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Cosimo Galluzzi

shark vs the universe

Love Begins
Monterey Bay Aquarium

tannertan36
RMH
Claire Keane
we're not kids anymore.

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he wasn't even looking at me and he found me

★

pixel skylines
🪼
I'd rather be in outer space 🛸
sheepfilms

祝日 / Permanent Vacation

Product Placement
Peter Solarz

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@aholeintime
“Some adventures are so small, you hardly know they’ve happened. Like the adventure of sharpening your pencil to a perfect point, just before it breaks and that little bit gets stuck in the sharpener. That, I think we will all agree, is a very small adventure. Other adventures are so big and last so long, you might forget they are adventures at all – like growing up.”
— Anne Michaels, The Adventures of Miss Petitfour
As I Was Moving Ahead Occasionally I Saw Brief Glimpses of Beauty
Ela me olhou e disse que eu tenho mesmo uma memória muito boa enquanto eu repetia sem querer e sem parar aquelas histórias todas de tantos anos atrás.
E eu pensei comigo e meus dedos carcomidos que li uma vez que a vida é sobre esquecer. Será que se eu soubesse esquecer dançaria menos os passos da Morte?
Ah, mas nossa quanto drama isso parece realmente terrível não é assim pra tanto convenhamos que tivemos bons dias, ah tivemos sim.
Mas o sangue seco embaixo das unhas não deixa mentir e eu peço pra ela se ela ainda rói as unhas porque há seis anos ela roia e como eu poderia esquecer.
O cheiro de vocês ainda é o mesmo e embora superados alguns medos o contorno dos teus olhos ainda me parece igual. Por sorte o abraço oferece o mesmo aconchego e por azar eu esqueço disso que não se devia esquecer. A tal da Memória é boa só pro que ela quiser ser.
Hoje eu imaginei uma conversa que nunca existiu e que talvez tivesse de ter existido pra me deixar em paz. Nela eu escondia meus dedos carcomidos pra que tu não visse que o vazio ainda não mudou. E quem diz que vai? Eu sei eu disse eles disseram nós dissemos tu disseste que ia mudar só por tu existir. E mudou, mudou mesmo, cavou mais fundo e soldou as bordas pra que nada mais coubesse. Não, eu sei, sabemos, tu sabe não é tua culpa talvez nem minha acontece que esquecer não é uma possibilidade, uma vez aqui nunca mais se sai. Coloquei algumas flores no buraco-tu e elas preenchem e colorem, mas morrem como tudo que mora em mim. Morre, mas permanece. Não se esvai, apodrece e fica. Quem será que quis que fosse assim?
Pensei em te dizer que eu aceitava os dedos mordidos e que tudo bem algo maior que eu quis que eu fosse assim e eu fingiria força e controle e sorriria, sim, num domingo do teu lado, mentindo, eu sorriria. Eu dormia demais, eu sei. Eu sofria demais, eu sei. Eu lembro dos malditos poros dilatados do teu rosto e o quanto tudo que entrava em ti saía tão facilmente e sem dor. Talvez fossem aqueles poros.
Quis ficar sozinha como sempre quero apenas pra poder sentir tua falta como sempre fiz. Talvez o meu problema é nunca conseguir arrancar arte do que é belo e só entender como se respira quando a água ameaça inundar os pulmões. Exigir mais cores do por do sol, mas não sentir nada mesmo assim. Vai que eu apenas consiga andar se ela Ela estiver dançando comigo. Eu sei, não to mais fazendo sentido, mas não importa pra ninguém, não há ninguém além de mim.
Eu quero tudo. Vivo no ontem, no hoje e no amanhã, os dedos, os olhos, a falta de cabelos, se eu pensar um pouco ainda sei como era o gosto se eu fechar os olhos eu te vejo no depois e se eu me abraçar eu amarguro no que dói aqui. Eu vivo todas as histórias os porquês e os não ditos os suspiros e arrepios e os pedaços de mim espalhados por aí pulsam. Eu sei, eu não posso evitar, mas não evitaria se pudesse porque sem isso não sobra nada.
O que sou eu além desse dançar? Desse perambular e nunca saber, desse eterno subir e descer descer descer e carregar no fundo todos os frames que me fazem pesar. Eu não sei se prefiro o peso ou o nada. Sendo sólida os teus braços ainda podem me enrolar e as tuas lágrimas podem pingar em mim. Os teus fluidos espalhados por todos os lugares e eu prometo que um dia paro de carcomer os dedos pra poder te acariciar melhor. Eu quero ser melhor pra te amar melhor.
Tu disse que não seria tão ruim assim se eu acabasse com a minha própria vida porque a morte é parte da vida e isso não pode ser ruim. Tu vê vida até no fim. Deve ser por isso que tu disse sim.
Flora of Alaska, and wishbone: fireweed, tundra rose, Queen Anne’s lace, and love in a mist! By Pony Reinhardt at Tenderfoot Studio in Portland, OR. For more, follow on IG: freeorgy
Origami House by Alexis Dornier // Mas, Bali, Indonesia
untitled by James L. Carey on Flickr.
Numbing the pain for a while will make it worse when you finally feel it.”
J.K. Rowling, Harry Potter and the Goblet of Fire (via ellacalm)
Estilhaços
Teu semblante ainda ronda as órbitas dos meus olhos, mas é apenas miragem. Embora ainda te viva de corpo e alma, assim à flor da pele, e a tua presença faça-se imediata ao meu fechar de pálpebras, nunca mais te vi. E ela chega quando menos se espera, sorrateira pelas madrugadas, pelas caminhadas, assim ela vem e se instala com o pretexto de ficar. Não, não, ela não é turista. Também não é nova por aqui. A saudade arromba a porta. Justo quando a vida quase segue, a ferida quase fecha, o coração quase esquece.. Mas achar que esqueceu é provar, para si mesmo, que ainda lembra. É provar que tudo aquilo que escondemos no gabinete secreto da mente, aquele lugar onde está o que deveria ter sido e não foi, o que foi e não deveria ter sido, e todos os “e se”, podem vir à tona numa brisa fresca de manhã. Imprevisível, um tiro pelas costas. E bem naquela manhã, vagando pelo silêncio da alvorada nas ruas, teu cheiro veio a mim. Como um sussurro em eco, suave e envolvente tal qual uma dança. Que nunca dançamos. Um momento que nunca tivemos. Uma vida que nunca vivemos. Mas o torpor durou segundos e logo ela tomou domínio sobre mim, ela nostálgica, melodramática, abatida, cansada, intrusa, in-fi-ni-ta-men-te di-la-ce-ran-te falta que tu me faz. Te procuro. Inconscientemente te procuro, pelas praças, igrejas, parques, rostos, cheiros, peles, vísceras. Mas assim me perco e me perdendo te procuro mais. Porque lembro que ao olhar no fundo dos teus olhos era lá que estava a minha face. No ímpeto da tua mente, da tua angústia, do teu amor, era lá, era lá a minha casa. Interrompo o fluxo de pensamentos e o vazio me invade. O que pensaria se me visse agora? Criticaria mentalmente o quanto eu era mais bonita quando nos conhecemos. Assim mais viva, mais magra, mais moça. Sem essa olheiras, essa cara de sono. A palidez. Olharia talvez atento, talvez com pressa, que meu cabelo era melhor comprido, meu andar continua engraçado ou simplesmente que eu pareço uma menina que na verdade já viveu demais. Acredito, espero estar certa, que me observaria. Nem que fosse assim como quem encontra estilhaços de vidro pela calçada. Percebendo que ali ocorreu uma tragédia. Uma tragédia sem volta. Que mesmo se buscarmos os cacos, alguns se perdem para sempre. Que mesmo se tertarmos colá-los, lá estarão as cicatrizes. E assim me veria com indiferença, de quem nada mais pode fazer a respeito. Aceitando o fim. O nunca mais. Encarando os farelos do que poderia ter sido diferente mas não foi. Pedaços que mesmo em estilhaços, ainda são capazes brilhar, ofuscar a visão. E assim faria questão de desviar de mim, protegendo os olhos, sabendo que o vidro, passando um mês, um ano, duas vidas, não importa: ainda corta.