Eu concordo com você. — Lysander dizia ainda distraído com suas palavras, ele pensava na casa dos pais e pensava também que queria estar em sua cama, a qual fora sua grande companheira durante todos os dias que passara chorando depois do término do namoro. — Eu fico, na verdade acho bem legal ficar em um, posso levar quem eu quiser para lá e ninguém diz absolutamente nada. Ah, o Scout… — Disse com um tom de desgosto, logo levantando da cama indo em direção da mala, sentou-se no chão abrindo-a e passando a procurar alguma roupa para sair. — Melhorou sim, mas para minha mãe eu ainda continuo usando um gesso no pé, não sei como ela não pediu para que eu não fosse viajar com ela. — Voltou a sorrir ao lembrar da West mais velha, mas parou tudo o que estava fazendo para encarar August meio perplexo com o apelido carinhoso. O sorriso aumentou como se fosse mágica, logo balançou a cabeça e continuou: — Não é que seja alta, é que, de acordo com minha mãe, elas estão muito estreitas, mas nem é, eu quem estava andando de meias pelo piso de madeira… — Assumiu o erro mordendo o lábio, achou uma camisa listrada e uma jaqueta rosa, levantou-se em seguida. — Se importa? — Perguntou olhando para a roupa em suas mãos, virou-se de costas, não queria dar-se ao trabalho de trocar de roupa no banheiro, seu corpo não era nenhuma novidade para o rapaz mais novo, então logo retirou a camisa que usava e respirando fundo, meio sem jeito, ajeitou a calça e olhou-se no espelho olhando seu próprio corpo para ter certeza de que não estava mais gordo ou magro demais, logo vestindo a camisa e depois colocando a jaqueta. — Se quiser jantar comigo, August, não tem problema. Não precisa só me levar lá, você pode ficar e jantar comigo… Vamos? Deixe só eu tentar ajeitar meu cabelo que está muito feio. E ah, Gus, eu trouxe algumas roupas suas… Que deixou em minha casa, pode olhar minha mala, fique à vontade, eu fiz questão de deixa-las limpinhas. — Mordeu o lábio e então seguiu ao banheiro sussurrando um “volto já”.
— Oh... E você levou alguém para o hotel? — Tentou ser discreto ao fazer a pergunta, afinal não gostaria de demonstrar o quanto aquele fato o incomodava, na verdade, August sentia uma imensa vontade de apenas ficar na cama e pensando na vida, porém esforçou-se para prolongar a conversa, eram as primeiras palavras que trocavam apropriadamente em meses. — Fico feliz que tenha melhorado, eu o vi engessado há um tempo atrás, estava preocupado — admitiu, acompanhando os passos do rapaz com o olhar. Era uma missão praticamente impossível não sorrir ao observar a expressão contente que surgiu no rosto alheio: os olhos chegavam a diminuir em meio ao sorriso e, August sempre foi apaixonado por aquele eye-smile natural. — Espero que depois disso, pelo menos fique um pouquinho mais cuidadoso, não quero que sinta dor. — As palavras saíam automáticas e Branwell sentia uma vontade imensa de bater a cabeça contra a parede, ele precisava aprender a se conter, principalmente na presença do menor. — Ah, não, eu não me importo... — Respondeu disperso, desviando o olhar para Lysander que, agora se despia em frente aos seus olhos; aquele momento havia sido, basicamente, um teste com a sua sanidade mental. Visualizar a pele branquinha e as curvas do corpo que tanto amava tocar à centímetros de distancia e, não podia fazer nada. Soltou um suspiro, mais longo que o esperado e, caminhou até o armário, apanhando uma roupa qualquer. — Não quero atrapalhar o seu jantar com os seus amigos, Lys. Vou levá-lo para ter certeza que chegou em segurança, eu... irei comer os presentes de sua mãe mais tarde. — Suspirou de alívio ao saber que o rapaz iria ao banheiro, assim poderia aproveitar o tempo para se trocar, não queria que o mesmo olhasse as cicatrizes e marcas que carregava consigo, mais profundas e maiores que há de anos atrás. — Lysander West, você pode ir de pijama que continuará bonito, sabe que és o garoto mais bonito do mundo. — Esperou o mesmo sumir do campo de visão em direção ao banheiro e, retirou rapidamente a camiseta para vestir o moletom. — Vamos, então?— Perguntou, o coração batendo mais rápido que o comum e, apanhou um boné perdido em meio ao seu guarda-roupas, da mesma cor que o moletom, assim não teria que ajeitar o cabelo. — Aliás, depois irei pegar as minhas roupas, viu? Obrigado por me trazer.