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@amorosei
Pois é... Não valorizaram! Agora é tarde! 😌
teve uma noite
em que eu chorei tanto
que comecei a rir.
porque em algum momento
a dor fica tão absurda
que parece ficção.
- soutexto
Ontem fez nove meses que perdi minha irmã e desde aquele dia eu tenho pensado nela todos os dias, manhã e noites, a cada vez que preciso compartilhar alguma história, que quero saber como anda aquele sonho que ela tinha e daí lembro: ela não tá mais aqui. E as vezes que penso isso, logo sigo em frente e não me concentro no fato de que ela não está mais aqui, como se ela estivesse numa viagem, em alguma cidade distante e fosse só questão de tempo pra gente se vê. Mas se eu paro pra pensar na realidade das coisas, tudo desaba, deságua. Quanto tempo é só questão de tempo? Eu tinha 25 quando ela partiu e talvez eu chegue aos 50, e ela não vai aparecer como se estivesse numa longa viagem. E se eu chegar a formar família, ter um marido e filhos, eles não amarão a ela do jeito que amei, ela seria uma história. E isso não é tão triste quanto ao fato de ser ciente que minha irmã sofreu muitos abusos na infância, e parte deles eu não pude evitar ou defendê-la porque eu também era uma criança. Quanto ao fato de saber que seus últimos meses foram de muita turbulência, frustrações e coisas pesadas. Quanto ao fato deu ser ciente que poderia ter lhe dado todo acolhimento que precisava, mas eu me ocupei com minhas próprias preocupações. O que me consola é saber que eu a amei e ela sabia muito bem disso, e eu a amarei pelo resto da minha vida, mesmo que do jeito manco pelo qual eu aprendi a amar.
É tão difícil ter um amor que não pode mais ser expressado, porque a pessoa amada não existe mais no plano terreno. É tão estranha a sensação de que a única forma de você refletir o amor que sente é refletindo pra si mesmo ou para uma terceira pessoa. E que esse amor só será refletido em palavras faladas ou escritas como essas aqui. Que não é possível derramar todo esse amor da maneira que você costumava despejar em cima do outro. Por meio dos olhares compreensivos, olhares humorados, olhares que se entendiam. Por meio das brincadeiras irritantes, dos gestos de carinho, dos abraços, das brigas desnecessárias que sempre terminavam em pedidos de desculpas e promessas de que elas não aconteceriam mais pelos mesmos motivos. Que saudade do amor expressado em conversas profundas, do colo ofertado e do colo recebido. Da amizade conhecida, das histórias lembradas de repente “tu lembra de quando a gente guardava dinheiro pra comprar Monteiro Lopez todo dia?” “Escuta isso aqui. Te lembra alguma coisa? Advinha?”. Que saudade eu sinto de ti irmã. De te chamar de cabeçuda. De gritar contigo quando tu vinha com tuas graças. De ser chamada de “velha, chata”. De compartilhar a vida contigo. Que saudade minha irmã, de chamar o teu nome e saber que você atenderia ao meu chamado. Eu passo dias sem falar o teu nome, é tão doloroso saber que meu corpo está sendo obrigado a se despedir dos costumes que tínhamos. O costume do meu ouvido de ouvir a tua voz, o costume dos meus olhos de te vê além dessas telas, o costume da minha boca de te chamar pelo nome, o costume da mente calma, sem essa sensação de que não vou mais te vê por tempo indeterminado. O costume de sonhar os teus sonhos e de saber que tu torcia pelos meus. De falar de ti no tempo presente.
Meu amor, como eu queria poder te vê de terno e gravata, com um lenço de seda no bolso do paletó, me esperando no altar, abrindo este teu sorriso largo que tanto eu amo e que fazem meus olhos chorarem de tanta admiração.
Meu bem, eu te esperaria todo o tempo do mundo, só pra que um dia eu pudesse te olhar nos olhos e responder que eu aceitaria viver sim todo o resto do tempo do mundo que me sobrou somente com você.
Minha criança ama a sua criança, a mulher que eu me tornei ama o homem que você se tornou. Suas causas seriam as minhas, suas dores seriam as minhas, suas alegrias me fariam feliz e eu andaria debaixo da sua missão. Eu te respeito tanto e te honro. Eu te serviria como a igreja serve a Jesus, com zelo e amor. Eu te amaria de maneira devota.