𝐀𝐆𝐀𝐓𝐀 𝐋𝐄𝐓𝐈𝐙𝐈𝐀 𝐃𝐄 𝐁𝐎𝐔𝐑𝐁𝐎𝐍 𝐘 𝐎𝐑𝐓𝐈𝐙, segunda filha de um reino pequeno, sempre foi tratada como moeda de troca — usada pelo pai em tentativas frustradas de alianças diplomáticas. Conhecida por sua beleza intensa e personalidade avassaladora, ganhou a fama de promíscua e escandalosa ao rejeitar pretendentes que a viam como um troféu, não como pessoa. Mas por trás da imagem de princesa impossível, há uma jovem profundamente ferida, lutando contra a depressão, descontando sua dor em vinho e nicotina, enquanto sonha — silenciosamente — com liberdade, ou pelo menos, alívio.
Se você perguntar em qualquer salão real sobre a princesa de Andorra, a resposta virá com um risinho contido, um erguer de sobrancelhas ou um suspiro diplomático. Segunda filha de um reino quase insignificante, preso entre impérios mais ricos e relevantes, Agata nasceu como moeda de troca — e nunca deixou de ser tratada assim.
Foi-lhe dito, desde cedo, que seu pai, o rei Tomás I, a amava. Mas não com o amor puro de um pai, e sim como um jogador ama sua carta mais arriscada. Tentou usá-la em casamentos diplomáticos — com duques, príncipes e condes — todos frustrados. Não por falta de beleza, pois Agata é conhecida por sua aparência hipnotizante, mas por excesso de intensidade. Agata sente demais. Ama rápido, exige reciprocidade, detesta ser reduzida a uma peça decorativa ou política. Quando percebe que está sendo usada, revida — com palavras, escândalos, ou marcas que deixam mais que cicatrizes nos pretendentes.
Primeiro foi o herdeiro do ducado de Bragança. Depois, o terceiro príncipe da coroa dos Alpes Brancos. Em seguida, um conde dos domínios de Liria. E noivos e mais noivos que até a própria princesa ja perdera a conta. Todos partiram — uns envergonhados, outros apavorados. Não por falta de beleza, afinal, Agata é conhecida por seus cabelos cacheados e lábios vermelhos; e claramente por possuir uma beleza avassaladora. Mas por excesso de… bom, de paixão.
Ganhou a fama de promíscua, instável, impossível. E com o tempo, passou a usar essa reputação como armadura. O rei, em último esforço diplomático, a enviou a Althara — um território mágico e distante — na esperança de que alguém, com ambição ou tolice suficientes, aceitasse sua filha.
Mas o que ninguém vê — ou prefere não ver — é que Agata está quebrando por dentro. Por trás dos sorrisos, das ironias, dos vestidos ousados e dos flertes afiados, há uma jovem exausta, com o peito cheio de silêncios que gritam. A dor virou rotina, e nos bastidores, ela busca alívio em vinho barato e cigarros que escondem as lágrimas que ninguém deve ver.
ANDORRA:
Pequeno, montanhoso e antigo, o Reino de Andorra é uma joia escondida entre colossos. Encravado entre impérios poderosos, o reino sobrevive há séculos à base de diplomacia, tradição e uma obstinada recusa em desaparecer. Cercado por vales gelados, rotas comerciais estratégicas e montanhas difíceis de atravessar, Andorra vive como uma peça esquecida num jogo de gigantes — pequena demais para ser prioridade, mas valiosa demais para ser ignorada.
Politicamente, Andorra está à beira de um colapso lento. Seus cofres estão quase vazios, suas terras pouco férteis e seu exército modesto demais para qualquer ameaça real. O rei Tomás I sabe que a única forma de garantir a sobrevivência do país é através de alianças matrimoniais — motivo pelo qual aposta tanto no casamento das filhas, especialmente Agata.
PODER:
Aura diplomática: Quando está no ambiente, Agata pode apenas com sua presença causar discórdia entre os demais, mesmo sem nenhum motivo aparente. Príncipes que eram melhores amigos encontram motivos para discutirem, casais para pedirem o divorcio, e em casos extremos, violência física e um completo pandemônio podem acontecer no salão. Contudo, da mesma forma que ela pode causar discórdia, também pode causar diplomacia: inimigos de longa data podem encontrar conciliação, casamentos destruídos voltarem a sua era de ouro, e pais e filhos que não se falavam ha anos voltam a ter contato. Isso é, até a princesa deixar o ambiente. FAMILIA:
Ainda sentia necessidade de pesar no corretivo, por mais que dissesse todos os dias para si mesma que era apenas uma preferencia estética pessoal. O sono, no entanto, havia melhorado; mas Agata não admitiria aquilo para aqueles que a colocaram sobre tamanha tortura. Eles disseram que ela iria poder voltar a beber; mas quando? Nenhuma ideia. Odiava a psicóloga, os médicos, e as malditas doses diárias de medicação que era obrigada a tomar para dar conta de sobreviver. Esperava que não melhorasse, então eles a tirariam do reality. Os segundos se arrastavam como se fossem horas, e a princesa de Andorra já podia sentir a garganta seca. Ver fulanx a uma curta distancia, no entanto, foi como ver uma ilha no meio do mar aberto; alguma mínima esperança pairava ali. — O que faz sozinhx aqui? Não tem amigos? — Provocou com um sorrisinho, tentando puxar conversa. Já estavam próximos do bar, o que era um ponto positivo para Ortiz.
❛ tenho gente até demais. ❜ o frances retruca, tão afiado quanto o fantasma de sorriso que cruza por seu rosto. é um reflexo impulsivo —— até porque agata não tem nada a ver com sua situação ——, mas ele está puto. não há outra palavra elegante que caiba ali; só este sentimento vulgar, que lateja pelas veias a cada felicitação que recebe pelo noivado. como se estar preso a uma sentença dada por meia dúzia de filhos da puta fosse algo a ser celebrado! e foi justamente para fugir disso que theo decidiu deixar o palácio antes que explodisse algo. apenas ele, sozinho, e talvez uma conta de bar grande o suficiente para causar um rombo nas finanças de velraisse —— e, com sorte, fazê-lo esquecer porque se sente tão preso. não é como se fossem ligar se causasse alguma merda pelo caminho. e embora não esteja com vontade de aturar ninguém que pudesse estragar seus planos, quando o olhar felino repousa sobre a face de agata, não é difícil perceber que ela está tão ferrada quanto ele. ❛ e você, princesa? ❜ o título soa irreverente em seus lábios. ❛ tem tão poucos que tem que acabar vindo atrás da minha presença em uma terça a tarde? ❜
Conhecia Matheo bem demais para não se importar com sua postura. Ofender o orgulho de Agata não era uma tarefa difícil, mas no caso do ex, seus comentários passavam batidos; não porque não se importava, mas porque aprendeu que aquela era, de vez em quando, apenas sua personalidade. Ergueu uma sobrancelha para sua resposta, pintando nos lábios um sorrisinho debochado. — Não parece… — Cantarolou num sussurro, como se não falasse com ele, mas consigo mesma. Repousou a cabeça na própria mão, permitindo-se esquadrinhar o francês; e sorriu discretamente com o seu proferir. Um sorriso irônico, mas dotado também da exaustão que a torturava há alguns meses. — Já ouviu dizer que quem tem muita gente, na verdade não tem ninguém? — Provocou, sem desviar os olhos de Theo. — E não seja ridículo. Se eu tivesse ido atrás de você, deveria estar procurando na capela. — Era impossível ignorar a notícia do seu noivado; estava por todo lugar. — Por sinal, meus pêsames.
Ainda sentia necessidade de pesar no corretivo, por mais que dissesse todos os dias para si mesma que era apenas uma preferencia estética pessoal. O sono, no entanto, havia melhorado; mas Agata não admitiria aquilo para aqueles que a colocaram sobre tamanha tortura. Eles disseram que ela iria poder voltar a beber; mas quando? Nenhuma ideia. Odiava a psicóloga, os médicos, e as malditas doses diárias de medicação que era obrigada a tomar para dar conta de sobreviver. Esperava que não melhorasse, então eles a tirariam do reality. Os segundos se arrastavam como se fossem horas, e a princesa de Andorra já podia sentir a garganta seca. Ver fulanx a uma curta distancia, no entanto, foi como ver uma ilha no meio do mar aberto; alguma mínima esperança pairava ali. — O que faz sozinhx aqui? Não tem amigos? — Provocou com um sorrisinho, tentando puxar conversa. Já estavam próximos do bar, o que era um ponto positivo para Ortiz.
Sequer os próprios aposentos eram livres de câmeras, e Ágata sabia disso. Ainda assim, acreditava que, se apagasse as luzes e fechasse as janelas, teria um pouco mais de privacidade — afinal, por que o público se interessaria por um quarto escuro e silencioso?
Trajava um dos seus vestidos favoritos, o qual não podia usar em público, já que ele dançava em seu corpo. Desde que fora despejada em Althara, fumava e bebia demais, e comia de menos. Os efeitos desses vícios eram evidentes: corpo magro demais, pele manchada e olheiras profundas. Ágata não dava a mínima, mas sua família sim. Fora chamada de canto pelos superiores e avisada de que, se continuasse destruindo o próprio corpo, ninguém sequer pensaria em tomá-la como esposa. O rei já deixara claro: se não fosse por sua beleza e poder, ela já estaria na rua há muito tempo.
Para alguns, aquilo seria o ultimato perfeito para ir embora e jamais retornar. Mas, por trás das palavras sarcásticas, Ágata não passava de uma garota com profundo medo do abandono. E se saísse por conta própria, mas ninguém mais a quisesse? O que seria dela? E se realmente não valesse nada além dos próprios poderes e beleza? Era intensa demais, sensível demais, e poucas palavras cruéis eram suficientes para partir sua alma em duas. Talvez por isso ninguém quisesse assumi-la. Ela havia aceitado essa realidade, mas isso não tornava a dor menor.
A cabeça latejava e o corpo tremia, assim como os lábios. Apoiada na penteadeira como quem estivesse sentada em um bar, segurava o ar com os dedos erguidos como se fosse um cigarro. À sua frente, um copo vazio. A tortura teria sido mais branda se a tivessem jogado num calabouço repleto de garrafas e cheiro de nicotina. Disseram que a princesa estava se destruindo — e aquilo precisava parar imediatamente. Assim, privaram-na das únicas substâncias que a mantinham respirando.
Sentia o corpo molhado de suor e a cabeça queimando em febre, mas pedir socorro estava fora de cogitação diante das câmeras. Seria vista pelo público e pelos pretendentes como um fardo: algo a ser cuidado, e não alguém que cuida. Os segundos passavam como horas, e, depois de muito tempo sentada, Ágata fez um tremendo esforço para ir até a cama. Dormir era, para ela, uma oportunidade de não existir por algumas horas — quem dera transformar isso numa sensação eterna.
As horas deitada foram inúteis. O travesseiro estava encharcado de suor, o tremor não cessara e a dor na cabeça era como se tivessem lhe acertado com uma barra de ferro — e ela queria que tivessem. Num ímpeto de desespero, levantou-se e vasculhou o quarto pela milésima vez em busca de qualquer gota de álcool. Sentia que, se não bebesse, morreria.
Mais uma vez, nada. A respiração acelerou, as mãos mergulharam nos cabelos, puxando-os com força, enquanto lágrimas desciam pelas bochechas aniladas. Parou apenas quando seus olhos repousaram sobre uma caixa abarrotada de comprimidos para aliviar dores no corpo. Se um não estava fazendo efeito… talvez dois.
Três.
Cinco.
Quinze.
Com os sentidos ainda vacilantes, olhou para o fundo do recipiente e viu que não restava nada. O desespero pelo fim da dor continuava, mas Ágata sabia que ele viria. Depois de instantes de tontura, vieram as náuseas. E, por fim, um sono tão intenso que a fez agradecer silenciosamente pela decisão. Deitou-se na cama encharcada e, finalmente, dormiu.
Não esperava, no entanto, acordar num quarto branco e gelado. Os trajes haviam sido trocados por uma camisola hospitalar, e os acessórios, por agulhas e soro.
Havia algo de hipnotizante nas luzes suspensas sobre o jardim, realçando as tonalidades vibrantes das flores cultivadas ali. Uma visão retirada diretamente dos contos de fadas - e mesmo os mais incrédulos teriam dificuldade de negar as similaridades. Ali, era possível imaginar um felizes para sempre. Ou talvez fosse apenas a nostalgia mesclando-se ao álcool falando mais alto do que a razão. "É uma noite encantadora, não?" Comentou com a prima, levando a taça de champanhe aos lábios. "Eu tenho a impressão de que não existe espaço para ansiedades, tristezas ou aflições em meio aos bailes. É como se tudo simplesmente...parasse. Nada mais importa, nada além do aqui e agora."
Deveria ser crime o que estavam fazendo com Ágata. De todos os dias em que poderiam limitar a princesa a apenas uma taça de vinho, escolheram justamente uma festa; e aquilo foi o estopim para tamanha reviravolta: Ortiz preferindo ir para a sua cama a continuar na celebração. Apreciava cada momento que passava com sua prima, mas ali, só a invejava. Por que Sol podia usufruir do álcool e ela não? Era o que pensava enquanto ouvia a loira, que já começava a demonstrar os efeitos da bebida no comportamento. — Você diz isso — iniciou, inclinando-se para a prima — porque está no melhor dos seus estados. E eu te invejo. — Soltou as palavras mais sinceras que conseguiu encontrar, principalmente porque a intimidade e confiança que tinha em Soledad eram raras. Por mais que não fizesse com frequência, Ágata adorava compartilhar, embora tivesse um ciclo limitado para isso.
this is a starter for @agatacomeu após ela ser arrematada qq
Os passos dele eram lentos, quase entediados, como se estivesse indo encontrar mais uma distração passageira — e talvez estivesse mesmo. A andorrana fazia surgir nele certa curiosidade, intensa o bastante para fazê-lo distrair-se de planos maiores, quando a presença dela estava tão próxima. A multidão atrás soava como um zumbido abafado, distante demais para ser relevante. O palco parecia pequeno demais para conter aquela aura que a cercava… ou talvez fosse ele que estivesse alimentando expectativa demais para tão pouco. Mas a verdade é que estava enfeitiçado por Ágata. Subiu o último degrau com um meio sorriso ensaiado, tão elegante quanto desinteressado, mas havia um incômodo genuíno por trás do olhar. Curiosidade demais. Ele odiava quando alguém lhe escapava pelas beiradas da razão, e o deixava abalado da forma que ela fazia. Mesmo sem querer. Embora ele duvidasse que ela fosse alheia ao que causava. Parou diante dela e, num tom baixo, sem pressa, apenas a encarando, murmurou: ❛ Your name has echoed through my mind. ❜ Era verdade. Repetido, arrastado, ecoando entre dúvidas e teorias. Talvez fosse só o nome. Talvez fosse só a forma como ela olhava de volta. Mas ele precisava colocar fim àquilo — de um jeito ou de outro.
A cabeça havia doído quase o dia inteiro, e a ausência do alcool fazia com que Ortiz se martirizasse por não ter sido mais discreta com seus vícios. A realeza de Andorra não estava feliz com a sua princesa, e quando a chamaram de canto para dizer que não precisavam de mais escândalos, o recado foi dado com tanta rispidez que sorrir em deboche em resposta foi uma tarefa dificil para a morena. Agora, seu limite era uma taça de vinho por dia, porque se a deixassem em abstinência, o cenário poderia se agravar. Ainda assim, a falta de energia e frequentes dores de cabeça eram a realidade da princesa de Andorra agora.
Havia tomado um comprimido logo antes do evento, mas o efeito não era imediato. A cabeça ainda latejava quando seu nome foi chamado; mas alguém ter dado um único lance pela sua companhia, alto o suficiente para que ninguém mais conseguisse cobrir, foi uma surpresa para Agata e, provavelmente, para a pequena população de Andorra. Perguntou a si mesma se não a havia confundido com a princesa freira ou sua prima de Castilla, mas quando os olhos castanhos encontraram os de Gustav, tudo fez sentido. O olhar acompanhou os movimentos do russo, e não hesitou quando ele chegou perto. As narinas captaram o cheiro amadeirado do perfume, misturado com um discreto fundo de nicotina que, para Ágata, fazia a mistura ter um quê de familiaridade. Permitiu que as pontas dos dedos deslizassem até seus ombros, estudando-o com os seus sentidos. O toque suave do terno, seguidos pelo calor do pescoço, até chegar nos cabelos escuros. Aproximou-se preguiçosamente do russo, e ficaram apenas alguns centímetros de distancia. O aroma masculino invadia suas narinas como um convite irrecusável; e ali, o jogo de gato e rato deles chegava ao fim. Pelo menos a primeira parte. Sorriu vacilante quando ouviu o proferir, envolvido no sotaque e na voz profunda que carregavam sensualidade. — Me mostre o que sabe fazer. — Sussurrou. Ali, as dores, receios e problemas a haviam deixado — como se a presença do russo fosse uma droga milagrosa que a fazia esquecer de todo seu sofrimento.
ㅤ⠀⠀˛ㅤ⠀⋆ㅤ⠀⩨͢ㅤ⠀ᶜ͟ˡ͟ᵒ͟ˢ͟ᵉ͟ᵈ⠀𝚂𝚃𝙰𝚁𝚃𝙴𝚁ㅤ⠀ꗃㅤ⠀@agatacomeu ˢ̲ᵃ̲ᶦ̲ᵈ : ㅤ⠀❛ this seat taken ? ❜
a corrente do balanço estalava de leve enquanto kitty se empurrava com a ponta dos pés , balançando preguiçosamente sob o céu estrelado . mas ela mal podia apreciar a vista com a criatura sentada ao seu lado . kitty nem sabia o nome da mulher — e honestamente , estava fazendo questão de não saber . a desconhecida estava bêbada , barulhenta , e com um hábito irritante de tocá-la a cada três frases . quando a bêbada anunciou que ia “buscar mais bebida porque o universo estava seco” , kitty quase murmurou um “graças .” e assim que a mulher desapareceu entre as luminárias , a tailandesa suspirou , afundando no balanço . ela iria voltar , o que significava que kitty precisava meter o pé o quanto antes . mas ela estava tão cansada e queria ficar no balanço . felizmente , os santos tiveram piedade . quando agata perguntou sobre o assento , kitty girou o rosto tão rápido que quase deu um torcicolo . a resposta foi imediata . ela negou com a cabeça com tanta força que algumas mechas soltas se moveram sobre os ombros . ‘ não ! por favor , sente-se . ’ num impulso quase desesperado , segurou o punho da outra para puxá-la para o balanço . ‘ você me salvou de uma companhia indesejada . eu juro pelo magisterium , mais dois minutos e eu mesma teria me enforcado com essas correntes . ’ suspirou , encarando agata com mais atenção . provavelmente , kitty que parecia maluca agora .
Ágata piscou lentamente, sentindo a dor pulsante na cabeça que martelava como um tambor — algo que, pela primeira vez em muito tempo, ela tentava suportar. A sobriedade lhe mostrava um mundo menos tolerável, mais cru e mais perverso; e agora, odiava ainda mais a monarquia andorrana por tê-la colocado naquela situação. Ágata já era a última pessoa que pediriam em casamento ali; um drink a mais ou a menos não faria diferença. Não esperava encontrar alguém no balanço àquela hora, muito menos Kitty. A pergunta veio na expectativa de uma resposta contida, mas, ao ser puxada pelo braço, a andorrana soltou um discreto suspiro de surpresa. — Está falando daquela senhora? — Conseguia ver a figura descontrolada à distância e sorriu discretamente. — Eu a invejo. Ela parece estar se divertindo mais do que nós duas juntas. — Pontuou a primeira coisa que lhe veio à cabeça e voltou o olhar para a tailandesa. — Por que não está lá dentro? Os pretendentes daqui não são companhia boa o suficiente para você? — Questionou com certa ironia, mas sem desdém. Apenas o resquício de bom humor que lhe restava.
Como vermelho não deveria estar na pista de dança, mas considerou que não faria mal dançar um tantinho com outra vermelha, ainda que é claro que seria percebido, quando não era? Talvez um dos males de ser o guarda mais bonito e bem vestido do Althara. E bom, talvez fosse também por que ao fim da dança, ele tropeçou no vestido de alguém e caiu levando consigo seu par que caiu em seu colo, ainda que claro ele apenas sorriu e levantou girando a mulher como se fosse parte do show. Porém, viu esse como um sinal para deixar a pista de dança, não esperava ser abordada por Ágata, ao menos não em um cenário onde haviam câmeras e olhares sobre eles. O italiano abriu um sorriso e pegou uma taça de vinho como o bom folgado que era. ❝Se refere a qual parte, princesa? Minhas incríveis habilidades de dança ou como cair com classe?❞ Havia certo deboche na parte do classe, enquanto bebia um gole do vinho e a taça brilhava em dourado, estava contente até o prezado momento. ❝Tenho muitas habilidades que desconhece, alteza, mas não me incomodaria de lhe mostrar algumas delas se me permitir.❞
Vermelhos, azuis… para Ágata, não fazia a menor diferença. Ter poderes era uma vantagem e tanto, mas confessava que o conceito da superioridade anil nunca havia feito sentido na sua cabeça. Por isso odiava política, e se odiava ainda mais por ter nascido obrigada a se curvar para ela. Bebericava sua única taça de vinho do dia com um misto de desejo e cautela — como um náufrago que tem que economizar sua única e escassa fonte de água — quando observou a cena a sua frente. E não pode evitar soltar um riso fraco, mas sincero. Sabia que não deveria dar tanta atenção para vermelhos, mas a princesa de Andorra tanto não se importava com cor de sangue, como era movida por impulsos. Tinha um motivo para estar com a imagem tão manchada. “ Classe.” Desdenhou com algum bom humor antes de provar o vinho mais uma vez. “ Não se faça de louco.” Concluiu, sorrindo de canto para Riccardo. “ Está me chamando pra dançar?” Arqueou a sobrancelha, mantendo o sorriso de canto. Nada além disso poderia ser proferido; se azuis eram pegos com vermelhos, era forca pra um, e deserção pro outro.
Dear reader
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𝐭𝐚𝐬𝐤 𝟎𝟎𝟏.
⚜ DOSSIÊ CONFIDENCIAL DE INTELIGÊNCIA
Departamento de segurança do Magisterium — Castelo de Treatan
RESTRIÇÃO ABSOLUTA – Reprodução ou vazamento deste arquivo implicará em execução sumária por crimes contra a segurança mundial. Arquivo elaborado sob autorização direta do Chefe de Segurança.
✦ 𝒊𝒏𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂𝒄𝒐𝒆𝒔 𝒃𝒂𝒔𝒊𝒄𝒂𝒔
Nome completo: Agata Letizia Bourbon y Ortiz
Reino de origem: Andorra
Título/Posição: princesa
Idade: 23 anos (12 de agosto, 2001)
Status atual: solteira.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒑𝒔𝒊𝒄𝒐𝒍𝒐𝒈𝒊𝒄𝒐
A Princesa Agata de Andorra demonstra um comportamento fortemente impulsivo e guiado por estímulos sensoriais. Observa-se uma personalidade emocionalmente intensa, com baixa previsibilidade e tendência à instabilidade emocional. Frequentemente conduzida por seus próprios sentimentos, apresenta dificuldade em regulá-los de forma eficaz, o que pode gerar situações imprevisíveis em ambientes públicos ou privados.
Apesar de manter postura controlada em interações sociais, há indícios claros de fragilidade emocional interna. Ágata tem propensão a envolvimentos interpessoais casuais, frequentemente associados ao uso de álcool e à busca por conexões físicas sem envolvimento emocional, o que pode representar riscos em termos de exposição, segurança pessoal e vulnerabilidade a influências externas. Apresenta também traços de desconfiança e mágoa profunda relacionados a vínculos familiares e ao papel institucional que ocupa, o que pode afetar sua conduta em eventos oficiais ou em situações que envolvam representantes do Estado.
Destaca-se, contudo, seu elevado senso de lealdade com indivíduos pelos quais demonstra afeição, mantendo forte comprometimento com quem considera confiável. No entanto, respostas emocionais intensas — especialmente diante de rejeição ou humilhação — podem levar a reações abruptas, demandando atenção preventiva e contenção de danos. Recomenda-se acompanhamento contínuo, com atenção especial a deslocamentos não supervisionados, interações informais e consumo de substâncias. Agata é uma figura de elevado carisma, mas seu perfil emocional exige protocolos específicos de proteção e contenção de risco reputacional e pessoal.
✦ Análise complementar recomendada para perfis emocionalmente instáveis.
✦ 𝒑𝒐𝒅𝒆𝒓 𝒓𝒆𝒈𝒊𝒔𝒕𝒓𝒂𝒅𝒐
Ágata exerce influência comportamental nos demais: sua presença física em ambientes de tensão promove cooperação imediata entre indivíduos, dissolvendo conflitos e facilitando acordos. Durante sua permanência, inimigos se tornam aliados temporários, e decisões complexas são tomadas com facilidade.
Porém, os efeitos cessam assim que ela se afasta. As pessoas muitas vezes se arrependem ou questionam os compromissos assumidos sob sua influência, embora esses acordos continuem válidos. Não há indícios de manipulação mental — apenas uma suspensão temporária de bloqueios emocionais como medo, orgulho e desconfiança.
Nível de controle: baixo a médio.
✦ 𝒆𝒔𝒕𝒂𝒅𝒐 𝒆𝒎𝒐𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 𝒐𝒃𝒔𝒆𝒓𝒗𝒂𝒅𝒐
Ágata apresenta sinais claros de exaustão emocional crônica, mantendo uma postura externa de controle, sedução e autoconfiança, enquanto internamente lida com sentimentos profundos de solidão, desvalorização e depressão silenciosa. Ela demonstra comportamento anestesiado, aceitando interações e vínculos com aparente indiferença, mas revela traços de sofrimento psicológico intenso. Há forte tendência ao escapismo emocional por meio de experiências sensoriais intensas (prazer, risco), funcionando como mecanismos de sobrevivência psíquica. Apesar da aparência estável, há risco latente de colapso emocional em situações de pressão, abandono ou exposição. Sua vulnerabilidade é disfarçada, mas real — e pode afetar decisões, relações e segurança pessoal.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒄𝒐𝒎𝒑𝒐𝒓𝒕𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒂𝒍 𝒆𝒎 𝒄𝒓𝒊𝒔𝒆
Ágata apresenta uma elevada capacidade de dissimulação emocional: reage à pressão com ironia e aparente indiferença, ocultando sinais de fragilidade psíquica. Entretanto, em contextos de decisão crítica, ameaça direta ou exposição pública intensa, internaliza o estresse de forma perigosa, sem demonstrar abertamente os impactos. Seu principal mecanismo de contenção emocional tem sido o uso compulsivo de estímulos externos (vícios) — como forma de anestesiar a dor e evitar colapsos imediatos. Apesar de manter a funcionalidade em público, vive em estado contínuo de exaustão e à beira de um colapso emocional privado.
✦ 𝒑𝒂𝒅𝒓𝒐̃𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝒊𝒏𝒕𝒆𝒓𝒂𝒄̧𝒂̃𝒐 𝒔𝒐𝒄𝒊𝒂𝒍
Ágata estabelece alianças com base em respeito emocional genuíno, sensibilidade e inteligência interpessoal. Tem forte aversão a interações moralistas, condescendentes ou utilitaristas, fruto de experiências anteriores marcadas por manipulação e objetificação. Apesar de declarar independência emocional, demonstra necessidade inconsciente de vínculo profundo e restaurador — buscando, ainda que silenciosamente, figuras que possam oferecer estabilidade afetiva e segurança emocional.
✦ 𝒑𝒆𝒓𝒇𝒊𝒍 𝒑𝒐𝒍𝜾́𝒕𝒊𝒄𝒐 𝒓𝒆𝒍𝒊𝒈𝒊𝒐𝒔𝒐
Ágata foi criada sob os preceitos da fé anil, imersa desde a infância em práticas religiosas formais, liturgias e tradições sagradas associadas à linhagem real. Por anos, cumpriu os rituais com disciplina e sem questionamentos, integrando plenamente o papel esperado dentro da estrutura monárquica e espiritual. Contudo, experiências pessoais progressivamente enfraqueceram sua crença, convertendo a fé em mero hábito. Atualmente, mantém práticas religiosas de forma automática, sem envolvimento emocional ou convicção real. A oração, quando ocorre, tem caráter simbólico ou social — e não representa mais vínculo ativo com o sagrado.
✦ 𝒓𝒊𝒔𝒄𝒐 𝒅𝒊𝒑𝒍𝒐𝒎𝒂́𝒕𝒊𝒄𝒐
A probabilidade de Ágata se envolver em escândalos públicos é elevada, não por iniciativa própria, mas devido ao intenso interesse da mídia desde seu segundo noivado fracassado. Seu nome tornou-se um foco constante para manchetes sensacionalistas, alimentadas pelo fascínio público em acompanhar a queda de figuras públicas.
Fatores que contribuem para essa exposição incluem sua beleza, histórico pessoal conturbado, comportamento irreverente e estilo de vida intenso. Ágata mantém uma postura autêntica, não disfarçando seus sentimentos, o que, aliado ao seu comportamento à flor da pele, facilita interpretações maliciosas e exageros por parte da imprensa.
Apesar de esforços para manter o controle, ela frequentemente ultrapassa seus limites, resultando em ampla cobertura negativa. Atualmente, Ágata demonstra ter desistido de tentar reconstruir sua imagem pública, tornando-se vulnerável a novas crises de reputação.
Classificação: alto.
✦ 𝒓𝒆𝒍𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒆𝒔𝒕𝒓𝒂𝒕𝒆́𝒈𝒊𝒄𝒂𝒔
Gustav Yusupov @vemmedegustav, possível aliado, relação harmoniosa até o momento.
Soledad Bourbon @solbourbon , prima e confidente.
Sarp Karadag @karvdag, ex noivo, relação conturbado por conta de rejeição e boatos.
✦ 𝒊𝒏𝒅𝒊𝒄𝒂𝒅𝒐𝒓𝒆𝒔 𝒅𝒆 𝒂𝒎𝒆𝒂𝒄̧𝒂
Menção a gravidez.
Comparação com a irmã mais velha.
Para uso interno da segurança em protocolos de contenção.
✦ 𝒊𝒏𝒇𝒐𝒓𝒎𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒔𝒆𝒏𝒔𝜾́𝒗𝒆𝒊𝒔
Durante um dos noivados, Ágata passou por uma gestação não oficializada, a qual optou por não levar adiante. O procedimento foi realizado em sigilo absoluto, com o auxílio restrito de uma dama de confiança e um médico comprometido com o silêncio total. Oficialmente, o evento não consta em registros públicos nem foi reconhecido pela família real. Contudo, trata-se de uma ferida emocional profunda para Ágata, impactando significativamente sua relação com os valores tradicionais da família real.
✦ 𝒃𝒐𝒂𝒕𝒐𝒔
A figura de Ágata é alvo constante de especulações nos bastidores da realeza e nos tabloides europeus, com ampla disseminação de boatos — muitos sem comprovação, mas com forte repercussão pública. O teor das narrativas é majoritariamente negativo, reforçando uma imagem de instabilidade emocional, impulsividade e inadequação ao papel institucional.
Principais alegações recorrentes:
Múltiplos noivados rompidos (supostamente sete), todos com desfechos dramáticos.
Relações não oficiais com figuras públicas, seguranças e membros da nobreza.
Consumo excessivo de álcool, inclusive em horários não convencionais.
Episódio de internação discreta por colapso emocional.
Suposta ameaça de deserdamento por parte do pai, devido à "inutilidade política".
Percepção interna (inclusive por parte dela) de que "nunca conseguiu acertar".
✦ 𝒐𝒃𝒔𝒆𝒓𝒗𝒂𝒄̧𝒐̃𝒆𝒔 𝒂𝒅𝒊𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒊𝒔
A princesa Ágata demonstra postura ambígua em relação à União e à Coroa: embora cumpra formalmente seus deveres, suas ações e comentários sugerem desinteresse político e um certo desprezo velado pelas estruturas tradicionais. Com relação a Althara, acredita-se que sua participação seja mais uma imposição política do que uma convicção pessoal; há indícios de que vê o programa como um espetáculo humilhante, embora use sua influência diplomática para proteger seus interesses e ganhar aliados estratégicos. Não possui treinamento militar e seu desempenho acadêmico, embora irregular, inclui formação em arte, história e línguas estrangeiras, com grande sensibilidade para leitura social e emocional. Sua habilidade diplomática é notável, atribuída em parte aos seus poderes, capaz de induzir comportamentos tensos em ambientes cooperativos — embora desapareça com sua ausência. Avaliações anteriores indicam instabilidade emocional, uso recorrente de substâncias para lidar com estresse, e resistência a ordens diretas, embora demonstre fidelidade parcial à família real e extrema lealdade a indivíduos específicos. Recomendado manter vigilância discreta, especialmente em eventos de alta sensibilidade política.
▌ASSINATURA: T.N.S. Chefe de Segurança do Castelo de Treatan Após análise, favor encaminhar ao setor de vigilância mágica e comportamental.
Os pés giraram em direção a outra, colocando-se em movimento depois de tanto tempo escondido em uma sombra, longe dos ruídos, das pessoas, da atenção. Wilhelm aproximou-se lentamente, com o próprio isqueiro em mãos, enquanto nos lábios, deixava que o cigarro preparado por si mesmo com tabaco, pendesse dos lábios. — Não. — Disse despreocupadamente, forçando-se a uma breve risada logo depois. — Não uso nada que não tenha sido feito ou preparado por minhas próprias mãos, senhorita. — De cenho franzido, Wilhelm analisava a mulher, buscando reconhecê-la. Porém, sem sucesso. Um suspiro escapou pelos lábios, junto com a fumaça esbranquiçada que também deixava escapar após mais uma tragada. — Mas o que faz aqui sozinha e a essa hora? Não vejo ninguém ao seu redor, pelo menos, não próximos o suficiente para sufocá-la como poderiam estar fazendo comigo. — Os olhos rolaram, e em sinal de relaxamento, deixou que os ombros também caíssem. Quanto tempo mais para notarem, se já não haviam percebido, que não estava em destaque pronto para ser notado? — Me deixe adivinhar, então. — Semi-cerrando os olhos, Wilhelm fingiu interesse- como se a bela mulher a sua frente estivesse atraindo sua atenção. O que de um todo, não era mentira. — Não é herdeira. Segundo, terceiro, talvez quarto lugar na linha de sucessão? Ou se não, de alguma família menor, apesar do alto título de realeza. Está aqui para o quê? Casamentos? Bom, sabemos que é por isso. A elite é patriarcal e seu pai provavelmente almeja conexões e um bom status. Acertei?
Um ah silencioso escapou dos seus lábios ao observar o homem enrolando próprio tabaco. Ágata tinha opiniões controversas sobre esse pessoal natureba, mas dessa vez, preferia manter para si. Em sua visão, qualquer coisa que lhe fosse proporcionar alívio e prazer momentâneo era bem vindo. E sinceramente, era aquilo que a fazia acordar todos os dias. — Não me diga que as vezes não precisa de um tempo sozinho. — Indagou com um arquear de sobrancelha. — Se bem que aqui não estamos sozinhos nem quando estamos dormindo, Majestade. — Ágata se referia as câmeras, e elas jamais descansavam. E a princesa não queria saber o que elas estavam mostrando; afinal, programas de entretenimento tendiam a jogar com imagens e palavras para brincar com a percepção do público sobre seus participantes. Se aproximou do rei quando ele começou a falar, levando o cigarro novamente aos lábios. A sobrancelha foi arqueada a medida que ele foi falando. Era como se tivesse sua privacidade invadida, mais do que já estava sendo; devia ser alguma mania de quem estava acostumado com o poder, mas Ágata não gostava daquilo. — Quantas jovens bonitas vossa majestade já teve que desvendar para adquirir tamanha precisão? — Afinal, homens não negavam a companhia de princesas alguns anos mais jovens, e de preferência ingênuas. Não quando eram facilmente descartáveis.
A sinceridade do comentário alheio soou-lhe revigorante, tão essencial quanto uma garrafa de água fresca em meio ao deserto escaldante - uma comparação que, segundo o príncipe, descrevia perfeitamente a estadia na Althara. Ao contrário da jovem, no entanto, Lorenz preferia manter as próprias opiniões para si - mesmo que seu riso contido deixasse evidente uma apreciação inesperada pela autenticidade feminina. "Certamente não. Afinal, não seria de bom tom que nosso povo nos enxergasse no papel de palhaços, não?" A ironia impressa no tom da morena não podia ser distinguido nas palavras do príncipe. Esta mostrava-se de maneira mais sutil, praticamente imperceptível ao olhar das câmeras, reluzindo em um lampejo discreto nas íris esverdeadas. "De toda maneira, posso assegurar que vossa alteza não perderia a graciosidade nem mesmo se obrigada a usar sapatos desproporcionais e um nariz avermelhado."
— Enxergasse? — Repetiu, deixando um riso espontâneo sair pelo nariz. Para Ágata, era assim que os viam: como leões de circo. Para aqueles que não tinham nada a perder, era satisfatório ver um símbolo da sua opressão ser colocado nos holofotes. Tratados não como monarcas, mas como entretenimento para uma população que ansiava por vingança; por isso, Ortiz nutria profundo ódio pelo seu próprio país, não dando a mínima se ele continuaria soberano ou viria a se anexar a um irmão maior e mais poderoso. O elogio veio de forma inesperada, fazendo a andorrana arquear a sobrancelha em surpresa. Analisou o príncipe de cima a baixo, percebendo então o quão bonito era. Um sorriso surgiu em seus lábios, dando de ombros num gesto. — Quanta gentileza. Vossa Alteza me parece do tipo que manteria a compostura mesmo com um nariz vermelho. — Provocou, cruzando as pernas. — Foi isso que te ensinaram em Liechtenstein?
Estava evitando ao máximo fumar na frente das câmeras por que não queria depois uma ligação interminável com a mãe nos ouvidos, contudo, andava tão estressada que não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta alheia. ❝Obrigada, você é tipo life saver!❞ Garantiu em um suspiro agradecido enquanto aceitava o cigarro, a nicotina era mais do que vício, era como um um refúgio nos tempos difíceis e bem, não andava tendo tempos fáceis ultimamente. O olhar se voltou a princesa, talvez não devesse ser tão informal, mas também pelo que sabia da princesa de Andorra ela não parecia ser do tipo de gostar de todo um lenga lenga desnecessário. ❝Você gostou da dinâmica de caçador e coração? Eu achei que foi meio que referência a Branca de Neve, mas isso colocaria o Magisterium como a Rainha Má, não é? Ok, tá, pega mal falar isso.❞
Quantos anos tinha aquela garota, doze? Talvez ela mesmo estivesse sendo a má influencia para a nova geração, mas àquele ponto, não se sentia mais responsável por nada e ninguém. — Fique a vontade. — Concluiu em simploriedade. Teve que soltar um riso com a comparação a contos de fadas, dando de ombros com sua usual delicadeza. — Acho que transformar esse lugar num conto fantasioso seja a forma deles de faze-lo mais tolerável. É romântico de certa forma, não acha? — Mesmo que fosse, não deixava Althara menos desprezível; não aos olhos de Ágata.
Gustav parou à entrada do jardim com a expressão composta demais para quem ainda carregava a poeira da floresta nas botas. Viu a xícara nas mãos dela antes mesmo de ver o sorriso — um gesto discreto, mas que dizia mais do que qualquer saudação. ❛ Coincidências são o jeito elegante que o destino encontrou de nos vigiar sem parecer intrometido. ❜ Sentou-se à mesa sem pedir permissão, como se a presença dela fosse natural. Como se os olhos cansados e a voz cortante fossem parte do cenário. E talvez fossem mesmo — Ágata parecia encaixar em tudo que era bonito e, ao mesmo tempo, à beira de quebrar. A frustração o acompanhava como uma sombra mal domesticada. Estava ali, em cada gole que ela dava, em cada sílaba que ele escolhia com cuidado. Também era um coração. E isso, por mais poético que parecesse, soava como uma sentença. ❛ Parece que não terei o privilégio de levá-la em um encontro, Ortiz. ❜ Disse, com um meio sorriso. Desde o circo, vinha tentando ter um tempo à sós com a andorrana, pouco aceitando o fato de ter sido deixado chupando dedo. Olhou para a bebida dela, dando uma pequena risada. ❛ Sem maçãs dessa vez? ❜ Provocou, relembrando o primeiro encontro deles. ❛ De toda forma, suponho que teremos que encontrar outras formas de nos distrair. A menos que você já esteja ocupada com isso. ❜ A pergunta estava ali — afundada entre provocação e curiosidade genuína. Como tudo nele quando se tratava dela.
Arqueou as sobrancelhas em surpresa ao ouvir o pronunciamento alheio, alargando delicadamente o sorriso. — Não sabia que também era poeta. — Provocou, levando a xícara aos lábios mais uma vez. O movimento de aproximação foi exatamente o que Agata esperava, e desejava. O cheiro agradável do príncipe era hipnotizante, assim como sua presença, forte e imponente, fazendo a princesa se esforçar para não estremecer. Não de temor, mas em desejo em te-lo mais próximo. — Alteza, se dá por derrotado tão fácil? — Indagou em retórica, fixando os olhos castanhos aos deles. — Como posso aceitar um encontro sem ter sido chamada para um? — Talvez se fosse há algumas semanas, ela teria provocado, atiçado e depois declinado, apenas para deixa-lo querendo mais. Mas alguma hora aquilo haveria de ir para algum lugar. Repousou a xícara na mesa para dar total atenção ao russo, e aproximou-se preguiçosamente em sua direção. — Me ensine então qual é a sua forma de se distrair — Pendeu a cabeça, a fala envolvida num desafio implícito. Esquadrinhou o príncipe com os olhos castanhos, prestando atenção a cada detalhe da feição de Gustav. Havia certo perigo ali: como uma droga que, se experimentasse uma vez, certamente adquiriria dependência. Mas a princesa andorrana ansiava por provar, e sentir uma amostra do que seria um novo lado do paraíso.
Ajeitava as fivelas do traje enquanto ouvia as instruções dos responsáveis pelo evento. Aparentemente, podia levar um tempo para que eles retornassem do interior da floresta, já que nem todos os medalhões estariam facilmente acessíveis. Ele não acreditava que fosse demorar tanto assim para encontrar um dos objetos, o que talvez fosse arrogância de sua parte. Ainda assim, anuiu enquanto ouvia as instruções, esperando que pudesse começar de uma vez. Antes eu recebessem a permissão para a partida, contudo, uma visão se colocou diante de Hakon - e se tratava realmente de uma visão, a julgar pelos exuberantes traços da azul. Era estranho que ela soubesse seu nome e ele ainda não a conhecesse. A fala pegou o De Hesse desprevenido, fazendo com que elevasse a sobrancelha e automaticamente abaixasse o tom. "Posso saber o que foi que imaginou?" sendo de um país como RANU, ele ter uma reputação não era surpresa, afinal, se tratava de um reino bastante visado. "E o seu nome, se possível"
Mesmo em um ambiente mais informal do que o usual dia a dia em Althara, Letizia ainda sentia necessidade de afogar suas melancolias em atividades ilícitas: o alcool estava sempre presente, mas no momento, ela sentia falta do cigarro. Não era adepta a nem um, nem outro, mas a experiência do reality havia criado uma necessidade que nem ela sabia que tinha. Bom, por ora, a agradável presença do americano haveria de suprir: a vista era bonita, afinal. Um sorriso divertido dançou em seus lábios ao ouvir o questionamento alheio, fazendo a princesa dar de ombros com leveza. “ Todos nós temos nossos segredos, Alteza.” Pontuou com simplicidade. “ Mas eu aprecio trocas justas.” Um segredo por outro; seu jogo favorito. E tinha genuína curiosidade em saber o que aquela figura tão rígida guardava em seu íntimo, mas duvidava que ele fosse aceitar algo assim, tão ligeiro. E se dissesse also, a princesa concluiria que era um mentiroso. “ Ágata Ortiz, ao seu dispor.”