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@antesopior
âEu atĂ© queria dizer que eu sinto sua falta e romantizar as coisas. Fingir que ainda penso em vocĂȘ depois de tanto tempo e procurar seu nĂșmero em algum bloco de notas perdido entre as minhas coisas. SĂł que, estranhamente eu realmente nĂŁo estou sentindo saudade. Eu demorei tanto tempo pra poder dizer isso de forma verdadeira e com meu coração limpo e minha mente sĂŁ, mas aconteceu. Em algum momento eu parei de me importar com o espaço que a sua falta ocupava em meu peito e tambĂ©m, a forma que isso me rasgava por dentro. AtĂ© que um dia, eu parei de me importar mesmo e, consequentemente, parei de sentir. Agora que a saudade foi embora junto com vocĂȘ, eu sinto que finalmente posso respirar de forma livre e atĂ© um pouco maliciosa. Finalmente me tornei a mulher que eu sempre quis ser e nunca consegui, porque vocĂȘ sempre teve medo.â
â Cassie and Bernardo.Â
âNĂŁo gosto de quem se faz de santa, de prestativa, de solĂcita, de legal. NĂŁo gosto de quem fala miando, se finge de sonsa, faz caras e bocas. NĂŁo gosto de gente artificial, que tem duas caras, dois jeitos, dois comportamentos. Sou a favor da transparĂȘncia, de gente de verdade, sem retoques, sem artifĂcios. Tenho pavor de mulher fingida. Que se finge de morta, mas no fundo rebola o tempo todo, faz cara de atriz pornĂŽ pra ser notada e depois diz que ah-Ă©-meu-jeito-sou-assim. Tenho pavor de mulher que se insinua o tempo inteiro e depois diz nĂŁo-entendo-porque-todo-mundo-olha-pra-mim. Pavor.â
â Clarissa CorrĂȘa
âEu me trai. Eu me troquei para caber na sua vida e no final, quem saiu magoada fui eu.â
â Char Almeida. Â
MOVER AWAYER // HOBO JOHNSON
âEu nĂŁo esqueci, me conformei com a ausĂȘncia. Ă diferente.â
â Gabriel Oliveira.
perdoar, sobretudo, a ti mesmo.
âEu atĂ© gosto de vocĂȘ. Gosto mesmo, de verdade. Mas aprendi uma lição importante nessas minhas idas e vindas: Ă© necessĂĄrio estar bem consigo mesmo, pra depois entregar o coração a alguĂ©m.â
â Azul Ciano.
SĂŁo poucas as vezes em que alguĂ©m vai gostar de vocĂȘ pelo que vocĂȘ Ă©, na maioria das vezes Ă© pelo que vocĂȘ finge ser.
âMas a saudade mais dolorida Ă© a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e atĂ© da ausĂȘncia consentida. VocĂȘ podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lĂĄ. VocĂȘ podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. VocĂȘ podia ficar o dia sem vĂȘ-la, ela o dia sem vĂȘ-lo, mas sabiam-se amanhĂŁ. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ou quando alguĂ©m ou algo nĂŁo deixa que esse amor siga, ao outro sobra uma saudade que ninguĂ©m sabe como deter. Saudade Ă© basicamente nĂŁo saber. NĂŁo saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. NĂŁo saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. NĂŁo saber se ela ainda usa aquela saia. NĂŁo saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. NĂŁo saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido Ă s aulas de inglĂȘs, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a pĂĄgina do DiĂĄrio Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tĂŁo bem; se ela continua detestando o MC Donaldâs; se ele continua amando; se ela continua a chorar atĂ© nas comĂ©dias. Saudade Ă© nĂŁo saber mesmo! NĂŁo saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; nĂŁo saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; nĂŁo saber como frear as lĂĄgrimas diante de uma mĂșsica; nĂŁo saber como vencer a dor de um silĂȘncio que nada preenche. Saudade Ă© nĂŁo querer saber se ela estĂĄ com outro, e ao mesmo tempo querer. Ă nĂŁo saber se ele estĂĄ feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso⊠à nĂŁo querer saber se ele estĂĄ mais magro, se ela estĂĄ mais bela. Saudade Ă© nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. Saudade Ă© isso que senti enquanto estive escrevendo e o que vocĂȘ, provavelmente, estĂĄ sentindo agora depois que acabou de ler.â
â Tati Bernardi.Â
âDesisti. E isso Ă© a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que jĂĄ me aconteceu. Eu simplesmente desisti. NĂŁo brigo mais com a vida, nĂŁo quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opiniĂŁo de todo mundo, coisas que acho deprĂȘ, outras que quero somar, mas as deixo lĂĄ. Deixo tudo lĂĄ. NĂŁo mexo em nada. NĂŁo quero. Odeio as frases em inglĂȘs mas o tempo todo penso âI donât careâ. Me nego a brigar. Pra quĂȘ? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor sĂł Ă© amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, nĂŁo quero mais nada. De verdade. NĂŁo vejo o que Ă© feio e o que Ă© bonito. NĂŁo ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. NĂŁo ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trĂąnsito parou, nĂŁo buzino. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida Ă© assim. NĂŁo brigo mais. NĂŁo quero arrumar, tentar, me vingar, nĂŁo quero segunda chance, nĂŁo quero ganhar, nĂŁo quero vencer, nĂŁo quero a Ășltima palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero nĂŁo sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralĂtica. SĂł rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lĂĄgrima para o que for insuportĂĄvel. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguĂ©m que enfie a mĂŁo por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero nĂŁo sentir mais porra nenhuma. SĂł nĂŁo sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que sĂł afugenta a tudo e a todos. NinguĂ©m dĂĄ conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim nĂŁo basta. NinguĂ©m dĂĄ conta e quer saber? Nem eu. Chega. NĂŁo quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a histĂłria, seja ela qual for, pela milĂ©sima vez. Deixa a vida ser como Ă©. Desde que eu continue dormindo. Ser invisĂvel, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportĂąncia. Quase um alivio. I donât care.â
â Tati Bernardi. Â