A teimosia do tijolo na Era do Scroll com Tadeu Bianconi
Na era do scroll infinito, a abertura do Foto Ponto em Campinas, com fotos de Tadeu Bianconi, é um manifesto pela experiência física da arte.
A experiência cultural contemporânea é, em grande medida, um exercício de vertigem digital. O scroll infinito, o consumo de imagens em seis polegadas, a "visita" ao museu via Google Arts & Culture. Tudo é acesso; pouco é encontro.
É nesse contexto de desmaterialização que o ato de abrir um espaço cultural físico, de tijolo e argamassa, soa quase como um anacronismo. Ou, mais precisamente, como um ato de teimosia.
É o gesto que Campinas testemunha agora com a abertura do Foto Ponto, um novo espaço dedicado à fotografia. A inauguração, por si só um manifesto, traz uma exposição de Tadeu Bianconi.
Crédito: Tadeu Bianconi
A escolha do nome para abrir as portas já é uma declaração de intenções: Bianconi é um fotógrafo, um nome que confere seriedade e solidez ao projeto.
É a criação de uma nova plataforma para artistas exporem, para o público se encontrar e para o diálogo, essa entidade cada vez mais rara, acontecer. É uma aposta deliberada no futuro.
O Foto Ponto resgata a dimensão que a tela subtrai: a escala da obra, a textura da impressão, a luz do ambiente e, sobretudo, a relação da fotografia com o corpo do observador. É um convite para parar de rolar e voltar a contemplar.
A melhor forma de garantir vida longa a essa iniciativa é aparecer. Um espaço cultural independente não sobrevive de aplausos virtuais ou curtidas.
Ele exige presença. Prestigiar o trabalho de Tadeu Bianconi e, mais importante, ocupar o Foto Ponto desde o seu nascimento, é a única maneira de garantir que o gesto de coragem se transforme em um capítulo cultural perene. É um lembrete de que a arte, para de fato acontecer, ainda precisa de uma parede.












