A verdadeira diferença entre Ubuntu e Fedora
Existem muitos vídeos e artigos na internet comparando distros e muitas vezes as comparações se resumem a observar os aspectos estéticos, justamente algo que faz a menor diferença, uma vez que a maioria das distros compartilha dos mesmos ambientes gráficos.
Ora, visualmente não há muita diferença entre um Ubuntu Gnome ou um Fedora Gnome, nem entre um Fedora KDE ou um Ubuntu KDE. Boa parte dos aplicativos básicos de uma distro fazem parte justamente do pacote do ambiente gráfico.
Ambiente gráfico e customizações estéticas podem ser feitas de modo que diferentes distros podem ficar bem parecidas tanto na aparência quanto nos recursos. Os aplicativos que vêm em uma distro também não representam a identidade mais intrínseca do sistema, uma vez que no universo Linux é possível instalar diferentes aplicativos ao gosto do freguês.
No Windows você só tem o Explorer para gerenciar arquivos, já no Linux, independente da distro que use, você pode usar o Thunar, Nautilus, Dolphin e tantos outros. Você pode facilmente montar sua própria distro Frankenstein misturando aplicativos como preferir.
Então se descascarmos o sistema, tirando todas essas camadas superficiais e customizáveis, veremos o que de fato diferencia uma distro de outra.
Primeiro, obviamente, temos os responsáveis pela distro. Ubuntu é um produto da Canonical e Fedora da Red Hat. Se a empresa e comunidade por trás de um produto faz diferença pra você, então a distinção começa aí. Canonical é uma empresa britânica, enquanto Red Hat é americana. A Red Hat por sua vez pertence à IBM, uma gigante Big Tech, enquanto a Canonical tem um porte menor, é uma empresa mais indie, pode-se dizer.
Diferentes empresas, diferentes repositórios. Os repositórios são o lugar onde ficam os aplicativos reconhecidos oficialmente pela distro. O Fedora é mais rigoroso ao aceitar aplicativos em seu repositório, pois adota uma filosofia de licenças livres, enquanto o Ubuntu é mais aberto e não rejeita aplicativos com licença proprietária.
Na prática, dá pra instalar softwares proprietários em ambos, só que o Fedora irá exigir um processo extra de autenticação, adicionando o repositório extra oficial RPM Fusion.
Mas vamos ao sistema em si. Logo de cara, uma grande diferença está no gerenciador de pacotes, um dos aplicativos mais fundamentais de um sistema Linux e que é responsável por instalar, atualizar e gerenciar todos os aplicativos e dependências.
No Ubuntu, como em todas distros da linhagem Debian, o gerenciador de pacotes é o APT, por isso ao instalar algo no Terminal você usa o comando "apt install". Enquanto o Windows tem pacotes de programas com a extensão .exe, os pacotes da linhagem Debian são .deb e no fedora é .rpm.
No Fedora o gerenciador de pacotes é o DNF, que foi introduzido no Fedora 18 substituindo o antigo YUM. O comando para instalação é "dnf install" em vez do "mais conhecido "apt install" do Ubuntu.
Outra diferença essencial é um aplicativo invisível que roda no sistema e muitos nem se dão conta, o módulo de segurança do kernel. Ele roda o tempo todo no sistema, monitorando o que os programas podem ou não fazer e bloqueando acessos não autorizados, o que funciona muitas vezes como um anti vírus nativo.
Nas distros da família Debian, como o Ubuntu, o módulo é o AppArmor. A Canonical é a principal mantenedora dele, de modo que ele realmente está no DNA profundo do Ubuntu.
No Fedora o módulo de segurança e o SELinux. Ele é bem mais antigo que o AppArmor, foi criado originalmente pela agência americana NSA, então tornou-se público e agora é mantido pela NSA, a Red Hat e alguns outros contribuidores.
SELinux é de fato mais complexo e rigoroso, enquanto o AppArmor é mais simples e permissivo. Para usuários domésticos, talvez não faça muita diferença, mas para servidores e usuários que querem ter um controle mais rígido e detalhista de tudo o que acontece no sistema, o SELinux é mais apropriado.
Outra diferença essencial e também no aspecto da segurança é que o Ubuntu usa por padrão o firewall UFW, que vem desativado e deve ser ativado manualmente (comandos "sudo ufw status" e "sudo ufw enable"), já o fedora usa o Firewalld que vem ativado por padrão (você pode conferir com "sudo systemctl status firewalld"). Assim como o SELinux, o Firewalld é também mais rigoroso e complexo que o UFW (que literalmente significa Uncomplicated Firewall).
Por fim, outra curiosa diferença entre as distros é que o Ubuntu particiona o disco com o sistema de arquivos Ext4, que é o sistema mais comum em distros Linux. É o padrão do mundo Linux assim como o Ntfs é o padrão na formatação do Windows.
O Fedora também usa Ext4 normalmente, porém na instalação automática do sistema ele cria uma partição com o formato Btrfs que é mais moderno e tem suporte a recursos como subvolumes dentro de uma mesma partição e um melhor gerenciamento de backups do sistema. É um sistema poderoso e mais veloz em SSDs, porém menos recomendável em HDs.
Enfim, eis aí algumas das diferenças mais fundamentais entre Ubuntu e Fedora, diferenças que estão nas entranhas profundas do sistema.