Há 3 semanas e meia ela terminou comigo. Foi desesperador no início. Lidar com a situação da minha avó passou a ser quase insuportável quando simultânea à dor desse abandono. Mas a vida pode surpreender quando se permite cada dia acontecer por si só. É como ouvi ontem na terapia, me desvincular um pouco de minhas próprias determinações, enfrentar as situações com mais leveza, pode trazer resultados bastantes positivos. E trouxe. Me permiti tentar preencher o vazio dela com outra pessoa, sem pretensões de profundidade, de sentimentos, mas de pura e simples distração. Fui surpreendida. A primeira garota me fez desinstalar o aplicativo sem a mínima pretensão de dar continuidade às conversas ali presentes. Foi intenso. Quatro dias consecutivos, com evolução gradual fisicamente, mas exponencial em conexão. Cada encontro nosso me despertou mais interesse e envolvimento. Era consideravelmente difícil crer que uma companhia absolutamente agradável, algo bastante raro no contexto do meu irritante nível de exigência, surgiu assim tão inesperadamente. Fui completamente envolvida, me encantei por ela mais a cada hora que passamos juntas.
No primeiro dia, me encantei por sua história. Conheci quem era Maria Noêmia, sua origem, suas dores, seus desejos. Sua profundidade foi algo inesperado e me despertou irresistível curiosidade. Não mero desejo de saber sobre ela, mas de compreender e desvendar. Depositei sobre ela inúmeras perguntas e a cada resposta sentia meu interesse crescendo. A ínfima expectativa que tinha sobre esse encontro até seu início cresceu a ponto de tornar irresistível o desejo por um beijo. Além de tudo ela era linda.
No segundo dia, fui conquista por seu afago. A progressão do interesse seguia exponencial, conversar com ela ficava melhor a cada hora. E quanto mais a conhecia, mais queria conhecer e mais a estimava. Nos beijamos mais vezes, beijos longos e aprazíveis. No entanto, mais do que os beijos, por melhor que fossem, o que me envolveu por maior nesse episódio foi seu aconchego. O carinho que ela me oferecia era ímpar. Por mais clara que fosse a possibilidade de existência, nunca de fato cri que poderia haver alguém tão carinhosa quanto eu. E cá estava ela para me provar que sim. Com isso, ganhou meu coração sem que eu pudesse cogitar reagir. A lembrança do aconchego sentadas no sofá da sala, enquanto ela me acariciava interruptamente, independente de nossa posição, me aquece o coração toda vez que permeia meus pensamentos.
No terceiro dia e quarto dias, ela ganhou minha paixão. Nossas longas conversas e as tão fugazes, apesar de várias, horas de carinho estabeleceram como inegável o sentimento dentro de mim. Por maior que fosse o meu desejo de seguir com cautela nesse momento, precisei ceder, estava apaixonada. Tive ela por completo para mim, me entreguei por completo para ela. A hipnose daqueles olhos nos meus transcendeu. Ela me provou que toda a beleza que eu conhecia poderia, surpreendentemente, atingir níveis ainda maiores. Ela é maravilhosa, é linda por inteiro. Me tira o fôlego a lembrança. Me descompassa sempre que penso sobre. Foi tão intenso, mas tão leve. Nossa leveza me encanta. Ela me encanta, e muito.
Sigo pensando nela reiteradamente a cada hora, na expectativa da ainda desconhecida data de nosso próximo encontro. Permanece incrível que essa mulher tenha aparecido na minha vida dessa forma, nesse momento e seja extraordinária o bastante para tornar esse ‘nós’ perfeito independente das circunstâncias.
Em análise fria, o momento permanece tão árduo quanto há um mês ou dois, mas o sentimento é absolutamente distinto. Essa ainda breve história já foi capaz de me encher de energia e de colorir os dias. Por um lado, parece desproporcional tamanho impacto, mas por vezes a vida desconhece proporções e nos presenteia com o inusitado.