VÔrias foram as pessoas que vieram ter connosco, simplesmente para ouvir as diferentes histórias que recolhemos e, depois, partilhar connosco as suas histórias.
As āconversadeirasā foram desenvolvidas como objetos que pudessem desencadear uma interação entre dois leitores e que incentivassem Ć partilha de histórias, foi ainda pensado como local que possibilita a troca de livros entre os visitantes do festival.
A intervenção num dos bancos do jardim Dom LuĆs segue a mesma intenção, tenta transportar um elemento visual do Largo de S. Paulo, colocando a cópia em gesso do perfil dos degraus da fonte central do Largo, em diĆ”logo com um banco existente no jardim.
Os desenhos de cada grupo continham algum aspecto que os unia - desde o traƧo, Ć representação de humanos ou paisagens. Como era de se esperar, houve aqueles que nĆ£o se enquadravam em nenhum grupo e outros que poderiam pertencer a mais de um. NĆ£o havia certo ou errado: o objetivo era vivenciar o diĆ”logo na produção artĆstica e entender como representamos o que imaginamos e como categorizamos essas criaƧƵes.
SorteÔmos um dos textos ilustrados e após a sua leitura foi feita a pergunta: qual dos desenhos na parede representa o que acabÔmos de ler? Discutimos brevemente fazendo nossas apostas. Foi divertido observar como mais de um desenho pode representar um único texto. Nesse momento de leitura, alguns desenhos ainda sem um completo entendimento foram ganhando significado para o grupo.
No fim da atividade tĆnhamos na parede um painel com os desenhos e seus respectivos textos, cada um com suas individualidades. Imagens figurativas, minimalistas, abstractas revelavam a diversidade do grupo que participou do workshop. Linhas, superfĆcies, pontos e espaƧos vazios faziam mais do que representar uma história - eram pistas para entender como cada pessoa processa e interpreta o mundo ao redor.
Apresentou-nos com muito entusiasmo e seriedade o seu percurso e o seu trabalho enquanto artista plĆ”stico ā desde a cerĆ¢mica, ao desenho, Ć pintura e Ć aguarela.
Apesar de ser um apaixonado pela cerâmica, estuda arquitectura; o conhecimento e estudo de formas escultóricas gigantes, permite-lhe não só perceber as dinâmicas dos espaços, como trabalhar as duas componentes quer da cerâmica como da arquitectura - em conjunto. As peças vivem no espaço do museu ou da galeria, e o espaço completa-se com a sua presença.
A proposta final consistiu num novo edifĆcio que ocupasse a zona, com um edifĆcio que respeitava o local em que se iria inserir, mas o mais relevante seria a sua função: deveria funcionar como apoio ao pólo da Ajuda, com uma Ć”rea de biblioteca e outras que incentivem a investigação, acrescentando uma mais valia para estudantes, professores e investigadores. Teria ainda espaƧo para alunos de outros nĆveis de escolaridade que habitassem próximo daquela zona, jĆ” que nĆ£o existia nenhum outro local. Deste modo, residentes e estudantes poderiam usar o edifĆcio, fomentando uma comunicação entre a comunidade local e estudantes.
O projecto propunha ainda vĆ”rias zonas e espaƧos verdes e alguns serviƧos, como uma cafetaria, relevantes para a convivĆŖncia e para a promoção do uso do novo edifĆcio, para que a sua missĆ£o inicial pudesse ser cumprida, bem como para outras novas missƵes que pudessem surgir.
Realizou-se mais um workshop no ANEXO, desta vez, a partir do trabalho da Mariana e da Rita RA o qual dialoga com a colecção de materiais, reutilização, desordem e ordem.
O twist estava em passar os elementos que tĆnhamos escolhido e passĆ”-los para a pessoa ao nosso lado, Ć qual coube a função de organizar e criar algo que lhe agradasse a partir do que recebeu.
Durante o processo de criação, cada um estava livre de fazer o que quisesse com os elementos dos outros. Ora podĆamos continuar a composição que estava a ser feita, ora podĆamos modificĆ”-la, destruĆ-la, acrescentar ou retirar coisas conforme o nosso gosto.
Tivemos oportunidade de compreender um pouco sobre a escolha dos artistas e trabalhos, sobre a disposição das obras no espaƧo e os conceitos relacionados com a pesquisa e trabalho da curadora, que vĆ£o desde as vĆ”rias vanguardas, como o suprematismo ou dadaĆsmo, que desconsideraram o museu para exposição artĆstica, Ć crĆtica institucional dos anos 60, onde o museu voltou a ganhar importĆ¢ncia no desenvolvimento de projetos artĆsticos.
Sara Antónia Matos terminou a conversa, concluindo que todas estas questƵes colocadas pela curadora vĆ£o ao encontro do conceito do Atelier-Museu, que tal como o tĆtulo da exposição indica, pode nĆ£o ser tĆ£o linear quanto nos parece de facto.
Os personagens que nascem das suas colagens são pessoas com quem se cruza no seu dia-a-dia, conhecidas ou desconhecidas, fruto de encontros, sensações, histórias e vivências curiosas e caricatas. Transformando-as de uma forma muito criativa, a Rita constrói simultaneamente, um registo de memórias ilustradas.
Neste momento, a Rita jĆ” conta com mais de 200 divertidas personagens que podem conhecer aqui
A Mariana não acredita em modas e quer mudar a forma como as pessoas a vêem,sensibilizando-as para as questões de reutilização.
O que fazer às roupas velhas que jÔ não usamos e muitas vezes deitamos fora? Podemos dÔ-las à Mariana para que as aproveite, desenhando novos modelos e costurando peças totalmente originais. HÔ peças únicas para todos as formas e feitios que são vendidas em feiras pontuais website e nas redes sociais - facebook e instagram
PROJECTO | Site-specific no Museu Coleção Berardo
Alguns membros do Anexo participaram, de 12 a 18 de Fevereiro, na co-criação de uma intervenção site-specific no Museu Berardo com o performer Gustavo CirĆaco, que foi apresentada nos dias 19 e 20 de Fevereiro de 2016.
Este convite surgiu na sequĆŖncia da programação especial da exposição dos cartazes de Ernesto de Sousa, pensada para comemorar a reedição do seu ensaio Ā«Artes GrĆ”ficas, VeĆculo de IntimidadeĀ».
Planeamento
Diversos agentes culturais (museu, curadores, artistas, ateliers) e formas de arte (cartazes históricos, performances, leituras, instalações, tipografia e artes plÔsticas) estiveram envolvidos na produção das actividades.
1."Colecção de cartazes Ernesto de Sousa "(1921-1988) c. 1500 cartazes
- Produção dos materiais necessÔrios para as intervenções.
Acção
Intervenção site-specific:
- 7 acƧƵes performativas e instalaƧƵes;
- As acƧƵes e instalaƧƵes criaram circuitos ativos em diferentes pontos da exposição e espaƧos contĆguos, funcionando como uma composição em tempo real.
A intervenção site-specific testemunhou o desenvolvimento de um processo artĆstico dentro de um museu e constitui um exemplo do lugar que os projectos independentes podem adquirir junto de instituiƧƵes de renome.
O segundo workshop orientado pelo ANEXO foi sobre animação tradicional. Tendo como ponto de partida o projecto de animação de Vinicius Ladeira "Sobre a Cor-de-Rosa", no workshop pretendemos criar pequenas animaƧƵes feitas num Zootroscópio, tendo como foco, a "Transformaçãoā e a a promoção da mudanƧa social.
Depois, a partir da palavra escolhida, comeƧaram a desenhar em pedaƧos de papel rectangulares para criar a animação. Neste caso, o princĆpio mais importante a aplicar foi o pose to pose, ou seja, desenhar primeiro as posiƧƵes-chave da figura/objecto que se queria animar (posição do inĆcio, meio e final) e depois ir completando as intercalaƧƵes.
Quando acabaram, cada um pĆ“s os seus desenhos no Zootroscópio para ver o resultado final com os desenhos em movimento. Algumas animaƧƵes ficaram incrĆveis como se pode ver nas fotografias e vĆdeos registados.
Meet Vini, he's been a member of ANEXO since the beginning of theĀ project. Vini was born in Rio de Janeiro and currently lives in Lisbon. During a brief presentation of his digital animation work, he communicates hisĀ ideas through a simple and rich graphic language. Vini has and interactive personality and a strong commitment to education in theĀ Brazilian society. His relaxed style brings a vibrant energy and good mood to the project.
Neste projeto, os artistas pretendem questionar a relação que cada pessoa tem com os elementos visuais que fazem parte do seu quotidiano, partindo do princĆpio que muitos deles passam despercebidos ao seu olhar.
Um aspeto fundamental para estes artistas foi a intervenção dos visitantes, quer nuns cartazes que o Miguel e o Lucas disponibilizaram em cavaletes, quer num āKitā (cartaz c/caneta, limitando a 23 ediƧƵes, com a fotografia da planta), que as pessoas poderiam adquirir, para posteriormente ser enviado para constar da exposição final, que terĆ” lugar no Arquivo 237, jĆ” na Primavera de 2016. O percurso da exposição comeƧava pela esquerda, o 1Āŗ momento, uma prateleira, juntava os 23 āKitsā e a respetiva caneta numerada, passando para o 5Āŗ, que consistia nos dois cavaletes dispostos um ao lado do outro, com vĆ”rios cartazes, para a intervenção dos visitantes. Seguia-se o 2Āŗ/4Āŗ momento, em simultĆ¢neo, que eram a repetição das fotografias da planta e o espaƧo em branco Ć volta delas, respetivamente, finalizando com o 3Āŗ momento, uma mesa oblĆqua, no centro da sala, com a reprodução das intervenƧƵes nos espaƧos pĆŗblicos, por cima de uma folha em branco, simulando a ideia do projeto e ao mesmo tempo, criando uma dinĆ¢mica ao espaƧo da exposição.
Em relação ao ambiente, os artistas colocaram sons gravados nos locais públicos, bem como a captação de sons no espaço do Arquivo 237 durante o momento da exposição.
A inauguração contou com bastantes visitantes, incluindo a presença de membros do ANEXO, e com muita partilha sobre esta temÔtica. O desafio foi muito bem aceite, resultando numa exposição muito dinâmica, à qual os artistas proporcionaram um momento de aprendizagem e consciência do meio envolvente, inserindo o público em geral, como agentes fundamentais para a existência da obra.