GÊNERO: Cisgênero feminino.
CURSO: Medicina na Universidade Valhalla.
IRMANDADE: Gamma Phi Beta.
EXTRACURRICULARES: Líder de Torcida
DIVINDADE: Vammatar (mitologia nórdica).
FACES CLAIM: Camilla Mendes
+ GOSTOS: Livros, poucas pessoas presentes, lugares arejados, silêncio e organização.
- DESGOSTOS: Lugares fechados, palhaços, tatuagens, bohemian paphsody e contenção.
Brasil, 1998, uma quinta-feira chuvosa e escura. O vento batia contra todas as janelas da maternidade, o som poderia até ser alto, porém os gritos de Monica na sala de parto superavam qualquer tempestade. Ter um filho não era um trabalho fácil, ela deveria saber disso, todos diziam isso, era doloroso e sangrento, mas compensava. Ela sabia disso, ela teve certeza de que aquilo era verdade ao olhar no fundo dos olhos castanhos da pequena criança em seus braços, a sensação de segurança e de pureza durou pouco, afinal os avós da pequena criança não queriam ter a mancha de uma filha criando uma criança sozinha sendo tão jovem, então eles tiraram a garotinha dos braços de Monica antes mesmo que esta a nomeasse e entregaram o embrulho para uma enfermeira. Esta enfermeira, por sua vez, fez sua parte do acordo e sumiu com a criança da melhor forma que encontrara, vendendo-a para um casal argentino que não podia ter filhos. Aquela seria a última vez que a pequena veria o céu de Porto Alegre.
Rubén e Agostina Arrassen nomearam a garotinha de Juliana e a criaram como se fosse sua, isso até as coisas de algum jeito começarem a desandar na vida do casal principalmente quando as coisas envolviam a pequena. Com quatro anos de idade Juliana sofreu pela primeira vez nas mãos do destino quando Agostina enlouqueceu e tentou afogar a menina durante o banho. As empregadas tiraram a criança da mãe e quando Rubén chegou em casa estava decidido que a menina era a culpada de tudo e em uma medida conveniente para alguém que já havia comprado uma criança o casal a deixou na porta de um orfanato argentino. Não demorou muito para Juliana ser adotada novamente e poderia ter dado certo, poderia, os pais eram educados, ricos e amorosos, mas claro que a desgraça tinha que seguir gravada na pele da menina, então não demorou muito para o casal ser assassinado a sangue frio. E mais um casal veio e mais um foi. Então o terceiro veio e ela poderia jurar que seria diferente, pobrezinha, tão pequena. Apenas seis anos de idade e já causava comoção por onde passava, o suficiente para que seu irmão adotivo passasse a odiá-la, o bastante para fazer com que os pais achassem que Juliana era uma criança problemática.
Então o casal lhe devolveu como se fosse um brinquedo estragado. Realmente era um brinquedo estragado, uma boneca que todos cansavam de brincar com. Finalmente o quarto casal veio e Juliana conheceu uma família, era tão perfeito… Era. Foi quando ela tinha nove anos que tudo voltou a desmoronar, enquanto voltavam de uma apresentação de ballet a família se envolveu em um acidente de carro que hospitalizou Juliana e matou seus pais. Marcas, cicatrizes, análise, esse era o resumo da vida de Julles dali para frente, por um ano, talvez não tivesse sido surpresa que acabou sendo adotada por um psicologo. Cesare Valentín De Rosas, sua última parada. No começo Juliana se mostrou relutante quanto a adoção, ela não queria se apegar a alguém que acabaria morrendo ou a devolvendo, mas um ano se passou, então dois, então três e nada parecia dar errado. A garotinha finalmente tinha achado seu lar. Sua família, podia ser pequena, mas era tudo que tinha.
Dor e sofrimento, no entanto, pareciam perseguir a garota e quando não conseguiram alcançar Cesare a vítima foi a própria Juliana. Ela tinha quatorze anos, era uma boa aluna, havia demonstrado uma grande inteligência desde que ficara estável em um lugar e a memória eidética também lhe ajudava no assunto, era uma boa aluna, uma boa garota e acima de tudo tinha um bom coração, bom o bastante para desviar seu caminho para ajudar um cachorro perdido a encontrar seu dono e no desvio, em um beco qualquer acabou por encontrar o que viria a ser seu maior pesadelo.
Ele não tinha um nome, eles chamavam-no de Trickster nos jornais, ele tinha um rosto cheio de maquiagem e cicatrizes e uma roupa de palhaço que se assemelhava a um personagem malvado saído das páginas de quadrinhos. Ela era velha o suficiente para saber o que ser pega por ele significava, ela estaria morta pela manhã, era o que sempre pensava, era o que sempre esperava, por quatro anos. Quatros anos sendo chamada de ‘little bird’, quatro anos sendo sua ‘garota favorita’, quatro anos desejando que Agostina a tivesse matado naquela maldita banheira, que tivesse sido assassina junto do segundo casal, que pelo menos o maldito acidente tivesse a levado embora. Quatro anos. Quatro anos sendo acostumada com a dor apenas para ser tratada como uma boneca quebrada ao ser deixada ir. No frio do inverno argentino, perto de casa, do que era sua casa, quase no fim do caminho que já não lembrava mais. Perdida, as palavras do palhaço ainda ecoando em sua cabeça. Casa. Ela queria ir para casa, mas sua mente confusa já não processava mais casa como o local em que Cesare morava.
“Uma hora as máscaras caiem Juliana, uma hora as cortinas se fecham e sua vida não será aplaudida… A não ser que você a mude. Sempre foi assim, sempre será assim, o que resta aos quebrados? O que resta aos bastardos? O que resta a você? Não muita coisa, apenas os restos, apenas aquilo que suas cansadas mãos conseguem alcançar. Uma criança de coração quebrado, de alma pesada e corpo desgastado, uma criança de olhos vazios e sorrisos falsos, é o que todos enxergam ao pousarem as orbes no que restou de você, pequena…Eu te avisei, você estava melhor comigo. Reze aos deuses por seu corpo little bird, pois sua alma já está a muito perdida. Vá para casa, Little Bird…Vá para casa.”
Ela o fez. Ela voltou para casa. Para Cesare. Para o que ainda se lembrava, cicatrizes, marcas, análise, era novamente a rotina da menina, que de alguma forma se mostrava melhor do que todos pensavam que ela estaria. Uma perfeita mentirosa mantendo tudo para si, era seu problema, ocasionais crises de pânico demonstravam outra história, mas ninguém liga, certo? Todos veem o que querem ver e ver uma garota forte que superou o trauma é sempre mais agradável do que alguém quebrado para sempre. Talvez fosse por isso que haviam deixado Jullie voltar a escola e tomar apenas um teste para finalizá-la, por isso eles haviam tão facilmente deixado-a ir para Valhalla. Se ela havia entrado em uma universidade tão renomada, então algo deveria estar certo, mesmo que a garota não se lembrasse de preencher um formulário de inscrição.
+ Altruísta, atenciosa, confiável, leal e virtuosa.
- Ansiosa, desconfiada, obsessiva, pessimista e possessiva.
Praga: Um poder inconsciente cujo a habilidade é de espalhar a desgraça às vidas alheias seja em forma de acidentes, azar ou então de fato algo proposital. Como por exemplo um alvo do poder pode acabar sendo mais propenso a ser roubado e este roubo se tornar algo violento, ou então de apenas tropeçar e cair com a cara no chão.