Advérbio de falta
Todos os meus prazeres me destroem.
Todos os meus afagos me corroem.
Todo o meu futuro se acaba.
Todo o meu fim se constrói.
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Not today Justin
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Advérbio de falta
Todos os meus prazeres me destroem.
Todos os meus afagos me corroem.
Todo o meu futuro se acaba.
Todo o meu fim se constrói.
Dias
Não sei exatamente que diferença vai fazer
O que foi já passou e o que ainda… será?
Nada acontece no meu como ou no meu quando
Essa busca de propósito tem encontrado algumas lacunas que preencho de passado
Veja bem, não é que eu esteja suicida, não mais
É que meus olhos já não enxergam mais as mesmas cores
Meus ossos estralam o peso de ser
As vitaminas só aumentam e… ao vê-las na palma da mão, todos dias, me questiono o pra quê
Pra quê? Pra quê continuar? Não tem mais o que acontecer
Na minha intensidade, já vivi demais
Ah, você pergunta daquele outro, aquelas outras que não passei por ainda
É que não vai vir, entende? Olha só, está tarde e tudo bem, tentei por todas as linhas tortas e rasgadas, fumadas e cheiradas, está tudo assim, então, bem
Não consigo alcançar esse pra quê
Pra quê acordar todos os dias?
Pra quê fazer tanta comida?
Pra quê contar calorias?
Pra quê os 1000 passos por dia?
Pra quê se todo dia se repete?
Entende, nada mais vai acontecer
Já me arrasto 10 anos a mais que o esperado
Meu livro nunca vai sair
Nunca vou voltar ao Canadá
Muito menos conseguir ir ao Japão
Únicos desejos ainda levemente ansiados
Então vejo duas meninas tentando andar numa bicicleta sem roda e se divertindo, ainda assim…
Lembro de mim
Aos 5 anos de idade
E de como todos os dias
Esperava tanto
Que tudo mudasse
E não se repetissem
Tanto os dias
Almoço
Tenho esquecido de almoçar. Frango, um tubérculo que dizem ser saudável, alguma verdura. Uma fruta para depois, ou um gole no chá de hibisco, dizem melhorar a retenção de líquido. Suco verde. Caminhadas de quarenta a cinquenta minutos. Quatrocentas ou quinhentas abdominais diárias. A busca por mim mesma, cansativa, endorfinada, com um adesivo de nicotina variando de braços e dando coceira. O horário dos remédios, as horas dormindo, finalmente, após noites de insônia e pesadelos. Medo. Mas medo de quê, exatamente? Não é como se meus gatos não fossem sobreviver sem a minha presença, já testamos a vivência deles com meus pais e, apesar da gata deles, que se chama gata em inglês, não gostar dos intrusos na casa que é sua, foram bem cuidados. Já usei meus gatos como a justificativa para uma permanência meio torta, afinal foi a minha quem bateu na minha mão daquela penúltima vez.
Outra justificativa era só parar de fumar quando fosse mãe. Uma mãe de santo falou do futuro brilhante que eu teria, com uma casa enorme, possivelmente um centro de ajuda para pessoas que precisam dela, outra cidade ou outro estado, um marido, um filho ao meu lado. Como, me pergunto, se desisti de ser mãe ainda ano passado? Seria esse o segredo para que o meu enredo desenrolasse, o desistir? Não sei exatamente para quê ou por quem estou largando os 8 a 10 cigarros diários. Contei para o meu pai que a primeira vez que fumei foi aos 5 anos. Acredito que minha mãe não tenha falado sobre isso a ele, já que algumas horas depois ela percebeu o cheiro do Carlton dela em mim e, do jeito que achou prudente, me puniu com sandálias havaianas pelo corpo. Ou será que isso aconteceu quando peguei os 50 reais da carteira do meu pai, sem entender que estávamos passando por dificuldades financeiras, para comprar canetinhas coloridas, as mesmas que invejava as colegas de escola terem, mas eu não.
Por muito tempo invejei as colegas que seguiam as ordens das mães e recebiam ajuda nas tarefas. Lembro das tardes sozinha em casa, assistindo aos desenhos com a antena que meu pai tinha encomendado, tentando entender meu lugar naquele mundo meio solitário, mas cheio de coisas ao redor. Queria saber o que minha mãe gostava tanto naquela fumaça que permeava pela casa e pelo carro. Quis saber o que minha mãe fazia tanto em São Paulo na época da cirurgia. “Você quer ir pra Disney ou fazer uma festa de debutante?”, não quis nenhum. Preferi ir a São Paulo, conhecer esse lado da minha mãe, e ir para o Rio de Janeiro, conhecer o lado do meu pai. Entender meu lugar no mundo.
A verdade é que não sei exatamente quem eu sou sem o amparo da fumaça que tomei como minha e, na minha cabeça, ajudava com a ansiedade. Acontece que não sei mais pelo que tanto anseio. Desisti de sonhos, vivo no automático, faço meu trabalho, tento ser melhor, consegui ir pra Disney sozinha. Andando pelas ruas de Nova Iorque com os fones no ouvido, senti o lado bom de ser só eu. Nada me impede, posso tentar ser especial como todas as crianças nascidas nos anos 90 foram influenciadas a acreditar. Já estou há 6 dias sem fumar. Uma bronquite crônica assustou mais aos meus pais do que eu. Talvez eu não queira vê-los sofrer de novo por minha causa, a única filha de um deles, a que deu tanto trabalho. Mas foi tanto trabalho assim? Se soubessem tudo o que eu sei que vivi, talvez não aguentassem a dor de ter me colocado no mundo. Talvez me entenderiam melhor. “Um dia vou escrever um livro e eles vão entender”, mas será mesmo? Um vácuo de momentos que não precisam ser revividos, muito menos lidos.
Penso muito nele. Não tanto quanto pensa em mim, certamente. É que me acalenta pensar em outras coisas que não eu. Honestamente, não esperava ainda estar viva, então parece que vivo num beco sem saída. Posso seguir, entretanto... com que propósito? Mudar vidas através do trabalho que paga meu sustento? É suficiente querer viver pelos outros? Não sei explicar exatamente, mas consigo me amar, a questão aqui não é o desamor. Provavelmente eu já tenha amado demais nesses 30 e tantos anos, e vários amores foram errados, mas pareceram certos em algum momento. Li demais na infância, esperei algum tipo de príncipe ou princesa, qualquer coisa que me tirasse dali. Minha salvação fui eu mesma. Não sei o motivo. Não sei o que me leva a continuar. Já me dei girassóis, já me dei presentes, já me dei infernos, já me dei percalços. Quando acaba? Quantos mais frangos com verduras e abdominais devo colocar pelos dias? Preciso ser saudável para quê? Vou fazendo sem saber, assim como comecei um dia a escrever. Diria que nunca sei muito bem o que estou fazendo, mas diriam que algo de certo estou fazendo.
Minha antiga psicóloga achava interessantíssimo quando eu mudava a cor dos meus cabelos. Queria dizer a ela que hoje estão cor de rosa. “Por que?”, porque um dia eu quis e pensei sobre isso por incessantes 8 meses. Penso demais. Penso o tempo todo. Não consigo achar as motivações intrínsecas, achar não, entendê-las, de alguma maneira. De tudo que a mãe de santo me falou, o que ficou grudado foi que eu viveria algumas tantas perdas, o que ela disse com olhos de pena. Outrora, já haviam me dito algo similar. Abortos, acho eu. Ainda não engravidei nenhuma vez, mas penso tanto nesses abortos, que não quero permitir que isso aconteça, mesmo sem a certeza de que era isso que queriam me falar. Esse é o grande problema da maioria das pessoas que passa pela minha vida, o medo da honestidade, como se eu fosse uma boneca de porcelana que cairia ao primeiro sinal de aflição. A realidade não me assusta, o que me assusta é não saber.
Fui ensinada a pensar sobre serenidade, coragem e sabedoria. Devolver a ilusão de controle para o incerto do destino. Estive perto da morte tantas vezes que ainda não entendo por que acordei em pânico de uma cirurgia, como um bebê que sai do ventre sem saber onde está e porque diabos o tiraram de lugar tão confortável. Vai ver eu estava confortável no limbo do não pensar induzido por anestesia e o despertar arruinou minha paz como a de um bebê tranquilo. Quem sabe foi por isso que me enrosquei no cordão umbilical e não quis sair, eu ainda tinha um mês de paz.
“O que você quer?”
“Eu quero paz”
“E o que é paz pra você?”. Até hoje não sei responder.
Onde estou hoje consigo sentir paz, mas agora é diferente. É mentira dizer que os cigarros me davam paz. Eles me davam a esperança de ir logo embora e acabar com essa dúvida eterna e busca de propósito. Ou não. Ou eles me davam um abraço quando não tenho ninguém. Ou não. Ou eles me faziam parar de tremer, momentaneamente. Medo de engordar de novo sem eles. Frango, batata doce, caminhada, academia, 400 abdominais. Sobreviver. Para quê? Monto tantos cenários na mente, falo tanto com os outros sem que eles saibam, crio um milhão de diálogos que nunca acontecem. Acho que tento me preparar para o que pode acontecer, mas nada acontece como o esperado. Então eu continuo, sem saber quem eu sou, buscando por algo que não sei o que é, desejando que tudo logo se resolva para que eu tenha alguma sensação nova de paz, para que eu não tenha mais que ficar contando segundos, contando passos ou acasos.
Respiro melhor. Durmo melhor. Os sonhos não param porque minha mente não descansa. Acordo na madrugada, bebo água, durmo de novo. Voltei a ler. Faço meu trabalho, tento não me pressionar tanto e me permitir mais um episódio de um seriado qualquer. Será que agora tenho medo de morrer? Tão desconhecido, seria, se fosse isso. Não deve ser. Tenho medo de precisar de ajuda? De ter que ir? De não ter dinheiro para as contas? Tenho medo de não ver meu futuro e as tantas perdas que falaram? Medo das coisas e não sei que coisas são essas. Decepciono a mim mesma por não saber as respostas. Custa muito esperar pelo que não se sabe. Preciso descobrir quem sou eu, de novo, acredito que pela quarta ou quinta vez, no mínimo. Exaustivo existir sem ter pedido.
Amanhã tudo se repete, mas quem sabe eu lembre de almoçar.
Tô com um incômodo
Não encontro meu lugar
Passeando por aí
Dirigindo sem parar
Pilotando no automático de mim
De vez em quando acontece, assim
Por favor, não me encosta
Se eu fosse um bicho, seria o polvo
Só por agora
Tiraria de mim com todos os braços
Tudo aquilo que me toca
Quero parar de reclamar
Só que não param de gritar
Não cabe mais nada nesse espaço
Bloqueei os novos dados
Muito prato desequilibrado
Penso nisso e logo naquilo
Dou reviravoltas sozinha e imóvel
Não intacta
Traz o meu silêncio pra mim
A calma, o isolado
Deixa eu esquecer de andar
Coloco aqui na agenda
Um tempo pra chorar
É que não adianta, não é que nem missa
Tô me enganando?
Nem sei, que horas tem?
Perdi a noção, falei
Esqueci
Pra onde eu vou?
Vejo vídeos do novo
Limpo todo o lodo
Não tem mais espaço, fica calado
Só um pouco
Preciso pensar, um de cada vez
Segura, não solta de si
Ouve uma música
Vomita uns negócios
Ninguém precisa entender
Que o que eu tiro de mim
É só o que faz parte
Não invento estória, jogo lá fora
Tudo o que tem
Não o que falta
Acabou a ausência aqui
Tô com um incômodo
Que não é meu
E não é de fim
Vou-me embora
Logo ali
Tenho preparado todos os meus “goodbyes”
Que nem a música diz, sem saber se fiz a escolha certa
Mas indo, logo, pro distante
Que sentimento bom saber que nada me prende aqui
Ainda que meio amargo o canto da boca que não pode se despedir da tua
Mas sigo, logo, mesmo assim
Algo te aconteceu, eu sei
Não criei nada, tenho certeza
Tem vezes que é o momento e tudo bem
Tô com pressa de ir embora e continuar nessa vontade de só me amar mais a cada dia
O trabalho me atrapalha, daqui a pouco isso muda
Só mais uns dias
Menos de um mês, talvez
Uma outra vida
Preparo todos os meus “goodbyes”
E o coração falhando por querer te dar um deles
Mas tudo bem, eu ando fugindo também
De abraços que não me encaixo, de olhos que não me olham como os teus
São só as palavras que tu nunca me deu
E isso não supera a calmaria da minha cabeça encostada no teu peito, nessa cama que daqui a pouco não é mais a mesma
Sinto sempre demais
Mas isso não me impede mais
Você já sabe, tô indo embora
Sem saber quando voltar
Ou se fiz a escolha certa
Fica a saudade que sempre existiu
It’s after midnight
After a long day at work, I’m home
The home that soon will not be more
Got myself some me time, much due
Music in my ears, walking on floors of strangers
Have some coffee, take a bite
Buy some shit to fill a void?
Watch that movie everybody been speaking about
“Is there a combo for a loner who loves popcorn and doesn’t mind the soda?”
Two straws for one
I’m alone
And the flick… it touches a wound
Great, just great
Walking on an empty parking lot
To an empty car running out of gas
Driving, alone
I’m home, soon not to be
Thoughts cloud my head, moments of 32 years in the world
So many different lives
I get it, it’s coming
I’ve been trying to push it away, always the same
Using and abusing of not so unhealthy dopamine hits
Several years of therapy got me here
Where exactly?
There’s darkness in everyone
We’re moved by desire
Never enough
It’s as I keep browsing for that one thing to keep me
But the door is constantly ajar
Can’t find beautiful words now
It’s a sea of nothing and all at once
Will “ok” ever feel satisfied?
What an unsustainable idea this is
To keep on going
I’ve got myself, that’s for sure
With all the privilege of being me
And the dust of the in-between
The secret of us getting better might be in how long we lie embraced
If only you’d say the magic words…
I wake up everyday after seeing you in my dreams, which I cannot control
We could be so happy
Even if only for a moment
Tentei me proteger, não consegui
Tentei achar respostas, não consegui
Dois dias pro momento mais difícil pra mim
Falei pra psicóloga que eu queria ter alguém nesse momento
E ontem me afastei de vez do alguém que eu queria que pensasse igual
Logo depois de ouvir a mesma frase de antes…
Quando é que eu vou parar de entregar amor pra quem não quer me dar de volta?
Será que um dia vai ter alguém que me queira por inteiro?
Será que um dia eu vou acordar sabendo o que é se sentir segura no amor de novo?
Já faz tanto tempo que eu não sei o que é reciprocidade, companheirismo e cuidado completo
E, ainda assim, é tudo que eu tento dar pra quem entra aqui dentro
Tudo que eu queria era ouvir: “me espera, eu te quero”
Não dá pra esperar no escuro
Retro-expectativa.
Uma das premissas da minha irmandade é a honestidade. Esse é um relato honesto de 2022 pra mim - Samantha. Sem outros nomes.
Eu comecei o ano sozinha em casa e prometi a mim mesma que esse seria o ano pra aprender a lidar melhor comigo e com a minha solidão. Todo mundo tem um pouco de solidão em si. Nessa mesma época, eu tava de novo com aquele que me mostrou o que tem de pior na vida. Pra explicar isso melhor eu preciso voltar pra 2021 e 2020.
Em meados de 2021, depois de passar 6 meses me recuperando de uma das piores quedas depressivas (não tão ruim como a de 2017 pois já tinha algum preparado então), eu recaí. Recaí na promessa de amor juvenil, daqueles de história de cinema, o que já tinha me feito regredir pra adolescência em 2020. Esse 2020 começou com a quebra de um noivado, um momento de histeria e escolhas erradas. Uma viagem a São Paulo que começou bem e terminou com a perda de um vôo, uma briga insana e uma advertência no então trabalho. Eu estive perdida de mim e quem quis ser minha bússola me levou pro inferno.
Mudei de casa duas vezes e nas duas ele esteve comigo. Hoje ainda lembro de alguns momentos de 2020 e 2021 quando me pego olhando pra cantos da casa onde fui humilhada, ultrajada, exaltada, xingada e odiada. A verdade é que eu não conseguia sair daquilo tamanha manipulação. Os gritos eram altos demais pra conseguir ouvir minha voz interior. Nem uma tentativa de suicídio em 2020 falou alto o suficiente pra abafar os gritos que vinham dele.
Pois bem, depois dos 6 meses, eu recaí. Ele voltou pra cá e ninguém sabia direito. Quando descobriram, obviamente, falaram todas as coisas certas que eu não queria ouvir. A codependência é difícil de superar. O que eu percebi depois, quando finalmente consegui tirá-lo da minha casa sozinha, é que eu tinha que fazer isso sozinha e sem os vários amigos que vieram aqui aquele dia. Eu, sozinha, consegui recuperar minha força, e começou ali. Sendo que em janeiro eu tentei engravidar dele. É, nada é tão linear assim, mas foram só 2 meses pra conseguir acordar depois disso, ainda bem.
Chegamos a março desse ano. Na tentativa de me desgrudar de mim mesma, como um band-aid, sofri uma violência sexual, a qual precisei de 3 meses pra entender. Veja bem, eu me permiti conhecer um estranho, como várias pessoas fazem, só pra tentar tapar algum buraco, sei lá. Logo na primeira vez eu percebi que aquilo não era pra mim, mas dei o benefício da dúvida, coisa que sempre faço. Ele quis vir aqui, na minha casa, e eu não queria deixar. Subimos pra cobertura, ele vestia a blusa da banda que me conectou ao inferno da minha vida mil anos atrás. Tantos sinais... Mas sabe aquela força que eu recuperei? Ela ainda não tava inteira. Mesmo com tantos “nãos”, aconteceu. Na minha casa, na minha cama, no meu sofá. E eu não soube mandar embora. Esperei.
Esse caso me machucou muito porque eu sentia culpa e o pote de culpa aqui ainda tava cheio. Como poderia eu, depois de tanto, aceitar passar por isso? Aceitar? Era esse o verbo? Aqui eu queria diretamente agradecer minha psicóloga pela ajuda absurda que sempre me dá. Na análise eu consigo me ouvir melhor e me libertar.
Depois dele, veio o outro, o ex recente. Ele me prometeu tanta coisa e eu, tão machucada, comecei fingindo que acreditava. Fui deixando, fui levando, até que entrei de cabeça quando ainda demorava um pouco pra entender o narcisismo. Muito obrigada, ex, por me mostrar que o amor de verdade não era você. Sofri com o término, que eu pedi, porque mais uma vez precisei mandar ir embora alguém que tinha várias promessas e jamais iria cumpri-las, mas confesso que a dor maior foi perder o sorriso da pequena. Tentei, alguns bons meses depois, uma amizade com o intuito de ainda ser parte da vida dela, sabendo por outros que ela sentia minha falta, o que você não quis me dizer. Não sei o que você esperava daquele dia, que não era um encontro – mas você o chamou assim. Só sei que eu não tinha nenhuma outra intenção se não poder vê-la, e mais uma vez você fez uma promessa vazia. Sofro ainda hoje a falta dela. Mando meu amor de longe e tudo bem. De você eu não preciso e nunca precisei.
Nesse meio tempo eu me perdoei. Perdoei tudo que vivi, tudo que senti, tudo que sofri. A culpa era algo que aquele inferno tinha instalado tão profundo em mim que demorou pra me libertar totalmente, mas veio. Inclusive, foi essencial tê-lo encontrado um certo dia, por exata meia hora, pra eu ver como estava forte e já tinha voltado a mim. Hoje sou livre de qualquer culpa que já senti e minha criança interior é abraçada novamente. Me jogo no trabalho, hoje em uma posição um pouco mais alta, coisa que nunca imaginei. Não sei se tenho sucesso, só sei que uma das minhas válvulas de escape sempre foi trabalho, e o equilíbrio entre o saudável e o burnout é suado, mas sigo.
A minha vida não é só sobre amor, mas não tem nada que eu faça sem amor – e se tento, sai errado. Encontrei um alguém pra conversar todo dia por um tempo, alguém que parece ser muito bom, lá de longe. O sumiço dele por um tempo mudou algumas coisas aqui e, num momento de fragilidade, ele ressurgiu, porém não era mais o mesmo. Espero que você entenda. Na verdade eu sei que você entende. Só te quero bem. Muito obrigada por me ajudar a recuperar minha autoestima. Você foi crucial na minha jornada de cumprir a promessa da virada do ano.
Entre essas e outras, me permiti viver encontros, alguns estranhos, alguns bons. O importante é que eu me permiti e ganhei umas histórias engraçadas pra contar.
Hoje eu sei que aprendi a lidar melhor comigo e com a minha solidão. Ontem consegui finalmente largar um pouco o trabalho e me dar amor. Sentei num café lendo um livro que fala exatamente sobre o que tenho estudado há tanto tempo, ao mesmo que vivo, o lance do amor e da solidão. Assisti a um filme no cinema, coisa que não fazia mais e gosto tanto. Tive uma noite com amigos regada a risadas.
Nesse ano eu fui pra shows, o que também amo fazer – um deles preferia ter ido sozinha. Planejei uma viagem que não aconteceu, fiz a mudança de uma amiga duas vezes, da segunda pra cá. A decisão de não morar sozinha por um tempo me ajudou porque a solidão às vezes corrói minha alma e me leva a lugares que não quero mais estar. Serviu e ainda serve como uma proteção. Se você estiver lendo, muito obrigada.
Apesar de algumas escolhas erradas, a plenitude foi possível, agora, nos últimos segundos do ano. Termino o ano apaixonada, mais uma vez, não só por outro alguém, mas por mim também. E que alívio chegar até aqui. Mesmo com o medo da cirurgia mês que vem, o achar que vou morrer (não literalmente, talvez), a possibilidade de ter que enfrentar o desconhecido da perda de um sonho tão antigo, hoje eu quero viver. Eu quero ver onde isso vai dar e eu quero ver onde mais eu consigo chegar.
Nunca tinha tido uma reflexão tão cheia de esperança pro outro ano, ou pelo menos não consigo lembrar da última vez que fui assim, menos escuridão. Em 2022 eu aprendi a me amar de novo e andar com a cabeça erguida. Alguns dizem que isso intimida, mas tudo bem, o importante é que ninguém mais me intimida e me faz pequena. Eu sou enorme. A luz aqui de dentro, num bom clichê, acendeu de novo.
There are days where I feel like I’m back to those years it all began
As I haven’t been through so many sessions to treat my bonker head
I’ve been off the meds for a while and it’s a rollercoaster, but I don’t think it was helping anymore
Might be me being stubborn and sick of being sick
Fighting the case of brain abnormality never proven
I mean, I got a pseudo diagnosis… I guess?
But what should I do when psych and therapist collide?
Well, I’m trying to survive
The thing is this loneliness and how the slight move of rejection throws me off completely
Don’t want to have to take care of myself
Never asked for any of this
My scars, my memories, my attempts
My frustration
I know how a normal person deals with frustration and I try to act as they do, but I can’t
I try doing all of the things I know they tells us to do, but I can’t
Not a 100%
… so I’m here, as always, once again
Hoping for someone else to help me out in the dust
Knowingly I shouldn’t
But I do, regardless
I think I’m…
Do you miss me when we’re apart?
Do you think of me all the time?
“I should’ve loved a thunderbird instead”
How do I know I won’t get hurt again?
That’s the problem with living, isn’t it?
We never know for sure not one little thing
And here I am, contemplating the flips flops you left
The how many times you’ve complained about the toothbrush in the trash
I got you a new one
Will you come back?
Perhaps you’re too young
Perhaps I’m too old
But boy oh boy
The sound of your voice
The singing in the car, together
The “yes” and the “nos”
The three times we met
You feel like it’s more time
Do you think this will last?
I’m so glad when we lie in bed
I’m so glad when I hear you laugh
I’m so…
Head
Over
Hills?
Oh, my silly little heart
Will it crash again?
If only you also made me feel safe with words
As you do when my body you hold
I miss your arms
The way you copy my cute noises
The way you smell me
And how I look at you right next to me
Admiring all you are…
I whisper and I sigh
And I yell
To my insides
“Could I fall for you?”
“Calm down”
The matter of fact is
I was never calm
But I’m fighting my impulses here
Just so
Just maybe
You don’t leave
So soon
Will you stay a little longer?
Will that cause you any discomfort?
Will I bother you?
Will you get angry at me?
Will you disappear?
We’re a good match… aren’t we?
Say something, please
Send me a song that reminds you of me
As you already bought my favourite snack without me asking for it
The way you look at me…
Am I making this up?
What if… you feel your age… and you give me up… and…
You just woke up and got back to sleep right after sending your almost daily “sweet dreams”
I’ll be anxiously waiting for your “good morning”
And longing for the “I miss you, shall we meet?”
As I’ve been doing
For the past
Few weeks
How many nights have I wasted in this balcony
How many times have I gone to that shithole
How many times have I wanted to let go
How many times have I felt my heart racing
How many bad nights have I endured
To get here
365
Whore hell
Looking at the strange faces crossing my way and wondering, as usual, how the things that happened did happen after all - for which I’ll never get the answer to.
My head is screaming in several different tones of voice. My ears are popping and my throat hurts from the sudden increase in smoke. Living in the uncertainty was never my thing. Waiting was never a part of me. It’s not about patience, it’s more to the fact that I’ve been crushed too much and I’m all I got as a barrier and a protector.
3 weeks since the last empty promise of the whole bunch. I’d been so happy with the hope of seeing her again and you crushed me one more time. Thanks for that. Did I deserve it?
A few days since the one who promised me some more silly things decided to step away, and here he is, sending a message again. Does he miss my videos or the talks we had?
1 week since I let myself open up to something new again and no clarity at all has come my way. He’s cute, he’s tall, he’s made me laugh, he slept with me. And he tells me nothing. Is it just the desire? Let me know, for God’s sake, so I know how to behave.
So many men want to have me - in bed. Nothing more. I guess that’s what he wanted 3 weeks ago.
Congratulations to my ex whose mouth was always right: I wasn’t a whore then, but now it seems like I am. Thanks.
What a lovely night
For something new
Or one more nothing
I think I need to stop trying to distract myself
It’s not working and my eyes are hurting
Won’t this shit go away any soon?
Missing someone you have no control over being able to see is suffocating
But there’s hope
Hope
So here I was watching one of those silly little shows I like
It’s the wedding dress shopping episode
I don’t get emotional anymore watching the women cry about having found the perfect dress
It’s not where my mind’s at
But once the stepmother said “I’ve loved her since the very moment I saw her”
That’s when tears came to my eyes
Will you please just let me see her already?
I don’t care what you say, what we’ve been
I just care about her… deeply