão... contagiante. – Ela não o odiava.
– Ela começou a sair com ele no sétimo ano. – Será que não quer sair comigo? Poderiamos ir juntos... Não sei, a algum lugar.
– Depois que ele abaixou a bola. – Assim que a flor azul saiu da bolsa de James, Lily quase ofegou, tapando a boca com as mãos, admirada.
– E parou de azarar as pessoas só para se divertir. – completou Aluado.
– Até Snape?
– Bem... – começou Lupin lentamente enquanto eu segurava o riso. – Snape era um caso especial. Digo, ele nunca perdia a oportunidade de azarar James, então você não pode esperar que ele aguentasse calado, não é?
– E minha mãe não ligava?
– Ela nem ficava sabendo. – acabei rindo. – Digo, James não levava Snape para os encontros com Lílian, certo?
Harry não pareceu convencido.
Era estranho eu olhar aquele rosto e ter que entender que aquele não era James. Não era nem um pouco parecido com James para ser sincero. Era apenas uma vaga lembrança de alguém que eu conheci.
– Olhe, seu pai foi o melhor amigo que eu tive e era uma boa pessoa. – Lilian é o amor da minha vida, mas você é minha pessoa. – Muita gente é idiota aos quinze. Ele amadureceu.
Mas eu não.
200 DIAS
– Que comovente! – debochou Ranhoso. É meu velho amigo... Vinte anos se passaram e eu continuo mais bonito que você. – Mas com certeza você notou que Potter se parece muito com o pai dele, não é?
Olhei para Harry.
Olhei para James.
Ele parecia confuso.
Ele sorriu para mim.
Olhei Snape novamente.
Eu retribui.
– Já. – respondi com orgulho.
– Bom, então sabe que ele é tão arrogante... – Você acha mesmo que é melhor do que eu, Snape? – que as criticas simplesmente reslavam nele.
Empurrei a cadeira arrancando a varinha do bolso, apontando para a cara de Snape, ele fez o mesmo. Será que ele se sentia mais jovem? Será que ele iria perder para mim como perdera milhares de vezes? O ódio era mais antigo que a sala em si. James levantou-se de supetão, chamando-me.
– Eu lhe avisei, Ranhoso. – sibilei. – Não me interessa se Dumbledore acha que você regenerou, eu sei que não...
– Ah, então por que não diz isso à ele? – sussurrou Snape. – Ou tem medo de que ele não leve a sério o conselho de um homem que está há seis meses se escondendo na casa da mamãe?
– Me diga, como anda Lucius? Imagino que encantado com o fato de seu cachorrinho de estimação esteja trabalhando em Hogwarts, não é?
– Por falar em cachorros, – disse Snape mansamente. – você sabia que Lucius o reconheceu da última vez que arriscou uma escapulida? Ideia brilhante, Black, deixar que o vissem em uma segura plataforma de trem... Arranjou uma desculpa irrefutável para nunca mais deixar o buraco em que se esconde, não?
Ergui a varinha.
– NÃO! – berrou James pulando em cima da mesa. – Sirius, Não!
– ESTÁ ME CHAMANDO DE COVARDE? – Empurrei James para fora do caminho, mas ele se recusava a sair. Eu queria quebrar a cara de Snape, mostrar que ainda era melhor que ele, sempre fui! Melhor que ele em todos os sentidos da palavra! Que ele era apenas um energúmeno, um ninguém, um virgem amargurado punheteiro escroto!
– Sim. – respondeu ele simplesmente. Arregalei os olhos, esperando que James pulasse em cima dele, mas eu olhei para baixo e o medo invadiu-me. Não era James... Era Harry. O garoto parecia patético de frente para Snape, o protegendo. Senti-me confuso...
Jurei que os olhos eram castanhos.
308 DIAS
Um anjo ofuscante que nunca deve ser sujo. Ninfadora é meu... Santuário.
– Quantos anos se passaram? Você se tornou uma bela mulher como eu pensei que seria, eu tenho certeza que você vai se tornar ainda mais bonita. – Dora não conseguia parar de chorar, era como se ela estivesse vendo uma assombração. Enxuguei as lágrimas que não paravam de cair. Moody e os outros saíram da sala assim que ela começara a chorar, pouco depois de eu ter apertado sua mão e fingido não conhece-la. Era um choro desesperado e sufocado, como se ela tivesse o segurado por anos. Acariciei sua mão, escutando cada segundo de seu choro escandaloso e dolorido. – Minha pequena Dora no céu com diamantes...
– Eu senti tanto a sua falta... – balbuciou, ainda chorando.
– Eu sei. – sorri. – Eu também senti. Muita.
– Bigode, eu vou fazer tudo, tudo, tudo, tudo que eu puder para provar sua inocência, eu juro, eu não vou descansar enquanto...
– Tudo bem, Dora. – ela assentiu freneticamente, ainda chorando. – Eu sei. Agora está tudo bem. Você não precisa se preocupar.
– Eu senti tanto medo... – choramingou. – Bigode...
– Está tudo bem agora, eu prometo. – eu a abracei, destruído. Tentei absorver sua dor, mas eu não consegui. Eu já estava cheio de dores alheias. Prometi que tudo ficaria bem.
Como eu disse, sou péssimo em cumprir promessas.
03 DIAS
– Mal posso acreditar que vinte anos se passaram e eu não transei com Sasha Grey. – comentei deitado em meu quarto, fazendo Remus rir enquanto fechava a porta. Ele deitou-se na cama ao meu lado e ficamos fitando o teto em silêncio. É engraçado você tentar pensar com sua mente jovem. Você percebe o quanto era idiota, impaciente e infantil. As oportunidades que jogara fora, das coisas que queria apagar de sua mente, mas... Elas foram essenciais para que se tornasse quem era.
– Você voltaria no tempo e mudaria algo? – indagou Remo. Maneei a cabeça negativamente.
– Não. – ele olhou-me. – Nenhum segundo.
– Ora, não era você que vivia se lamentando pelos cantos porque queria mudar o passado? – Se eu pudesse mudar, o que teria acontecido? James ainda estaria aqui? Quem seria O Escolhido? Eu estaria casado com Emmeline? Que diabos teria acontecido?
Realmente valeria a pena pagar para ver?
Talvez... Apenas talvez, os sacrifícios são necessários. As coisas têm que acontecer. As pessoas têm de morrer. É necessário. É uma oferta para o futuro, para o desconhecido. James nunca fora muito de pensar, então ele não deve ter hesitado em apontar sua varinha para Voldemort. Lílian não deve ter hesitado em proteger Harry. Dorcas não hesitou em jogar-se na frente de Marlene e a mesma não hesitou em saber que devia morrer. Pedro não hesitou em me trair.
Mas eu hesitei minha vida inteira.
E talvez esse tenha sido o meu grande pecado.
– Algumas coisas têm que acontecer. – murmurei. – É a lei da vida, não é?
Não é?
Deus... Alguém... Por favor...
Me responda.
365 DIAS
Avaliei a casa dos Black.
Passei meus olhos pelo lugar escuro e luxuoso. Admirei o lustre e a mesa de jantar, poupando-me de imaginá-la cheia. Apertei a cadeira que sempre me sentei e lembrei da terrível sopa que Narcisa preparara no Natal. Olhei para a janela que os Black observaram a traição de Andrômeda e a poltrona preferia de Bella. Andei pelo mesmo piso que todos eles passaram, fitei os quadros, os rostos tão parecidos com o meu.
Absorvi o cheiro inconfundível da Mui Antiga e Nobre Casa dos Black. Acariciei a cortina verde escura e afundei no silêncio. Sinto que luto por uma vida que não tenho tempo de viver. Sinto que estou preso em uma memória. Já não sou o mesmo Sirius. Não sou o mesmo homem. A casa escura me engoliu por alguns minutos e eu me permiti respirar.
Eu voltei para o negro.
ANTES
TIME – HANS ZIMMER
Corremos pelos corredores do Ministério.
Os aurores corriam em sincronia e eu me senti jovem mais uma vez. Revigorado, eu diria. Fiz as pazes e admiti todo o amor que habitava em mim para a pessoa que menos esperei dizer aquelas palavras tão preciosas em minha mente. A varinha parecia vibrar em minhas mãos. Ela sabia o que a aguardava afinal. Era esperta. Invadimos o local. Avistei James ao longe. Ele sorriu.
Eu também sorri.
– Nice one, James!
Dumbledore simplesmente detonara metade da sala em segundos de presença. Atingi Dolohov. Senti-me mais jovem ainda. Era como banhar-se com sangue de virgens. Sorri em nocauteá-lo. Um raio vermelho quase me atingira e meus olhos grudaram em Bellatrix. Ela sorriu enormemente e eu não pude deixar de retribuí-lo.
Rebati com um feitiço mais ofensivo e ela bloqueou. Continuei andando pela rocha, próximo do veu que tremulava ao meu lado. Acabei rindo quando ela jogou uma simples azaração ferreante contra mim. Sinceramente, Bella... Jura?
– Vamos, você sabe fazer melhor do que isso! – berrei, quase gargalhando. Sua varinha curvada soltou um segundo raio, passando de raspão pelo meu peito.
DURANTE
Meu rosto congelou no riso.
Algo me levava contra vontade para trás e meus olhos arregalaram-se quando não houveram forças que me puxassem para frente, apenas para trás. Bellatrix desceu de onde estava quase as pressas, com o desespero estampado em seu rosto. Eu não conseguia pensar, meus olhos não conseguiam parar de olhar o garoto que corria em minha direção.
Será que ele sentira a mesma tranquilidade que eu quando finalmente tombou no chão, pela primeira vez na vida, derrotado?
Meu corpo parecia flutuar sem que eu tivesse controle sob ele, sugando-me em direção do véu e aquele rosto era a única coisa que eu podia ver. Onde estão todos os heróis, James? Hein, onde estão todos os heróis?
Eu sou um último.
Você me ouviu?
Eu sou o último.
DEPOIS
Dizem que você vê sua vida passar diante dos seus olhos momentos antes de morrer.
Antes, durante e depois.
Eu, sinceramente, não sei se a vi. Talvez tenha sido tão rápido que eu não consegui me concentrar. Mas a única coisa que eu consegui me importar era aquele garoto que eu deixei para trás quando véu me engoliu. Quando ele nasceu, eu me tornei um homem. E parecia adequado ele estar ali no momento da minha morte.
E não era tão ruim assim, no fim das contas.
Senti-me preso na minha memória mais terna, e ela não me incomodava, por mais que um minuto levasse um ano naquele lugar. É um lindo lugar, eu não consigo me lembrar exatamente se é Hogwarts, mas talvez seja. Ou não... Eu só sei que quando o vento bate muito forte e o lago brilha com uma intensidade semelhante ao sol, eu escuto um riso. E meu corpo fica quente e meu coração dispara. Talvez seja James. E talvez ele acene e me chame. Mas eu não deixo o resto se desenrolar. Eu acho que nunca vou conseguir deixar. Nunca vou conseguir me desfazer daquele fragmento. Não é nítida, não tem som e nem muitas cores.
E ele é idêntico ao garoto que eu deixei para trás.
Eu fico pensando sobre isso, com a água se move muito rápido naquela memória. E essas duas pessoas na água, tentando agarrar o outro, segurando-se tão forte quanto eles podem, mas no final é simplesmente demais. A corrente é muito forte. Eles têm que deixar ir, se afastam. É assim que é com a gente. James e eu deixamos a corrente nos levar. E talvez um dia ninguém entenda. Mas nós estávamos completos. Talvez nem mesmo eu entenda tudo o que eu vivi e que eu vivi o suficiente.
E eu ainda consigo ver os fios negros, os olhos castanhos e um sorriso.
Eu sei que é você, Pontas.











