da tua boca
não de que qualquer boca
apenas da tua
que me saliva
morde
escancara
(come
que olha
desconfiada
nossa etimologia
consensual
que exercita
a escuta
dos que temem
liberdade condicional
da tua boca
não de que qualquer boca
apenas da tua
que phode
o juízo
jogando-me ao perigo
em distração casual
que vela
meu sono profundo
enquanto arde
teu mundo abissal
que gira
a chave (nossa)
entra e sai pela porta
com a certeza habitual
da tua boca
não de que qualquer boca
quero ouvir
na última noite
acesa
sobre meu corpo
ungido em sal
ao menos uma vez
a despedida
[nunca mais
sen(ti)]
afinal
Flávia Gomes

















