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@alexmedler
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❛ you surprised me in the worst way {rosalex}
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A promessa que saíra dos lábios do homem a sua frente foi a principal razão do sorriso constrito que surgiu nos seus, segundos depois. Já escutara aquela fala antes… Não só uma vez ou duas. Na verdade, talvez não conseguisse nem ao menos contar nos dedos todas as ocorrências. O que, certamente, mudaria a definição de seu riso, para cansado. Rosalie estava exaurida das inúmeras decepções geradas pelo marido. Como podia, uma das pessoas que mais amava, ser o motivo do seu aperto no coração em um sábado a noite, de uma revirada de olhos ao notar cheiro de bebidas, gritos - de uma pessoa considerada um exemplo de serenidade - em resposta a um descaso?
Ainda assim, mesmo com todos as aspectos negativos, não conseguia imaginar sua vida, nem o que faria com ela se Alex não estivesse ao seu lado. Como teria um bom dia se não acordasse com um beijo seu e recebesse sua piscadinha ao pular da cama? Como pegaria seu biscoito preferido na prateleira mais alta se o marido não se depusesse a erguê-la, aproveitando para acariciar suas coxas? Como iria sorrir das mais irritantes situações de seu curso se ele não a fizesse enxergar as coisas por outro lado? Sua existência já estava atrelada a Alex de um modo que o considerava necessário para alegrar-se.
- É bom que compense mesmo.- Comentou em um tom de voz brincalhão, enquanto sua cabeça pendia para um lado. - Tenho até algumas ideias… - Apoiou o dedo indicador na direção no queixo, fixando o olhar para um ponto especifico na parede, parecendo estar pensativa.- Talvez uma massagem relaxante, assistir o meu filme preferido, ou até aquele sapato que você não quis me dar na semana passada… - Alex não apreciava o filme sobre pensadores e cientistas que mais parecia um documentário. Claro que não o obrigaria a assistir algo que não gostava como vingança, apenas queria ver a sua reação. No entanto, sobre a massagem e o sapato, não estava sendo cem por cento especulativa.
- Obrigada.- Seu rosto alvo e delicado corou com o elogio. Nunca se acostumaria com aquilo. Não se considerava uma pessoa de aparência estranha, mas muito menos uma rainha da beleza. Agora Alexander Mendler, sim. Era um dos homens mais belos que conhecera. Algo dizia que a sua personalidade, foi o que o conquistou. Observou-o caminhar a passos lentos até o banheiro, aproveitando para lhe dar um beijinho no rosto antes que a porta fosse fechada. Rosalie seguiu até seu closet, certa de que o vestido que usava já não era mais adequado para nenhuma ocasião. Ainda que fosse belo, a ideia de vendê-lo fluiu em seus pensamentos. Não gostava de guardar coisas que lhe remetiam a lembranças ruins. Vestiu um babydoll que o marido gostava, ao passo que ouvia o barulho da água cair no cômodo ao lado.
Estava sentada na cama deles passando as mãos nos fios castanhos para deixá-los mais soltinhos e confortáveis quando a porta de madeira maciça se abriu a sua frente. Esboçou então um sorriso radiante erguendo os braços, o chamando com as mãozinhas, no aguardo dos dele ao redor de si antes de ser empurrada no móvel. Era bom saber o que esperar do marido. O conhecia tão em quanto a si mesma.- Esta tão cheirosinho… - Previu antes dele se aproximar. A figura parada a sua frente fizera seus olhos brilharem. - Eu sou uma mulher muito sortuda.- Brincou achando atraente a maneira como o Mendler secava os cabelos, e os ajeitava - ainda úmidos- com as mãos.
Alex torceu o nariz diante das sugestões. “Eu não me oponho à massagem,” respondeu, então, após alguns instantes ponderando, acrescentou, “nem ao sapato, na verdade, desde que você não me faça ficar duas horas sentado assistindo àquele filme.” Na sua opinião, parecia uma proposta bastante justa, mas talvez não fosse o suficiente para reparar o seu erro daquela noite, então resolveu aumentá-la um pouco. “Dois sapatos. Bom, dois pares, eu obviamente não ia comprar só um pé do sapato para você...” brincou, sorridente. “E, depois, uma massagem, quando o sapato acabar destruindo o seu pé. Sério, sapatos femininos parecem instrumentos de tortura medieval.”
Caminhava lentamente até o banheiro, ainda falando, acompanhando seu discurso com gestos exagerados das mãos. No entanto, o beijo carinhoso que Rosie plantou em seu rosto fez com que se calasse imediatamente, comprimindo os lábios juntos. Sentiu o seu rosto esquentar, mas pensou ser apenas um artifício de sua mente. Não era possível que estivesse corando porque sua esposa lhe dera um beijo no rosto. Pelo amor de Deus, Alexander.
Fez o possível para não demorar demais no chuveiro — no pequeno espaço de tempo que vivera com seus amigos de faculdade, entre sair da casa de seu pai e se casar com Rosie, costumava ser chamado de noiva devido ao tempo exagerado que passava dentro do banheiro —, ansioso para sair e vê-la de novo. Permitiu que a água quente levasse os resquícios daquela noite, que ele, honestamente, não gostaria de se lembrar. Cada discussão com sua esposa dilacerava o seu coração.
Vestiu apenas uma calça de moletom ao sair, algo que achou jogado e, para a sua felicidade, parecia estar limpo (realmente precisava parar de jogar suas roupas limpas no banheiro, pensou, mas logo desviou suas atenções para assuntos mais importantes), e, então, rumou para o quarto, onde Rosie esperava por ele parecendo ainda mais linda do que anteriormente. Não que isso o surpreendesse. Ela sempre o impressionava com sua beleza.
“Você sabia que eu adoro quando você usa isso?” indagou, indicando o babydoll com a cabeça. “Quer dizer, eu adoro quando você usa qualquer coisa. Na verdade, acho especialmente interessante quando você não está usando nada...” sorriu de canto, “mas você entendeu.” Mordeu o canto do lábio inferior antes de se inclinar para lhe dar um beijo rápido, e, diante das palavras dela, emendou, “Talvez... Mas não é mais sortuda do que eu.”
❛ you surprised me in the worst way {rosalex}
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Rosalie suspirou lentamente enquanto o escutava. Ele parecia sincero. Obviamente não fora sua intenção a magoar. Nunca faria algo assim. A morena o conhecia suficientemente para se certificar disto mesmo que todas as evidencias provassem o contrario. Mesmo que tudo indicasse um descaso enorme da parte de seu marido. Era apenas uma pessoa desatenta. Não percebia que sua constante distração poderia trazer prejuízos e magoas para as pessoas ao seu redor. Pessoa que o amavam. Aquilo não era proposital. Bom, ao menos era o que se esforçava a acreditar. A estudante de direito costumava a expandir sua capacidade de enxergar o lado bom das pessoas e tentar entender o ponto de vista de cada um. Mesmo que para isso, tivesse que passar por cima dos próprios sentimentos.
“Tudo bem, Alex.” Fungou levando as duas mãos ao rosto de feições delicadas, no entanto, agora com aparência cansada, exausta. Não queria insistir em brigas e desentendimentos. O que conseguiria com isto? Apenas umas péssima relação, além de uma enorme perda. Perderia momentos de diversão que só as palavras do homem podiam lhe proporcionar. Perderia seus abraços reconfortantes e quentinhos. Perderia a sua presença em troca de uma magoa por algo tão pequeno. O que acontecera não era nada comparado ao que podia perder. Para que ressaltar instantes de desgaste e ressentimento se os de alegria eram os que deveriam ser valorizados? “Vamos deixar isso para lá.” Em questão de segundos passou a caminhar em sua direção, aproximando-se do homem. “Eu não quero ficar irritada ou chateada contigo.” Revelou forçando um sorriso.
Parou a alguns centímetros de distancia dele. “Me perdoa pelo drama.” Indicou a travessa de vidro que jogara em dó na bancada de mármore. Todo uma prato jogado fora por pura irritação momentânea. Passou a mão pelo vestido com flores rosas sobressaltadas, distraidamente. “Acho que não estou mais tão bonita para você como planejava.” Referiu-se a maneira como desfizera o próprio penteado, atirara os saltos longe e chorara na maquiagem bem delineada. A voz da mulher parecia calma para alguém que acabara de passar pela agonia que a mesma foi obrigada a vivenciar. Puxou o ar com força pelo pulmão, soltando-o devagar. “Não que tomar um banho para que eu possa te abraçar?” Alex sabia o quando Rosie odiava cheiro de álcool, assim como de cigarro. Mesmo que ele não fumasse, sempre o lembrava disso.
O sorriso se espalhou pelos lábios de Alex de forma quase inconsciente diante dos poucos instantes de silêncio que se interpuseram entre o casal. Continuou a observá-la durante aquele tempo, nunca cansado de fazê-lo. Se tornara um hábito desde o dia em que a conhecera, analisar cada um dos traços de Rosie, procurar um novo detalhe a cada dia que se passava. Seu estômago pesou com a culpa pelo que havia feito naquela noite. Se continuasse a agir de forma tão inconsequente, chegaria o dia em que ela se cansaria de perdoá-lo... E, então, o que faria, se perdesse a pessoa mais importante de sua vida, que o fizera se sentir completamente feliz pela primeira vez? Não, a mera possibilidade o desesperava. Precisava parar de decepcioná-la, porque não queria perdê-la e também porque ela não merecia sofrer por alguém como ele.
Sorriu ainda mais diante da confirmação da esposa de que estava perdoado. “Eu prometo que não vai acontecer outra vez, ok?” reiterou, embora já houvesse dito essas palavras antes. Sentia a necessidade de assegurá-la porque, afinal, realmente não planejava causar um desapontamento tão grande a ela novamente. “E prometo que vou te compensar pela noite perdida,” acrescentou, mentalmente já começando a fazer planos para uma noite a dois mais proveitosa no futuro. Talvez pudesse levá-la ao restaurante vegetariano de que gostava tanto? Seria bom relembrar das primeiras semanas de namoro, quando se esforçava de formas absurdas para agradá-la. Deveria começar a fazer isso novamente.
“Não se preocupe com isso,” ele descartou suas desculpas com um breve gesto de sua mão, “você bem teve suas razões.” Então mais uma vez olhou para ela e, apesar de sua aparência descomposta, não conseguiu sequer imaginar alguém possivelmente mais bela que sua esposa. “E... se quer saber, você continua linda, como sempre está,” comentou, aproximando-se um passo, então se afastando outra vez diante do outro comentário dela. Riu levemente, já caminhando na direção da suíte. “Certo, certo, já estou indo.”
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Em passos lentos, Rosie rumava em direção ao quarto deles até que o som da voz de seu marido entrou em seus ouvidos. Duas palavras carregadas da emoção proveniente do momento. Isto deteve sua caminhada, parando instantaneamente. Conhecia-o bem o suficiente para identificar pelo seu tom como estava se sentindo mal. A estudante de direito apenas não saberia detectar o porquê. Afinal, Alex tinha feito o que queria. Saíra para curtir com os amigos, tanto que havia se esquecido completamente dela e que lhe devia explicações. Não se considerava uma esposa inconveniente. Mesmo estando juntos pouquíssimo tempo, nunca se opôs as suas necessidades ou o perturbava com crises de ciumes. Na verdade, desde o começo do namoro Rosie sempre agia com sua costumeira tranquilidade e paciência.
Girou os calcanhares, virando o seu corpo até que a figura masculina entrou no seu campo de visão. Seus ombros estavam encolhidos e com um semblante de arrependimento. A Walker suspirou profundamente antes de umedecer os lábios. Escutara cada palavra do seu pedido em desculpa, parecia uma criança acoada com medo de levar algum castigo da mãe por ter feito algo de errado. Totalmente diferente da real situação. Encarou-o por alguns minutos sem dizer uma palavra siquer. Não que quisesse prolongar a situação dele, mesmo sabendo o quão errado Alex estava naquela história, ela o amava, a maneira como foi fitada e as palavras sinceras já foram o suficiente para amolecer o coração da mulher. Era uma idiota apaixonada, pensou.
“Eu não te obriguei a ficar aqui comigo todas as noites, muito menos te impedi de sair com quem quer que fosse…” Abraçou os próprios braços em um claro sinal de fragilidade. Fungou querendo exterminar qualquer chance de fluir um choro diante ao seu discurso. “Não pense que me irritei porque quero controlar você, a questão esta longe de ser essa… Eu te amo, Alex. Você não sabe o quanto é importante para mim, por isso eu me preocupo contigo, entende? Sei o que a bebida causa em você, fica descontrolado e age sem pensar… Quando o atraso ficou exagerado meu coração apertou.” O desenrolar sem freio de suas palavras foi algo inconsciente. Rosalie umedeceu os lábios segundos antes de desviar o olhar das intensas iris azuis que tão apreciava. “Só, por favor, não me faz passar por isso de novo.” A entonação instável indicavam o quão grande foi o medo de perde-lo, ou encontra-lo debilitado de alguma forma.
O coração de Alex pareceu se acalmar significativamente quando Rosie se virou para fitá-lo, demonstrando que não planejava passar a noite sem se dirigir a ele, mas aguardou ansiosamente enquanto ela apenas o observava, sem dizer palavra. Apesar de todos os pesares, a aprovação da esposa era importante, e ele não queria decepcioná-la, especialmente quando tão pouco tempo havia se passado desde seu casamento.
Ele realmente a amava, pensou, aproveitando o momento de silêncio para analisá-la com cuidado. Não queria que todos os que os houvessem aconselhado a não se casar estivessem certos. Esperava mostrar a eles em um futuro próximo que tomara a decisão correta. Conhecer Rosie fizera de sua vida miserável maravilhosa – como poderia se unir a ela para o resto da eternidade ser algo ruim?
Por fim ela falou, e ele expirou com força, muito embora não tivesse notado que prendia a respiração. O tom de voz quebradiço que ela usava para se dirigir a ele quase partia o seu coração, e Alex, não pela primeira vez, sentiu vontade de dar um soco no próprio rosto. Talvez isso o ajudasse a ser menos estúpido.
“Eu sei que você não fez isso. Não foi minha intenção insinuar que...,” começou, então se interrompeu, mordendo o lábio e procurando outras palavras para se expressar. “Eu não acho que você esteja tentando me controlar, realmente não acho isso, sinto muito se fiz parecer que sim,” continuou, finalmente. “E eu sei que você tem motivos para temer por mim e sou um idiota por ter esquecido de avisar você, eu só... Não sei. Não tenho desculpas,” balançou a cabeça, “mas espero que você me perdoe mesmo assim porque... não sei se consigo viver se você não estiver falando comigo,” arriscou um sorriso, embora este mais se parecesse com um esgar. “Sabe que eu também amo você. Prometo que não vai acontecer outra vez.”
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Os fios de seu cabelo castanho, balançavam energicamente a cada movimento brusco que fazia ao jogar o resto do prato dentro da lixeira. Rosalie sempre fora conhecida por sua calma e invejável paciência, e Deus era testemunha de que tentou se manter assim durante as horas de espera. No entanto, era incontestável a falta de consideração de Alex com ela naquela noite. Por conta disto, quando o timbre da voz que sempre amara escutar entrou em seus ouvidos, soltou o ar com força pela boca em um claro sinal de desagrado. Como ele ainda tinha a coragem de chama-la pelo apelido após fazer algo assim?
- Não sei, Alexander, o que você acha? - A mulher dona de um costumeiro tom de voz suave, soava irritada e até rude no momento. Certamente, se estivesse de fora da situação, observaria a cena com outros olhos e tentaria procurar entender o lado do rapaz, como sempre fez, afinal foi assim que acabou de apaixonando por ele. Contudo, apenas queria expor a frustração que sentira pelo papel de idiota que acabara de passar. Os olhos castanhos com belas rajadas âmbar, marejaram. Sentiu-os arderem sabendo que lagrimas podeira surgir a qualquer momento. Não queria brigar com Alex, tinha prometido a si mesma que não o faria quando se casaram. Que iria a provar a todos que estavam errados em relação a eles, mas simplesmente não podia se conter. Jogou a travessa de vidro sobre a bancada sem delicadeza alguma, consequentemente, escutando o tintilar do material contra o mármore. Ocorreu-lhe a duvida se teria quebrado, mas resolveria isto depois.
Puxou o sapato que calçava pelo salto, logo após o outro, jogando-os no chão, antes de dirigir-lhe um olhar furioso.- Apenas a idiota aqui, tirou grande parte da noite para fazer um jantar especial.- Apontou para a mesa que agora continha somente um castiçal evidenciando as velas, já praticamente todas derretidas.- Fiz o seu prato preferido, arrumei a porcaria dessa mesa, até coloquei estas pétalas ridículas.- Chutou as já citadas pétalas enquanto falava. Elas faziam um caminho da mesa até o quarto deles. A estudante de direito, respirou fundo segundos antes de passar uma mão no cabelo, desarrumando seu penteado que dera um certo trabalho para fazer. Queria estar linda para ele. Queria impressiona-lo. Mas agora, só desejava que seu marido voltasse de seja lá onde que tivesse saído a essa hora da noite. - Esperei por mais de cinco horas.- Indicou a quantidade com a mão, querendo enfatizar o tempo que o aguardou.- Você nem para ter a coragem de me ligar ou mandar uma mensagem dando uma satisfação.
Comprimiu os lábios com força antes de continuar, recordando da agonia que sentiu por somente cogitar a ideia de que poderia ter sofrido um acidente ou algo pior.- Fiquei preocupada, da ultima vez que não deu noticias não foi algo muito legal.- Alex sabia muito bem ao que ela estava referindo. Quando começaram a se conhecer melhor, passaram a manter contato diariamente. Até que um dia o de olhos azuis sumiu. Não respondia suas mensagens, nem atendia as suas ligações e então durante a madrugada veio a noticia. Uma ligação com a voz rouca e desesperada. Rosalie saiu de casa sem nem pensar duas vezes e foi atrás dele. A hipótese de vê-lo naquela situação novamente, fez seu coração apertar. Não queria nem imaginar. - O que você estava fazendo afinal?- Questionou, só agora dando-se conta de que poderia obter aquela informação. Passos rápidos lhe dirigiram até próximo ao homem e a sua expressão foi de decepção. Era bem perceptível para qualquer um o cheiro de álcool que emanava dele. - Não acredito… - Balançou a cabeça negativamente, sem nem ao menos conseguir encara-lo. Retrocedeu os passos que dera, com os punhos travados.
Desapontada, era a palavra perfeita para definir Rosie naquele momento. Ele estava bebendo. Sabia o que a bebida fazia com ele. Sabia que perdia a cabeça e tomava atitudes sem passar pelo glorioso filtro da razão que definia o que é certo e errado. Talvez tivesse a traído. A suposição foi o estopim para que aquela lágrima que conteve até agora, deslizasse pelo seu rosto. Sem dizer mais nenhum palavra, girou os calcanhares pronta para sair do comodo.
Oh-oh, uma voz fina soprou em sua mente em claro tom de alerta quando Rosalie por fim resolveu respondê-lo. Conseguia distinguir por seu tom de voz que a esposa não estava nem um pouco feliz; na realidade, estava tão irritada que dispensara até mesmo o uso de seu apelido. Alex definitivamente estava em maus lençóis.
O som da travessa de vidro se chocando contra o mármore da bancada o chocou. Não era do feitio de Rosie sequer perder a paciência, muito menos explodir daquela forma, o que provavelmente significava que ele cometera um erro terrível.
E a suposição, como descobriu alguns instantes depois, estava certa. Comprimiu os lábios com força ao ouvi-la finalmente revelar a razão por trás da recepção rude, invadido por uma onda fria de arrependimento. Desconsiderara completamente como a esposa devia ter se sentido ao esperá-lo ali e não receber notícias por horas a fio, especialmente após o que acontecera da última vez. Rosie estivera ali para ele o tempo todo, e como ele a retribuía?
Inspirou profundamente, procurando as palavras certas para dizer, mas tudo parecia se embaralhar em sua mente e antes que ele percebesse Rosie se afastara novamente, o olhar desapontado em seu rosto fazendo o coração do rapaz se apertar e por fim se partir quando notou a lágrima deslizando por seu rosto. Por culpa dele.
Forçou-se a dizer alguma coisa, qualquer coisa que pudesse servir de explicação, antes que ela conseguisse sair do cômodo e ele perdesse sua já terrivelmente pequena chance de consertar as coisas.
“Sinto muito,” começou, odiando o fato de que sua voz soava arrastada e não natural. “Sei que esse é um jeito horrível de começar a me desculpar, mas realmente sinto muito. Eu não pensei...,” engoliu em seco, encontrando dificuldade em dizer as palavras. “Não me lembrei do que aconteceu da última vez. Eu não queria magoar você, eu só...,” balançou a cabeça, sabendo que não havia desculpas. “Eu só queria me divertir com meus amigos uma noite, sentia a falta deles, deveria ter avisado. Me desculpe,” completou, fazendo o seu máximo para manter seus olhos nos dela.
❛ you surprised me in the worst way {rosalex}
Usava um vestido de forro rosa claro, a sua extensão caia levemente até seus joelhos finos e o balançar frenético de sua perna -em puro sinal de ansiosidade-,oscilava as camadas delicadas sobrepostas ao tecido original, cobertos por pequenas e sutis flores. Calçava um peep toe vizzano napa nude, mesmo que saltos não fizessem muito o seu estilo. Preferia usar sapatilhas confortáveis no seu dia-a-dia, no entanto,aquela era uma ocasião especial. Bom, ao menos era para ser, pensou de maneira irônica gerando um barulho aleatório ao estalar seus lábios cobertos por um batom de tom escuro. Havia se passado exatas três semanas desde o dia em que estava vestida de noiva, com um sorriso brilhante que parecia contagiar todos ao seu redor. Afinal, quem a conhecia sabia que estava apaixonada por Alex, no entanto, cansou de ouvir que somente paixão não sustentaria um relacionamento tão serio quanto um casamento. Concordava em partes, já que realmente tinha plena consciencia das suas diferenças em relação ao marido. Como gostava de como o termo soava ao pronuncia-lo. Dava a ela, uma impressão de que viveriam bem e felizes por muito tempo, desafiando todas as afirmativas de decepções.
Rosalie havia preparado um espaguete a carbonara. Feito especialmente para ele- já que a morena é adepta ao veganismo- com bacon, creme de leite, cebola e com o toque final de cogumelos. Para sobremesa decidiu inovar, com uma mousse de morango refrescante. Quando tiveram o primeiro encontro, Alex e ela fizeram uma brincadeira infantil de dizer as coisas que mais gostavam de determinado tema. Inconscientemente, Rosie decorara as preferencias do rapaz e aproveitara para criar uma maneira de agrada-lo. Faze-lo ficar feliz a trazia satisfação e compensava todo o trabalho. Mas não naquela noite. Naquela noite Rosalie não poderia estar mais furiosa. Como Alex pode ter tido tal falta de consideração? Saindo de casa por volta das três da tarde, cedeu a mulher a tarde livre na qual ocupou-se em redigir um relatório sobre politicas publicas. Os detalhes eram tantos que só finalizou com o entardecer. Resolvendo, por fim, surpreender o de olhos azuis com um jantar romântico.Aderiu ao velho clichê de velas em um castiçal prateado sobre a mesa - o qual agora se encontrava quase todo derretido-, e pétalas de rosas sobre o chão, seguindo o caminho até a cama - as quais estavam muchas. Apenas queria proporcionar um momento especial entre os dois e a unica coisa que ganhara em troca fora frustração e irritação.
Fitava a chama da vela com amargura antes de voltar a atenção para o relógio preso na parede. Havia o esperado durante cinco horas e meia. O acaso parecia rir da situação, encontrava-se no mais completo ridículo. Onde ele estava? O que estava fazendo? Com quem estava? Por que nem ao menos ligou para justificar o atraso? Será que estava tudo bem? Diversas eram as perguntas que rondavam seus pensamentos. Todas as respostas que formulava não a deixavam contente. Muito pelo contrario. Não estava mais com fome, nem com a minima vontade de ser gentil com ele quando cruzasse a porta. Com agilidade, levantou-se da cadeira recolhendo os pratos e talheres, guardando-os no lugar adequado. Retirou a travessa com o prato principal, seguindo em passos firmes até a lixeira. Seus dentes estava cerrados, respirou fundo expirando o ar devagar na tentativa de se manter calma. Era melhor ele nem ao menos sonhar em aparecer no momento. Não queria sequer olhar em sua face. Com destreza começou a jogar a refeição no lixo, com uma expressão de poucos amigos.
Diante dos olhos de um confuso Alex Medler, a cena que presenciava não parecia fazer o mínimo sentido. Imaginou se não seria uma alucinação causada pelo alto nível de álcool que havia consumido nas últimas horas: por que outra razão a primeira coisa que veria ao adentrar a cozinha de seu apartamento seria sua esposa descartando um prato de carbonara que parecia muito fresco, uma expressão furiosa em seu rosto.
Mas, constatou, poucos segundos depois, que ela estava realmente ali; o álcool não o afetara tão seriamente quanto havia pensado. Hesitante em sequer se aproximar de Rosie, limitou-se a dar uns poucos passos para meramente diminuir sua distância: não estava certo de que seria seguro fazer qualquer movimento mais brusco do que aquele.
“Rosie? Meu amor?,” chamou, esperando que o apelido carinhoso amenizasse a raiva que a esposa parecia sentir. “Aconteceu alguma coisa?,” arriscou, muito embora soubesse a resposta; restava-lhe, agora, conhecer o motivo por trás da amargura da mulher.
Se quisesse ser sincero, não havia sido aquela a recepção pela qual esperava – mas muitas de suas esperanças, àquela altura, haviam sido destruídas. Não se sentia exatamente arrependido de ter se casado com Rosie, mas estava incerto quanto ao seu futuro; perguntava-se quais eram as chances daqueles que o haviam alertado contra mergulhar tão apressadamente em um relacionamento estarem, no final das contas, completamente certos. Talvez devesse ter esperado um pouco mais.
Passara as últimas cinco horas com seus colegas de trabalho, em uma das raras noites com seus amigos que havia tido nos últimos meses; haviam discutido inúmeras coisas, e, até então, ele não notara o quanto sentira falta de tudo aquilo. Conversar com Rosie era absolutamente maravilhoso e o tranquilizava de modos que ele sequer sabia explicar, mas não era o mesmo que discutir assuntos completamente banais com os homens de sua vida. Lembrava-se de tê-la avisado através de uma mensagem de texto – ou pensara ter enviado uma, não tinha certeza; o sinal no bar que seus colegas haviam escolhido era absolutamente terrível – e, portanto, não conseguia imaginar quaisquer motivos por trás da fúria da esposa.
“Vamos, fale comigo. Eu fiz alguma coisa?,” arriscou, aproximando-se ligeiramente mais, a cabeça pendendo para o lado.