a whole new world.
lovejcy:
Seu olhar estava preso em Adèle desde que ela entrou em sua casa. Não por causa de seus sentimentos por ela ou por causa de sua aparência, mas porque ela era literalmente seu porto seguro no momento. Raphael se sentia perdendo sua mente -de novo- e Adèle seria a pessoa a lhe confirmar se estava mesmo ficando louco ou se tinha algo de errado com seu filho. E, naquele momento, Rapha não sabia qual ele preferia que fosse a resposta. Por mais que odiasse a ideia de perder controle de sua mente novamente, soava ainda mais assustador a ideia de que Baby podia ter alguma doença… Não que Rapha conhecesse alguma doença que fazia crescer cabelos azuis e focinhos de cão.
É, ele provavelmente estava perdendo sua mente.
Segurou a pequena filha de Adèle, Dafne. Rapha sabia da existência dela pela última conversa que tivera com a amiga, mas sua mente estava incapaz de processar o fato de que ela estava grande já, provavelmente quase tinha a ideia de Gabriel. Observou Adèle sumir no quarto de seu filho enquanto embalava a filha dela em seus braços. Pensamentos que ele evitava surgiram em sua mente: aquela poderia ser uma cena comum, se não tivesse destruído o relacionamento deles.
Suspirou e, ignorando o coração acelerado (não por causa de Adèle e do que poderiam ter sido, mas pela ansiedade pela resposta dela ao analisar Gabriel. Rapha precisava saber o que estava acontecendo naquele quarto, mas, ao mesmo tempo, não queria saber). –”Desculpe ter feito a mamãe de vocês vir aqui à essa hora. Se quiser deitar no sofá ou na cama daquele quarto pode ir, Hercule”– disse ao menino, sorrindo amigavelmente. Ajeitou-se para fazer a garotinha mais confortável em seu colo e, apesar da seriedade dela, Rapha sorriu para ela antes de mover-se para nina-la. Entendia porque ambas as crianças estavam quietas, ele também não gostaria de perder sua hora de dormir para ir a casa de um desconhecido (isso é, se ele dormisse regularmente, coisa que ele não fazia a algum tempo, desde que começara a cuidar de Baby).
Ninar a garotinha em seu colo -que parecia não querer se render e estar lutando com o sono só para continuar com aquela carinha emburrada que honestamente era adorável- era uma forma de se acalmar enquanto Adèle não voltava. No estado que estava, a última coisa que conseguia era ficar parado.
Para ser honesto, ele primeiro ouviu a reação dela, o que o fez ir novamente até o quarto de Gabriel, com Dafne ainda em seu colo, só para então encontrar a amiga chorando enquanto girava Baby pelo quarto. Pela segunda vez em minutos, Raphael sentiu aquele aperto no peito do arrependimento. Entretanto, o sonho de que eles eram uma família estava, no momento, ofuscado pela confusão dele, certamente estampada em seu rosto. De todas as reações possíveis, a que Adèle estava tendo não era nem uma das opções na mente do homem. Parecia que tinha entrado em algum universo alternativo.
–”Mágico?”– repetiu ainda mais confuso. Francamente, ele não estava entendendo nada. Aparentemente, Dafne também não, porque quando olhou para ela buscando alguma explicação, a criança só o olhou de volta com os mesmo olhos cansados e irritados. –”Nós definitivamente temos muito o que conversas. Porque eu não estou entendendo nadinha de nada, ma vie.”– o antigo apelido saiu antes que ele pudesse evitar, todos os seus neurônios estavam ocupados demais tentando entender. –”Eu não estou ficando louco?”– apesar da pergunta, Rapha não conseguiu esconder o sorriso bobo ao ouvir Baby rindo novamente.
Ela levou Baby próximo a seu rosto para mostrar a mudança recente, os olhos e cabelos combinando com ela mesma. Tentou evitar pensar que assim ele se parecia demais também com Dafne no colo de Raphael, o que era perigosamente fácil de deixar seus pensamentos vagarem para áreas mais arriscadas onde ela seria fácil para ela imaginá-los todos como uma única família. Como deveria ter sido, ela não conseguia evitar esse pensamento no fim, mas podia combatê-lo com a lógica de que se não fosse o casamento com Étienne ela jamais teria Hercule e Dafne, e não havia nada no mundo que faria ela trocá-los.
"Você não está ficando louco," respondeu observando-o com Dafne no colo, as feições se suavizando, mas o sorriso mantinha-se no rosto, ela mal conseguia acreditar naquilo, parecia bom demais para ser verdade, mas a prova concreta estava bem nos braços dela. "Eu sou uma bruxa, mon cœur, assim como Dafne, Hercule... E assim como Baby." Ela acenou para ele a acompanhar para fora do quarto e de volta à sala. "Mas claro, Baby é um caso especial, um tipo diferente de bruxo," disse em meio ao percurso, parou um momento ao notar Hercule deitado no sofá, mas de olhos bem abertos prestando atenção no que ela estava dizendo. Ele já havia escutado muito bem de que não podia se dizer para no-majs sobre a magia. "Ele é o que chamamos de metamorfomagos, eles podem mudar a própria aparência para o que quiserem. Não são muito comuns pela comunidade bruxa mais antiga, acontecem mais entre nascidos no-maj ou mestiços por algum motivo."
Ajeitou Baby em seu colo e pegou a varinha do coldre na perna, escondido sob a saia rodada, com gesto fez com que seu casaco retornasse do quarto de Baby para ficar em cima do carrinho, como uma demonstração básica do que ela estava falando. "É um segredo, temos leis sobre isso. Mas, elas não se aplicam a pais e familiares próximos de bruxos, então... Você não faz ideia do quão bom é poder te contar isso." Com outro aceno da varinha ela manifestou uma coberta para cobrir Hercule e afofar a almofada que ele se apoiava. "Posso te levar a um bairro bruxo aqui perto, te explicar mais coisas, depois. Você vai precisar também de algumas coisas especiais para Baby, não que bebês bruxos sejam tão diferentes assim de bebês no-majs, mas... É sempre bom ter essas coisas."








