It started out with a kiss, how did it end up like this? @SamuelRoth
ㅤㅤㅤㅤㅤFuck you, Anna. Fuck you so very fucking much. ㅤㅤㅤㅤㅤMinha primeira reação foi transferir as palavras do meu cérebro até a garganta. ㅤㅤㅤㅤㅤA segunda foi engoli-las tão a seco que tive de pigarrear para responder à chuva de sarcasmo que me tinha sido rebatido — merecidamente, na verdade — e sequer notei que tinha imitado o último movimento da ruiva me levantando da cadeira até ter de segurá-la rapidamente para que não caísse no chão da biblioteca. ㅤㅤㅤㅤㅤ— What makes you think I was looking at you?! — Falei tão irritado que me senti o melhor mentiroso do mundo ao não deixar a incerteza escapar com a frase como teria acontecido sob circunstâncias normais. Circunstâncias em que eu não estivesse tomado por… argh, ciúmes. — Well, if you are incapable of studying because you are too busy being paranoiac, maybe you should go see a doctor before we start our tests. There will be a lot of people there in the classroom looking at you, d’you know that?! — Comecei a recolher minhas coisas com uma fúria tão fora do comum que quase rasguei uma das folhas de pergaminho. Minhas mãos tremiam e talvez fossem elas a única denúncia do meu verdadeiro estado de espírito com toda aquela situação. ㅤㅤㅤㅤㅤ— And you were doing such a nice job, you see?! — A voz subiu uns tons a mais do que eu esperava, causando vários “shhh” que ignorei completamente. — Until you decided to fucking come to my fucking place with your fucking boyfriend! ㅤㅤㅤㅤㅤMais “shhh” irritados em minha direção e a voz de Anna dizendo qualquer coisa que não fiz questão de prestar atenção enquanto saía pisando com tanta força o chão que o teria marcado de pegadas, caso fosse Hagrid. Esbarrei propositalmente na cadeira de Edgar ao passar por ele, acertando o encosto nas minhas próprias costelas e soltando um bufar reprimido pelo comprimir dos meus lábios. Sufoquei a dor até passar pelas portas da biblioteca, ignorando também a bibliotecária Melina Pince que reclamava sobre meu tom de voz. ㅤㅤㅤㅤㅤ— Fuuuuck! — Encostado à parede do lado da porta, massageei minhas costelas de olhos fechados, sentindo uma lágrima escorrer do olho direito. ㅤㅤㅤㅤㅤA raiva que sentia de Anna e Edgar Bones triplicou com a dor, mas eu não faria mesmo nada a respeito. Não tinha o que fazer. Se fosse do tipo vingativo, provavelmente estaria na Slytherin. ㅤㅤㅤㅤㅤRespirei fundo e enxuguei os olhos úmidos com a manga das vestes, me dirigindo ao dormitório.
A intenção inicial de Anna se esvaiu ao ouvir a resposta de seu ex-melhor amigo. Os olhos, como era de costume quando era contrariada, arregalaram-se e os lábios entreabriram, ensaiando respostas que ela jamais verbalizou. Percebia os olhares focados nela, algumas pessoas cochichavam e a bibliotecária – que já não gostava dela, parecia ter esgotados os "shh" possíveis por segundo.
– Yeah, do that, run away, Sam! That's what you always do, isn't it? – Virou-se para ele, enquanto ele esbarrava na cadeira em que Edgar estava sentado. – You can stop sttutering, but you will never stop being such a coward. – Sentia o rosto queimando, enquanto caminhava em direção à mesa onde estava estudando antes. Pisava com tanta raiva que julgou ser capaz de abrir um buraco no chão. A bibliotecária caminhava em sua direção, provavelmente anunciando que ela deveria se retirar ou receberia uma detenção, mas ela não esperou para ver. Pegou as coisas que estavam na mesa sem cuidado algum, amassando pergaminhos e páginas de livros e os segurando junto ao peito. Lançou um olhar que dizia "i'm sorry" para Edgar, mas duvidou que ele o tivesse visto.
E, pelo mesmo caminho que Sam havia seguido, deixou a biblioteca. O via alguns passos à sua frente e teve vontade de xingá-lo. Estuporá-lo. Utilizar o método trouxa e espancá-lo. Mas não o fez. Não o fez porque as lágrimas queimavam seus olhos e ela sequer conseguia correr para alcançá-lo.
E, principalmente, porque pela segunda vez, Samuel Roth havia quebrado seu coração.














