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era você,
por que então eu
te vi ontem, feliz,
de mão dada com
outra pessoa?

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@amiopia
se o problema
era você,
por que então eu
te vi ontem, feliz,
de mão dada com
outra pessoa?
Se o problema era você, por que então eu te vi ontem, feliz, de mão dada com outra pessoa?Engraçado, né? Você dizia que não sabia amar, que estava quebrado, que não estava pronto… mas, de repente, para alguém que não sou eu, você estava.
Para mim, era sempre desculpa. Para mim, era sempre tarde demais, difícil demais, pesado demais.
Mas pra outra pessoa, virou fácil. Leve. Natural.
Dói admitir, mas não era o mundo que não estava pronto. Não era você que não conseguia. Era só eu que não era suficiente pra te fazer tentar.
E eu sei, eu merecia mais do que alguém que só sabia ser metade. Mas mesmo assim… ver você inteiro com outra doeu como se tivessem arrancado um pedaço de mim.
No fim, acho que o problema nunca foi você. O problema foi eu ter acreditado em cada frase bonita que você usou pra me deixar ir.
Eu sabia que você não me amava mais. Eu sempre soube. Na verdade, eu comecei a sentir quando ele acabou. Não porque alguém me contou, mas porque eu sentia. Eu reconheci. Eu vi. Porque um dia eu fui muito amada e me lembro bem como era. Lembro da intensidade, da segurança, da forma como o mundo parecia caber dentro do que a gente sentia. Eu sabia exatamente o que era o amor. Sabia como ele era, como se comportava, o que dizia, como agia. Eu o reconheço.
E foi justamente por ter sido tão amada que eu percebi quando não era mais. O silêncio passou a ser desconfortável. Os gestos perderam intenção. O cuidado se apagou. Não foi de repente, mas ficou totalmente claro. E quando o amor deixou de me procurar, eu entendi que ele já tinha ido embora muito antes de sair.
Eu soube que o amor tinha acabado porque, um dia, você me deu tudo o que tinha. E depois, quando isso sumiu, ficou evidente. O que era inteiro virou lembrança. O que era chama viva virou cinza. Não teve briga, não teve cena, só a constatação silenciosa de que o que sustentava a gente já não existia mais.
Mas eu sei o que é ser amada. E sei também quando não era mais. E mesmo que tenha acabado, eu amo o que foi, porque foi real. Foi bonito. E é justamente por ter sido tão bonito que eu percebi, sem que ninguém precisasse me dizer, o exato momento em que deixou de ser.
Eu sabia que você não me amava mais, porque um dia eu fui muito amada por você.
diferente.
pensei que seria diferente.
viver é como andar com uma faca cravada no peito.
nem tudo pode ser poesia.
Eu queria saber o que você enxerga quando olha pra mim.
Dia 8
Hoje choveu o dia inteiro. Daquelas chuvas que parecem entender o que a gente sente por dentro, sabe? Ficou tudo cinza, molhado e lento. E eu fiquei aqui, na janela, pensando em como você costumava dizer que adorava dias assim. “Dias de cobertor e filme ruim”, você falava. Eu sempre ria disso. A verdade é que eu nunca gostei de dias chuvosos. Mas com você, até eles pareciam bonitos. Agora, a chuva só traz silêncio e saudade. Eu olhava as gotas escorrendo no vidro e sentia como se cada uma delas carregasse um pedaço do que eu não consigo dizer. São tantas palavras presas na garganta, tantos “fica” que eu engoli pra não parecer fraca, tantos “me perdoa” que talvez tivessem feito diferença se tivessem sido ditos a tempo.
Será que você pensa em mim quando chove? Ou será que esses dias, pra você, ainda são bons, só que com outra pessoa?
Eu não sei. E talvez nunca saiba.
Mas hoje, com a chuva, tudo o que eu senti foi vontade de voltar. Não pro lugar. Mas pra você.
Dia 6
Acordei com a sua voz na minha cabeça. Não sei se era sonho ou lembrança, mas parecia tão real que, por um momento, tive certeza de que você ainda estava aqui. Senti seu “bom dia” sussurrado, daquele jeitinho sonolento e doce que só você sabia fazer. A saudade tem dessas crueldades… ela nos dá migalhas do que já fomos, só pra lembrar o quanto perdemos. Fiquei o dia inteiro carregando esse som. A sua voz. A sua risada. Aquela que escapava sempre que eu dizia uma bobagem qualquer só pra te ver sorrir. Era por isso que eu fazia, pra te ver feliz. Eu sempre quis te ver feliz. Mesmo que agora, isso não inclua mais a minha presença. Tem sido estranho seguir sem você. As coisas continuam, as pessoas vivem, o tempo passa… mas dentro de mim, tudo parou no exato instante em que você disse adeus. Eu continuo aqui, preso no dia em que você foi embora, tentando entender como é que a gente esquece quem foi casa.
Eu não esqueci. Nem sei se vou.
Dia 5
Hoje me peguei rindo sozinha ao lembrar de uma das suas manias. Aquela de sempre colocar duas almofadas no sofá, uma pra você e uma “reservada” pra mim, mesmo quando eu não podia ir. Você dizia que, de algum jeito, minha presença tava ali. Eu achava isso fofo. E agora entendo como dói ter uma ausência tão presente. Tem tanta coisa aqui que ainda carrega você… e eu não sei se isso me consola ou me destrói um pouco mais a cada dia. Eu tento seguir, juro. Tento respirar fundo e fingir que sou inteiro sem você, mas tudo continua desalinhado, fora de lugar. Hoje uma amiga me disse que com o tempo melhora. Que a saudade vira lembrança leve. Que o amor vira só história pra contar. E eu quis acreditar. Mas como é que eu transformo você em passado, se tudo em mim ainda vive no presente?
Você não sai de mim. Mesmo tendo ido embora.
Hoje eu quase te mandei uma mensagem. Escrevi um “Oi, tá tudo bem?” e fiquei encarando aquilo por minutos, como se minhas mãos não soubessem o que fazer. Mas no fim, apaguei. Não porque não quisesse falar com você, Deus, como eu queria, mas porque percebi que talvez você não queira mais ouvir minha voz, nem saber como eu tô. E isso dói mais do que eu consigo colocar em palavras. Tem tanta coisa que eu queria te contar. Coisas bobas, do dia a dia. Vi um passarinho pousar na varanda hoje, igual aquele que você dizia que era sinal de sorte. E por um segundo, eu sorri. Por você. E então chorei. Também por você. Eu queria que a gente tivesse tido mais tempo. Mais paciência. Mais coragem. Talvez a gente só tenha se encontrado na hora errada. Ou talvez a gente nunca tenha sido pra ser, mesmo que, dentro de mim, tudo grite o contrário. A verdade é que eu ainda estou aqui. Preso entre o querer esquecer e o medo de deixar ir. Espero que, onde quer que você esteja, pelo menos esteja em paz.
Tem horas que eu me pego olhando pro celular, mesmo sabendo que ele não vai vibrar com o seu nome na tela. É automático, sabe? Como quem espera uma notificação do mundo pra dizer que tudo isso foi só um mal-entendido. Mas nunca vem. E essa espera silenciosa tá me deixando em pedaços. Hoje mexi em algumas coisas e achei aquele bilhetinho que você colou no meu caderno uma vez. “Não esquece de comer direitinho e dormir bem. Te amo.” Guardei como quem guarda um pedaço de sol em dias nublados. E reler isso agora só me fez perceber o quanto você se importava… ou talvez o quanto eu acreditei nisso. Eu ainda me pergunto se você sente falta dessas pequenas coisas, do jeito que eu esquentava o seu café, das nossas conversas antes de dormir, das bobagens que a gente falava no meio do caos. Porque eu sinto falta de tudo isso. De você em mim. Tem sido difícil. Não o término em si, mas tudo o que ficou depois. O silêncio. A bagunça que você deixou e ninguém mais consegue arrumar. Nem eu.
Sinto sua falta. Mesmo que você nunca volte.
Hoje o dia amanheceu pesado. Dormi mal e sonhei com você, de novo. Era um sonho simples: a gente estava tomando café juntos, você ria de algo que eu dizia e, por um instante, tudo parecia normal. Eu quase pude sentir seu toque quando acordei… e então veio o vazio. A cama gelada, o silêncio, a ausência.
Fiquei um tempo olhando pro teto, tentando entender como a gente foi de “pra sempre” para “nada”. É estranho porque, mesmo sabendo que acabou, tem uma parte de mim que continua esperando. Um toque seu. Uma mensagem. Um sinal de que você também sente falta, de que nem tudo foi em vão.
Passei o dia inteiro fingindo estar bem. Mas por dentro, tá tudo desmoronando. Fico me perguntando se você pensou em mim hoje. Ou se, pra você, foi só mais um dia comum. Já pra mim, foi mais um dia sobrevivendo à sua ausência.
Não quero me acostumar com isso. Com o mundo sem você.
todo mundo vai embora. as vezes é o que eu penso depois que você se foi. e talvez eu não encontre, de imediato, uma resposta. talvez a tentativa seja uma maneira de autoengano. talvez as partidas sejam necessárias para o nosso amadurecimento. mas a verdade é que todo mundo vai embora, não importa se a mesa esta posta ou não. não importa se o abraço aquece ou a presença conforta. todos sempre vão embora. e não importa se a distancia é curta ou longa, ou se os dois ainda sentem o mesmo. não importa se as memorias são boas ou ruins. ou se você prometeu que iria ficar…. todo mundo vai embora, contudo, há quem ainda volte nem que seja para pedir perdão, reestabelecer laços, falar das memórias ou apenas contar histórias, mas também há quem vai embora para sempre. você já foi embora. eles já foram embora. a questão é se o “para sempre” não existe por que insistimos em tentar? céu de júpiter e poetologia em: tudo mundo vai embora
não dói em você saber que você me quebrou de uma forma que eu nunca mais consegui ser inteira?
“Fechei os olhos, de repente só via você.”
— Gabriel Elias
toda vez que eu penso em você eu desmorono e eu penso toda hora.
t.
Tudo começa e termina em você.