Ela chegou na minha casa em um domingo de manhã, envolta em papel pardo e sem o endereço do remetente. O único enfeite do papel era o meu nome, escrito com uma caligrafia desenhada. Até agora eu me pergunto como não estranhei uma encomenda sendo entregue em pleno domingo. Isso teria facilitado a minhha vida.
Quando ela chegou eu estava ocupado, então não pude abrí-la imediatamente. Depois de fazer o que precisava, peguei a caixa e tentei abrí-la, quando escutei um grito vinvo da cozinha. Corri até lá e encontrei Márcia -- minha mulher -- em pé sobre uma cadeira, gritando e apontando para um canto, onde havia uma barata. Eu matei a barata
e acalmei a minha esposa, e a ajudei a arrumar a bagunça que ela tinha feito pelo susto, e acabei me esquecendo da caixa.
Nós acabamos de arrumar a cozinha e fomos comer. Depois, eu levei a caixa até a cozinha para abrí-la, mas no instante em que comecei a cortar o papel que a envolvia, a campainha soou. Eu deixei a caixa sobre a mesa e fui atender a porta, onde um casal de amigos nos esperava. Convidei-os para entrar e guardei a caixa novamente.
Conversamos por muito tempo, e, quando eles foram embora nós estávamos cansados, e resolvemos ir a um restaurante. A essa altura, a minha curiosidade tinha aumentado muito, e eu decidi levar a caixa conosco, para abrir se tivéssemos tempo.
Comemos, e durante todo o jantar a caixa preencheu o meu pensamento. Eu estava disposto a abrí-la no carro, mas estávamos cansados demais quando fomos embora, e decidi que, se tinha esperado o dia todo, podia esperar até chegar em casa.
Entramos no carro e fomos embora. Eu dirigia, Márcia ocupava o banco do passageiro, e a caixa estava no banco traseiro, no assento do meio -- devidamente presa pelo cinto. eu não sabia o que ela continha, e não quis arriscar deixá-la cair. Paramos em um sinal, e Márcia, muito curiosa, pegou a caixa e a colocou sobre o seu colo.
-- O que tem aqui dentro?
-- Ainda não sei, recebi-a hoje de manhã e ainda não tive tempo de abrí-la.
-- Uau, adoro misterios -- ela respondeu, girando a caixa nas mãos.
Nesse momento, um garoto segurando uma arma apareceu na janela do carro.
-- Pode ir saindo, patrão! Vai, senão leva chumbo!
Eu ia pedir pra ele nos deixar levar a caixa, mas vi Márcia escondendo-a sob o casaco. Saímos do carro, e, quando ela se virou, o garoto viu o volume quadrado sob a blusa.
-- Tá grávida de um cubo, moça? Passa isso pra mim, anda. -- Pegou o embrulho, jogou-o no carro e celerou, nos deixando para trás.]Quando me dei conta de que a caixa estava com ele, me desesperei.
--A CAIXA!! POR FAVOR, DEIXE A CAIXA!
Conseguimos encontrar o carro -- intacto -- mas a caixa não estava mais lá dentro. Por isso eu digo: sempre que uma caixa misteriosa chegar na sua casa, não hesite, abra-a!