Se antes Dorcas estava tentando conter o riso, agora ele já tomava os lábios suavemente rosados da garota. Amycus Carrow falando algo de cunho quase filosófico?! Era impossível se conter. O sonserino estava a surpreendendo. Chegou a pensar que as palavras ditas foram apenas mais uma brincadeira, mas, o modo que ele falara…
Gostava de vê-la sorrir, principalmente quando estava em sua presença e porque ele, de alguma forma havia causado isso nela. As brincadeiras entre eles estavam cada vez mais constantes, o que de fato o preocupava. Não por ele, ou pelo que ele seria depois de uma amizade com Dorcas Meadowes. Mas o que fariam com Adeline de alguém descobrisse que ele estava próximo demais a uma menina ligada a Ordem da Fênix. Amycus sorriu de canto de lábio e soltou um leve riso. _ Qual é, posso não ser o melhor dos alunos, mas ignorante não sou! Pelo menos, não no sentido "burro" da força. _ Disse ele de um modo engraçado. Burro da força? Quem diria uma coisa dessas? Amycus é claro. Idiota! Riu de si mesmo. Estava gostando do clima que eles estavam presenciando. Mas não podia negar que aquilo já estava indo longe demais, perigoso demais. Não da parte dela, sabia muito bem o que ela queria, quem queria, tinha certeza das escolhas dela. Mas estar se envolvendo demais com Adeline, mesmo que só por sua parte estava mexendo com seu íntimo. Mesmo que estivesse pensativo, um sorriso malicioso e uma gracinha sempre conseguiam vencer. Ela o instigou ainda mais. Meadowes, Meadowes, não sabe com quem está brincando. Sim, era o que pairava por sua mente. _ Sério? Bom, então terei de lhe acompanhar até um lugar escuro para que posso me provar isso! _ Disse cheio de malícia, mordiscando o lábio, mas voltando a rir divertido. Mesmo sendo tão diferentes, mesmo querendo coisas diferentes, Amycus poderia um dia vir a ser amigo de verdade de Meadowes? Podia algum dia sair da encolha e sorris abertamente com a garota em público? Não, não podia. Nunca poderia, sabia disso. A expressão de seriedade voltara rapidamente para a face, ela perceberia, lógico. Então ela falou e ele atentamente prestou atenção. Ele estava pensativo, muito mais que de costume, ouvi-la falar sobre a avó só lhe trouxe lembranças de seu avô o castigando com 5 anos por ainda não ter demonstrado ter poderes mágicos. Sentiu-se horrivel. Isso lhe causou uma forte náusea. Engoliu em seco e respirou fundo ao ouvir a pergunta dela. Não, eles não sentiriam a minha falta. Ou melhor, sentiriam a minha falta, mas não do modo como outros pais sentiriam de seus filhos, sentiriam falta de Amycus porque seriam castigados. O lorde das Trevas nada gostaria de saber que o garoto havia fugido, renegando-o. Acompanhou-a até o local que ela escolha em silêncio, sentou-se virado para ela, de lado, vendo-a de perfil. Relaxou os ombros e sorriu de canto. _ Eles mudarão para pior, acredite! E não, acho que não sentirão minha falta, com toda a certeza Alecto inventará uma desculpa ou dirá que fui um imbecil e a deixei sozinha. Nunca sei dizer quando minha irmã está de bom humor. _ Era verdade, apesar de conhecê-la melhor do que qualquer outra pessoa, a irmã parecia ser bipolar. _ Não está se intrometendo, na verdade, você é a única pessoa com quem gosto de falar sobre isso. Talvez você seja um diário ambulante Adeline. _ Disse ele, sem se importar com o que ela diria, sobre ele dizer seu nome do meio. Sorriu e encostou-se no degrau de cima, olhou para o céu e depois para ela. Assentiu antes de responder. _ É, não jogo quadribol e pouco gosto de ver os jogos. Como de costume, Alecto é jogadora... Honrando a família, já eu... _ Disse ele, antes de voltar a olhá-la de perfil. Parecia ser tão doce, tão linda. Baixou os olhos e mordiscou o lábio, esperando que ela falasse alguma coisa.