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You only live once, right? CITY ON FIRE (2023)
Parthenope deleitava-se em ver seus projetos em ação. Gostava de espaços movimentados, não mausoléus intocados; preferia a bagunça viva do dia a dia às imagens congeladas dos portifólios e revistas de arquitetura. A forma deve servir ao homem, não o homem à forma. Visitando seus projetos assim, podia ver o que errara, o que podia ainda melhorar. Será que o espaço para que as pequenas bailarinas guardassem suas bolsas estava adequado? Será que aqueles bancos de madeira que colocara na entrada tinham utilidade? Mas se seu objetivo fora ver o espaço em ação, com todas aquelas pequenas bailarinas andando por aí, Parthe enganara-se quanto ao horário.
Ou talvez ela apenas quisesse um momento à sós com Alessia.
Parthe entrou no estúdio, procurando por ela em uma das salas. É claro que estaria mentindo se dissesse que sua relação era estritamente profissional. Que não notara — e retribuira — os olhares da bailarina durante a confecção do projeto. Que não adorara o tom de provocação e flerte da Páscoa. Com o coração saltitando como as bailarinas, ela encontrou a outra na sala espelhada. Observou por um momento, sem que ela notasse sua presença, como o projeto era inteiramente adequado a Alessia, com seus cabelos soltos e ainda ligeiramente presos pelos grampos, e as roupas de bailarina que caiam-lhe tão bem. "Não pare por minha causa. Não quis atrapalhar a aula com os pequenos," Parthe falou, finalmente, cruzando o piso de linóleo para encontrar Alessia e dar-lhe um beijo da bochecha, de cumprimento. "Pensei que quisesse um momento mais solo para me mostrar como ficou o estúdio." Havia um tom levemente provocador em sua fala, como se testasse as águas. "Então? Reclamações, sugestões, feedbacks são bem vindos."
Era engraçado como o sorriso bobo aparecia de forma automática na presença da arquiteta, sem nem mesmo fazer algum esforço, soltou um riso anasalado com o comentário da mesma, pensando no quanto ele não fazia sentido, pelo menos para si que conhecia as crianças para quem dava aulas. — Não atrapalharia, você ficaria surpresa em como eles gostam de plateia, a aula até rende mais quando tem um pai ou dois assistindo. — Afirmou boba, por um momento relembrando as situações onde todos se comportaram e foram dedicados por terem alguém assistindo, em sua maioria um pai ou mãe. Não foi à toa que Alessia pediu um design de banquinhos dentro da sala e não somente pelo lado de fora, foi uma estratégia muito bem pensada nos pequenos. Assistiu Parthe atravessar a sala em sua direção, paralisando por um momento, sem mesmo saber o que acontecia consigo, correspondendo ao beijo dado apenas em um reflexo, pois parecia uma adolescente novamente para quem assistia de fora, por sorte não existia plateia naquele momento. O comentário alheio lhe pegou de surpresa, costumava ter uma resposta na ponta da língua para muita coisa, mas com Parthenope ponderava antes, tentando não soltar a frase errada na hora errada. — Achei que quisesse ver o estúdio com vida que só as crianças conseguem trazer. — Respondeu sincera, não era num todo uma mentira, mas não poderia negar que o outro cenário - sem as crianças - também lhe agradava. — Mas você tá sempre convidada a vê-las. Gosto da ideia de hoje tua atenção estar em mim. — Rebateu com os olhos fixos na outra, distraindo-se por alguns segundos para mirar os lábios à sua frente, deixando implícito que gostou de estar solo com ela. — Só elogios, acredito que tudo que você toque, não tem reclamações. — Respondeu à pergunta alheia, ainda que não soubesse mais se estava falando da parte profissional ou deixando sua mente fértil vagar pelas cenas que seu corpo gostaria de vivenciar. — Antes de focar no estúdio, eu preciso tirar essa roupa. Você pode vir comigo. — Informou, voltando sua atenção ao que estava prestes a fazer antes da mulher chegar.
Tudo o que envolvia roupas, moda e revirar armários, era algo que Eva fazia questão de participar, tinha feito amizade com várias senhorinhas da cidade com um único propósito de poder futricar seus armários e trazer a vida peças incríveis que haviam sido esquecidas pelo tempo. Então, quando Alessia a convidou para olhar seu antigo armário, na casa da mãe, não tinha como ela recusar, fora que era sempre bom passar um tempo ao lado da amiga, seus olhos atentos passavam de roupa a roupa, fazendo notas mentais de quais peças poderiam ser transformadas em algo diferente e quais ainda estavam em boas condições, seu cérebro trabalhava rapidamente já imaginando tudo o que poderia criar, se Alessia lhe desse a oportunidade. A ruiva voltou a realidade quando sentiu o peso do colchão mudar, fazendo-a piscar algumas vezes, se voltando para a amiga e fixando o olhar na saia curta. " você ainda tem seus vintes anos. mas admito que essa saia daria um ótimo cropped, só precisa de algumas pequenas alterações. " disse animadamente, estreitando os olhos e sorrindo para a outra, e sem nem perceber viu seu olhar se desviando da saia por um momento e passando pelas pernas a mostra da morena, logo piscando e voltando sua atenção para a pergunta que ela lhe fizera. " e quem disse que eu não faço? por exemplo, ontem mesmo eu... eu fiz um bolo e foi um desastre. "
Alessia também adorava brincar com a moda vez ou outra, mas um dos motivos de chamar Eva para lhe ajudar a filtrar boa parte das suas roupas antigas, era justamente a facilidade que a ruiva tinha de visualizar peças novas com peças velhas, além das mãos de fada brincando com os diversos tecidos e modelos. Franziu o cenho com o comentário alheio, existe um grande abismo entre literalmente seus vinte anos e seus vinte e poucos, para ser mais exata, seus vinte e nove anos. Muita coisa havia mudado, além de sua personalidade, também o óbvio, pois seu corpo já não possuía as mesmas medidas do que anos atrás, ainda que tivesse um corpo modelado por causa de sua profissão e esforço físico. — Eu quis dizer literalmente meus vinte anos, quase dez anos atrás, quando eu vestia menos de 36 e roupas curtas ainda faziam sentido. — Rebateu, quase lamentando que a informação havia mudado. — É por isso que você é a melhor, você presta atenção em tudo, com certeza meus peitos são menores que meu quadril. — Comentou sincera e divertida, considerando a opção dada pela amiga. Levantou, abrindo o fecho na lateral da saia, a única coisa que ainda lhe permitiu vestir a peça e com um pouco de esforço, puxou o tecido para baixo, retirando-o o suficiente até que escorregasse sozinho. Se virou bruscamente, um tanto incrédula com a fala alheia. — Um bolo? Era disso que eu tava falando, algo divertido e realmente prazeroso. Quanto tempo faz que você não tenta se envolver com alguém? Em cinco meses que eu tô aqui já acho que faltam pessoas na minha cama. — Confessou sincera, colocando a saia na pilha de roupas que Eva tentaria salvar.
beatriz até que imaginava que se manter em monteluna seria tão fácil. mas mesmo sabendo que era outro país, com uma moeda diferente — e caríssima, diga-se de passagem —, ela havia deixado a parte financeira para depois, achando que as coisas se resolveriam quando chegasse à cidade. já passado um tempo desde sua chegada, o arrependimento batia forte. as contas não fechavam tão bem quanto ela pensava e para não ficar parada, tentava vender seus serviços de restauração de fotos. ainda não tinha muitas encomendas, sua estratégia era oferecer o trabalho a qualquer um que parecesse minimamente interessado. tinha se embananado toda na hora de explicar a origem da foto à alessia. ajeitou o peso do corpo de um pé pro outro, meio sem graça. “não, imagina. até que somos parecidas, mas acho que sou de longe demais para ser a reencarnação dela.” brincou, apontando pra imagem. “essa foto é da década de 30. é da bisavó do rapaz que me encomendou. ele queria restaurar para dar de presente para a avó. achei bonitinho da parte dele.”
Tentou prestar mais atenção na explicação alheia, para ver se dessa vez compreendia a informação e não pôde deixar de rir com o primeiro comentário feito por beatriz. — Não sabia que reencarnação era exclusiva de um local, achei que era possível em qualquer lugar do mundo. — Rebateu divertida, deixando claro a brincadeira, ainda que se fosse questionada sobre o assunto, realmente acreditava na possibilidade. — Melhor eu te entregar ela de volta antes que estrague. — Afirmou um tanto preocupada, devolvendo a foto para a outra com delicadeza. — Outro dia um rapaz me pediu ajuda para fazer um presente para a mãe com uma foto, esse quis restaurar uma foto para a avó, acho que temos uma geração de homens sensíveis por aí.
⊰ starter fechado com @serxnc
Alessia estava se retirando do local em companhia de Serena, após terem permanecido alguns minutos na fila para pegarem doces, pedindo que os colocassem nos sacos de papeis tradicionais com a intenção de irem para outro lugar em vez de saborear no estabelecimento, foi quando ouviu os comentários das senhoras que estavam próximas, achou um absurdo as palavras um tanto fortes que proferiram, demorando alguns segundos até perceber que estavam se referindo à amiga ao seu lado. O sangue ferveu em seu corpo, sua respiração se fez pesada e seu coração acelerou, quase saindo pela boca junto à resposta que lançou sem piedade e preocupação, em defesa da amiga, deixando as mulheres constrangidas com as próprias atitudes e também resmungando baixo sobre a bailarina, que certamente também virou alvo logo em seguida e pelas suas costas. Alessia virou para a amiga ainda enraivecida, erguendo os doces em mãos. — Na próxima vez eu vou jogar os doces nelas, você deveria fazer o mesmo. — Afirmou, pela sua raiva, com toda certeza faria.
Francesca não tinha percebido a foto deslizar para fora da sua carteira até ouvir o comentário da mulher. Sem saber ao certo qual das fotos dos seus familiares havia deixado cair, se aproximou para vê-la junto com ela. "Ah..." murmurou ao ver de quem se tratava. "Sei que somos muito parecidas, mas é só a minha mãe quando era mais jovem," explicou, fitando a fotografia por mais alguns segundos como se estivesse vendo pela primeira vez. "Hm... acho que ela conseguiu ficar ainda mais bonita com a idade."
Não fitou a imagem por muito tempo depois de notar uma certa indiferença na menina, que não reclamou, mas também não pareceu feliz com a fotografia nas mãos de Alessia. — Eu não lembro muito da sua mãe, só de você pequeninha na escola. — Comentou, tinha uma memória bem nítida da época em que frequentaram a mesma escola, com diferença que Alessia estava anos na frente. — Eu sou suspeita em falar, mas acho que as mulheres ficam melhores com o tempo. — Afirmou fazendo uma expressão divertida, não era como se escondesse sua paixão por mulheres em um geral. Levou a mão à outra, devolvendo o item pessoal delicadamente.
Palo Alto (2013) dir. Gia Coppola
⊰ starter fechado com @parthedellatorre
Um pouco antes da última aula iniciar, lembrou que a responsável por complementar boa parte da estrutura do estúdio, nunca esteve presente para vê-lo em uso, já que antes havia deixado a relação puramente profissional, ainda que houvessem sensações implícitas em suas interações. O contato no evento de Páscoa abriu uma curiosidade e acendeu uma luz na bailarina, fazendo-a pagar para ver no que daria. Não muito sútil, enviou uma mensagem para Parthenope convidando-a para assistir a aula, entretanto, o tempo passou, a aula acabou e Alessia se viu sozinha no espaço espelhado, como em muitas outras vezes.
Era amante do silêncio e da solitude, algumas vezes aproveitava do momento final para desenhar alguns passos frente ao espelho, para não perder a prática e muito menos o costume, mas naquele não seria um dia desses, então após ajeitar um pouco o espaço, fazendo algum tempo por ali, decidiu cobrir-se com um de seus roupões, quase como saídas de banho compridas, escondendo a peça típica e colada que vestia por baixo, seus fios de cabelos escuros decidiu soltar, deixando-os um tanto bagunçados e marcados pelos grampos de cabelo que usava anteriormente. Ficou um tanto surpresa ao ouvir o barulho que indicava presença na entrada e abriu um sorriso ao colocar seus olhos sobre Parthe. — Achei que você não viria mais, a aula com os pequenos já acabou, mas ainda posso te mostrar como ficou o projeto totalmente pronto, eu só tinha começado a me desmontar. — Declarou a observação de forma carinhosa, talvez terminaria o que começou antes de seguir em diante.
a dúvida de alessia parecia tão genuína que alec duvidou da foto que tinha trazido do brasil consigo. precisava montar um presente do dia das mães para sara mas queria fazer no estilo nostálgico e italiano para honrar as raízes da mãe. dizer que estava tendo dificuldades era um eufemismo, por isso não hesitou em perturbar a filha da prefeita assim que a avistou ali na confeitaria. "quer dizer... sim? meus pais sempre disseram que era eu, tem até meu nome e a data atrás." apontou para a parte traseira da foto. "meu cabelo era liso mas os cachos vieram depois." a criança sorridente em cima da bicicleta com a mãe segurando realmente não parecia tanto consigo por causa da falta dos cachos, tinha que dar esse desconto.
Segurou o riso, tentando não constranger o rapaz e então virou a foto à procura das informações que o outro falou, apesar de estarem em outra língua, data era uma informação tão simples que não parecia tão incompreensível assim, entretanto parte sua era cética, pois poderia pegar a foto de qualquer criança, escrever um nome e uma data, porém fez o questionamento para mexer com Alec. — Eu acredito, mas preciso dizer, você era mais bonitinho quando era pequeno. — Soltou sem hesitar.
Charlie observou o homem se afastar parecendo dar uma última olhada na fotografia antes de guarda-lo no bolso, a loira se perguntou o que exatamente ele via quando olhava para a foto, a própria Charlie tinha algumas muitas fotos de sua filha, as quais se permita olhar vez ou outra, ainda era difícil. Depois de se permitir um momento de nostalgia, a loira balançou a cabeça afastando os pensamentos, voltando sua atenção para a garota a sua frente. " ele parece feliz em conseguir a foto de volta. " comentou com um pequeno sorriso. " fora sua habilidade de encontrar fotos perdidas, como tem sido seu dia? "
Observou o homem pegar a foto de sua mão e se afastar após também dar uma breve olhada na mesma, quem sabe culpa de Alessia que colocou uma dúvida enorme no coitado, por um momento o silêncio reinou entre as duas, até a loira quebra-lo. — Ele pareceu feliz em ver você. — Disse sugestiva, dando uma cutucada na mulher com o braço e voltou um sorriso para a mesma. — Tenho certeza que ele observou você bem mais do que eu observei aquela foto. — Afirmou, erguendo uma das sobrancelhas. — Meu dia tá sendo um desastre, acabei de estragar um clima. — Respondeu ainda acreditando que o rapaz poderia ter feito de propósito.
"Infelizmente sou eu." Respondeu há mais velha, enquanto pegava novamente da fotografia "Um colega meu de universidade tirou a foto. Precisava para uma aula, mas ficou horrível. Não sei o que ele fez, mas não posso entregar isto como trabalho final." Um suspiro saiu dos lábios da loira, agora ela tinha que ter o dobro do trabalho de fazer algumas selfies para finalmente ter algo decente para terminar o seu trabalho.
Fez uma careta engraçada, não escondendo seu desprezo pela foto. Poderia não ser fotógrafa, mas com seu trabalho aprendeu um pouco sobre iluminação e ouviu tantas vezes para ficar na luz certa, no ângulo certo e no lugar certo. — Não vou mentir, ficou horrível. — Desabafou sincera, aproveitando que a própria comentou a respeito. — Eu sei, ele não entende nada sobre iluminação ou ângulo. E você precisa de um lugar mais adequado pra fazer uma foto. Talvez no estúdio de dança, é projetado pra ficar bem nas fotos. — Comentou, lembrando do espaço que construiu há alguns meses.
Felippo soltou uma gargalhada alta, daquela que vinha fácil na presença de Alessia, a olhando como se não acreditasse no que tinha acabado de ouvir. "Olha, Alê, se você queria uma desculpa pra conferir, era só pedir. Não precisava tentar ser sutil." devolveu com aquele costumeiro sorriso sacana que adornava seu rosto. Ele franziu o cenho movendo a mão de modo exagerado como se dissesse um 'deixa para lá' antes de continuar. "Ainda tô inteirinho. Sem fios brancos onde importa... Mas sou eu ai. Você estava lá. Certeza que não lembra quando cortei o cabelo? Okay que minha mãe não deixou passar mais de dois dias com um mullet mas geral viu"
Franziu o cenho em reação a resposta alheia, mas logo desfez a expressão, dando lugar ao sorriso fácil. — Ew. Eu não quis ver isso aí nem quando a gente namorou de mentira. — Rebateu divertida, lembrando do passado que hoje era uma situação engraçada para ambos. — Você sabe que eu gosto de outra coisa. — Completou fingindo uma expressão inocente. — Agora não sei se onde importa é onde todo mundo enxerga ou ... — Foi incapaz de terminar o questionamento, apesar de que sua curiosidade realmente existia. — Quer saber, deixa pra lá. — Deu de ombros, não tinha muita certeza se gostaria de ouvir a resposta. — Eu realmente não lembro, mas se eu fosse sua mãe também não deixaria, ficou engraçado. — Completou, sendo impossível não rir do amigo.
⊰ 𝐂𝐋𝐎𝐒𝐄𝐃 𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑 𝐖𝐈𝐓𝐇 ' @alcssiaz
o anúncio no Instagram chegou trazendo uma surpresa para nisan: a foto de andrea estampada bem do lado da prefeita. claro, haviam outras pessoas na imagem agradecendo o sucesso da páscoa mas o que a turca realmente prestava atenção era no fato de que a mulher que tinha conquistado sua atenção há alguns meses estava realmente ali. andrea lhe bloqueou no tiktok, única rede que tinham contato, a ausência da pessoa ao qual seu coração parecia tanto desejar tinha sido difícil de lidar nos últimos dias. agora, porém, tinha uma pista. foi por isso que não hesitou em ir até a prefeitura em busca da moça, só não contava que a pessoa que estava recepcionando os visitantes iria tentar negar a existência da outra. "você está brincando comigo? o Instagram da prefeita acabou de publicar uma foto dela com a andrea! por que diabos vocês insistem em dizer que não tem ninguém com esse nome?" reclamou de forma exasperada. o celular foi então tirado do bolso enquanto abria rapidamente a o perfil para mostrar a foto e questão. "aqui, andrea, a prefeitura e esse monte de gente desnecessária." indicou. antes que qualquer outra palavra fosse trocada, um barulho atrás de si lhe chamou atenção. ao se virar, um suspiro atônito lhe escapou. "céus, finalmente! você me incentivou a vir até aqui e então me bloqueou? poxa! eu achei que estávamos indo a algum lugar!" aquelas não eram as primeiras palavras que queria despejar na outra... mas o que mais poderia fazer a não ser reclamar da situação? a feição assumia uma sombra mais desanimada, magoada. "por que você fez isso comigo?"
Aquele foi mais um dia que precisou dar apoio à sua mãe, mais um dia agitado na prefeitura que costumava ser tão calma, o evento de Páscoa havia sido um sucesso e conquistado muitos dos turistas e novos moradores com sua hospitalidade e foi com essa energia que o fotógrafo convidou Alessia a fazer parte da foto que sairia na capa do jornal local, pedindo para que abrisse seu maior sorriso, aquele perfeito que só ela sabia dar, o que a morena não sabia, era que a foto seria publicada também nas redes da prefeitura, já que elas quase nunca eram usadas, mas quem sabe a nova leva de visitantes faria essa situação mudar e traria mais da tecnologia para a cidade tão pacata e que aos poucos ficava para trás. Assim que a sessão de fotos, cumprimentos e sorrisos acabou, Ale ainda permaneceu um pouco na sala de sua mãe, finalmente tendo seu momento familiar com aquela que lhe deu à vida, mas eventualmente também precisou se retirar, tanto os seus compromissos quanto os de sua mãe não haviam acabado para o dia, então saiu pela porta, seguindo pelo único corredor que levava até a entrada principal. Um pequeno tumulto já era notado, uma jovem falando um pouco mais alto do que o normal num lugar tão silencioso era impossível passar despercebido. Paralisou a respiração por alguns segundos, em um susto causado pela reação da outra em lhe ver, sua expressão era confusa, pouco entendia do que saía da boca da mulher, mas ao mesmo tempo entendia tudo, estava apenas com dificuldade de assimilar o que ouviu. — Eu incentivei? Bloqueei? — Questionou repetindo as palavras chaves da acusação que recebeu. — Eu não incentivei ninguém e nem bloqueei você. — Não demorou para iniciar o ciclo de negativas, estava assustada, mas ainda sim tentou manter um tom de voz amigável enquanto seus olhos passearam pelo local atrás de alguma figura que prestava atenção na cena, a última coisa que precisava era um escândalo no meio da prefeitura. — Você tá maluca? Eu nem conheço você. — Afirmou sem hesitar.
⊰ starter fechado com @tramedevangeline
Experimentava algumas roupas, uma parte já havia permanecido na casa da sua mãe, outra parte ficou em seu apartamento em outro país e uma pequena parte veio consigo, ainda não tendo tempo de terminar de buscar suas coisas ou até mesmo decidido se valeria a pena buscar. Alessia sentou na cama, jogando todo seu peso no colchão, sem mesmo tirar a peça de roupa que havia colocado, peça essa que já não fazia mais sentido com sua personalidade atual, estaria ela tendo a crise dos trinta dos anos? — Olha o tamanho dessa saia, eu usava ela quando eu tinha uns vinte anos. Você lembra? — Comentou com a amiga, ninguém melhor que Eva para conversar sobre o drama das suas roupas. Observou por um tempo as pernas aparentes no reflexo do espelho, a peça estava tão curta e apertada, que ela mesma quase enxergava a própria calcinha, fora que estava nada confortável. Ficou em silêncio, com a roupa veio as lembranças de anos atrás, da época das festas escondidas nos galpões de casa, um sentimento estranho passou pelo seu corpo, seria ele a nostalgia? — Quanto tempo faz que você não faz algo por você desde que o Carlo nasceu? — Questionou a ruiva.
" mas é a cara dele, é só imagina-lo com um pouco mais de barba. " disse erguendo seu olhar da foto para o rapaz parado na frente nas duas, que parecia tentar imitar a mesma pose da foto. " e bem, talvez seja de um parente? a estrutura do rosto é bem parecida. eu acredito que seja você, ou no mínimo, alguém da sua família. " completou assentindo algumas vezes.
É, pensando desse jeito... A barba realmente muda um homem. — Concordou ao imaginar o rapaz com um pouco mais de barba, em seu pensamento passava algo indiscreto, que deveria deixar preso por lá. Ele está mais bonito na foto. Apesar de não se relacionar com homens, era capaz de notar e até assumir a beleza de alguns. — Acho que nunca vamos saber com certeza. — Disse ainda duvidando das informações recebidas, mas estendendo a mão ao homem, entregando a foto ao dono. — Toma, de qualquer forma ela é sua. — Comentou, esperando o mesmo pegar a fotografia e possivelmente continuar seu trajeto pela rua.
O homem precisou segurar o riso esperando que a mulher pudesse avaliar a foto que tinha desenterrado da gaveta. Tinha o rosto mais novo, praticamente um bebê cheio de sonhos, no dia em que foi fazer faculdade. "Estou te dizendo, sou eu sim. Fazem para lá de 10 anos" confidenciou com o riso nos lábios cruzando os braços na frente do peito olhando saudoso para a foto junto a mulher "Época boa... Não tinha tantos fios brancos e nem dor nas costas. Era outro homem"
Sua expressão não mudava, quanto mais Felippo tentava lhe convencer de que aquele era ele quando mais novo, mais o cenho de Alessia franzia, não era como se ela não tivesse conhecido o homem em sua juventude, ambos nascerem e cresceram na cidade e tinham a mesma idade. — Eu sei que fazem e é por isso que continuo dizendo, não parece você. — Insistiu sem acreditar, tinha algo diferente do que lembrava. — Fios brancos e dor nas costas? Como ousa? Você e eu temos a mesma idade. Eu não sou tão velha assim. — Rebateu incrédula, fazendo uma expressão divertida enquanto sua mente ia longe na imaginação. — E outra, você não tem fios brancos, deve tá dentro das calças, porque não tá na cabeça. — Completou sem pensar, não percebendo que poderia soar indiscreta.