Em tudo o que fazemos há um comprometimento mais profundo. Olhe para o que sua rotina e vontades estão refletindo. Busque o que os motiva. Aí está o seu tesouro. Com isso seu coração está comprometido.
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Em tudo o que fazemos há um comprometimento mais profundo. Olhe para o que sua rotina e vontades estão refletindo. Busque o que os motiva. Aí está o seu tesouro. Com isso seu coração está comprometido.
O COMPROMISSO DO CORAÇÃO
Compromisso do coração é distinto de outras formas de categorizar o ser humano em nossos dias. O que em outras propostas pode ser entendido como self, ego, eu, etc., o termo coração se diferencia por considerar a espiritualidade como fundamentalmente humano, não descartando sua capacidade de captação de conhecimento, expressão e influência no todo do ser.
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Dessa forma, precisamos compreender algo antes de entender o que é compromisso do coração. Isto é, O QUE CORAÇÂO QUER DIZER?
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A palavra coração, aqui, não diz respeito ao órgão bombeador de sangue. E também, diferente do que é entendido em nossa cultura, o termo coração não diz respeito ao amor, sentimento afetuoso ou sensibilidades.
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"Coração" é apenas uma "figura de linguagem para se referir ao núcleo central do ser humano" como diz Pedro Dulci. Esse núcleo é a base de todas as camadas que compõe o ser humano. E isso é singular a espécie humana. A afeição, cognição e volição partem deste ponto central no ser. E este, por sua vez, se compromete com algo que o leve a significar sua existência e orientar toda a sua maneira de ser. Dessa forma, algumas das características do coração é a sua capacidade de conhecer por uma intelectualidade-psíquica, afeição, volição e o impulso a prática do que acreditamos.
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"Acreditamos". Crer aqui se refere precisamente ao compromisso.
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"Compromisso" tem uma natureza religiosa. Isto não significa que estamos falando de religião, mas estamos falando sim de um comportamento religioso, ou seja, é sustentado pela crença, que baseia-se na espiritualidade sendo esta tipicamente humana. Egbert Schuurman descreve que crer (também conhecido como "fé") é "algo que permanece por trás de tudo o que fazemos."
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Portanto, o compromisso do coração considera a natureza humana como não-neutra, nem reduz os comportamentos a mera espontaneidade, mas antes, o concebe como se apresenta: intencionalmente voltado para satisfazer o que se está comprometido, passível de ser mudado e também intelectual.
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Há aqui uma lição de orientação intencional da existência. A satisfação do ser humano não é o que lhe move, mas sim a intenção de viver o que o significa. Por exemplo, a cosmovisão que é um compromisso do coração, filtra toda a realidade mediante a satisfação de viver do que ele possui como verdade ultima.
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Então, COMO SABER COM O QUÊ O CORAÇÂO ESTÁ COMPROMETIDO?
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Em tudo o que fazemos há um comprometimento mais profundo. Olhe para o que sua rotina e vontades estão refletindo e busque o que os motiva. Aí estará o seu tesouro. Com isso seu coração está comprometido. .
Thaddeus J. Williams nos pergunta:
"O que sua vida diz ser a coisa mais importante da existência? Se você parasse e fizesse uma estimativa honesta de si próprio - como você escolhe gastar sua dose diária de fôlego e energia, quais ideias ocupam a maior parte do espaço no mundo do seu pensamento - o que, mais do que tudo, o move?"
Pedro Dulci conclui o pensamento.
"Basta observar o que dita o ritmo de nossa rotina para identificar aquilo a que o coração está servindo. Se concentramos a fé em um aspecto reduzido da realidade, não só a inteligência, mas toda nossa vida não poderá ser menos abreviada." - Pedro Dulci - Álvaro César Rodrigues
O QUE É COSMOVISÃO?
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Por mas que esse tema já tenha sido tratado por muitas pessoas - com muito mais propriedade do que eu - e em varias mídias, cosmovisão pode ser novidade para alguns, ou mesmo, pode ser algo ainda não compreendido pelas pessoas que tem uma ideia do que seria (o termo pode ser autoexplicativo em alguns casos).
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Independente do caso, sempre percebi duas coisas: (1) muitos ainda não se atentaram para esse termo por não ver "que diferença isso faz na minha (sua) vida". E (2) cosmovisão traz uma densa perspectiva sobre um tema não muito novo assim: autoconsciência. Este termo é muito presente em toda a conceituação, mas sua relação com cosmovisão ainda é pouco compreendido para a maioria das pessoas. Gostaria de trabalhar nisso.
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Cosmovisão é a maneira pela qual interpretamos a realidade a nossa volta. Ela funciona como uma malha hermenêutica, ou seja, que determina o tom dessa interpretação, como as lentes de um óculos. Essa interpretação das coisas ao redor pode ser algo individual ou coletivo, consciente ou inconsciente.
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Cosmovisão também é entender o papel, as qualidade e tudo o que compõe o ser que a tem. Ou seja, não é só uma maneira de julgar a realidade exterior, mas também de qualificar a realidade interior. Se olhar para a história, podemos ver exemplos de cosmovisões que se baseavam em preconceito ao exterior e super valorização de si mesmo.
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Mas o mais importante é que cosmovisão não só uma simples forma de catalogar o certo e o errado, o bonito e o feio, o verdadeiro e o falso. Cosmovisão transcende um esforço intelectual. Para se seguir uma cosmovisão, ou mesmo criar a sua, é preciso algo mais profundo.
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Cosmovisão orienta tudo o que alguém é e virá a ser, mas, necessariamente, ele precisa ser um orientador aceitado e justificado. Ou seja, necessita-se acreditar que aquele modo de interpretação é o que lhe move. Além de certo ou errado, cosmovisão muita das vezes é crido e justificado independente se ele faz o mal para o próximo.
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O que precisamos entender é que cosmovisão é, antes de tudo, uma orientação espiritual, o que é algo estritamente humano, assim como aquilo que hoje conhecemos pela palavra fé. Não, ainda não estamos falando de religião, denominação religiosa ou teologia, mas, sim, estamos falando de crença, fé, disposição para crer, aceitar, seguir, obedecer e defender o que se acredita.
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Por mais que não aparente, toda a cosmovisão depende de um comprometimento da essência do ser humano. Isso não significa que ela é imutável, mas significa que o ser humano, como um todo está comprometido. Esse compromisso não é somente racional, nem só afetivo ou só da vontade de fazer/seguir tal. Mas sim, é do centro do ser humano, donde parte o desejo, vontades, cognição e afetos. Um nome para esse centro: coração.
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Mas então, O QUE ISSO TEM A VER COM VOCÊ?
Todos temos uma cosmovisão. James W. Sire explica isso bem (2° imagem)
Ter consciência da sua cosmovisão é também ter autoconsciência do compromisso mais fundamental que guia sua volição, cognição, afeição. Buscar ter consciência da sua cosmovisão evoca saber o porquê você faz o que faz, ama o que ama, escolhe o que escolhe, diz o que diz, compreende e como o compreende.
Identificar sua cosmovisão é vasculhar sua essência para se entender: COM O QUÊ SEU CORAÇÃO ESTÁ COMPROMETIDO?
- Texto por Álvaro César Rodrigues
"Os livros ou música em que achávamos que estava a beleza irão nos trair se esperarmos neles; não era neles, era através deles, e o que vinha através deles era um anelo. Estas coisas — a beleza, a memória de nosso passado — são boas imagens daquilo que realmente desejamos; se as confundirmos com a coisa em si, eles se tornam ídolos mudos e vão partir o coração de seus adoradores. Pois eles não são a coisa em si, são apenas o aroma da flor que não encontramos, notícias de um país que ainda não visitamos." - C. S. Lewis
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Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar. Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que te comprazes na verdade no íntimo e no recôndito me fazes conhecer a sabedoria. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti. (Salmos 51:2-13)
Ele deseja nos preparar um banho, nos purificar do pecado, afogar a morte amarga também por meio de Seu próprio sangue e feridas; permitiu uma nova vida.
“Não posso ser forçado a fazer aquilo que já tenho prazer em fazer. A visão neutra do livre-arbítrio é impossível. Envolve escolha sem desejo. É como ter um efeito sem uma causa. E alguma coisa a partir do nada, que é irracional. A Bíblia torna claro que escolhemos a partir de nossos desejos. Um desejo maligno produz escolhas malignas e ações malignas.”
— R. C. Sproul – Eleitos de Deus
CONHECER-TE, Ó CONHECEDOR DE MIM. . "Você já parou para pensar que jamais se viu sem mediações? Todas as perspectivas que você tem do seu rosto sempre contaram com o auxílio de uma mediação. Você jamais se viu face a face. Em outras palavras, se Deus nos conhece face a face, isso quer dizer que ele nos conhece mais do que nós mesmos nos conhecemos. Como, então, haveríamos de afirmar que podemos conhecer a Deus exaustivamente se nem sequer conhecemos a nós mesmos de forma adequada? [...] O conhecimento que Deus tem de nós nos humilha não apenas porque somos ignorantes com respeito a ele, mas sobretudo porque somos ignorantes com respeito a nós próprios e, por consequente, dependemos dele para saber realmente quem somos." . "Inteligência Humilhada" - Jonas Madureira https://www.instagram.com/p/CNcemHTjlXc/?igshid=8rtl9pir1a2
"Eu te louvo, meu Senhor, e me humilho, prostrando me diante de ti, a despeito do fato de que já estou humilhado antes mesmo de dobrar os joelhos. [...] Eis a minha inteligência, meu Deus, o intelecto que, por causa da tua infinita misericórdia, foi curado da cegueira, mas que, apesar disso, depende mais do que nunca dá o luz do teu Santo Espírito. [...] Quão miserável é aquele que, desprovido dos teus recursos, busca saber quem tu és! Quão enfermo é aquele que, munido apenas de seus recursos, tenta descobrir em si mesmo sua real identidade! Desejo conhecer-te, Senhor, mas não do meu jeito. Quero saber quem eu sou, meu Deus, mas não segundo o meu ponto de vista. Conforme a tua Palavra, ensina-me a te conhecer como tu queres ser conhecido, e só assim saber realmente quem eu sou." . Trecho do livro: "Inteligência Humilhada" - Jonas Madureira https://www.instagram.com/p/CNccOSoDpBJ/?igshid=1fy6vzsgm23pj
"Que eu te conheça, ó conhecedor de mim, que eu te conheça, tal como sou conhecido por ti. Ó virtude da minha alma, entra nela e molda-a a ti, para que a tenhas e possuas sem mancha nem ruga. Esta é a minha esperança; por isso falo e nesta esperança me alegro, quando experimento uma sã alegria. Pois as restantes coisas desta vida tanto menos se devem chorar quanto mais por causa delas se chora, e tanto mais se devem chorar quanto menos por causa delas se chora, e tanto mais se devem chorar quando menos por causa delas se chora. Mas tu amaste a verdade, porque aquele que a põe em prática alcança a luz. Também a quero pôr em prática no meu coração: diante de ti, na minha confissão, diante de muitas testemunhas, nos meus escritos."
Agostinho, Confissões, X.1.1
Todos enfrentam o juízo e todos merecem a ira. Só a partir desse terreno comum conseguimos olhar para cruz e enxergá-la com clareza. Não conseguimos apreciar quem Cristo é, a menos que primeiro reconheçamos quem somos.
Timothy Keller (sobre Rm 2.14-16)
Uma vez que ninguém é digno de se apresentar a Deus e chegar-se à sua presença, o próprio Pai celestial [...] nos deu seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor para ser nosso Advogado (1 João 2.1) e Mediador junto a ele. [...] Da mesma forma [ou seja], o trono de Deus não é apenas um trono de majestade, mas também de graça, diante do qual, em seu nome [Jesus Cristo], ousamos comparecer com toda confiança, receber mercê e encontrar graça no tempo oportuno (Hebreus 4.16).
João Calvino em “Institutas da Religião Cristãs”
A VIDA INTELECTUAL BIPOLAR [“Inteligência pra quê?” - Pedro Dulci] "[...] a vida intelectual bipolar é aquela em que o indivíduo é um cristão sincero, crê fielmente na revelação de Deus nas Escrituras, mas durante a semana, na universidade ou no local de trabalho, pensa e se comporta como um legítimo ateu. . Hoje, um dos maiores desafios para o discipulado é justamente alcançar os membros de igrejas que frequentam os cultos dominicais e, durante a semana, leem Simone de Beauvoir, John Piper, Friedrich Nietzsche, Tim Keller e Michel Foucault sem perceber muita diferença entre eles. É frequente ouvir cristãos afirmarem, após uma palestra de algum intelectual não cristão, algo como: “Nossa, que palestra interessante! O palestrante é muito bom, faltou apenas citar Jesus. Se ele fizesse um apelo no final muita gente se converteria”. . É claro que não existe nenhum problema em ler livros ou assistir a palestras de qualquer autor não cristão. O grande problema é não conseguir fazer a conexão entre isso e o que foi ouvido no sermão de domingo na igreja. É fundamental saber identificar os limites que separam a fé da descrença, [...]. Se eles acham que o discurso de um ateu é quase perfeito e que “só faltou citar Jesus”, na realidade não compreenderam que faltou tudo! [...] Como sobra incapacidade de desenvolver uma inteligência cativa à obediência de Cristo, muitos intelectuais cristãos simplesmente não têm escrúpulos em sintetizar conhecimento bíblico com saberes secularizados. O resultado é gente que mistura fé cristã com marxismo e pós-estruturalismo francês para produzir teologias da libertação, que combina marketing multinível com versículos bíblicos para construir uma gestão eclesiástica dinâmica ou que tenta mesclar saberes pseudocientíficos, como coaching, para tentar desenvolver uma liderança cristã contextualizada. . O núcleo de sentido básico de uma “mente cristã bipolar” é a atitude de “vestir” aos domingos a roupinha de crente para cantar e pensar como cristão e, durante a semana, “vestir” a roupa de intelectual cientificamente neutro ou culturalmente relevante. Além de ser terrível essa vida bipolar, ela é fruto justamente da falta do discipulado da inteligência."