Teve o A, o B... e assim em diante. Homens diferentes. Rostos diferentes. Mas, no fim, era sempre a mesma história. Eu me apaixonava por quem não me dava nada. Quanto mais frio ele era, mais eu corria atrás. Quanto mais ele sumia, mais eu queria. Os caras bons, os que me tratavam bem, eu achava sem graça. Eu só me amarrava em quem me deixava esperando.
E eu esperava. Passava a noite olhando o celular, esperando uma mensagem que demorava... ou nem vinha. Aceitava migalhas e chamava de amor. Um cara que só me chamava de madrugada, eu ficava. Um que nunca me assumia, eu ficava. Um que me tratava como opção... e eu ainda agradecia pela atenção. Mudava meu jeito para agradar. Engolia desaforo com medo de perder. E, quando eles iam embora, porque sempre iam, eu desmoronava. Voltava aquele vazio. Aquela sensação de não ser suficiente. Então eu corria para outro homem que, sem eu perceber, faria exatamente a mesma coisa.
Teve um que olhou para mim e disse: "Você é legal, mas não é o tipo de mulher com quem eu teria algo sério."
Sabe o que mais doeu? Não foi ouvir aquilo. Foi perceber que, mesmo depois dessa frase, eu ainda quis ficar. Ainda tentei provar que eu valia a pena. E foi ali que eu me assustei comigo mesma. Porque pensei: "Por que eu aceito tão pouco? Por que eu me apego justamente a quem não me quer?"
Talvez você conheça esse roteiro. Talvez você também só se apaixone por quem te faz correr atrás. Talvez você também aceite ser amada pela metade, acreditando que, um dia, isso vai virar amor inteiro.
Se for assim, fica comigo mais um pouco.
Porque eu não quero que você se sinta burra. Nem fraca. Você não escolhe errado porque gosta de sofrer. Existe uma fome dentro de você. Uma fome que, muitas vezes, nasceu muito antes desses homens aparecerem. Às vezes, a primeira falta de amor que sentimos acontece cedo demais. E passamos a vida inteira tentando convencer alguém a nos escolher.
Durante muito tempo, achei que eu só tinha azar no amor. Que eu só atraía homens ruins. Mas o problema não era esse. Eu aceitava qualquer migalha porque, no fundo, acreditava que precisava merecer amor.
Até que um dia eu percebi uma coisa.
O amor que eu mais procurava nos outros era o amor que eu nunca tinha aprendido a dar para mim mesma.
Foi quando eu comecei a me escolher. A me respeitar. A me amar.
E, curiosamente, foi só depois disso que eu consegui reconhecer um amor que não precisava ser implorado.
Porque amor de verdade não faz você correr atrás.