Presente de Grego - (Mathur).
CAPÍTULO II.
Era um domingo à tarde e o céu estava nublado, parecia que alguém lá em cima sabia que hoje seria o dia D, para um certo “casal” aqui na terra. Há dias Maria havia mandado uma mensagem para o pai de seu filho, pedindo para encontrar com ele o que na mesma hora o mesmo consentiu, inclusive por ele tinham se visto naquele mesmo dia. Mas ela negou, não estava preparada e queria ter uma prova concreta para lhe ajudar quando fosse contar a novidade. E foi o que fez, reuniu toda a papelada que comprovava que ela estava gravida, mas o primeiro exame que havia feito – o de farmácia – e saiu indo em direção ao apartamento dele.
Assim que chegou, foi anunciada e teve a sua subida autorizada ela respirou fundo e entrou no elevador apertando o botão do nono andar. E o elevador parecia não estar ajudando, pois ela teve a impressão de que especialmente naquele dia ele subia lento demais, e isso não era bom para a sua coragem. Quando a caixa de metal finalmente parou no andar desejado ela fez o sinal da cruz antes de sair do mesmo. Era a hora. Ele a esperava de pé da porta com aquele sorriso. Que a desarmou por completo. E por um momento ela até esqueceu o motivo pelo qual estava ali.
— Vai ficar aí parada? Não vai entrar, me dar um abraço? – Ele disse tirando-a de seu transe. — Oi. – Vociferou com a voz fraca. Entrando no apartamento em seguida, pois ele a havia puxado para dentro ao mesmo tempo que a abraçava. — Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou assim que saiu do abraço e viu a feição confusa dela. — Aham. – Disse simplesmente para logo começar a chorar forte. Aquilo o assustou, obviamente, pois nunca a tinha visto tão vulnerável daquela forma. — Ei! O que foi para você estar assim? Não chora. Vou pegar um copo d’água pra você. Não chora, por favor, poxa. – A levou a puxadas para o sofá sentando-a ali.
Ele correu até a cozinha atrás de água voltando segundos depois com um copo cheio do que parecia ser água com açúcar. Oferecendo a ela, que aceitou de bom trago ainda tremendo.
— Eu preciso te contar uma coisa. – Disse entre soluços – É coisa séria, e eu não sei como começar. – Fez uma pausa e abriu a sua bolsa, tirando dali os exames. — Ok, mas se acalma primeiro assim você não vai conseguir falar e eu não vou entender nada. – Ensaiou um sorriso, mas ao ver a fisionomia tensa dela, desistiu. – O que são essas papeis? – Perguntou reparando que se tratava de um envelope hospitalar. – Você está doente é isso? – Ela negou. – Então me diz do que se trata Maria, você está me assustando! — Esses papeis são meus... – Fez uma longa pausa pois havia voltado a chorar. — Calma. Já percebi que isso te deixa mal, não precisa falar agora. Ta tudo bem! – A abraçou afagando os seus cabelos. — Eu preciso falar sim. – Indagou sem encará-lo. – Mas antes eu tenho que me desculpar, eu não queria isso, mas aconteceu ué. – Começou a se justificar. Mas logo se calou, juntando o ultimo resquício de coragem que ainda lhe restava. – Eu estou grávida! – Cuspiu de uma vez. — Ah. Era isso? – Perguntou sorridente e se assustou quando se deu conta do que de fato tinha escutado. – O QUE? Como assim grávida Maria Joana? Ok acho que eu estou precisando de água agora. – Bebeu o restante da água do copo dela. — Arthur, pelo amor de Deus! Tudo que eu menos preciso agora é de você em pânico, me ajuda! – Pediu agora bem mais calma. Seriam já os hormônios da gravidez trabalhando? Essa mudança rápida de humor, vai saber. — Você está grávida, de um bebê e eu estou nervoso. Porque você fez isso? Veio aqui só pra me contar que está gravida do seu namorado? Isso me entristece, você deveria saber disso... — O filho é seu. – Ela gritou para que tivesse a atenção necessária. — Meu? – Ele perguntou assustado. E ela assentiu com a cabeça. – Então você está grávida, o filho é meu e eu vou ser pai? – Ela novamente fez que sim com a cabeça. – Acho que estou meio emocionado... – Disse com os olhos um tanto rasos d’água.
Esse era o bebê mais sortudo do Rio de Janeiro a disputa ali era acirrada para ver quem era o mais bipolar. Passado o susto inicial de ambos, Maria explicou para Arthur tudo o que aqueles papeis queriam dizer e até lhe mostrou a primeira ultra que havia feito, não dava para ver quase nada, mas eles sabiam que tinha uma criança ali ou um projeto dela.
— Sei que isso não é muito da minha conta, quer dizer até é... enfim, como foi que o seu namorado reagiu? — O meu ex-namorado reagiu da pior forma possível e se você puder evitar a mesma calçada que ele na rua, será melhor viu? – Deu um sorriso amarelo. — Mas ele fez alguma coisa com você, te machucou? — Não. Ele não faria isso, independente de tudo, eu sei que ele gosta muito de mim. — E você dele. – Ele disse após um suspiro. – Bem, eu quero que você saiba que eu estou aqui, estou tão nervoso quanto você, desesperado no mesmo nível, nunca cuidei de criança, não tenho nenhuma habilidade com esses pequenos, mas pode ter certeza eu vou estar aqui com você. – Ele segurou às mãos dela de maneira firme e a ofereceu um sorriso acolhedor. – E se ele ou ela for tão lindo quanto você e tiver um coração tão bom quanto o seu, eu vou ser o pai mais orgulhoso desse mundo. – Finalizou beijando os cabelos dela que há essas alturas já estava chorando novamente. — Obrigada. Eu tenho certeza absoluta que você será um ótimo pai, para o meu bebê. – Sorriu e o abraçou — Que tal se começássemos a falar nosso filho, nosso bebê?! Ele tem pai, oras. Vai ter uma família. – Arthur inqueriu ainda abraçado a ela. — Está bem... O nosso filho. – Sibilou a última frase.
Até que não seria tão difícil então, não é? Com o tempo as coisas iriam começar a se encaixar se arrumar e como de fato estavam se arrumando.
_________________
Segundo capítulo! Espero que gostem, beijos.
Carol.














