Os 7 de Chicago: saudades do espírito democrático?
Esse post precisa não de apenas um, mas de dois disclaimers.
O primeiro deles é que I’m sucker for Sorkin. Como boa fã de The Newsroom (se você não viu, vá ver já) e de cinema/TV políticos, acho que ele consegue entregar boas discussões sem pesar a mão e fazer o espectador menos engajado encher o saco, tudo com uma ótima dose de suspense e envolvimento mesmo quando a gente já sabe o final do história. Se não entendeu o que quero dizer, vá ver A Grande Jogada e Jogos do Poder (ou A Rede Social e Steve Jobs, se for mais do tech e menos da política).
O segundo disclaimer é que, como boa advogada de direitos humanos que sou,meu espírito animal vive em uma jovem frequentadora das manifestações da primavera de 1968 ao redor do mundo e também espectadora do Woodstock.
Embora curiosamente eu não seja lá a maior fã de narrativas jurídicas (à exceção de The Good Wife e The Good Fight, com menção honrosa a American Crime Story: The People vs. O. J. Simpson), achei que com a combinação acima a receita era boa e dito e feito, o filme foi prescrito e receitado para me beliscar.
Os 7 de Chicago não conta a história sobre os protestos de Chicago durante a Convenção do Partido Democrata dos EUA em 1968, mas sobre o julgamento dos 7 acusados pela Procuradoria Geral dos EUA em incitarem os protestos, que geraram muito caos, destruição e principalmente feridos em virtude dos embates com a polícia, que bloqueavam acesso à região da convenção, onde os manifestantes das mais diversas frentes de esquerda queriam manifestar principalmente sua oposição à Guerra do Vietnã.
5 líderes de frentes democráticas jovens (do democrata engomadinho à esquerda “cirandeira”, com um ótimo Sacha Baron Cohen), 2 bodes expiatórios e, pasmem, um pantera negra incluído no rol de acusados para “temperar” o julgamento, são jogados em um tribunal claramente político, com um juiz incapaz, um procurador legalista (até razoável ou seria o rostinho de Joseph Gordon-Levitt me iludindo?) e seu chefe mal intencionado e muita, muita, ilegalidade pra todo lado.
Tirando as taquicardias recorrentes pelas ilegalidades do julgamento (advogados, alerta de gatilho), o filme narra com maestria os pontos mais delicados do que ocorreu em mais ou menos seis meses de julgamento. Embora o foco seja de fato o tribunal, flashes das manifestações e discursos (e inclusive cenas reais) são mostrados no filme, acendendo aquela chama democrata que todo jovem que se preze tem dentro do coração, ainda que lá no fundo. Aquela mesma, que alimenta molotovs ao longo da história.
O que mais me chamou atenção, apesar de todos os pontos que narrei ontem, é a ênfase que a narrativa traz para a violência policial e como é ela, e nada mais, que desencadeia a série de embates entre os manifestantes, a política e a Guarda Nacional pelas ruas de Chicago. Nenhuma alma é perdoada pelas forças oficiais e não faltam cenas de bombas de gás lacrimogênio despejadas gratuitamente sobre manifestantes, equivalentes estadunidenses a caveirões jogados contra multidões, cassetetes e balas (quem não são de borracha) para todo lado. Não sei vocês, mas corri de algumas bombas em junho de 2013 e me senti muito contemplada pelas cenas e narrativas do filme.
Dito isso, que fique claro que a elegância do filme é a sua atualidade inquestionável. Na semana anterior ao período eleitoral presidencial dos EUA e em tempos de eleições municipais em um Brasil que já não sabe mais o que é democracia e cujos jovens (eu inclusa e por demais) estão apáticos e desesperançosos, a mensagem que fica é que estamos desde sempre lutando contra os mesmos temas e as mesmas dores: democracia, representatividade, contra a violência policial, contra as mortes em nome de valores de Estado distorcidos. E que eles valem a luta.
1 ovo
2 cs de fubá de milho (fubá mesmo, bem fininho)
2 cs de leite de coco
2 cs de açúcar demerara
1/2 cc de fermento químico
1 cc de óleo de coco para grelhar (pode ser outro óleo, mas o de coco é um dos melhores resultados)
Mel, chips de coco e coco ralado a gosto
Ou qualquer outra fruta, geleia etc.
Preparo:
Rende 2 panquequinhas, ou seja, porção para uma pessoa.
É muito fácil: jogue todos os ingredientes menos o fermento e o óleo de coco em uma cumbuca e misture bastante com um fouet até ficar com a consistência de uma massa de bolo
Se estiver muito líquida, adicione um pouco de fubá, se estiver muito pastosa, adicione um pouco de leite de coco até dar o ponto
Adicione o fermento e misture mais até começarem as bolhas
Unte a panquequeira ou frigideira antiaderente com o óleo de coco e adicione metade da massa em fogo médio para baixo
Quando estiver com muitas bolhas, vire a massa e deixe mais 1 a 2min para grelhar por igual
Repita o processo com o restante da massa, repondo o óleo de coco se necessário
Adicione o mel, o coco ralado e os chips e seja feliz!
1. As Bahias e a Cozinha Mineira, Enquanto Estamos Distantes. Esse EP curtinho (5 faixas) tem uma pegada gostosinha e intimista, bem diferente da pegada blues mais pesada d'As Bahias que eu gosto tanto. Achei a proposta interessante e definitivamente boa para quarentena.
2. Lady Gaga, Chromatica. Finalmente saiu o disco, depois de singles, clipes (com estéticas polêmicas), vazamentos, marketing pesado... A fã aqui amou muito a vibe dançante constante do disco, hit atrás de hit. Estou acumulando o bate cabelo para o pós pandemia porque definitivamente é um disco que MERECE ser dançado na balada, com menção honrosa para Enigma. E pra quem criticava Joanne pedindo pra Lady Gaga voltar pro pop, tá aí a resposta. Agora só falta você hein, Rihanna, boto fé que sai.
3. Mahmundi, Mundo Novo. Sou suspeita em tudo que se trata de Mahmundi, pois ela nunca erra. Os discos com uma pegada contemplativa, as músicas que parecem mantras, a mistura eletrônica com good vibes. Sinceramente nada errado. O EP vem mais maduro e com mais experiências que os álbuns anteriores, mas a vibe deliciosa continua a mesma. Ansiosa por poder ver ao vivo, porque o show dela sempre se supera.
1 batata inglesa (mas pode ser uma batata doce, um inhame, uma batata rosa, o que você tiver/preferir)
1/2 avocado (o avocado é mais cremoso e tem menos água, pra esse recheio é melhor)
1 ovo
1/4 de xic. de azeite
1/4 de xic. de vinagre
1/4 de limão
Sal e pimenta do reino a gosto
Preparo:
Pré aqueça o forno a 200°
Lave bem a batata (com escovinha, por favor), pois ela será levada ao forno com casca
Coloque a batata em uma forma e bezunte bastante todos os lados dela com o azeite, adicione o sal e a pimenta do reino e leve ao forno por cerca de 1h
Por volta dos 40/50min vale abrir o forno e fazer um teste com o garfo furando até o fundo, para ver se a batata está bem assada, se for o caso pode tirar antes
Perto do final do tempo, pode amassar o avocado, misturando com o limão e um pouco de sal
Faça o ovo poché (sugestões abaixo)
Retira a batata do forno e corte ao meio, abrindo espaço para o recheio
Adicione o creminho de abacate
Coloque o ovo por cima
Adicione um pouquinho de azeite e pimenta do reino em cima
E tá pronto pro buchinho!
Tá, mas como faz o ovo?
Tem 3 formas diferentes:
Tem o ovo poché fake que é basicamente você por o ovo pra fritar em fogo bem baixo em uma panela antiaderente e tirar ele quando a clara estiver toda cozida, mas a gema mole.
Você pode cozinhar o ovo por 6 minutos em água fervente e tirar ele da casca preservando a gema mole, esse é o desafio e eu não sou capaz.
Você pode fazer o ovo poché com técnica culinária de ferver água em uma panela, adicionar o vinagre, mexer bastante para formar um redemoinho e colocar o ovo dentro bem devagar com ajuda de uma colher ou xícara e aí manter o redemoinho até dar 3min de cozimento. (Eu fiz assim)
Como falar de um dos meus filmes preferidos sem parecer puxa saco? É simples: vou indicar alguns elementos e deixar pra vocês decidirem se vale a pena.
Em tempos difíceis eu gosto de assistir (e reassistir) meus filmes "bobos", que não são, em si, bobos, mas costumam ser divertidos, bem produzidos, interessantes, e deixam ao final aquela sensação gostosinha de aconchego. Frances Ha é um desses filmes. Tanto que já revi n vezes, a ponto de perder as contas.
1. Frances não tem a menor ideia do que está fazendo da sua vida
Frances é uma aprendiz de dançarina de seus vinte e muitos anos, reserva de companhia de dança em NYC, com expectativas de migrar em breve para o corpo de baile principal.
Perdida, conta com as expectativas como seu grande plano de vida. Não consegue se planejar a longo prazo, nem emocionalmente, nem financeiramente, muito menos profissionalmente.
Atire a primeira pedra o millenial que nos seus 20 e muitos anos não teve uma crise de perspectiva de vida geral ou pelo menos acompanhou um amigo passando por todo esse drama. #SomosTodosFrances.
2. Greta e Noah
Ambos foram indicados ao Oscar esse ano, lembrem disso. E foi bem por causa das premiações que Frances Ha veio parar na minha vida, lá em 2014.
Se você não se convenceu pelo enredo, trago aqui argumentos irrefutáveis: o filme é roteirizado por Greta Gerwig (que também protagoniza) e dirigido por Noah Baumbach (aquele mesmo, de História de um Casamento).
Sim, utilizarei argumentos de autoridade para chamar a atenção, pois esse é um casal maravilhoso que tem muito a render ainda individual e conjuntamente.
3. A leveza para tratar de temas difíceis
Não sei se cabe aqui fazer uma analogia da dança (leve, fluida, bonita, orquestrada) com o filme (leve, fluido, bonito, orquestrado), insinuando que seria algum tipo de metalinguagem, porque não é. Mas eu gosto de pensar assim e tenho mil analogias com dança pra fazer, mas aí teria que dar spoilers do filme.
A completa falta de noção de Frances sobre a sua vida, seus amigos perdidos, mimados, artistas e tudo o mais, são o retrato de uma geração (a minha).
O filme retrata toda uma geração de millenials famintos por sucesso, buscando conquistas profissionais com a cabeça na lua, com plena convicção de serem bons no que fazem. Sonhando alto com um futuro bem pouco realista, mas ainda assim vivendo a vida meio desregrada, meio despreocupada, com doses de diversão e papos sinceros e profundos e um desejo real de se tornarem alguém e encontrarem seu lugar no mundo.
Essa é Frances, mas essa também é Sophie, sua melhor amiga, esse também é Benji, seu melhor amigo, e até mesmo Lev (Adam BonitoFeio Driver, embora nesse filme ele esteja bem mais bonito do que feio).
E tudo isso é retratado de um jeito simples, divertido (e aqui o mérito é muito de Greta com sua Frances atrapalhada e sem noção, que desperta todo o sentimento de empatia que existe nos nossos corações) e com algumas doses de reflexão que não se aprofundam a ponto de ativar as bad vibes, mas provocam grandes mudanças.
4. Todo um novo conceito de dar a volta por cima
É um filme sobre não ter perspectivas e planos, sobre sentir-se sem destino, sobre amizades, sobre solidão, sobre aprender a colocar os pés no chão, sobre fazer dos limões, limonada, e, principalmente, sobre reajustar as velas e seguir um rumo.
Porque nem tudo na vida do millenial é desorientação e às vezes um senso prático ajuda super a seguir em frente e reorganizar a vida, o emocional, refazer os planos e encontrar novos caminhos e, por que não, novos sonhos.
Porque no fim, é sobre achar paz no caos. Como diz Frances:
3 lançamentos quentinhos na lista do Spotify pra gente tacar stream:
1. Pearl Jam, Gigaton. Depois de alguns singles para atiçarem nossa curiosidade, Gigaton chegou com um Pearl Jam curioso, experimentando algumas coisas novas sem inovar demais nem perder muito a essência grunge inquieta de sempre. É tão maravilhoso quanto o último disco, Lightning Bolt? Não. Vale a pena ouvir? Com certeza!
2. Dua Lipa, Future Nostalgia. O pop tá vivo sim! O lançamento foi adiantado por causa de um vazamento, mas o disco é muito, muito bom. Vamos dar stream pra Eduarda Felipa não chorar mais nas redes sociais, pessoal. Ótimo para rebolar, pular e excelente trilha sonora de faxina. A melhor música continua sendo Physical, o primeiro single lançado.
3. Josyara e Giovani Cidreira, Estreite. A dupla de amigos cantores da Bahia (ela de Juazeiro, ele de Salvador) sempre tem lugar no meu coração. O Japanese Food de Giovani e o Mansa Fúria de Josyara foram meus dois álbuns mais escutados de 2018 no Spotify, então sou suspeita. Experimentaram um estilo interessante que mistura bem o violão dela com o teclado dele, com aquele toque de nostalgia e um centavo de bad vibes que eu adoro e recomendo.
Ingredientes:
2 cs de arroz branco ou arroz japonês ou arroz integral já cozido
6 kani kamas (pode ser meio tofu firme, para vegetarianos/veganos)
1/2 avocado
1 xic. de shimeji ou outro cogumelo
1/3 cenoura fatiada
1/3 pepino japonês fatiado
1/4 cebola roxa cortada em meia lua fina
1/2 limão
2 cs de shoyu
gergelim e cebolinha à gosto
para amantes de pimenta, 1/2 pimenta dedo de moça picadinha
2 cs de óleo de gergelim
Preparação:
Colocar óleo de gergelim e uma cs de shoyu em uma frigideira para grelhar o cogumelo, leva cerca de 10min, que é o tempo para montar a cumbuca
Colocar o arroz na cumbuca, espremer o limão e espalhar o shoyu, o gergelim e cebolinha em cima
Fatiar os legumes crus e arrumar na cumbuca lado a lado
(A cebola fatiada pode ir para uma xícara com água gelada e gelo, para reduzir o ardor e ser incluída junto com o cogumelo)
Fatiar o kani kama ou tofu e arrumar
Adicionar o cogumelo grelhado
Dica adicional:
Para um tofu mais gostoso, pode usar esses 10min para marinar um pouco no shoyu ou molho tarê
Mulheres, a segunda onda do feminismo e o século XX
A maratona anual dos filmes indicados ao Oscar costuma trazer boas surpresas pra minha vida (e também algumas decepções). Tem filmes que passam despercebidos mesmo sendo obras incríveis, tem filmes que ganham holofotes por todos os lados mesmo sendo comuns.
Em 2017 um filme me chamou especialmente a atenção. E como eu cansei de recomendar ele pra uma infinidade de pessoas que até hoje nunca tinham ouvido falar sobre e desconfiavam do selo “indicado ao Oscar de melhor roteiro original”, eu hoje vim exaltar essa obra prima da cinematografia contemporânea que, apesar de tudo, foi escrita por um homem. Risos.
Mulheres do Século XX é um filme simples e complexo ao mesmo tempo. Somos levados para o final dos anos 70 para acompanhar a vida de uma mulher de meia idade, mãe tardia de um jovem adolescente. E todas as mulheres (e um homem) que vivem em torno dos dois.
Dorothea é divorciada e cria seu filho Jamie de forma rígida e ao mesmo tempo bastante liberal. Para sustentar a casa antiga em constante reforma (com a ajuda de um faz-tudo libertário ex-hippie desconstruidão), aluga um de seus quartos a Abbie (meu amorzão Greta Gerwig), uma fotógrafa jovem e levemente perdida, imersa no mundo punk. A terceira mulher da história é a adolescente Julie, melhor amiga de Jamie. Há claramente 3 gerações bem representadas no filme, que irão trazer discussões simples porém profundas sobre temas muito complexos e intrinsecamente femininos - e atuais. Porque o filme pode ser nos anos 70, mas as questões são tão atuais que até doem, se pensarmos pelo lado de tantas décadas tentando mudá-las.
Um ponto focal que permeia todo o filme são os estereótipos da maternidade, contra os quais Dorothea luta bravamente, mas nem sempre consegue se desvincular. Foi mãe tardia, o que é tabu desde sempre e às vezes para ela mesma; divorciada e com o ex-marido ausente, porém em constante conflito com a vida solteira; progressista, mas não deixa de cair em clichês geracionais ao lidar com questões das mulheres mais jovens. Acredita não ser necessário um homem para criar outro homem, mas ao mesmo tempo entende-se limitada nessa função e recorre às demais mulheres da sua vida para ajudar.
A maternidade também aparece no filme através de Abbie, que luta contra um câncer e se depara com a pergunta fundamental se quer ou não ser mãe no futuro, embora o presente seja uma série de dúvidas e incertezas. Abbie é a mulher jovem, dentre as três. Acabou de concluir a faculdade. Tem um relacionamento conflituoso (e de choque geracional) com a mãe. Busca uma carreira artística com propósito, mas ainda não sabe o que é esse propósito. Sente-se seduzida pela cultura punk, mas também não deixa de cair em clichês de inseguranças sobre sua aparência, seu futuro, sua profissão, seus relacionamentos, frutos das expectativas sociais onde se insere. Não fosse nos anos 70, Abbie seria a perfeita millenial.
Julie é a personagem da feminista da segunda geração. Sua personagem gira em torno do tema sexo, embora sua essência vá muito além disso. Vive em um conflito belamente retratado entre a liberdade sexual e o aprisionamento do sexo em um mundo patriarcal. Caminha pelo mundo com um desinteresse terrível pelas coisas, ao mesmo tempo em que gasta seu tempo lendo e discutindo a sociedade sob a ótica das grandes autoras feministas dos anos 70. Tem em Jamie a visão de um refúgio, embora não dedique a ele seu interesse amoroso.
Julie: I think being strong is the most important quality. It's not being vulnerable, it's not being sensitive. It's not even. Honestly, it's not even being happy. It's about strength and your durability against the other emotions.
O filme vai girando em torno das três e suas respectivas relações com Jamie, o adolescente cercado de mulheres que discute feminismo na mesa do jantar, que anda imerso em doutrinas anárquicas e comunistas e que ainda assim não deixa de cair em suas contradições como homem na sociedade. Tudo ainda fica mais legal com o personagem William, o faz-tudo, que embora seja desconstruidão e saiba muito sobre feminismo e feministas, acaba caindo em clichês da masculinidade, como o mansplanning.
Com muitas citações de grandes feministas de segunda onda, com conflitos geracionais claros e discussões sobre o papel das mulheres na sociedade - e também o papel dos homens - e como elas sobrevivem em um mundo masculino. É um grande filme (de baixo orçamento, vale dizer) regado a algum punk e também música clássica, que merece duas horas de atenção.
PS: E sim, o filme foi escrito por um homem, baseado na infância dele. Feliz que ele fez um bom filme, sem julgamentos e sem necessariamente recair em estereótipos prejudiciais sobre as feministas, dando várias camadas às personagens e as protegendo de grandes clichês.
Ana Martins Marques é uma poeta mineira de quem gosto muito. Seu “O Livro das Semelhanças” é muito belo. Gosto particularmente de uma seção chamada “Cartografias”, cujos poemas são todos em torno de mapas e geografia. Coisa fina que já foi lida mais de uma vez por aqui.
Ontem, na livraria preferida, encontrei esse livrinho na seção de poesia. Falo livrinho porque é realmente pequenino, embora seja um grande livro em conteúdo.
“Como se fosse a casa (uma correspondência)” é um livro organizado por Ricardo Aleixo em torno das correspondências poéticas trocadas entre Ana Martins Marques e o poeta Eduardo Jorge.
Durante um mês Ana alugou o apartamento de Eduardo no famoso edifício JK em Belo Horizonte, projetado em 1952 por Niemeyer e, como de praxe, marco da arquitetura modernista brasileira. O JK está para Belo Horizonte como o Copan está para São Paulo.
Eis que a troca de e-mails práticos sobre o aluguel torna-se, na palavras de Ana, uma troca de “poemas sobre o permanecer e o partir, o morar e o exilar-se”.
O formato do livro é super interessante e está muito bem editado. Mas o motivo desta indicação é terrivelmente afetivo.
Tendo me mudado recentemente, as reflexões sobre a casa e o lar mexeram com sentimentos de pertencimento e aconchego que sinto pelo meu novo apartamento. Ana e Eduardo conseguiram traduzir os meus sentimentos em um pequeno diálogo.
Quando alugamos um apartamento alugamos
uma paisagem alugamos vizinhos com os quais
cruzamos no elevador a temperatura das manhãs
determinados barulhos certas incidências
do sol poeira alugamos as palavras
que nos dirigem os porteiros as distâncias relativas
dos lugares que frequentamos alugamos os lugares
que passamos a frequentar o cheiro de tinta o toque
dos tacos alugamos o direito de dizer que aí moramos
o salvo-conduto para entrar e sair e mesmo a permissão
para morrer aí alugamos a memória futura
de um apartamento e o direito de metê-lo
num poema
A playlist featuring Gal Costa, Rita Lee, Céu, and others
Gal lançou Sublime e aí tudo no final virou uma playlist com vibes disco anos 80 brasileira - que a gente finge que não gosta, mas na verdade ama e dança até sentado.
Eu venho adiando esse projeto há algum tempo.
Tudo começou com um Instagram de receitas a pedido das amigas, que viviam me pedindo uma receitinha aqui e outra ali. Resolvi agrupar em um Instagram as coisas que eu ia bolando em casa.
Mas os pedidos continuaram. Dicas de onde levar a família para passear e comer, o que comprar para uma noite de queijos e vinhos, qual série era legal para assistir, o que eu gostei mais nessa viagem ou naquela e até mesmo o que eu achava sobre aquele assunto em particular.
De um certo modo, percebi que tinha algo a compartilhar e decidi fazer um banco de dados de coisas legais que passam pela minha vida.
A proposta não é transformar esse blog em um diário, e sim em uma ferramenta de compartilhamento de interesses.
Parece chique, mas a ideia é falar sobre coisas que me interessam e podem interessar a mais alguém.
A curadora sou eu, mas pode ser você também, basta pedir.