“Grandes sonhos requerem grandes sacrifícios”, era o que Agnes havia repetido diversas vezes para si na noite anterior, enquanto terminava de arrumar suas coisas para o dia seguinte. Como se já não tivesse problemas suficiente para resolver, após seu pai deixar claro que não pagaria nenhum tostão de suas dívidas se ela continuasse se colocando contra a empresa, a morena havia tido a brilhante ideia de acompanhar os amigos naquela aposta ridícula e acabara perdendo três meses de paz no meio do ano letivo.
Apesar do orgulho não ter deixado que ela sequer cogitasse voltar atrás, uma de suas amigas precisou ouvir todas as reclamações enquanto suas malas eram fechadas e colocadas no táxi que a levaria para a casa de Adam, a mente brilhante que escolhera o pior dos desafios para ela, apesar de a morena ter quase certeza de que após uma semana de suas reclamações, ele provavelmente a expulsaria do apartamento por vontade própria, a deixando vitoriosa - e sem teto - no final das contas.
Com a ajuda do motorista, Agnes colocou as duas malas no elevador, carregando a necessaire, a bolsa e seu travesseiro com os braços, até chegar no andar de destino, tendo dificuldade de empurrar tudo sozinha e manter a porta aberta no processo, ficando ainda mais irritada com todo o processo que tinha se submetido. A campainha fora tocada, no mínimo, três vezes seguidas, enquanto ela tentava colocar uma mexa de seu cabelo que havia soltado para longe do rosto, aguardando Adam com o rosto fechado.
– Yeah, I’m sure you are. – Murmurou em resposta, com um sorriso sarcástico nos lábios, revirando os olhos em seguida. A morena deu os primeiros passos para dentro do apartamento e voltou bruscamente quando o outro colocou os bolinhos em sua frente, a deixando ainda mais confusa. Harlow tinha certeza que ao chegar no apartamento de Adam se depararia com um chiqueiro, roupas espalhadas por todos os lados, cheiro de mofo abafado e caixas de comida pelo chão, mas tudo o que vira fora a mais completa organização, ao contrário de tudo o que havia imaginado. – Eu não teria tanta certeza, se fosse você. – Murmurou avançando novamente, sem pegar os cupcakes por puro orgulho, jogando as bolsas e o travesseiro em cima da primeira superfície que vira. – Pelo menos você fez a tarefa de casa, espero que dure pelo menos uma semana. – Disse olhando ao redor, a respeito do pedido dela na noite do jogo, que só pisaria ali se a casa estivesse um brinco. – Pode trazer o resto, já não é o bastante eu ter subido com isso sozinha?! – Questionou, testando seus limites com ele, esperando apoiada no travesseiro que trouxera, aguardando que ele lhe dissesse aonde ela iria ficar.
Adam ergueu uma sobrancelha quando ela descaradamente ignorou o brownie que ele lhe entregava. Tudo bem, ela que morresse de fome. Na verdade, como já a conhecia, isso era meio que esperado. Infelizmente para ela, nem isso tirou sua animação. Ele sabia que, por trás de toda aquela pompa, existia uma Agnes odiando cada segundo (e olha que ainda nem tinham sido muitos) e isso fazia tudo valer à pena. “Que isso, coração! Me magoa você duvidar das minhas palavras assim, sabia? Vai ser bem divertido sim, você vai ver.” em seus lábios, um amplo sorriso dissimulado apareceu. Se ela esperava que fosse desanimá-lo com aquilo, poderia ficar decepcionada então. Encostou um pouco a porta que estava aberta e passou pela menina segurando seus ombros e fastando-a de leve um pouco para o lado, depositando, em seguida, o brownie na mesinha de centro da sala. O olhar avaliador de Agnes sob o apartamento o deixou intrigado. Provavelmente, como sempre, ela deveria ter pensando o pior dele. Bom, surpresa! Ele gostava de organização, e quase sempre seu apartamento estava com tudo em ordem. Exceto na época de provas, mas aí ele próprio se perdoava.
“Vou ignorar que você tá me chamando de desorganizado. Você já deveria saber que isso não é verdade.” ele a lançou um olhar repreensivo. “Minhas notas são bem melhores que as suas e eu também venci os debates que a gente participou.” Tudo bem, nem tão maiores assim. Apenas décimos e poucos pontos de diferença, mas qualquer vantagem já conta. “Como assim você tem mais malas?” Adam a alternou um olhar incrédulo entre as várias bolsas no sofá e Agnes. “Tá bom, tá bom... Eu vou. Mas só porque eu sou um cavalheiro, então nem começa a se achar especial.” apontou o dedo pra ela e saiu pela porta, fechando-a atrás de si. Apenas segundos depois voltou e colou apenas a cabeça pra dentro. “Ah, e para de ser orgulhosa e come logo esse brownie. Pode ir explorando o apartamento, mas vê se não quebra nada, hein? Eu já volto!” Então, ele seguiu ao térreo para pegar o resto das coisas dela.