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@alvarengaju
A paz de ir embora.
Os meus amigos perguntam se eu sinto a sua falta. Eu sinto, é claro. Eu senti mais de mil vezes em um dia desde que você se foi. Eu fui embora desajeitada, com uma mala pesada de saudades, fugindo pelos bolsos, caindo em meus pés. E o mais bonito de escrever esse texto: eu fui. A saudade não me convenceu. Eu fui embora, mas senti a falta do seu perfume mais doce, das suas caretas durante discussões, da sua risada mais escandalosa e da lista de filmes que prometemos ver juntos algum dia. Eu visitei os lugares que costumávamos ir, conversei com outras pessoas sobre nossos assuntos prediletos, fiz amigos que você gostaria de ter conhecido algum dia e planejei ir em passeios que queríamos ir, apenas para sentir mais um pouco.
E meus amigos me perguntam o porquê. Por que não voltar, tentar de novo, correr pros seus braços? Sabe o mais bonito de sentir todas essas emoções e lembrar de você em um dia qualquer, enquanto limpo o meu quarto e encontro uma camisa com seu cheiro? Eu estou tão feliz agora. Eu nunca mais quis voltar. O que torna todas as nossas lembranças tão especiais é o simples fato de que acabou. Eu descobri a felicidade na paz, no vazio, na tranquilidade. Eu descobri a paz nos dias que eu não tenho ninguém para conversar, nos filmes que eu assisto sozinha, nas novidades que eu conto para mim mesma no banho, nos cochilos de tarde em plena quarta-feira porque ninguém conseguia me manter acordada como você. Eu finalmente senti paz em não ter ninguém para ligar depois que eu ganhei aquela promoção que tanto queria no trabalho. Como pode a paz combinar tanto comigo? Eu tenho amado a minha companhia.
Eu fui embora sabendo que aquela sua última mensagem seria lida mais de um milhão de vezes e que eu nunca mais teria seus beijos durante a manhã de sábado. Eu sabia que aquela risada escandalosa não preencheria mais a casa e seus filmes prediletos seriam assistidos sozinho ou com alguém novo, mas eu fui. Eu fui porque eu tinha que ir. Apesar dos momentos bons lembrados, os momentos ruins foram muito mais do que lembrados, eles foram vividos. O que é mais maduro do que ir embora deixando para trás um rosto que eu tanto amava porque eu cansei de chorar no banheiro do trabalho tentando conter uma crise de ansiedade por causa de alguém que dizia me amar? O meu quarto ficou pequeno para tanta confusão.
Então, eu simplesmente fui. Eu senti o gelado do outro lado da cama e me conformei, senti saudades e não quis te ligar, como alguém que encara um fantasma na beirada da cama e não se esbranquece de susto. E é claro, talvez algum dia eu sinta novamente a sua falta, mas eu não tento mais encontrar significado. Eu não desembaralho as cartas. Senti saudades de quando você me abraçou de madrugada e não de quando você me ignorou por dias apenas para me punir por algo que eu não tinha feito. A gente entende que terminou quando você se questiona se estar ainda faz sentido e tão tola eu seria se tivesse ficado apenas pelas frações de momentos felizes, pela adrenalina da subida que amortecia as descidas, pelas madrugadas procurando distrair minha mente da ansiedade quando eu deveria estar dormindo e feliz porque meu dia tinha sido incrível.
Eu respondo aos meus amigos que nunca mais senti nada, mesmo sabendo que está tudo bem sentir. Você foi a pessoa que eu mais amei na vida e talvez, eu nunca mais ame como amei você. As lembranças são parte de mim, mas não o meu fardo. Dessa vez, eu escolhi o canto do meu quarto, aonde você costumava me esquecer e ele tem sido meu abrigo. O problema nunca foi a confusão, foi a apenas a infelicidade de pensar em alguém que deveria me fazer bem, me obrigava a mentalizar apenas as coisas boas para esquecer o mal que me causava.
O que ninguém costuma admitir é que, antes de ir embora, a gente tenta. Tenta tanto que quase se desfaz.
— As borboletas tornaram-se poeira.
"Se pegar o trem errado, desça na primeira estação, porque quanto mais tempo demora para descer, mais cara fica a viagem de volta" E isso não é sobre trens..."
eu jamais me perdoaria se decidisse te amar de novo.
“O tempo era pequeno, e a gente grande demais.”
— Jaqueline Umberto.
querido euzinho
eu sei que você está tentando e mesmo que não reconheçam nós dois sabemos que essa é a nossa versão mais verdadeira se perdoe.
“O silêncio ensina para nunca mais precisar dizer.”
— Maxwell Santos