John Lewis, um dos pioneiros do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos e um dos últimos ativistas negros da época de Martin Luther King, morreu aos 80 anos nesta sexta-feira (17). O congressista de Atlanta, que enfrentava um câncer no pâncreas, tinha se afastado dos deveres legislativos nos últimos meses para se concentrar no tratamento.
Porém, Lewis continuou a luta pelos direitos civis até o fim de sua vida. Ele fez sua última aparição pública no início de junho, quando participou de um ato perto da Casa Branca, em Washington, em meio aos protestos antirracistas motivados pela morte de George Floyd, um afro-americano sufocado por um policial branco em Minneapolis.Lewis nasceu em Troy, no Alabama, em 1940. Era o quarto de dez irmãos de uma família de camponeses e cresceu em uma comunidade totalmente negra, onde rapidamente sentiu a segregação pela cor da pele.
Tinha apenas 21 anos quando se tornou um dos fundadores dos "Passageiros da Liberdade", que lutaram contra a segregação racial no sistema de transporte público americano no início dos anos 1960.
Lewis foi o líder mais jovem da manifestação de 1963 em Washington, na qual Luther King proferiu seu histórico discurso "I have a dream" ("Eu tenho um sonho").
Dois anos depois, quase morreu em uma manifestação antirracista pacífica em Selma, Alabama, quando teve um crânio fraturado pela polícia.
Aquele dia ficou conhecido como "Domingo Sangrento" e, exatamente meio século depois, caminhou de mãos dadas com Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, até o local do protesto emblemático.
Lewis entrou no Congresso em 1986 e logo se tornou uma das vozes mais poderosas da defesa da justiça e da igualdade.
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