selected-jay:
Para alguém que sempre foi muito seguro de si e dono de suas emoções, estar na Seleção era algo completamente diferente, muito fora de sua zona de conforto. Era difícil saber os limites do que podia ou não fazer, algumas coisas estavam claras, outras não, lidar com a princesa não era difícil, mas ainda era um pouco como pisar em ovos. Tentava sempre trata-la como uma mulher normal e não como a princesa, só que nem sempre era fácil e por vezes havia uma insegurança em seu interior. Se fosse só isso estava ótimo. A vida não era simples o tempo todo, por mais que Jay tentasse sempre simplificar as coisas, nem sempre funcionava, tinha começado a pensar que talvez se importasse demais com Anne, se viu querendo não somente ajuda-la e por um momento sentiu-se atraído por ela, mas então alguns dias depois beijou Aimee.
Lamentou internamente quando foram interrompidos, lembrando-se de que ela era princesa e possivelmente a futura rainha do país (já que havia uma disputa com o irmão), será que seria sempre assim? Não se viram por um par de dias e estava tudo bem, aquele tempo fora bem vindo para que Jayden colocasse os sentimentos e pensamentos em ordem, ainda que não soubesse como se sentia em relação as duas irmãs, algo que nunca antes havia lhe acontecido. A amizade e cumplicidade com Anne só crescia, viu-se em constante companhia da princesa, assim como de outros selecionados e até mesmo realezas de quem se aproximou. Ainda sentia-se um pouco confuso, em um certo dilema interno, no entanto, havia se comprometido com a seleção e por isso se esforçaria em conhecer Aimee.
Não ficou surpreso em receber o bilhete, mas o recebeu com diversão, respondendo quase de imediato.
Sinto cheiro de culpa nesse bilhete, acho que os sonhos comigo não te deixaram em paz e foi muito difícil não pensar em mim durante esses dias.
E se eu quiser as três opções? Seria muita ousadia de minha parte te monopolizar?
Mostrar meus músculos braçais e te sujar de farinha é simplesmente irresistível, posso te ensinar a atirar quando quiser e estar ao ar livre é sempre maravilhoso, mas talvez a cozinha seja um ambiente mais íntimo e sem interrupções.
Te espero na cozinha hoje a tarde?
Entregou o bilhete novamente para o criado, gostava de provocar as pessoas e por algum motivo que ainda não sabia qual, estava jogando todas as suas cartas e charme em Aimee.
Não sabia explicar exatamente o porquê, mas ao ler o bilhete de Jaydan, uma gargalhada nervosa escapou-lhe e Aimee teve de se certificar de que ninguém a vira, ou achariam que ela começava a ficar louca. Sorriu com o pensamento e então correu para seu quarto para pegar um papel e caneta e responder ao bilhete dele. Pensou em várias formas de respondê-lo, pensou em responder a cada palavra. Em como ele havia sido arrogante ao presumir que ela havia sonhado com ele e pensado nele o tempo todo. Não que ela houvesse sido imune a ele e não pensado no beijo, pois se ela precisava ser sincera com alguém, seria com ela mesma. Sim, ela havia pensado no beijo deles e no quão havia se sentido bem, desejada, linda... Mas não podia ficar sonhando acordada, havia muitos problemas sobre seus ombros, haviam os outros rapazes que ela havia construindo uma boa amizade, assim como alguns que vinha despertando seu interesse de forma similares a que Jaydan despertava. No entanto, ele havia sido o único ate aquele momento a beijá-la. Pegou-se mordendo a tapa da caneta e sorrindo enquanto novamente pensava naquele beijo. Fora interrompida com alguém batendo a sua porta, o que a fez gritar “um momento”, enquanto ela rabiscava no papel a sua frente rapidamente.
“Você, meu caro, anda muito arrogante! Na cozinha, será. As duas e meia!”
E com isso, ela dobrou o papel, levantou-se e foi até a porta. Um dos criados estava ali para lhe informar que dois de seus selecionados haviam brigado, verbalmente e fisicamente e um deles inclusive havia levado dois pontos na sobrancelha. Sua primeira reação fora levar as mãos aos lábios e arfar em surpresa, mas então ela trincou os dentes pedindo que o criado direcionasse ambos a seu escritório. Entregou seu bilhete para uma de suas damas de companhia e saiu completamente irritada em direção ao seu escritório, não podia negar o fato de estar apreensiva, sabia o que faria, sabia lidar com a situação, mas não tivera se quer coragem de perguntar quais eram os selecionados.
Com o problema que havia acontecido, a manhã acabará passando muito rápido. Ela descobrir o motivo da briga, por algum motivo todos ficaram sabendo entre o beijo dela e de Jayden e um dos selecionados havia reclamado, achado injusto e até mesmo, segundo o outro selecionado e algumas testemunhas, havia insultado Aimée e fora por isso que eles começaram a brigar fisicamente, William defendera sua honra, mas não era bom em brigada, por isso acabará levando um corte na sobrancelha. Quanto ao outro selecionado, bom, ele deveria estar a caminho de casa enquanto Aimée voltava para seu quarto, para se trocar e ir encontrar Jaydan. Senti-se arrasada, mas sabia que ficaria tudo bem. Ele havia deixado claro em seu bilhete sobre sujá-la de farinha, o que significava que ela naonpodia usar um de seus melhores vestidos, sorte a sua que ela ainda tinha alguns dos vestidos que usara durante seus anos na faculdade. Escolheu um vestido longo de verão branco com flores e mangas curtas. Sabia que talvez havia escolhido um vestido com um decote maior do que o necessário mas era aquele ou um de mangas compridas, e se ia aprender a sovar massa de pão, as mangas só atrapalhariam. Os cabelos estavam soltos, mas ela tinha um elástico preso a seu pulso e quase nenhuma joia, a não ser por umo fino colar de ouro com uma única e delicada estrelinha como pingente com brincos combinando. E é claro, nos pés ela usava uma sandália de verão, sem salto.
Estava pronta e quando desceu para encontrá-lo na cozinha, por algum motivo ela sabia que ele já se encontraria lá. Havia pedido que liberassem a cozinha para ambos as duas da tarde, e quando era duas e vinte e cinco ela abriu a porta. — Adiantado... - Ela o provocou um um sorriso um pouco travesso nos lábios. ao vê-lo aí, relaxando um pouco após uma manhã difícil. — Como tem passado? - Foi então que ela notou que não havia pensado no que dizer a ele quando se encontrassem e agora provavelmente ele pensava no quão tola ela era. Droga! Olhou ao redor da cozinha. Ela não ia lá com frequência, pelo menos não quando haviam pessoas no local, no entanto estaria mentindo se dissesse que não escapulia de madrugada para preparar uma caneca de chocolate quente para si mesma. — Então, por onde devo começar. - Perguntou por fim, com um envergonhado sorriso nos lábios.














