não me igualo a nenhum personagem trágico da literatura ocidental. minha solidão tem sido um refúgio, se assim posso dizer. solidão de não ter ninguém, solidão de sentir-se só mesmo rodeado de gente. o pensamento de viver loucamente é tentador; mas como? viver loucamente e não ser útil para nada, não deixar escritos que as gerações vindouras lerão? a ideia de permanecer mesmo já não existindo toma conta de mim. ser lembrado mesmo quando ausente. confortar aqueles que ainda não são para que, quando vierem à existência, não se sintam tão sozinhos. assim como os antigos me têm feito companhia, mesmo já não sendo — ou sendo, mas não no agora. o agora, talvez, seja o instante decisivo.
allenylson ferreira.












