Eu digo a mim mesma que eu nem quero pensar no quanto isso me fere. Isso está lá, me ferindo. E está saíndo pra fora de mim, se tornando visível, mas ninguém imagina que é você... dentro da minha cabeça. É como se você estivesse comendo minha carne, chupando os meus ossos... me sugando... O que vai restar? Onde ecoarão os meus gemidos inexpremíveis que somente o Deus criador de mim pode ouvir? Eu tão somente estou tentando lidar com os meus pensamentos a seu respeito, mas tudo que eu lembro me põe em transe... isso é torturante. Eu acredito na minha inocência. Eu aceito que mereço a libertação dessa angústia. Mas teus olhos, teus gestos, tuas palavras são como um fantasma, que surge repentinamente a me assombrar. Não importa o quanto eu ore, chore, medite, estude ou corra, você sempre volta. E não consigo te odiar. Não consigo parar de chorar. Não tenho controle de nada, mas sentir isso, logo quando parece que tudo vai bem, me paralisa. Me machuca... sendo que você não fez nada. Não fizemos nada... talvez nunca ter feito é o que dói hoje. Mas se fizéssemos doeria também, talvez até mais. Não consigo imaginar um desfecho feliz, não há conformidade aceitável ou confortável. Não existe ressignificação para isso. É um amor impossível e sem solução que virou uma doença autoimune dentro de mim... eu tenho que parar de sentir muito. Parar de lamentar. Parar de pensar em você e aceitar que eu não era possível. Aceitar que não e ponto final. Não. É apenas não. Não, não, não e não. Cabo...