tua ida me despedaçou de tantas formas que até hoje ainda tento encontrar os pedaços de mim que eu perdi pelo caminho
— annie c

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@anjdream
tua ida me despedaçou de tantas formas que até hoje ainda tento encontrar os pedaços de mim que eu perdi pelo caminho
— annie c
eu sou hipérbole: exagero no falar exagero no sentir
— annie castro
sempre vai haver esse buraco aberto no meio do meu peito sempre uma palavra que fará o sangue voltar a jorrar dias e dias para estancar a ferida sempre um gatilho, uma lembrança, um filme, uma música tocando no rádio sempre o buraco aberto no meio do meu peito sempre o nó na garganta e a ausência que grita o tempo todo
sempre o e se sempre ele não estando aqui
- annie c
nos últimos meses eu passei tempo demais olhando pra fora quando parei pra me olhar só encontrei fragmentos de quem sou descobri mais uma vez que é fácil demais a gente se perder da gente ouvi a pergunta “quem tu é?” e não soube responder mas lá no fundo eu sei bem lá no fundo eu sei quem sou só preciso juntar esse emaranhado de coisas que compõem o meu ser e ver o que elas formam quando estão uma do lado da outra às vezes a gente só precisa olhar pra dentro e se reencontrar com quem a gente é
— annie c
já não quero mais carregar o peso da culpa por atitudes que tomei outrora já não quero mais ter vergonha de quem fui
acho que finalmente compreendo que precisei ser aquela pessoa da qual não me orgulho para me tornar a pessoa que sou hoje e que estou grata por ser
se eu não tivesse sofrido tanto lá atrás talvez não entendesse o sofrimento hoje em dia talvez não conseguisse valorizar a felicidade ou tantas outras coisas que naquela época pareciam não ter valor
já não posso mais sentir dor ao olhar para trás todo esse caminho faz parte de quem me fui e sou
agora olho para o meu eu do passado com carinho e acolhimento com perdão e agradecimento
obrigada por nos conduzir até aqui
— annie c
será que se as pessoas soubessem que as atitudes delas afetariam os outros por tanto tempo por toda uma vida
será que se elas soubessem das marcas que deixariam de todos os traumas e inseguranças
será que elas pensariam duas vezes antes será que ainda assim elas iriam em frente e puxariam o gatilho?
eu queria saber vez ou outra isso é tudo que eu queria saber
— annie c
eu não sou as coisas que me aconteceram posso ser o conjunto das marcas que elas deixaram em mim ou o reflexo da forma que lidei com elas mas não sou de fato elas
a pessoa que sou não pode ser resumida por elas
não sou as decisões que outros tomaram ou que tomei em momentos de caos
esses acontecimentos não me definem
sou o contexto o todo sou o resultado de tudo que senti pra chegar até aqui e de como lidei com tudo que me aconteceu
— annie c
“as pernas dela não acompanham a velocidade da cabeça”. essa foi a resposta que minha professora da primeira série encontrou pra explicar pra minha mãe porque eu vivia caindo pelo colégio. minha cabeça pensava mais rápido do que minhas pernas conseguiam acompanhar. por isso eu vivia cheia de roxos nas pernas. as calças sempre rasgando nos joelhos. meu corpo não acompanhava a velocidade dos meus pensamentos. até hoje me sinto assim. cheia de roxos por dentro. às vezes me calo porque a boca não acompanha o redemoinho de ideias que acontece na minha cabeça. em outras tento falar mas só saem fragmentos sem sentido de um pensamento maior; meu coração constantemente acelera tentando entender os pensamentos que rodopiam feito doidos na minha mente. minha cabeça vive em outro tempo, distante do meu corpo. no futuro. no passado. sigo correndo sem saber pra onde. movendo as pernas e o coração de forma acelerada, tentando acompanhar os pensamentos que não param.
às vezes eu só queria parar
viver no mesmo tempo
conseguir me alcançar
e me acompanhar
— annie c
quem é você que bagunçou tudo no meu peito que mal chegou e já mudou os móveis de lugar coloriu algumas paredes me ajudou a recolocar alguns quadros que estavam pelo chão e iluminou cantos que eu tinha esquecido que existiam
quem é você que eu vejo pra todo lado que olho
quem é você que me fez reacreditar em tudo que eu achei que não existia mais
quem é você que parece que conheço há anos mas que ainda tenho tanto pra aprender
quem é você que não sai mais da minha cabeça e coração
— annie c
são esses momentos que nos fazem continuar esses impactos geram impulsos é preciso alcançar o solo antes de saltar para a superfície
— annie c
vai ficar tudo bem
me abraço e sussurro baixinho pra mim mesma:
vai ficar tudo bem vai ficar tudo bem vai ficar tudo bem sempre fica
— annie c
eu sou hipérbole: exagero no falar exagero no sentir
— annie c
só me senti inteira quando me reconheci assim: incompleta (alguns pedaços nunca vão voltar pro lugar)
— annie c
acontece que a vida é isso esse amontoado de problemas que nunca acabam
mas é nos intervalos entre um e outro quando a paz surge enquanto possibilidade é nesse momento que nos sentimos vivos
— annie c
‘your art matters’
essas palavras soaram como um tapa
elas eram um recado: não deixa tua arte morrer se perder no meio da correria virar somente uma lembrança
coloca no papel a vida que há em ti
deixa as palavras fugirem saírem se tornarem real your art matters ame-a com todas as tuas forças deixa que a tua escrita te salve
— annie c
agora tu me olha e diz que eu me afastei mas não percebe que na verdade eu já tinha ido embora muito antes de partir
— annie c