“Pois é, pode acreditar que ele tava revoltadíssimo com o seu bolinho. Só porque eu não sabia o nome chique dele.” Balançou a cabeça como se estivesse extremamente indignado e revoltado com a situação, visivelmente brincando com a amiga. Abriu um sorriso bem-humorado enquanto pegava um dos docinhos dela, dando uma mordida e rapidamente erguendo o polegar em sinal de ‘joinha’, como agradecimento. “Nunca se sabe, ok! Você não é um monstro, mas as pessoas aleatórias conseguem ser aleatoriamente chatas de vez em quando, nunca se sabe. O que você tava jogando?” Perguntou, rindo e pegando o café da mesa para tomar um gole. “Eu tô a cada dia repensando mais as minhas escolhas de vida que me fizeram parar no futebol, porque o treinador anda num surto só esses dias que tá de matar. De resto, tá tudo indo. E com você, hm?” Jogou o questionamento de volta, propositalmente fugindo do tal assunto ‘crushs’.
"'Cê tem razão... E eu não sei se é só comigo, mas as pessoas parecem ter a habilidade de me tirar do sério. Tudo o que queria era concluir o meu ensino médio em paz, ouvindo Beatles nos meus fones de ouvido, enquanto as pessoas se matam e se estressam por ai". Deu de ombros, como se não fosse ela a primeira a procurar alguma briga, assim que surgisse a oportunidade. "Eu 'tava jogando um joguinho do Bob Esponja, de restaurante. 'Cê monta os hambúrgueres e tal. É bom pra passar o tempo, as vezes". Angel pegou mais um dos doces da bandeja, enquanto escutava Nate falar sobre a vida pessoal. A maneira como ele se esquivou dos assuntos românticos, não passou despercebido, mas decidiu que não o pressionaria quanto a isso, já que as coisas não estavam melhores para si. Havia aceitado o fato de que provavelmente viveria sozinha, com cerca de 10 gatos para lhe fazer companhia, recebendo ligações de alguns amigos que contariam sobre as peripécias que os próprios filhos estavam aprontando na escola. "Eu só não entendo como é que 'cê aguenta todos aqueles atletas insuportáveis..." Comentou, deixando o seu preconceito contra o grupo bastante evidente. "Eu 'tô bem, sei lá, nada de novo". Deu de ombros, querendo desesperadamente tirar o foco da conversa de si, antes que confessasse ao amigo todos os problemas que vinha passando ultimamente. Confiava muito em Nate e achava adorável a maneira como ele cuidava de si, quase como um irmão. Porém, ainda não era capaz de contar para outras pessoas sobre os seus problemas e preocupações. Terminou o último docinho, lambendo os dedos de maneira infantil ao final. "'Tava pensando em ir atrás de uns discos novos, sei lá. Quer ir comigo?"