Amélia
A pele era tão branca quanto a atmosfera etérea de algum livro de suspense. Os cabelos eram negros, tão densos quanto uma floresta virgem.
Os olhos eram castanhos e as bochechas rosadas quase que o tempo todo.
Gostava das pessoas, gostava sempre de buscar pelo mais obscuro nelas. Porém, não criava laços com ninguém. Era sozinha. Pensava que criar laços não traria benefício algum. E então fugia. Fugia de todos.
Se enganava ao pensar que já chegara a amar alguém. Nunca amou. Não porque não quis, mas porque não se permitiu. Nunca deu tempo. Nunca deu tempo porque fugia.
Já gostou sim de algumas almas, mas nunca nada tão forte. Nada que alguns goles de bebida não fizessem esquecer. Sempre tudo tão efêmero. Era cansativo.




















