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encontro
Ultimamente meu corpo, meu Eu, vem me dando pistas de onde eu preciso ir. Mas me falta o contato. Talvez me falte a coragem para encarar o que eu realmente quero, até porque eu pensava que sabia todas as respostas depois de muito tempo em busca delas. Mas na verdade, cada vez que me deparo comigo mesma, eu sei menos. Penso menos, falo menos.
Talvez eu esteja me esquivando de mim mesma quando me encontro, e talvez eu ainda esteja tentando encontrar em outras pessoas as respostas. Respostas que jamais me serviriam. Por que? justamente pela fuga, pela farsa, pelos resquícios de quem eu já fui e que não me servem mais. É como se tivesse uma crosta grossa sobre a minha pele que eu não sei se deveria retirar, e que eu não sei nem reconhecer.
Essas pistas que identifico são tão nítidas para mim porque eu sinto um desconforto muito grande o tempo inteiro, como se eu tivesse que me recriar por inteiro. Desmontar, destruir, demolir tudo o que eu já não sou, para então poder me reerguer. Para encontrar talvez um pouco de plenitude ou conforto em mim mesma. Para encontrar algo que eu reconheça em mim como genuíno.
Talvez eu também esteja há muito tempo me cobrando demais e tentando ser tão melhor que eu mesma, que essa parte de mim precisa mandar códigos para que eu a resgate. Talvez seja um movimento natural em Ser. Só ser e ter que existir já é muito complicado. Essa questão da manutenção de si requer muita humildade e atenção. Há muito tempo já não sou tão simples, e percebo a minha arrogância. É realmente um caminho mais fácil - viver como se tivesse um antolho em meus olhos. O problema é que isso também não me serve e sempre acabo me encontrando no caos.
É uma urgência. Me reinventar é urgente.
Também porque encontro pessoas além de mim que me esperam. E as expectativas delas eu jamais poderia alcançar. Não só porque eu não acredito que eu deva, mas também porque não tenho forças que me guiem a esse caminho que soa tão perfeito. O de agradar as pessoas, eu digo. Existem muitos confrontos em mim e eu quero ser gentil, mas o maior impulso que sinto é o de me retrair até não sentir mais, até não pensar mais. E eu não me isolo por pensar que eu seja melhor que alguém, mas o contato com as pessoas me traz a possibilidade (não só a possibilidade como a certeza de que já existem) de afetos que eu sinto tão intensamente que me transbordam. E isso me assusta, porque eu não quero mais perder ninguém, e nem me perder em alguém. São belas jornadas. Belíssimas como um quadro de Renoir. Vida turbulenta que traz acalanto. É contraditório, e no momento eu não acho que consigo sustentar.
Talvez eu só precise realmente cuidar das pessoas e de mim. São muitas incertezas, e sinto que elas vão morar por aqui por um tempo. Talvez elas sejam as pistas que preciso seguir.
“women in the rain” - marina abramović, balkan erotic epic
SUNN O))) | Solsitium Fulminate (2005)
Anjo de asas quebradas…
via weheartit