Sofia era uma garota extremamente maravilhosa. Não tinha sentimentos, muito bela e usava sabiamente este dom dado ao genes de seus pais. Não falava ou sorria. Aparecia frequentemente em meus sonhos, com aqueles lábios molhados e o perfume de sua pele me extasia. Não se engane.
Sempre sento ao mesmo banco, olho como as pessoas são falsas e continuam neste ciclo sem fim. Foram colocadas a força e são ajustadas por padrões. Esta vida é sem sentido e fria, como sempre. Volto sem nenhum sentimento a parte, até o momento em que atravesso a rua e deparo com uma criança só aos prantos. A desprezo friamente e sigo sentido a rua de meu lar. Próximo a sorveteria, ouço gritos de desespero. A minha volta nada se manifesta além de carros, pessoas falando em seus aparelhos e coisas a parte. Esta solidão está levando-me a loucura.
Entro em meu lar, limpo meus pés e sigo em direção a cozinha. Os barulhos do andar superior está ficando mais intenso. Novamente, deixo uma xícara cair por ser tão desastrado. Não consigo namoradas a muito tempo. Não sou ajustado a nada. Fracassado sou. Este banho quente afoga um pouco de sentimentos que possuo, não são bons. Levemente, o vento bate a janela de meu quarto assobiando, dizendo: _Durma logo. O que lhe aflige? Tem tido pesadelos?. Deixo-o falar sozinho. Neste momento o mundo está em minha cabeça mas não induzida a ele.
Desperto as nove da manhã. Algo está diferente. Meus livros estão desajustados. Minha caneca fora do lugar. Algumas roupas ao chão. Pego minha arma que sempre deixo guardada. Uma bela faca afiada, refletindo este olhar. Extasiado estou e louco de prazer, sentindo a sensação de uma nova presa. Pequenos passos dados pela donzela em apuros, sarcasmo. A frente está um espelho. Não vejo nada além do reflexo dos quadros mortos. Dirijo a cozinha, nada está. A casa está vazia. Mais um dia tedioso e sem brincadeiras a parte.
Nenhuma resposta. Novamente ajusto-me aos padrões criados pelo ciclo. Olho ao espelho e vejo qual máscara será melhor para esta noite. Este terno está belo para ocasião especial. Desfruto de suspiros extasiados, imaginando a sensação futura, sempre modificando a cada movimento, cada gesto, clemencia ou suspiro.
Uma dama está parada em frente a um hotel abandonado. Fitando seus olhos negros e frios, sinto a sensação de ser observado por Sofia. Imediatamente, tampo seus lábios e digo a esta dama para se calar. Coloco-a sobre a parede fria de um beco, amarrando seus pulsos para traz, sem nenhum movimento aparente. Seus olhos estremecidos, cheio de lágrimas dizem o que deseja. Corto levemente sua blusa, olhando sua reação. Esta não é Sofia. Fortemente aperto seu belo pescoço, olhando seus olhos de espanto. Merece o sofrimento por não ser Sofia. Porque me enganas? A euforia limita algumas ações de prazer. Alguns cortes são feitos entre suas pernas. Ela não quer sentir o prazer que é a dor. Viro-a de cara ao concreto gélido enquanto seguro seu cabelo fortemente contra o mesmo. Conformada com a situação, seus suspiros não são mais de temor. Sua face se modifica. Esta é Sofia.
_Sofia, por que fugiu este tempo todo?
_Por que mente e me faz sofrer Sofia?
Calada e assustada, seu corpo contorce tentando fugir. Ah, esta risada esvai e o prazer vem a tona. A lâmina percorre sobre seu belo pescoço ao seu peito esquerdo. Olhos modificados e lágrimas percorrem dos olhos de Sofia.
_Sofia, está sentindo a dor?
_Esta dor me incomoda a um longo tempo. Vamos acabar com ela?
Ah, este aroma de navalha desfrutando destas camadas. A vida se esvai e fico sozinho novamente, sem Sofia.
A casa vazia, o pulsar do relógio. Tomo uma xícara de chá com meu medicamento para dormir. Meus cigarros deixam marcas de expressão. Bebidas esgotando. Tudo está normal, no ciclo de ir e vir.
Autoria, Elisabete c. Reis.